Princesa de rodeio morre aos 21 anos com doença rara após 20 dias internada

Maria Eduarda Pinto Catão, 21 anos, faleceu após 20 dias de internação, deixando família devastada e interrompendo seus sonhos de se formar em medicina veterinária e realizar trabalho filantrópico com animais.
Ela morreu vivendo os sonhos e acredito que estava no auge
A prima de Maria Eduarda reflete sobre uma vida interrompida no seu momento de maior realização.

Aos 21 anos, Maria Eduarda Pinto Catão — princesa de rodeio, empreendedora e estudante de medicina veterinária — faleceu em novembro de 2020 após apenas vinte dias de internação, vítima de uma doença autoimune rara chamada hemofagocítica, diagnosticada quando já havia pouco a fazer. Sua história nos lembra que a vida pode ser interrompida no exato momento em que parece mais plena, e que o intervalo entre um sintoma comum e um diagnóstico correto pode ser, tragicamente, a distância entre o presente e o silêncio.

  • O que começou como dor de garganta e feridas na boca evoluiu em dias para uma infecção generalizada que os médicos demoraram a identificar, suspeitando primeiro de lúpus e depois de hepatite.
  • A hemofagocítica atacou o fígado de Maria Eduarda com tal velocidade que ela chegou a entrar na fila para transplante — mas o único doador disponível era incompatível com seu tipo sanguíneo.
  • Vinte dias após a internação inicial, a família foi chamada ao hospital com a notícia de que restavam apenas horas: a doença havia se espalhado para outros órgãos e não havia mais o que fazer.
  • Maria Eduarda morreu em 9 de novembro de 2020, a dois meses de se formar, com os boletos da festa de formatura já pagos e o vestido já desenhado.
  • Após sua morte, o número de seguidores no Instagram cresceu — pessoas descobrindo sua história quando ela já não estava mais ali para vivê-la.

Maria Eduarda Pinto Catão tinha 21 anos e vivia o auge de uma vida construída com entusiasmo. Princesa do Jaguariúna Rodeio Festival 2019, ela havia montado seu próprio estúdio de body piercing na cidade do interior paulista, acumulado mais de 17 mil seguidores no Instagram e estava a pouco mais de um ano de se formar em medicina veterinária. Os boletos da festa de formatura já estavam pagos. O vestido, já desenhado.

Crescida em um sítio, Maria Eduarda nutria amor profundo pelos animais — criava sete gatos e dois cachorros — e seu plano para a veterinária não era financeiro: queria atender animais de forma beneficente, sem cobrar de quem não pudesse pagar. Sua prima Juliana Dal' Bó contou que o que ela buscava era presença concreta no mundo — andar na rua e ser reconhecida por todos.

Em 20 de outubro de 2020, ela chegou ao Hospital de Jaguariúna com dor de garganta e sintomas que pareciam gripe. Os médicos suspeitaram de lúpus, depois de hepatite. A infecção não cedia. Transferida para a Unicamp quatro dias depois, o diagnóstico correto — hemofagocítica, doença autoimune rara que provoca infecções generalizadas — veio apenas no dia 28 de outubro, tarde demais. A doença havia atacado o fígado. Maria Eduarda entrou na fila para transplante, mas o único doador disponível não era compatível com seu tipo sanguíneo.

No dia 7 de novembro, seu quadro piorou drasticamente. No domingo seguinte, um médico chamou a família e disse que era apenas questão de horas. Na manhã de segunda-feira, dia 9 de novembro, ela faleceu. Tinha vivido vinte dias dentro de um hospital desde que entrou achando que tinha gripe.

A organização do rodeio publicou uma homenagem nas redes sociais. Os seguidores de Maria Eduarda no Instagram saltaram de 17 mil para 18,1 mil após sua morte — pessoas encontrando sua história quando ela já não havia mais história a viver. A família permanecia devastada: a mãe precisou ser socorrida, a avó não parava de chorar, e a prima mal conseguia falar sem lágrimas. O vazio deixado por uma jovem alegre, de alto astral, que vivia seus sonhos, era do tipo que nenhuma palavra consegue preencher.

Maria Eduarda Pinto Catão tinha 21 anos quando entrou no Hospital de Jaguariúna em 20 de outubro com dor de garganta e sintomas que pareciam uma gripe comum. Quatro dias depois, transferida para a Unicamp, os médicos diagnosticaram hemofagocítica — uma doença autoimune rara que ataca o sistema imunológico e provoca infecções generalizadas. Ela morreria em 9 de novembro, apenas vinte dias após a internação inicial, deixando a família devastada e interrompendo uma vida que parecia estar no auge.

Maria Eduarda era estudante de medicina veterinária e princesa do Jaguariúna Rodeio Festival 2019, um concurso de beleza tradicional na região do interior paulista. Mas seu sucesso ia além do título. Aos 21 anos, ela havia montado seu próprio estúdio de body piercing na cidade e se tornara uma referência local na área, acumulando mais de 17 mil seguidores no Instagram. Vivia o sonho que cultivava desde a infância: ser reconhecida, ser popular, ser vista. Sua prima Juliana Dal' Bó, de 33 anos, explicou que Maria Eduarda não buscava fama abstrata, mas aquela presença concreta — andar na rua e ser reconhecida por todos.

O caminho até ali havia sido traçado com cuidado. A mãe de Maria Eduarda havia participado da segunda edição do rodeio de Jaguariúna, e a filha cresceu vendo aquela foto, aquele momento de destaque. Quando ficou mais velha e trabalhou como modelo agenciada, a participação no concurso se tornou natural. Mas o sucesso no body piercing a surpreendeu. Ela cresceu tanto na profissão que chegou a comentar com a prima que a medicina veterinária seria algo secundário — não precisava do dinheiro da profissão. O que realmente a movia era a ideia de atender animais de forma beneficente, sem cobrar de quem não pudesse pagar.

Essa intenção filantrópica era clara e deliberada. Maria Eduarda havia crescido em um sítio e desenvolveu profundo amor pelos animais. Criava sete gatos e dois cachorros. Estava a pouco mais de um ano de se formar em medicina veterinária quando adoeceu. Já havia quitado os boletos da festa de formatura — faltava apenas dois meses para isso — e até havia desenhado o vestido que usaria no dia. A conclusão da faculdade era seu próximo grande sonho.

Mas a doença não deu tempo. Quando Maria Eduarda chegou ao Hospital de Jaguariúna com dor de garganta e feridas na boca, ninguém sabia o que enfrentava. Os médicos suspeitaram de lúpus, depois de hepatite. A infecção não cedia. Transferida para a Unicamp no dia 24 de outubro, o diagnóstico de hemofagocítica saiu apenas quatro dias depois — uma descoberta tardia demais. A doença atacou primeiro o fígado. Durante a internação, Maria Eduarda entrou na fila para transplante e quase recebeu um novo órgão, mas o doador não era compatível com seu tipo sanguíneo.

Por volta de 7 de novembro, seu quadro piorou drasticamente. A doença havia se espalhado para outros órgãos. No domingo, dia 8, um médico chamou a família e disse que era apenas "caso de milagre", que restavam poucas horas de vida. Na segunda-feira, por volta das dez da manhã, chamaram novamente para informar o falecimento.

A organização do rodeio publicou uma mensagem nas redes sociais: "Você faz parte da nossa história, nossa eterna Princesa. O seu brilho e encanto estará para sempre entre nós!" Após sua morte, o número de seguidores de Maria Eduarda no Instagram saltou de 17 mil para 18,1 mil — pessoas descobrindo sua história quando já não havia mais história a viver.

A família permanecia devastada. Juliana Dal' Bó, falando sobre a perda, mal conseguia conter as lágrimas. A mãe havia precisado ser socorrida. A avó apenas chorava. Eram muito unidos, e a ausência de Maria Eduarda — jovem alegre, de alto astral, que vivia seus sonhos — deixava um vazio que nenhuma palavra conseguia preencher. Uma vida que parecia estar no auge havia sido interrompida por uma doença rara, diagnosticada tarde demais, que não deu segunda chance.

O sonho dela desde criança era ser popular. Sempre quis isso. Ela morreu vivendo os sonhos e acredito que estava no auge em sua vida.
— Juliana Dal' Bó, prima de Maria Eduarda
Não precisava tanto de dinheiro da profissão, mas que atenderia animais de maneira beneficente. Tinha bem claro na cabeça que não seria por falta de dinheiro do dono do animal que deixaria de atender.
— Juliana Dal' Bó, sobre os planos filantrópicos de Maria Eduarda
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a história de Maria Eduarda importa além do trágico pessoal? O que ela revela sobre como vivemos?

Model

Ela revela a tensão entre o que queremos ser e o tempo que temos para sê-lo. Maria Eduarda estava vivendo seus sonhos simultaneamente — era body piercer bem-sucedida, era princesa de rodeio, estava quase formada em veterinária. Não era uma vida de espera ou preparação. Era agora.

Inventor

E a doença rara — hemofagocítica — por que demorou tanto para ser diagnosticada?

Model

Porque é rara. Os médicos suspeitaram de lúpus, depois hepatite. Essas são as doenças que você procura quando vê os sintomas que ela apresentava. A hemofagocítica é tão incomum que fica fora do radar inicial. Quando finalmente identificaram, já havia atacado múltiplos órgãos.

Inventor

Ela quase recebeu um transplante de fígado?

Model

Sim. Entrou na fila, chegou perto. Mas o doador não era compatível com seu tipo sanguíneo. E mesmo que fosse, a doença já havia se generalizado. Não era mais apenas o fígado.

Inventor

O que você acha significativo sobre ela ter quitado a formatura dois meses antes de morrer?

Model

Que ela acreditava no futuro. Pagou pela festa, desenhou o vestido, planejava se formar e fazer trabalho beneficente com animais. Não havia pessimismo, havia antecipação. A morte veio como uma interrupção, não como algo que ela via chegando.

Inventor

E o Instagram — 17 mil seguidores que viraram 18,1 mil depois que ela morreu?

Model

É a forma como a morte torna visível o que estava ali. Pessoas que não a conheciam descobrem sua história quando já é tarde. É um tipo de reconhecimento que ela buscava, mas que chega vazio.

Inventor

Como você descreveria o que a família está vivendo agora?

Model

Como o peso de uma ausência que ainda é muito recente. Não é luto abstrato. É a mãe que precisou ser socorrida, a avó que apenas chora, a prima que mal consegue falar sobre isso sem se quebrar. É a perda de alguém que estava ali, presente, vivendo.

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