Num entrelaçamento improvável entre guerra, política e família, Conor Kennedy — sobrinho-neto de JFK e marido da cantora Giulia Be — tornou-se alvo de um mandado de prisão russo por ter combatido ao lado das forças ucranianas. A mesma figura que apoiou Lula em 2022 é cunhado de André Marinho, candidato de direita ao governo do Rio de Janeiro, revelando como uma única família pode conter em si as contradições mais profundas do tempo em que vivemos.
Sobrinho-neto de Kennedy, marido de Giulia Be é cunhado de candidato ao governo do Rio
Sobrinho-neto de Kennedy enfrenta sete a dez anos de prisão
Por que um americano de 31 anos, com essa herança familiar, escolheria ir para a Ucrânia e lutar?
Kennedy parecia acreditar que era a coisa certa a fazer. Ele não escondeu — publicou nas redes sociais que estava lá, que tinha participado de combates. Não era um segredo que ele guardava.
E a Rússia o processa por mercenarismo. Qual é a diferença entre ser voluntário e ser mercenário?
Tecnicamente, um mercenário é pago para lutar. Kennedy nunca disse que recebeu dinheiro. Mas a Rússia tem sua própria interpretação das leis, e para eles, qualquer estrangeiro que pegue em armas é mercenário.
Seu cunhado está concorrendo a governador enquanto ele enfrenta prisão internacional. Isso não cria um problema político?
Cria, sim. André Marinho está tentando se eleger em um estado onde seu cunhado é procurado por um tribunal estrangeiro. É complicado. Mas eles parecem estar em mundos políticos completamente diferentes.
Kennedy apoiou Lula em 2022. Seu cunhado quer derrotar Lula. Como isso funciona em uma família?
Não funciona muito bem, imagino. Mas é o Brasil — famílias inteiras divididas por política. Kennedy fez sua escolha, Marinho fez a dele. Agora Kennedy está em risco real de prisão.
Qual é o próximo passo para Kennedy?
Depende se ele é capturado ou não. Se a Rússia conseguir extraditá-lo, ele enfrenta sete a dez anos de prisão. Se não for capturado, continua sendo um homem procurado internacionalmente. Ou ele se entrega, ou vive fugindo.
O Pulso
- Um tribunal de Moscou autorizou a prisão à revelia de Conor Kennedy, expondo-o a uma pena de sete a dez anos caso seja capturado pela Rússia.
- Kennedy havia revelado publicamente sua participação nos combates em Kharkiv como membro da Legião Internacional, sabendo que a exposição era inevitável.
- A notícia chega em momento delicado para seu cunhado André Marinho, que disputa o governo fluminense em outubro e tenta articular a direita contra Lula.
- A divergência política dentro da família é gritante: enquanto Conor chamou Lula de 'herói' e o comparou a Bobby Kennedy, Marinho declarou apoio a Flávio Bolsonaro.
- A defesa de Kennedy recorreu da decisão, mas o tribunal russo manteve o mandado, deixando o americano em situação juridicamente vulnerável em escala internacional.
Num entrelaçamento improvável entre guerra, política e família, Conor Kennedy — sobrinho-neto de JFK e marido da cantora Giulia Be — tornou-se alvo de um mandado de prisão russo por ter combatido ao lado das forças ucranianas. A mesma figura que apoiou Lula em 2022 é cunhado de André Marinho, candidato de direita ao governo do Rio de Janeiro, revelando como uma única família pode conter em si as contradições mais profundas do tempo em que vivemos.
Conor Kennedy tem 31 anos, um sobrenome que carrega o peso da história americana e uma vida que desafia qualquer tentativa de classificação simples. Sobrinho-neto de John Kennedy, marido da cantora brasileira Giulia Be e agora alvo de um mandado de prisão emitido por um tribunal russo, ele acumula camadas que tornam sua história singular — e politicamente explosiva no Brasil.
O tribunal distrital de Basmanny, em Moscou, autorizou sua prisão à revelia por mercenarismo, em razão de sua participação em combates na Ucrânia ao lado das forças ucranianas. A defesa recorreu, mas a decisão foi mantida. Se condenado, Kennedy pode enfrentar entre sete e dez anos de prisão. A informação foi divulgada pela agência estatal russa Tass.
O próprio Kennedy havia antecipado a exposição. Em outubro de 2022, anunciou nas redes sociais que havia retornado da região de Kharkiv após combater como membro da Legião Internacional sob identidade não revelada. Num post de 14 de outubro, explicou que preferiu contar sua versão antes que outros o fizessem — e que esperava inspirar mais pessoas a agir.
A conexão brasileira vai além do casamento com Giulia Be. O irmão dela, André Marinho, filho do empresário Paulo Marinho, é candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo partido Novo, concorrendo contra nomes como Eduardo Paes e Douglas Ruas. Marinho defende a união da direita para barrar a reeleição de Lula e declarou apoio a Flávio Bolsonaro.
Conor segue caminho oposto. Em 2022, chamou Lula de 'herói' e o comparou a Bobby Kennedy, chegando a se encontrar com o então candidato ao lado de Giulia Be e Janja. A divergência entre cunhado e marido de Giulia Be condensa, numa só família, as tensões que dividem o Brasil — e agora se mistura ao risco concreto de um americano ser julgado por uma guerra que escolheu travar.
Conor Kennedy, aos 31 anos, vive uma vida que parece saída de um romance de espionagem — sobrinho-neto do ex-presidente americano John Kennedy, marido da cantora brasileira Giulia Be, e agora alvo de um mandado de prisão internacional emitido por um tribunal russo. Mas há mais uma camada nessa história: ele é também cunhado de André Marinho, empresário que disputa o governo do Rio de Janeiro pelo partido Novo nas eleições de outubro.
O tribunal distrital de Basmanny, em Moscou, autorizou na quinta-feira a prisão à revelia de Kennedy, acusando-o de mercenarismo por sua participação em combates na Ucrânia ao lado das Forças Armadas ucranianas. A defesa recorreu, mas a corte manteve a decisão. A agência estatal russa Tass divulgou a informação. Se condenado, Kennedy enfrenta entre sete e dez anos de prisão.
O próprio Kennedy havia revelado publicamente sua participação na guerra. Em outubro de 2022, ele anunciou nas redes sociais que havia retornado da Ucrânia após participar de combates na região de Kharkiv como membro da Legião Internacional, usando uma identidade que não divulgou. Num post de 14 de outubro daquele ano, explicou que sabia que sua participação seria descoberta e decidiu contar sua própria versão dos fatos, esperando também inspirar outros a agir.
André Marinho, seu cunhado e irmão de Giulia Be, segue um caminho político bem diferente. Filho do empresário Paulo Marinho, ele é um dos principais candidatos ao Palácio Guanabara neste ano, concorrendo contra nomes como Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL), Garotinho (Republicanos) e William Siri (PSOL). Embora filiado ao Novo, Marinho já declarou apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial e tem defendido a união de candidatos de direita para impedir a reeleição de Lula.
Conor, porém, não segue a mesma linha. Em 2022, ele apoiou publicamente a eleição de Lula, chamando-o de "herói" e comparando-o com Bobby Kennedy, ex-procurador-geral dos Estados Unidos. Os dois se encontraram antes do pleito, acompanhados por Giulia Be e Janja, esposa de Lula. Essa divergência política entre o cunhado e o marido de Giulia Be ilustra como uma mesma família pode estar dividida entre visões radicalmente opostas do Brasil.
Agora, enquanto André Marinho busca o voto dos fluminenses, seu cunhado enfrenta a possibilidade real de ser capturado e extraditado para enfrentar julgamento na Rússia. A situação coloca em evidência não apenas as escolhas pessoais de Kennedy — sua decisão de lutar na Ucrânia, seu apoio a Lula — mas também as complexidades de uma família com raízes na política americana de alto nível e conexões profundas com o Brasil contemporâneo.
Citações Notáveis
Kennedy afirmou que sabia que sua participação na Ucrânia acabaria sendo descoberta e decidiu apresentar sua própria versão dos acontecimentos— Conor Kennedy, em publicação de outubro de 2022