Em parques de diversão ao redor do mundo, a promessa de emoção intensa convive com uma pergunta que raramente é feita em voz alta: a que preço? O fechamento permanente da montanha-russa X2, no Six Flags Magic Mountain da Califórnia, após mais de cem relatos de lesões cerebrais e a morte de um jovem de 22 anos, coloca essa pergunta no centro do debate público. A decisão, anunciada em setembro de 2026, chega tarde para muitos — e abre uma reflexão urgente sobre os limites entre entretenimento, responsabilidade corporativa e proteção da vida humana.
Six Flags fecha montanha-russa X2 após mais de 100 denúncias de lesão cerebral
Saíram com graves lesões cerebrais que ainda tentam reverter
Por que o parque levou tanto tempo para fechar a montanha-russa se havia tantas denúncias?
A X2 era uma das principais atrações, com longas filas. O parque afirmou que o brinquedo havia passado em testes de segurança. Mas com mais de 100 denúncias e ações judiciais, a pressão se tornou insustentável.
Espera aí — o parque diz que passou em testes, mas 400 pessoas procuraram advogados. Quantos desses casos realmente foram comprovados como causados pela montanha-russa? O laudo médico de Júlia Bossoni fala em contragolpe, mas isso é consenso entre os médicos?
E quanto a Christopher Hawley? Sua morte foi definitivamente causada pela X2?
Ele morreu em 2022 após andar no brinquedo. A família chegou a um acordo com o parque em agosto, mas os detalhes do acordo não foram divulgados.
Um acordo não é uma admissão de culpa. Pode ser apenas uma resolução financeira. O que sabemos com certeza é que ele morreu e havia andar na X2 antes disso.
O que muda agora que a montanha-russa foi fechada?
Para futuros visitantes, nada mais vai acontecer naquele brinquedo. Mas para quem já foi ferido, como diz o escritório de advocacia, o fechamento não muda nada.
Exatamente. O advogado Wisner pediu mudanças na legislação e fiscalização. Mas não sabemos se isso vai acontecer ou se será apenas um caso isolado.
The Pulse
- Mais de 400 pessoas procuraram um escritório de advocacia acreditando ter sofrido lesões cerebrais causadas pela X2, algumas delas submetidas a cirurgias de emergência no crânio.
- Christopher Hawley, 22 anos, morreu em 2022 após andar no brinquedo — e sua família só chegou a um acordo com o parque quase quatro anos depois, enquanto advogados alertam que o fechamento não repara o dano já causado.
- No Brasil, o caso de Júlia Bossoni, que saiu da montanha-russa Montezum desacordada, ficou 57 dias internada e perdeu parte dos movimentos, reacende o debate sobre fiscalização e regulação do setor.
- O mecanismo de lesão identificado — o 'contragolpe', em que o cérebro atinge a parede interna do crânio por movimentos bruscos, sem impacto direto na cabeça — revela um risco invisível e difícil de perceber pelo público.
- Advogados e famílias de vítimas defendem mudanças legislativas, argumentando que empresas orientadas pelo lucro não podem ser as únicas guardiãs da segurança de seus próprios brinquedos.
Em parques de diversão ao redor do mundo, a promessa de emoção intensa convive com uma pergunta que raramente é feita em voz alta: a que preço? O fechamento permanente da montanha-russa X2, no Six Flags Magic Mountain da Califórnia, após mais de cem relatos de lesões cerebrais e a morte de um jovem de 22 anos, coloca essa pergunta no centro do debate público. A decisão, anunciada em setembro de 2026, chega tarde para muitos — e abre uma reflexão urgente sobre os limites entre entretenimento, responsabilidade corporativa e proteção da vida humana.
O Six Flags Magic Mountain, na Califórnia, anunciou o fechamento permanente da montanha-russa X2 após mais de cem pessoas relatarem lesões cerebrais decorrentes do brinquedo, cujos assentos giravam 360 graus. O presidente do parque declarou que a decisão era "a coisa certa a fazer", mesmo com o brinquedo tendo passado por testes de segurança. A X2 estava fechada desde julho.
O escritório Dordick Law Corporation, que move ações contra o parque, foi procurado por cerca de 400 pessoas. Alguns passageiros precisaram de cirurgias de emergência no cérebro; outros ainda tentam recuperar a vida que tinham antes de entrar na atração. Os advogados reconheceram o fechamento como um passo positivo para proteger futuros visitantes, mas ressaltaram que ele não oferece reparação a quem já foi ferido.
A X2 carrega uma história de problemas desde sua inauguração em 2002 — fechou logo depois para correção de falhas, e novamente em 2007 para troca dos trens. Reaberta em 2008, recebeu mais de 16 milhões de visitantes nos anos seguintes. Entre eles estava Christopher Hawley, de 22 anos, que morreu em 2022 após andar no brinquedo. Sua família chegou a um acordo com o parque em agosto deste ano. O advogado da família afirmou que o fechamento é insuficiente e defendeu mudanças na legislação e fiscalização efetiva, argumentando que não se pode esperar que empresas movidas pelo lucro ajam corretamente apenas após muitas pessoas se machucarem.
O debate ganhou novo contorno no Brasil com o caso de Júlia Bossoni, de 28 anos. Em abril, após andar na montanha-russa Montezum do Hopi Hari, em Vinhedo, ela voltou à plataforma desacordada e com convulsões. Ficou internada por 57 dias, passou por sete cirurgias e perdeu parte dos movimentos. Laudo médico citado pela família aponta um "mecanismo de contragolpe": movimentos bruscos fazem o cérebro atingir a parede interna do crânio, causando lesão no lado oposto ao impacto — sem nenhuma pancada direta na cabeça, e sem que o passageiro perceba o perigo.
O parque Six Flags Magic Mountain, na Califórnia, anunciou na terça-feira o fechamento permanente da X2, uma de suas atrações mais procuradas, após mais de cem pessoas relatarem ter sofrido lesões cerebrais depois de andar no brinquedo. A montanha-russa, cujos assentos giravam 360 graus, estava fechada desde julho. Brian Oerding, presidente do parque, declarou que a segurança é um dos pilares do negócio e que a decisão representava "a coisa certa a fazer", apesar de o brinquedo ter passado por testes de segurança.
O escritório Dordick Law Corporation, que ajuizou ações contra o parque, foi procurado por cerca de 400 pessoas que acreditavam ter sofrido lesões causadas pela X2. Segundo o escritório, alguns passageiros precisaram de cirurgias de emergência no cérebro, enquanto outros ainda tentam recuperar a vida que tinham antes de entrar no brinquedo. Embora considerem positivo o fechamento para proteger futuros visitantes, os advogados ressaltaram que a medida não oferece reparação para quem já foi ferido.
A história da X2 é marcada por problemas desde o início. Inaugurada em 2002 com o nome X, a montanha-russa fechou poucos meses depois para correção de falhas no projeto, conforme relatou o jornal Los Angeles Times. Em 2007, fechou novamente para substituição dos trens por modelos mais leves. Quando reabriu em 2008 com o novo nome, mais de 16 milhões de pessoas passaram pela atração nos anos seguintes.
O caso de Christopher Hawley, de 22 anos, que morreu em 2022 após andar na X2, ilustra o custo humano da operação prolongada do brinquedo. Sua família chegou a um acordo com o parque em agosto deste ano. Brent Wisner, advogado da família Hawley, afirmou que o fechamento é insuficiente: "Christopher morreu por causa de uma montanha-russa perigosa que continuou em funcionamento por quase duas décadas". Wisner defendeu mudanças na legislação e fiscalização efetiva pelas autoridades, argumentando que não se pode esperar que empresas que priorizam o lucro façam o que é certo apenas após muitas pessoas sofrerem lesões.
O debate sobre segurança em montanhas-russas ganhou novo impulso no Brasil com o caso de Júlia Bossoni, de 28 anos. Em abril deste ano, após andar na montanha-russa Montezum do parque Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo, ela voltou à plataforma desacordada e com convulsões. Ficou internada por 57 dias, passou por sete cirurgias e perdeu parte dos movimentos. Segundo laudo médico citado pela família, a lesão ocorreu por um "mecanismo de contragolpe", em que movimentos bruscos do brinquedo fazem o cérebro atingir a parede interna do crânio, provocando lesão no lado oposto ao impacto, sem necessidade de pancada direta na cabeça.
Notable Quotes
A segurança das atrações é um dos pilares do nosso negócio, e levamos a sério qualquer abalo na confiança dos visitantes— Brian Oerding, presidente do Six Flags Magic Mountain
Christopher morreu por causa de uma montanha-russa perigosa que continuou em funcionamento por quase duas décadas— Brent Wisner, advogado da família Hawley