Sistema alternativo para corrigir falhas de QR nos exames gerou ainda mais erros

A solução criada para corrigir erros acabou por introduzir ainda mais erros
O mecanismo alternativo de leitura de números convencionais apresentava desempenho muito inferior ao sistema original de códigos QR.
Mark

Então o que aconteceu exatamente? Criaram um sistema para corrigir um problema e piorou tudo?

Mimi

Basicamente, sim. O código QR não estava a ser lido bem, então em vez de corrigir o algoritmo original, criaram um plano B que lia números impressos por baixo do código.

Luke

Mas o plano B era pior?

Mimi

Muito pior. O relatório diz que tinha "níveis de reconhecimento substancialmente inferiores". Então em vez de reduzir erros, aumentou-os.

Mark

E isso afetou todas as provas?

Mimi

Afetou a primeira fase toda. Os erros propagaram-se — páginas da mesma prova acabaram com números diferentes, o que depois causou problemas nas fases seguintes de processamento.

Luke

Quando é que perceberam que tinha corrido mal?

Mimi

Durante a primeira fase. Descontinuaram o mecanismo e desenvolveram um novo algoritmo para reler tudo o que já tinha sido processado.

Mark

E funcionou?

Mimi

Na segunda fase, sim. Conseguiram reduzir significativamente a necessidade de intervenção manual. Mas a primeira fase foi um caos.

Luke

O relatório diz que conseguiram determinar a origem de todas as falhas?

Mimi

Não. Há divergências entre os ficheiros digitalizados e a plataforma que não conseguem explicar completamente.

Mark

Quais foram as disciplinas mais afetadas?

Mimi

Português, Física e Química A, Matemática A e Biologia e Geologia tiveram o maior volume de incidências.

Luke

E isto foi um problema só de tecnologia ou também de procedimentos?

Mimi

Dos dois. Havia problemas com a qualidade da impressão, procedimentos não aplicados uniformemente, e o volume de incidências ultrapassou a capacidade de resposta das equipas.

  • O mecanismo alternativo criado para reduzir a intervenção humana na leitura de códigos QR revelou-se pior do que o problema original, gerando leituras incorretas em cascata.
  • Páginas da mesma prova passaram a ter identificadores diferentes, criando inconsistências que se propagaram pelas fases de agregação e separação de perguntas.
  • As falhas concentraram-se nas disciplinas com maior peso no percurso académico dos alunos — Português, Matemática A, Física e Química A, e Biologia e Geologia.
  • Perante o agravamento da situação, o mecanismo defeituoso foi abandonado e um novo algoritmo foi desenvolvido e aplicado ainda durante a primeira fase para releitura e reconciliação dos dados.
  • Na segunda fase dos exames, a intervenção humana ficou reduzida a casos residuais, sinalizando que a correção de fundo surtiu efeito — mas o dano à confiança no sistema permanece por avaliar.

Quando uma solução técnica falha, a tentação é substituí-la por outra — mas nem sempre a segunda é melhor do que a primeira. Um relatório da Deloitte, divulgado pelo Ministério da Educação português, revela que o mecanismo criado para contornar erros na leitura de códigos QR nos exames nacionais de 2026 acabou por multiplicar os problemas em vez de os resolver, afetando a identificação de provas em disciplinas centrais como Português e Matemática A. A história é um lembrete de que a pressa em corrigir pode, por vezes, aprofundar a ferida — e de que a confiança nos sistemas que avaliam uma geração exige mais do que remendos improvisados.

Um relatório da Deloitte, divulgado pelo Ministério da Educação, revela que o sistema criado para contornar as falhas iniciais na leitura de códigos QR nos exames nacionais não só não resolveu o problema como introduziu novos erros no processo de classificação digital. A consultora, que prestou apoio técnico ao EduQA durante a primeira fase, confirma que, quando a plataforma não conseguia reconhecer um código QR, foi ativado um mecanismo alternativo para ler o número convencional impresso sob o código — o identificador que garante o anonimato de cada prova.

Esse mecanismo apresentava níveis de reconhecimento substancialmente inferiores aos dos códigos QR originais. Em vez de reduzir a necessidade de correção manual, aumentou o número de leituras incorretas e propagou erros por todo o sistema: páginas da mesma prova acabaram com identificadores diferentes, criando inconsistências que afetaram as fases seguintes de processamento. As incidências concentraram-se em Português, Física e Química A, Matemática A e Biologia e Geologia.

Perante o agravamento, o mecanismo foi descontinuado. As equipas do EduQA, com apoio da Deloitte, desenvolveram um novo algoritmo para leitura e identificação dos códigos QR, aplicado ainda durante a primeira fase para reler os dados já processados e corrigir divergências. Na segunda fase, a intervenção humana ficou limitada a casos residuais — provas danificadas, rasuradas ou ilegíveis.

O relatório aponta ainda dificuldades na leitura automática de respostas de escolha múltipla, divergências entre ficheiros digitalizados e a plataforma de classificação, e problemas já conhecidos como a aplicação não uniforme dos procedimentos para folhas de continuação e questões com a qualidade de impressão. O que começou como uma falha técnica circunscrita transformou-se numa cascata de erros que exigiu a reescrita completa do algoritmo central do sistema.

Um relatório da Deloitte, divulgado esta terça-feira pelo Ministério da Educação, expõe uma camada adicional de problemas nos exames nacionais deste ano: o sistema criado para contornar as falhas iniciais na leitura de códigos QR não apenas falhou, como introduziu novos erros no processo de classificação digital.

A consultora, que prestou apoio técnico ao Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) durante a primeira fase dos exames, confirma que os constrangimentos principais tiveram origem na leitura automática dos códigos QR pela Plataforma de Classificação e Supervisão. Quando o sistema não conseguia reconhecer um código, a solução inicial era a correção manual. Mas para reduzir essa necessidade de intervenção humana, foi introduzido um mecanismo alternativo que tentava ler o número convencional impresso sob o código QR — o identificador que garante o anonimato de cada prova.

O problema é que este mecanismo alternativo funcionava muito pior do que o original. Segundo o relatório, apresentava "níveis de reconhecimento substancialmente inferiores aos da leitura dos códigos QR". Em vez de resolver o problema, a solução criada aumentou o número de leituras incorretas e manteve a necessidade de correção manual. Pior ainda: os erros propagaram-se através de todo o sistema de processamento. Páginas da mesma prova acabaram com números convencionais diferentes, criando inconsistências que afetaram as fases seguintes de agregação e separação de perguntas.

Uma vez identificado o problema, o mecanismo foi descontinuado. As equipas do EduQA, com apoio da Deloitte, desenvolveram um novo algoritmo para identificação e leitura dos códigos QR. Ainda durante a primeira fase, este novo algoritmo foi aplicado para reler todos os códigos já processados e identificar divergências, apoiando o trabalho de reconciliação e correção. Na segunda fase, o novo algoritmo permitiu reduzir de forma significativa a necessidade de identificação manual — as equipas no centro de digitalização recorreram à validação humana apenas em casos residuais de códigos danificados, rasurados ou ilegíveis.

O relatório identifica outras falhas críticas. Houve dificuldades na interpretação de respostas de escolha múltipla, porque os alunos utilizavam formas diversas para assinalar as suas respostas, nem sempre permitindo uma identificação automática clara. O algoritmo foi revisto para este problema também, e as folhas de resposta que não podiam ser lidas automaticamente foram encaminhadas para validação humana. A Deloitte aponta ainda divergências entre os ficheiros digitalizados e o conteúdo disponível na plataforma de classificação, sem conseguir determinar conclusivamente a origem de todas as falhas.

As incidências concentraram-se principalmente em Português, Física e Química A, Matemática A e Biologia e Geologia. O relatório confirma também problemas já apontados anteriormente: procedimentos para tratamento de folhas de continuação não foram aplicados uniformemente, o volume de incidências reportadas pelos classificadores ultrapassou a capacidade de resposta, e houve questões com a qualidade da impressão das provas, páginas em falta ou anuladas, e versões incorretamente atribuídas nos ficheiros de classificação.

Durante a primeira fase, foram implementadas intervenções técnicas adicionais — novos mecanismos de controlo, ferramentas de suporte e procedimentos para reforçar a rastreabilidade, a qualidade dos dados e a eficiência do processo. Segundo a Deloitte, estas medidas permitiram detetar mais cedo situações de não conformidade, reduzir o risco de provas incompletas e tornar o seu tratamento mais eficiente. O que começou como um problema técnico numa ferramenta de leitura automática transformou-se numa cascata de falhas que exigiu intervenção humana massiva e, eventualmente, a reescrita completa do algoritmo central do sistema.

A solução acabou por introduzir erros adicionais na identificação e na consistência das provas, que se propagaram às fases seguintes de processamento
— Relatório da Deloitte
O novo algoritmo permitiu reduzir de forma muito significativa a necessidade de identificação manual na segunda fase
— Relatório da Deloitte
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