Sheila Hicks apresenta obras têxteis que transcendem a matéria-prima tradicional, transformando fios em estruturas volumétricas. Tatiana Blass expõe pinturas, esculturas e instalações que evidenciam o processo criativo, com peças sobre vidro que incorporam luz do espaço.
Sheila Hicks e Tatiana Blass inauguram exposições no Instituto Tomie Ohtake
O fio ganha corpo, volume, estrutura — transforma-se em objeto
Por que essas duas exposições no Tomie Ohtake importam agora, neste momento?
Porque elas representam duas formas muito diferentes de pensar o processo criativo. Sheila Hicks está dizendo que o material têxtil não precisa ficar preso à função tradicional — ele pode ser escultura, pode ocupar espaço. Tatiana Blass, por outro lado, está tornando visível o próprio ato de criar, colocando a mão do artista em evidência.
Mas a gente sabe pouco sobre o tamanho dessas obras, quantas peças cada uma tem, ou qual é exatamente a proposta curatorial que as une. O texto diz o que elas fazem, mas não diz muito sobre por que agora, ou se há um diálogo entre as duas exposições.
É verdade. O que temos é a descrição do que cada artista faz, não necessariamente o contexto institucional ou histórico que justifica essa dupla abertura.
E quanto ao público? Quem costuma ir a essas exposições? Há alguma indicação de que isso é para um público especializado ou mais amplo?
O Instituto Tomie Ohtake é um espaço de arte contemporânea consolidado em São Paulo, então provavelmente atrai tanto colecionadores quanto curiosos. Mas o texto não nos diz nada sobre expectativa de público ou sobre como essas artistas dialogam com o público brasileiro especificamente.
Exatamente. Sabemos que Sheila Hicks é americana e Tatiana Blass é brasileira, mas não sabemos se há uma intenção de diálogo entre tradições têxteis diferentes, ou se é apenas uma coincidência de calendário.
Então o que a gente realmente sabe é que duas artistas, uma americana e uma brasileira, estão expondo simultaneamente, cada uma com sua própria linguagem visual.
Isso. E que ambas estão desafiando noções convencionais do que arte pode ser — uma através do material, outra através da transparência do processo.
Le Pouls
- Sheila Hicks: O que que É Isso? e Tatiana Blass - Contrarregra abrem nesta sexta, 28 de agosto, no Instituto Tomie Ohtake
- As exposições permanecem até 25 de outubro, terça a domingo, das 11h às 19h
- CineFantasy exibe 70 filmes de 24 países de 1º a 6 de setembro, com abertura no MIS na terça-feira
Sheila Hicks apresenta obras têxteis que transcendem a matéria-prima tradicional, transformando fios em estruturas volumétricas. Tatiana Blass expõe pinturas, esculturas e instalações que evidenciam o processo criativo, com peças sobre vidro que incorporam luz do espaço.
Instituto Tomie Ohtake inaugura exposições de Sheila Hicks e Tatiana Blass nesta sexta. Semana também marca início do CineFantasy e outros eventos culturais em São Paulo.
Nesta sexta-feira, o Instituto Tomie Ohtake abre as portas para duas exposições que ocupam o espaço com abordagens radicalmente diferentes do fazer artístico. A primeira, "Sheila Hicks: O que que É Isso?", reúne trabalhos da artista americana que desafia a noção convencional do têxtil. Aqui, o fio não permanece preso ao papel ou ao tear como matéria-prima domesticada. Ele ganha corpo, volume, estrutura — transforma-se em objeto escultórico que reclama espaço tridimensional na galeria. É uma inversão: o material que historicamente serviu à função passa a ser o próprio fim.
A segunda mostra, "Tatiana Blass - Contrarregra", traz a produção da artista brasileira em múltiplos formatos: pinturas, esculturas, instalações. O que une essas obras é uma decisão curatorial clara — colocar o processo de criação em primeiro plano, deixar visível o caminho que vai da intenção ao objeto final. Entre as peças estão trabalhos pintados diretamente sobre vidro, uma escolha que incorpora a luz ambiente como elemento constitutivo da imagem. O vidro não é suporte inerte; ele é participante ativo da obra.
Ambas as exposições abrem nesta sexta, 28 de agosto, e permanecem no Instituto Tomie Ohtake, localizado na rua Coropé, 88, em Pinheiros, até 25 de outubro. O horário de funcionamento é de terça a domingo, das 11h às 19h.
A semana cultural de São Paulo não se reduz a essas duas inaugurações. A partir de terça-feira, 1º de setembro, o CineFantasy — Festival Internacional de Cinema Fantástico — toma conta de diversos espaços da capital. O evento exibe 70 filmes produzidos por 24 países, todos dentro dos gêneros de fantasia, horror e ficção científica. A cerimônia de abertura acontece no MIS (Museu da Imagem e do Som), na avenida Europa, 158, Jardim Europa, com a projeção do longa "Occupy Cannes", dirigido por Lily-Hayes Kaufman. O festival segue até 6 de setembro em múltiplos endereços pela cidade.
Para quem busca programação gratuita, o maestro João Carlos Martins apresenta um concerto no sábado, 29 de agosto, às 19h, no átrio do shopping Pátio Higienópolis. A Orquestra Bachiana Filarmônica SESI-SP acompanha o maestro, com participação do tenor Jean William. O repertório percorre clássicos de Bach, Brahms, Beethoven, Shostakovich, Villa-Lobos e Tom Jobim. O acesso é por ordem de chegada, sem necessidade de reserva prévia.
Ainda no fim de semana, o sambista Xande de Pilares apresenta o show "Vento" no domingo, 30 de agosto, às 12h, no Sesc Itaquera. O espetáculo explora a influência de ritmos de matrizes africanas na trajetória do artista, incluindo sucessos como "Tá Escrito" e "Clareou".
Para os próximos dias, o Mubi Fest acontece de 11 a 13 de setembro no Centro Cultural São Paulo, com versões restauradas de clássicos e sessões em primeira mão de novos lançamentos da plataforma. Entre os destaques estão "Sheep in The Box", do diretor japonês Hirokazu Koreeda, e "Rose", que conquistou o Urso de Prata de melhor atuação para Sandra Hüller. A venda de ingressos para as sessões pagas começa em 3 de setembro.
Na categoria última chance, o Festival de Sopas Ceagesp segue até domingo, 30 de agosto, com cerca de 80 caldos disponíveis, incluindo creme de abóbora com carne seca, capeletti in brodo e minestrone. O evento funciona de sexta a domingo, das 18h às 23h30, na avenida Dr. Gastão Vidigal, 1.946, Vila Leopoldina. O ingresso custa R$ 79,90. Também no sábado, 29 de agosto, às 22h, a peça "Idiota Convicto" marca o início da celebração de 45 anos de carreira de Hugo Possolo no Espaço Parlapatões. O monólogo, formado por cenas presenteadas por outros dramaturgos, conecta episódios pela ideia de um mundo menos tolerante e mais agressivo.
Citations marquantes
O fio pode sair do lugar-comum de matéria-prima têxtil para se transformar em objetos com estrutura e volume— Descrição da exposição de Sheila Hicks
Peças pintadas sobre vidro que incorporam a luz do espaço à imagem criada— Descrição da exposição de Tatiana Blass