Setembro em Flor chega como um lembrete de que o corpo feminino guarda sinais que merecem ser ouvidos antes que se tornem urgências. A campanha, conduzida pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos e apoiada pela Febrasgo, ilumina cinco cânceres do sistema reprodutor — colo do útero, ovários, endométrio, vagina e vulva — e a possibilidade real de preveni-los ou detectá-los a tempo. Num país onde o câncer do colo do útero é a principal causa de morte entre mulheres jovens, a informação não é apenas conhecimento: é proteção.
Setembro em Flor: conheça os sintomas dos cânceres ginecológicos
Sangramento após relação sexual pode ser câncer, não normalidade
Por que essa campanha de setembro é importante agora? Parece que falamos de câncer o tempo todo.
Porque a maioria das mulheres não sabe reconhecer os sinais. Sangramento após relação sexual, por exemplo — muitas acham que é normal e não procuram um médico. Mas pode ser câncer de colo do útero.
Espera — o texto diz que o câncer de colo do útero é a principal causa de morte em mulheres até 36 anos. Isso é só no Brasil ou é global?
É no Brasil. E é por isso que a vacinação contra HPV é tão crítica — está disponível pelo SUS desde os 9 anos.
Mas nem todas as meninas são vacinadas, certo?
Exato. Há resistência, falta de informação, acesso desigual. Por isso campanhas como essa tentam alcançar quem não foi vacinado e ainda pode se proteger.
O texto menciona 6 a 7 mil casos de câncer de ovário por ano no Brasil, mas globalmente são 670 mil. Isso é uma diferença enorme. Significa que o Brasil tem uma taxa menor ou que os números globais incluem subdiagnósticos?
Provavelmente ambos. Mas o ponto é que metade das pacientes com câncer de ovário vai a óbito globalmente. Aqui no Brasil, não temos esse número específico.
E os cânceres mais raros, como vulva e vagina — como uma mulher sabe que não é só uma irritação?
Feridas que não cicatrizam, alterações persistentes na cor da pele, prurido que não passa — esses são sinais de que algo está errado e precisa de avaliação profissional.
Mas o texto não diz quanto tempo essas feridas ou alterações precisam durar antes de virar motivo de preocupação. "Não cicatriza" é vago — uma semana? Um mês?
Boa observação. Por isso a consulta regular ao ginecologista é tão importante. Um profissional consegue diferenciar uma irritação comum de algo que precisa investigação.
The Pulse
- O câncer do colo do útero mata mais mulheres jovens no Brasil do que qualquer outra doença oncológica, mas permanece amplamente prevenível com vacinação contra HPV disponível gratuitamente no SUS.
- O câncer de ovário avança em silêncio — metade das pacientes diagnosticadas no mundo não sobrevive, em grande parte porque os sintomas são confundidos com queixas cotidianas.
- Sangramentos fora do padrão, coceira persistente, alterações na pele e inchaço abdominal são sinais que o corpo emite e que muitas mulheres ainda hesitam em levar ao médico.
- A campanha Setembro em Flor pressiona por uma mudança de comportamento: consultas regulares ao ginecologista e exames como o Papanicolau podem transformar um diagnóstico tardio em tratamento bem-sucedido.
- Com mais de 30 mil novos casos de cânceres ginecológicos registrados anualmente no Brasil, a vigilância contínua deixa de ser recomendação e passa a ser necessidade coletiva.
Setembro em Flor chega como um lembrete de que o corpo feminino guarda sinais que merecem ser ouvidos antes que se tornem urgências. A campanha, conduzida pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos e apoiada pela Febrasgo, ilumina cinco cânceres do sistema reprodutor — colo do útero, ovários, endométrio, vagina e vulva — e a possibilidade real de preveni-los ou detectá-los a tempo. Num país onde o câncer do colo do útero é a principal causa de morte entre mulheres jovens, a informação não é apenas conhecimento: é proteção.
Setembro foi escolhido para abrigar uma conversa que muitas mulheres adiam. A campanha Setembro em Flor, criada pela presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), Andrea Paiva Gadêlha Guimarães, e apoiada pela Febrasgo, coloca em pauta cinco cânceres ginecológicos — colo do útero, ovários, endométrio, vagina e vulva — e os sinais que não deveriam ser ignorados.
O câncer do colo do útero lidera uma estatística perturbadora: é a principal causa de morte entre mulheres com até 36 anos no Brasil. Ainda assim, é evitável. A vacina contra o HPV, oferecida pelo SUS para meninas e meninos dos 9 aos 14 anos, protege de forma eficaz. Sangramento vaginal fora do padrão, secreção anormal e dores pélvicas são os principais alertas. O uso de preservativos reforça a proteção.
O câncer de ovário é o terceiro mais comum entre os ginecológicos e um dos mais letais: globalmente, metade das pacientes morre. No Brasil, estima-se entre 6 e 7 mil casos por ano. Em mulheres jovens, os tumores de células germinativas — que afetam principalmente pacientes entre 10 e 30 anos — podem ser tratados preservando a fertilidade quando detectados cedo. Inchaço abdominal, desconforto pélvico e mudanças nos hábitos intestinais ou urinários merecem atenção.
O câncer de endométrio surge com mais frequência após a menopausa e tem no sangramento uterino anormal seu sinal mais revelador. Já os cânceres de vulva e vagina, ambos raros e frequentemente associados ao HPV, compartilham sintomas como lesões que não cicatrizam, alterações na pele e sangramentos intermitentes — e têm na vacinação e no uso de preservativos suas principais formas de prevenção.
Os especialistas são unânimes: estilo de vida saudável, consultas regulares ao ginecologista e exames como o Papanicolau são o caminho mais seguro para que um diagnóstico precoce substitua uma sentença tardia. Conhecer o próprio corpo é o primeiro — e mais acessível — ato de cuidado.
Setembro é o mês dedicado a uma conversa que muitas mulheres precisam ouvir, mas raramente buscam. A campanha Setembro em Flor, promovida pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) e apoiada pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), traz à tona cinco tipos de câncer que afetam o sistema reprodutor feminino — colo do útero, ovários, endométrio, vagina e vulva — e os sinais que nenhuma mulher deveria ignorar. A iniciativa, criada pela presidente do grupo EVA, Andrea Paiva Gadêlha Guimarães, busca levar informação sobre prevenção, reconhecimento de sintomas e diagnóstico precoce para toda a população.
O câncer do colo do útero carrega uma estatística que deveria alarmar qualquer pessoa: é a principal causa de morte entre mulheres com até 36 anos no Brasil. Mas há um detalhe crucial que muda tudo — esse câncer pode ser evitado. A vacinação contra o HPV, disponível pelo Sistema Único de Saúde para meninas e meninos dos 9 aos 14 anos, oferece proteção eficaz. Os sinais de alerta incluem sangramento vaginal fora do padrão, especialmente após relações sexuais, secreção vaginal anormal, dores pélvicas que podem intensificar após o contato sexual, e desconforto ao urinar. Além da vacinação, o uso de preservativos reduz significativamente o risco.
O câncer de ovário surge como o terceiro tipo mais comum entre os tumores ginecológicos e pode aparecer em qualquer idade. Globalmente, mais de 670 mil novos casos são diagnosticados a cada ano, e metade das pacientes acometidas vai a óbito — uma proporção que reforça a urgência de detecção precoce. No Brasil, a estimativa é de 6 a 7 mil casos anuais. Entre mulheres jovens, os tumores de células germinativas são particularmente frequentes, afetando principalmente pacientes entre 10 e 30 anos. A boa notícia é que quando diagnosticados cedo, esses tumores podem ser tratados preservando um ovário e o útero, mantendo a possibilidade de gravidez. Os sintomas incluem aumento do volume abdominal, desconforto pélvico, inchaço nas pernas e mudanças súbitas nos hábitos intestinais ou urinários. A prevenção passa por atenção ao histórico familiar de câncer de mama ou ovário, dieta equilibrada, exercício físico regular e controle do peso.
O câncer de endométrio, que afeta o revestimento interno do útero, é mais comum em mulheres após a menopausa, embora possa ocorrer em qualquer idade. O sangramento uterino anormal — fora do período menstrual, após relações sexuais ou especialmente após a menopausa — é o sinal mais importante. Também podem aparecer aumento do volume abdominal e dores pélvicas persistentes. A terapia de reposição hormonal nesse período deve ser cuidadosamente avaliada com um médico. Prevenção envolve dieta com baixo teor de gordura, exercício físico regular e controle do peso e de condições como diabetes.
O câncer de vulva é um dos tipos mais raros de câncer ginecológico, afetando a região externa do aparelho reprodutor feminino. Surge com maior frequência após a menopausa e pode estar associado à infecção por HPV, além de doenças dermatológicas crônicas e imunossupressão. O prurido vaginal persistente, alterações na cor da pele vulvar (vermelhidão, escurecimento ou clareamento), lesões ou inchaço, e feridas que não cicatrizam são sinais que exigem avaliação médica. Preservativos e vacinação contra HPV oferecem proteção.
O câncer de vagina, embora raro, é causado principalmente por certos tipos de HPV. Mulheres acima de 60 anos e fumantes enfrentam risco aumentado. Os sintomas espelham os do câncer de colo do útero — sangramento vaginal intermitente ou após relações sexuais, secreção anormal, dores pélvicas e desconforto urinário. Novamente, preservativos e vacinação contra HPV são medidas preventivas centrais.
O Brasil registra mais de 30 mil novos casos de cânceres ginecológicos anualmente, um número que sublinha a importância da vigilância contínua. Os especialistas são unânimes: adotar um estilo de vida saudável com alimentação balanceada e exercício físico regular é fundamental, mas não é suficiente. Consultas regulares ao ginecologista, realização de Papanicolau e teste de HPV são atitudes cruciais que transformam a detecção de uma sentença em uma oportunidade de tratamento bem-sucedido. O conhecimento dos sintomas — aqueles sinais que uma mulher pode notar em seu próprio corpo — é o primeiro passo para que nenhuma mudança passe despercebida.
Notable Quotes
O objetivo da campanha durante todo o mês é levar informação para a população sobre a prevenção dos cânceres que atingem o colo do útero, os ovários, o endométrio, a vagina e a vulva— Andrea Paiva Gadêlha Guimarães, presidente do grupo EVA
Adotar um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada, prática regular de exercícios físicos e realizar consultas regulares ao ginecologista para exames como Papanicolau e teste de HPV são atitudes cruciais na prevenção do câncer ginecológico— Sophie Françoise Mauricette Derchain, Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da Febrasgo