Sete musicais para assistir em casa: de Wicked a Rocky Horror Picture Show

Uma bruxa cantando enquanto desafia a gravidade
Descrição do tipo de magia que os musicais conseguem criar para quem se entrega ao gênero.
Mark

Por que um guia de musicais agora? Parece um gênero que as pessoas já conhecem ou evitam completamente.

Mimi

Verdade, mas o ponto é que muitos desses filmes estão disponíveis em streaming — não é preciso ir ao cinema ou ao teatro. A barreira de entrada caiu.

Luke

Mas a newsletter não explica por que essas sete especificamente. Qual é o critério? Popularidade? Qualidade? Representatividade?

Mimi

Parece ser uma mistura. Tem clássicos que marcaram gerações, tem adaptações recentes de sucessos da Broadway, tem filmes que discutem temas sociais importantes.

Mark

E o público-alvo? Quem deveria assistir a cada um?

Mimi

A lista funciona para diferentes públicos. Se você quer nostalgia, tem "O Mágico de Oz". Se quer crítica social, tem "Hairspray" e "A Cor Púrpura". Se quer algo mais recente e pop, tem "Wicked" e "Meninas Malvadas".

Luke

Mas nenhuma dessas recomendações vem com contexto sobre por que funcionam como musicais. O que torna "Wicked" melhor que outras adaptações de Broadway?

Mimi

A newsletter menciona as atuações incríveis, as indicações ao Oscar, a canção marcante. Para "Meninas Malvadas", destaca como conseguiu atualizar uma história clássica sem soar datada.

Mark

E quanto ao Tim Curry? Por que incluir "Rocky Horror" como uma "adição de última hora"?

Mimi

Porque ele faleceu no dia anterior à publicação. É um tributo ao ator e ao impacto cultural do filme na comunidade LGBTQIA+.

Luke

Isso é jornalismo ou é sentimentalismo? A morte de uma celebridade não deveria determinar se um filme merece estar em uma lista de recomendações.

Mimi

Justo. Mas "Rocky Horror" é genuinamente importante culturalmente. A morte apenas tornou a inclusão mais urgente naquele momento.

  • O musical é um gênero que divide opiniões com a mesma intensidade com que une fãs — e a lista da Folha enfrenta essa polarização de frente, apostando na diversidade de estilos e épocas.
  • De 'Wicked' a 'The Rocky Horror Picture Show', a seleção atravessa oito décadas de cinema e toca em temas como rejeição social, racismo, gordofobia e identidade de gênero.
  • A inclusão de 'The Rocky Horror Picture Show' funciona como homenagem póstuma a Tim Curry, falecido em 26 de agosto aos 80 anos, reafirmando o legado LGBTQIA+ do filme mais de 50 anos após seu lançamento.
  • Com títulos espalhados entre Netflix, HBO Max, Prime Video, Telecine e Disney+, a lista navega pela fragmentação do streaming sem eleger uma única plataforma como destino obrigatório.
  • O resultado é um roteiro de maratona que equilibra nostalgia e atualidade, convidando tanto quem já ama o gênero quanto quem ainda não se rendeu a ele.

Há gêneros que não apenas contam histórias, mas as cantam — e ao fazê-lo, tocam algo que a palavra falada raramente alcança. A Folha de S.Paulo reuniu, por meio de sua newsletter Maratonar, sete filmes musicais disponíveis em plataformas de streaming, abrangendo desde o clássico de 1939 'O Mágico de Oz' até produções de 2024, como 'Wicked' e 'Meninas Malvadas'. A seleção é também uma lembrança de que o espetáculo, mesmo quando assistido do sofá, tem o poder de suspender o cotidiano e devolver ao espectador algo parecido com encantamento.

Quando um musical funciona, ele opera numa frequência que outros gêneros raramente alcançam — música, dança e narrativa se fundem em algo maior do que a soma das partes. A newsletter Maratonar, da Folha de S.Paulo, aproveitou esse poder para reunir sete filmes musicais disponíveis em streaming, formando uma lista que vai de 1939 a 2024.

O ponto de partida mais recente é 'Wicked' (2024, Netflix), dirigido por Jon M. Chu, que explora a origem da Bruxa Má do Oeste com Cynthia Erivo e Ariana Grande nos papéis principais — ambas indicadas ao Oscar de 2025. A canção 'Defying Gravity' é do tipo que persiste na memória por dias. Para quem quiser voltar à fonte, 'O Mágico de Oz' (1939, HBO Max) ainda emociona gerações com a interpretação de Judy Garland em 'Somewhere Over The Rainbow'.

'Hairspray - Em Busca da Fama' (2007, Netflix) situa sua história nos Estados Unidos dos anos 1960, misturando humor e crítica social enquanto Tracy, uma jovem fora dos padrões estéticos, luta por espaço num programa de TV. 'Matilda: O Musical' (2022, Netflix) revisita o livro de Roald Dahl com Alisha Weir no papel da garota com poderes mágicos e Emma Thompson como a temível diretora Trunchbull, oferecendo uma experiência distinta da versão de Danny DeVito.

'Meninas Malvadas' (2024, Telecine) reconstrói o clássico adolescente com roteiro atualizado de Tina Fey, equilibrando o humor original com uma sensibilidade contemporânea. 'A Cor Púrpura' (2023, HBO Max), dirigido por Blitz Bazawule, adapta o romance vencedor do Pulitzer com Fantasia Barrino interpretando Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos do início do século 20, num filme que discute racismo, misoginia e sororidade com beleza e precisão.

A lista se encerra com 'The Rocky Horror Picture Show' (1975, Disney+), incluído como homenagem a Tim Curry, falecido em 26 de agosto aos 80 anos. Curry imortalizou Frank-N-Furter, um cientista que desafia toda normatividade de gênero, tornando o filme um ícone LGBTQIA+ que permanece vivo mais de meio século depois de seu lançamento.

Quando um musical funciona, ele funciona de um jeito que nenhum outro gênero consegue replicar. Há algo na combinação de música, dança e narrativa que tira as pessoas da poltrona — ou, neste caso, do sofá. A Folha de S.Paulo, através de sua newsletter Maratonar, reuniu sete filmes musicais disponíveis em plataformas de streaming para quem quer experimentar esse tipo de magia sem sair de casa.

O gênero é notoriamente polarizador. Há quem ame cada minuto de uma bruxa cantando enquanto desafia a gravidade em sua vassoura, e há quem considere as expressões exageradas, o excesso de música e a distância da realidade como razões suficientes para evitar completamente o formato. Mas para os que se entregam ao espetáculo, as recompensas são imensuráveis.

A lista começa com "Wicked", lançado em 2024 e disponível na Netflix com 160 minutos de duração. O filme, dirigido por Jon M. Chu, explora a origem da Bruxa Má do Oeste, personagem do universo de "O Mágico de Oz". Cynthia Erivo interpreta Elphaba, uma mulher nascida com a pele verde que enfrenta rejeição social e busca o feiticeiro que governa Oz para se tornar "normal". Ao lado dela, Ariana Grande vive Glinda, a bruxa popular e privilegiada. As duas atrizes foram indicadas ao Oscar em 2025 — Erivo na categoria de melhor atriz e Grande como melhor atriz coadjuvante. A canção "Defying Gravity" é tão marcante que fica na cabeça do espectador por dias após o filme terminar. A continuação, lançada em 2025 e disponível no Prime Video, é menos memorável, mas ainda merece uma chance.

Para quem quer voltar às origens, "O Mágico de Oz" (1939) está na HBO Max com 102 minutos. O clássico que marcou a carreira de Judy Garland ainda emociona gerações. A jovem atriz interpretou Dorothy, transportada por um tornado para a misteriosa terra de Oz, onde encontra um espantalho em busca de cérebro, um homem de lata sem coração e um leão covarde. A interpretação de Garland para "Somewhere Over The Rainbow" permanece como uma das mais memoráveis da história do cinema.

Entre as produções mais recentes, "Hairspray - Em Busca da Fama" (2007, Netflix, 116 minutos) se passa nos Estados Unidos dos anos 1960 e acompanha Tracy, uma jovem apaixonada por dança que não se encaixa nos padrões estéticos da sociedade. O filme equilibra humor com crítica social, discutindo gordofobia enquanto Tracy enfrenta preconceito para conquistar espaço em um programa de TV popular. John Travolta interpreta Edna, a mãe da protagonista, papel que também foi vivido nos palcos brasileiros por Tiago Abravanel.

"Matilda: O Musical" (2022, Netflix, 122 minutos) traz Alisha Weir como Matilda, uma garota solitária ignorada pelos pais que descobre ter poderes mágicos. Na escola, ela se aproxima da professora Honey, interpretada por Lashana Lynch, e enfrenta a temível diretora Trunchbull, vivida por Emma Thompson. Embora muitos lembrem do filme de 1996 dirigido por Danny DeVito — especialmente da icônica cena do bolo de chocolate — a versão musical, baseada no mesmo livro de Roald Dahl, absorve mais inspiração da montagem da Broadway e oferece uma experiência diferente.

"Meninas Malvadas" (2024, Telecine, 107 minutos) reconstrói um dos maiores clássicos da comédia adolescente dos anos 2000. Tina Fey retorna para assinar o roteiro e consegue atualizar a história mantendo o humor certeiro enquanto evita piadas que soariam datadas ou preconceituosas. Angourie Rice interpreta Cady Heron, uma jovem educada em casa que se muda da África para os Estados Unidos e precisa navegar a hierarquia social de uma escola de ensino médio americana, dividida entre sua personalidade autêntica e o grupo de meninas populares liderado por Regina George, vivida por Renée Rapp. Os números musicais trazem originalidade para uma história já marcada no imaginário popular.

"A Cor Púrpura" (2023, HBO Max, 141 minutos), dirigido pelo cineasta ganês Blitz Bazawule, é a adaptação mais recente do livro vencedor do Pulitzer em 1983. Fantasia Barrino interpreta Celie, uma mulher negra vivendo no sul dos Estados Unidos no início do século 20. O filme acompanha sua vida da infância à maturidade, discutindo racismo, misoginia e sororidade com sensibilidade e beleza cênica. O elenco, majoritariamente negro, está bem entrosado, e as canções — que frequentemente abordam diálogos difíceis sobre violência e solidão — são bem integradas ao roteiro.

Por fim, "The Rocky Horror Picture Show" (1975, Disney+, 98 minutos) é incluído como homenagem a Tim Curry, falecido em 26 de agosto aos 80 anos. Curry interpreta Frank-N-Furter, descrito como "uma doce travesti vinda de Transexual, Transilvânia", um cientista dedicado à libido e ao prazer que não se enquadra na normatividade de gênero. O filme, que explora a linguagem corporal sensual do ator, se tornou um ícone LGBTQIA+ e permanece relevante mais de 50 anos depois de seu lançamento.

É impossível não ficar com os versos de 'Defying Gravity' grudados na cabeça por dias após assistir ao filme.
— Crítica sobre 'Wicked'
O filme equilibra com qualidade humor e críticas sociais, discutindo temas como a gordofobia.
— Sobre 'Hairspray - Em Busca da Fama'
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