Sesc em SP recebe agenda musical diversa em setembro com Geraldo Azevedo e Rincon Sapiência

A música brasileira não é uma coisa só. É múltipla.
A programação de setembro do Sesc reúne MPB, rap, samba, black music, reggae e rock em um único mês.
Mark

Por que essa programação importa? É só um calendário de shows.

Mimi

Não é só calendário. É uma escolha deliberada de trazer artistas de várias gerações e gêneros para espaços públicos com preço acessível. Alguns shows são gratuitos. Outros custam até R$ 80. Isso muda quem consegue entrar.

Luke

Mas quem realmente vai? Sesc tem público fiel, mas não sabemos quantas pessoas das periferias que o Rincon canta vão conseguir chegar lá.

Mimi

É verdade. Mas o fato de estar lá — de Rincon Sapiência estar no Sesc Vila Mariana, de graça — é diferente de estar só em casas noturnas privadas. Muda a visibilidade.

Mark

E as releituras de álbuns antigos? Por que isso aparece tanto?

Mimi

Porque há um diálogo acontecendo. Juçara Marçal não está só cantando Elizeth Cardoso de 1965 — ela está conversando com aquele disco, trazendo-o para agora. Zeca Baleiro faz o mesmo com seu próprio repertório.

Luke

Mas a gente não sabe se essas releituras funcionam, se o público entende o que está sendo proposto. Isso é uma aposta curatorial, não uma garantia.

Mark

Qual é o fio que une tudo isso? MPB, rap, black music, reggae, rock...

Mimi

Acho que é a ideia de que a música brasileira não é uma coisa só. É múltipla. E que essas múltiplas vozes cabem no mesmo espaço, no mesmo mês.

Luke

Desde que o Sesc tenha capacidade de programação e que os artistas aceitem os cachês oferecidos. Não é automático.

Mark

Então é um privilégio estar nessa agenda?

Mimi

Sim. Mas também é um reconhecimento. Esses artistas foram escolhidos porque importam — porque suas carreiras, suas propostas, merecem ser ouvidas em espaço público.

  • Programação em setembro nas unidades do Sesc de São Paulo com shows gratuitos e ingressos até R$ 80
  • Artistas como Geraldo Azevedo, Rincon Sapiência, Leci Brandão, Juçara Marçal e Zeca Baleiro
  • Celebração de discos históricos, como os 60 anos de 'Elizeth Sobe o Morro' de 1965
  • Apresentações distribuídas em diferentes regiões da capital — oeste, leste, sul e centro

Programação inclui atrações gratuitas e ingressos de até R$ 80, passando por diversos gêneros musicais e celebrando carreiras consolidadas. Destaques incluem releituras de álbuns clássicos, como o show de Juçara Marçal sobre disco de Elizeth Cardoso de 1965.

Unidades do Sesc na capital paulista recebem programação com shows de MPB, rap, samba, black music, reggae e rock em setembro, com artistas como Geraldo Azevedo, Rincon Sapiência e Leci Brandão.

Em setembro, as unidades do Sesc espalhadas pela capital paulista transformam seus palcos em uma vitrine de sonoridades brasileiras. A programação que se desenrola ao longo do mês traz nomes consolidados e propostas que atravessam gêneros — de MPB a rap, passando por samba, black music, reggae e rock. Alguns shows são gratuitos; outros custam até R$ 80 na entrada inteira. O que une essa diversidade é o compromisso de levar música de qualidade a diferentes regiões da cidade, em espaços públicos de acesso democrático.

Geraldo Azevedo abre a programação no Sesc Pompeia com "Voz & Violão", uma apresentação que percorre mais de cinco décadas de sua carreira — shows nos dias 5, 6 e 7 de setembro. No mesmo espaço, Academia da Berlinda apresenta "Jandaias", seu novo álbum gravado em Olinda, que mantém a marca do grupo: a mistura entre música popular e ritmos dançantes. Já Zeca Baleiro leva ao Sesc Belenzinho uma releitura de seu repertório acompanhado por Adriano Magoo ao piano, sintetizadores, samplers e acordeon — uma abordagem que ele chama de "Piano", revisitando faixas como "Babylon", "Bandeira" e "Respira".

A celebração de discos históricos marca presença forte na agenda. Juçara Marçal dedica seu show no Sesc Bom Retiro aos 60 anos de "Elizeth Sobe o Morro", álbum lançado por Elizeth Cardoso em 1965. Acompanhada por Kiko Dinucci e Rodrigo Campos, ela reinterpreta composições de Nelson Cavaquinho, Cartola, Paulinho da Viola e Zé Keti. Leci Brandão, que completa cinco décadas de carreira, apresenta sucessos como "Zé do Caroço", "Só Quero Te Namorar" e "Anjos da Guarda" no Sesc Belenzinho. Zélia Duncan leva ao Sesc Pinheiros "Agudo Grave", seu novo álbum que mescla canção brasileira, pop, rock e música de câmara, com participações de Lenine, Maria Beraldo e outros músicos.

O rap e a música negra ganham espaço significativo. Rincon Sapiência apresenta faixas de "Galanga Livre" e "Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps" no Sesc Vila Mariana, misturando rap com referências afro-brasileiras em letras sobre racismo, periferia e ancestralidade — apresentações gratuitas nos dias 12 e 13. Rashid retorna ao formato clássico de DJ e MC no Sesc Belenzinho com seu novo álbum "CUMULONIMBUS", também com entrada gratuita. KL Jay e Família comandam o baile "Fábrica do Soul" no Sesc Pompeia, dividindo o palco com DJ Kalfani e a cantora Hanifah em celebração aos bailes negros, com repertório que vai de samba-rock a soul e clássicos da cultura black.

Tony Tornado, um dos precursores da black music no Brasil, divide o palco com seu filho Lincoln Tornado e a Banda Funkessência no Sesc Belenzinho em apresentação chamada "Legado", dedicada à trajetória do gênero no país. Braza leva ao Sesc Bom Retiro o show "Baile Cítrico Utrópico Solar", reunindo canções de seu álbum de mesmo nome e sucessos da trajetória, com repertório que mistura reggae, rap, soul, rock, funk, hip-hop e ritmos brasileiros.

Xenia França se apresenta em formato intimista ao lado do pianista Fábio Leandro no Sesc Bom Retiro, revisitando canções de seus álbuns "Xenia" e "Em Nome da Estrela", além de interpretar obras de Dona Ivone Lara e Duke Ellington. Chico César leva ao Sesc Interlagos a versão ao vivo de "Vestido de Amor", seu décimo álbum de estúdio, em espetáculo que mistura ritmos caribenhos, africanos e forró. Boca Livre se une a Edu Lobo no Sesc Pinheiros para o lançamento de "Boca Canta Edu", que revisita a obra do cantor e compositor em novas interpretações.

Wanderléa, que marcou os anos 1960 com sua participação na Jovem Guarda, apresenta no Sesc 14 Bis sua própria versão de canções de ritmo choro. Odair José, com mais de cinco décadas de carreira, revisita sucessos como "Cadê Você", "A Noite Mais Linda do Mundo" e "Eu Vou Tirar Você Desse Lugar" no Sesc Bom Retiro. A programação se distribui por diferentes regiões da capital — oeste, leste, sul e centro — garantindo que a diversidade musical chegue a públicos em várias partes da cidade. Ingressos podem ser adquiridos no site sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades.

Geraldo Azevedo apresenta 'Voz & Violão', com repertório que percorre mais de cinco décadas de carreira
— Programação do Sesc
Rincon Sapiência canta faixas que misturam rap e referências afro-brasileiras em letras sobre racismo, periferia e ancestralidade
— Descrição do show no Sesc Vila Mariana
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