Num estudo publicado em 2026, cientistas revisitaram o destino final da Terra e descobriram que o nosso planeta poderá, afinal, escapar ao abraço destruidor do Sol quando este se tornar uma gigante vermelha, daqui a cerca de cinco mil milhões de anos. A vida, porém, terá desaparecido muito antes — em aproximadamente mil milhões de anos, quando o dióxido de carbono se esgotar da atmosfera e os oceanos evaporarem sob um Sol cada vez mais brilhante. O que os novos modelos oferecem não é salvação para a vida, mas uma espécie de imortalidade geológica: a Terra como relíquia árida, orbitando em silê
Será que a Terra sobreviverá ao Sol moribundo? Novos modelos reescrevem o destino final
Uma relíquia árida girando em torno de um cadáver estelar
Porque é que isto importa agora, se estamos a falar de cinco mil milhões de anos no futuro?
Porque muda a forma como compreendemos o destino final dos mundos. Durante décadas, acreditámos que a Terra seria simplesmente engolida. Agora sabemos que poderá sobreviver — e isso tem implicações para como pensamos sobre a persistência da matéria no universo.
Mas a vida desaparece muito antes disso, certo?
Sim. A vida termina em cerca de mil milhões de anos, quando o dióxido de carbono se esgota. O planeta continua a existir durante mais quatro mil milhões de anos depois disso, mas como um mundo completamente morto.
Como é que os cientistas mudaram de ideias?
Melhoraram os modelos de como as forças de maré funcionam e de como o Sol perde massa. O modelo antigo subestimava a velocidade a que o Sol se desintegra. Se perder massa depressa o suficiente, a órbita da Terra expande-se e escapa.
Há certeza de que a Terra sobrevive?
Não. Os investigadores dizem que existe uma "maior probabilidade", mas não é garantido. Depende de variáveis que ainda não compreendemos completamente.
E se sobreviver, o que vê?
Uma anã branca — uma estrela do tamanho da Terra, incrivelmente densa, arrefecendo lentamente. E a Terra, árida e sem atmosfera, orbitando-a durante milhares de milhões de anos. Uma relíquia.
Já vimos isto noutros sistemas?
Sim. Em 2024, encontrámos um planeta a orbitar uma anã branca que provavelmente sobreviveu à morte da sua estrela. É a prova de que isto não é apenas teoria.
El Pulso
- A urgência não está no fim do Sol, mas na extinção da vida: em cerca de mil milhões de anos, o CO2 atmosférico esgota-se, as plantas morrem e o oxigénio colapsa — muito antes de qualquer drama estelar.
- Modelos anteriores condenavam a Terra a ser engolida pelo Sol em expansão, criando décadas de certeza científica sobre um fim por incineração.
- Um novo estudo de Esseldeurs, Mathis e Decin, publicado em Astronomy & Astrophysics, revê essa conclusão: se o Sol perder massa rapidamente o suficiente, a órbita terrestre expande-se e o planeta escapa ao envelope estelar.
- A observação de um planeta com 1,9 vezes a massa da Terra a orbitar uma anã branca noutro sistema sugere que este cenário de sobrevivência já aconteceu — e pode acontecer aqui.
- O destino mais provável da Terra, se sobreviver, é uma existência interminável como mundo árido e sem vida, girando em torno de um remanescente estelar frio durante períodos de tempo que desafiam qualquer escala humana.
Num estudo publicado em 2026, cientistas revisitaram o destino final da Terra e descobriram que o nosso planeta poderá, afinal, escapar ao abraço destruidor do Sol quando este se tornar uma gigante vermelha, daqui a cerca de cinco mil milhões de anos. A vida, porém, terá desaparecido muito antes — em aproximadamente mil milhões de anos, quando o dióxido de carbono se esgotar da atmosfera e os oceanos evaporarem sob um Sol cada vez mais brilhante. O que os novos modelos oferecem não é salvação para a vida, mas uma espécie de imortalidade geológica: a Terra como relíquia árida, orbitando em silêncio o cadáver frio de uma anã branca.
A Terra não terminará num instante de fogo. Terminará lentamente, reescrita ao longo de centenas de milhões de anos por um Sol que envelhece de forma imperceptível. Um estudo publicado em junho de 2026 trouxe, porém, uma reviravolta à história que os cientistas julgavam conhecer: o nosso planeta poderá sobreviver à fase de gigante vermelha do Sol, em vez de ser consumido por ela.
O processo começa muito antes do drama estelar. À medida que o Sol aquece gradualmente, a radiação crescente fixa o dióxido de carbono nas rochas, removendo-o da atmosfera. Sem CO2, a fotossíntese colapsa, os níveis de oxigénio caem abaixo de 1% e os oceanos evaporam lentamente. Segundo um estudo publicado na Nature, este colapso biológico ocorrerá em cerca de 1,08 mil milhões de anos — muito antes de o Sol se transformar numa gigante vermelha, daqui a cinco mil milhões de anos.
O grande debate era sempre o que aconteceria depois. Modelos de 2008 concluíam que as forças de maré arrastariam a Terra para o interior do Sol, mesmo que a perda de massa estelar tentasse expandir a sua órbita. Agora, Mats Esseldeurs, Stéphane Mathis e Leen Decin demonstram, com modelos de dissipação de forças de maré mais precisos, que existe uma probabilidade significativamente maior de a Terra escapar — desde que o Sol perca massa com rapidez suficiente para que a órbita se expanda o bastante.
Se sobreviver, a Terra orbitará uma anã branca durante milhares de milhões de anos: sem oceanos, provavelmente sem atmosfera, apenas uma relíquia rochosa girando em torno de um cadáver estelar. Esta possibilidade não é apenas teórica — em 2024, astrónomos descobriram um planeta com cerca de 1,9 vezes a massa da Terra a orbitar uma anã branca, sugerindo que já sobreviveu a um processo semelhante noutro sistema. O destino da Terra permanece incerto, mas a ciência abriu uma porta que parecia fechada.
A Terra não desaparecerá num instante de fogo e caos. Desaparecerá lentamente, ao longo de milhões de anos, enquanto o Sol se transforma de forma tão gradual que nenhuma geração humana — se ainda houvesse humanos — reconheceria o dia em que tudo mudou. Mas há uma reviravolta na história que os cientistas acreditavam conhecer: um estudo publicado em junho de 2026 sugere que o nosso planeta poderá, afinal, sobreviver ao colapso final do Sol, mesmo quando este se expandir numa gigante vermelha monstruosa.
O Sol tem atualmente cerca de 4,5 mil milhões de anos e encontra-se na fase mais estável da sua existência, fundindo hidrogénio em hélio de forma constante no seu núcleo. Esse processo alimentou toda a vida na Terra. Mas o combustível não é infinito. À medida que o hidrogénio se esgota, as temperaturas internas aumentam, empurrando a fusão para as camadas exteriores da estrela. O resultado é um aumento implacável do seu brilho — um processo que durará centenas de milhões de anos e que reescreverá completamente o clima do nosso planeta.
A vida, porém, terminará muito antes de o Sol chegar ao seu fim. Segundo um estudo publicado na Nature, a atmosfera terrestre permanecerá rica em oxigénio durante aproximadamente 1,08 mil milhões de anos. Depois disso, a radiação solar crescente fixará cada vez mais dióxido de carbono nas rochas, removendo-o gradualmente do ar. Sem CO2, as plantas não conseguem fazer fotossíntese. A produtividade biológica entra em colapso. Os níveis de oxigénio caem para menos de 1% do que são hoje. Simultaneamente, o calor intenso fará evaporar os oceanos — não de repente, mas lentamente, libertando enormes quantidades de vapor de água que intensificam o efeito de estufa e permitem que o hidrogénio escape para o espaço. Quando o Sol finalmente começar a transformar-se numa gigante vermelha, daqui a cerca de cinco mil milhões de anos, a Terra já será um mundo árido e morto.
O grande mistério era sempre o que aconteceria a seguir. Mercúrio e Vénus estão praticamente condenados — serão engolidos pelas camadas exteriores em expansão do Sol. Mas a Terra? Estudos anteriores sugeriram que o seu destino dependeria de uma luta entre duas forças opostas. As forças de maré drenariam a energia orbital, puxando o planeta para dentro. Ao mesmo tempo, o Sol perderia massa através de ventos estelares poderosos, enfraquecendo a sua atração gravitacional e fazendo a órbita terrestre expandir-se. Um modelo de 2008 concluiu que a expansão orbital não seria suficiente — as marés acabariam por puxar a Terra para o interior do Sol.
Mas agora Mats Esseldeurs, Stéphane Mathis e Leen Decin publicaram um novo estudo na revista Astronomy & Astrophysics que muda esta conclusão. Utilizando modelos atualizados de como as forças de maré se dissipam, demonstram que existe uma probabilidade significativamente maior de a Terra sobreviver à fase de gigante vermelha, permanecendo em órbita em vez de ser consumida. O segredo está na velocidade: se o Sol perder massa com rapidez suficiente, a órbita terrestre expandir-se-á o suficiente para a manter segura — embora não com certeza absoluta.
O que encontraria a Terra nesse futuro distante? Quando o Sol finalmente libertar as suas camadas exteriores, formará uma nebulosa planetária, deixando para trás uma anã branca — um remanescente estelar extraordinariamente denso, com aproximadamente o tamanho da Terra, onde a fusão nuclear cessou. Se a Terra sobreviver, continuará a orbitar essa anã branca durante milhares de milhões de anos, arrefecendo lentamente. Seria um mundo sem oceanos, provavelmente sem atmosfera significativa, apenas uma relíquia árida girando em torno de um cadáver estelar.
Observações de outros sistemas planetários sugerem que ambos os cenários são possíveis. Os astrónomos já viram casos de "canibalismo" estelar, em que estrelas envelhecidas consomem os seus próprios planetas — um desses eventos foi detetado em 2023. Mas em 2024, descobriram um planeta com cerca de 1,9 vezes a massa da Terra a orbitar uma anã branca, e a reconstrução da história do sistema sugere que este planeta poderá ter orbitado, em tempos, a uma distância semelhante à da Terra atual em relação ao Sol. Isso significa que sobreviveu à fase de gigante vermelha da sua estrela.
Não há dúvida de que a Terra se tornará um planeta estéril e inabitável dentro de cerca de mil milhões de anos. Mas poderá, afinal, sobreviver à morte do Sol — continuando a orbitar uma anã branca como uma relíquia árida durante períodos de tempo que desafiam a imaginação.
Citas Notables
Se o Sol perder massa com rapidez suficiente, a órbita da Terra expandir-se-ia o suficiente para garantir a sua provável sobrevivência— Mats Esseldeurs, Stéphane Mathis e Leen Decin, autores do estudo de 2026