Senado aprova aumento do teto do MEI e perdão de dívidas em pacote de Lula

Pode faturar mais sem aumento de impostos
O aumento do teto permite que MEIs expandam seus negócios mantendo a mesma carga tributária.
Mark

Por que o governo escolheu aumentar o teto de faturamento justamente agora, tão perto das eleições?

Mimi

É uma estratégia clara de apoio político. Milhões de MEIs são eleitores, e essa medida coloca dinheiro no bolso deles sem aumentar impostos. Em um segundo turno acirrado, isso importa.

Luke

Mas precisamos ser precisos: a medida foi aprovada, sim, mas o custo fiscal é real. Estamos falando de 3,4 bilhões em 2029. Isso não desaparece depois da eleição.

Mark

E quanto ao perdão de dívidas? A proposta original era menor, certo?

Mimi

Exatamente. Lula propôs perdoar apenas as dívidas já inscritas na Dívida Ativa. Os senadores ampliaram para todas as dívidas em atraso, chegando a 16 bilhões de reais.

Luke

Aqui temos uma questão importante: essa estimativa de 16 bilhões é do governo ou de quem? Se for apenas uma projeção, precisamos saber a margem de incerteza.

Mark

Qual é o impacto real para um MEI médio?

Mimi

Um empreendedor que fatura 85 mil reais por ano agora pode chegar a 110 mil sem pagar mais impostos. E se tinha dívidas com o governo, elas desaparecem. É um alívio significativo.

Luke

Verdade, mas também precisamos perguntar: quantos MEIs realmente aproveitarão esse aumento de teto? Nem todos têm potencial de crescimento. E quanto aos que não têm dívidas? Para eles, o benefício é só o aumento do teto.

Mark

O pacote tem outras partes além disso?

Mimi

Sim, cinco medidas no total. Tem um Pix de 5 mil reais, dispensa de nota fiscal em certas transações, e renegociação de dívidas bancárias. Nem tudo precisa de votação no Congresso.

Luke

Mas aí está o ponto: algumas partes ainda não foram implementadas. O Pix precisa de votação, a renegociação bancária depende de ação do governo. Então o pacote não está completo ainda.

  • O Senado aprovou o pacote por 78 votos a zero, sinalizando consenso político raro em torno de um benefício que atinge milhões de microempreendedores brasileiros.
  • O perdão de dívidas, ampliado pelos próprios parlamentares para além da proposta original do Planalto, pode alcançar 16 bilhões de reais — um alívio expressivo para os MEIs, mas uma sangria considerável para as contas públicas.
  • O timing é inescapável: o pacote chega dias antes do segundo turno em que Lula disputa a presidência contra Flávio Bolsonaro, transformando a política pública em instrumento de campanha.
  • Economistas alertam que o custo fiscal escalará de 1,6 bilhão em 2027 para 3,4 bilhões em 2029, pressionando um governo já às voltas com desafios orçamentários sérios.
  • Com a sanção presidencial como próximo passo, o 'Prospera MEI' caminha para se tornar lei em tempo recorde, refletindo a urgência política que o momento eleitoral impõe.

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, o Senado brasileiro aprovou por unanimidade o pacote 'Prospera MEI', elevando o teto de faturamento dos microempreendedores individuais e perdoando cerca de 16 bilhões de reais em dívidas com a União. A medida, que combina alívio econômico real para milhões de pequenos negócios com um custo fiscal crescente para os cofres públicos, revela a tensão permanente entre o amparo popular e a responsabilidade orçamentária. No calendário da política, o gesto raramente é neutro — e esta aprovação, unânime e veloz, fala tanto sobre o momento eleitoral quanto sobre a condição dos que vivem à margem da formalidade plena.

Na tarde desta quinta-feira, o Senado encerrou a votação do pacote 'Prospera MEI' sem uma única voz discordante: 78 a zero. A Câmara já havia aprovado o texto na véspera, e o projeto segue agora para a assinatura do presidente Lula. A velocidade da tramitação diz muito sobre o peso político da iniciativa.

O núcleo da proposta é o aumento progressivo do teto de faturamento anual dos microempreendedores individuais. O limite atual de 81 mil reais sobe para 110 mil em 2027 e para 140 mil em 2028 — permitindo que o MEI cresça sem ser empurrado para uma faixa tributária mais pesada. O texto também autoriza a contratação de dois funcionários, contra o único permitido hoje.

Os senadores foram além da proposta original do Palácio do Planalto ao ampliar o perdão de dívidas. O governo queria anistiar apenas as obrigações já inscritas na Dívida Ativa da União; o Congresso estendeu a remissão a todas as dívidas em atraso com o governo federal, somando cerca de 16 bilhões de reais.

O contexto eleitoral é impossível de ignorar. O pacote surge dias antes do segundo turno em que Lula busca um quarto mandato diante do senador Flávio Bolsonaro, que lidera as pesquisas. Beneficiar os MEIs — segmento que representa milhões de eleitores e pequenos negócios — é uma aposta política calculada.

O custo dessa aposta, porém, preocupa economistas: 1,6 bilhão de reais em 2027, 3,2 bilhões em 2028 e 3,4 bilhões em 2029, sem contar o impacto do perdão de dívidas. O 'Prospera MEI' ainda prevê um Pix de 5 mil reais por MEI, a ser votado separadamente, e a renegociação de dívidas bancárias, ainda pendente de implementação. O alívio para o pequeno empreendedor é real; a conta, igualmente.

O Senado votou nesta quinta-feira 15 de outubro e aprovou, sem uma única voz contrária, um pacote de medidas desenhado pelo governo Lula para beneficiar os microempreendedores individuais. Os números foram expressivos: 78 votos a favor, zero contra. A Câmara dos Deputados já havia dado seu aval no dia anterior, e agora o projeto segue para a assinatura presidencial.

O cerne da proposta é simples e direto: aumentar o teto de faturamento anual das MEIs. Hoje, esse limite está em 81 mil reais. A partir de 2027, sobe para 110 mil reais. Em 2028, vai para 140 mil reais. O ganho para o empreendedor é claro: pode faturar mais sem que isso implique em aumento de carga tributária. Além disso, o texto aprovado permite que cada MEI contrate dois funcionários, em vez do único empregado permitido atualmente.

Mas o pacote vai além. Os senadores também aprovaram o perdão de dívidas das MEIs junto ao governo federal. A proposta original do Palácio do Planalto era mais restrita: perdoaria apenas as obrigações já inscritas na Dívida Ativa da União, aquelas que o governo estava cobrando formalmente. Os parlamentares, porém, decidiram ampliar o escopo. Estenderam a anistia a todas as dívidas em atraso com a União, um montante estimado em 16 bilhões de reais.

O timing da iniciativa não é casual. O pacote chega poucos dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, momento em que Lula busca seu quarto mandato em uma disputa acirrada contra o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, que lidera as pesquisas de intenção de voto. A medida é claramente um esforço para conquistar apoio junto a um segmento do eleitorado que representa milhões de pequenos negócios no país.

Para os economistas, porém, o quadro é preocupante. O novo pacote de benefícios pressiona ainda mais as contas públicas em um momento em que o governo já enfrenta desafios fiscais. A ampliação do teto de faturamento terá um custo fiscal de 1,6 bilhão de reais em 2027. Esse número sobe para 3,2 bilhões em 2028 e para 3,4 bilhões em 2029. Somado ao perdão de dívidas, o impacto nas contas públicas é substancial.

O pacote recebeu o nome de "Prospera MEI" e é composto por cinco medidas no total. Além do aumento do teto de faturamento e do perdão de dívidas, inclui um Pix MEI de 5 mil reais, que ainda precisa ser votado no Congresso; a dispensa de emissão de nota fiscal em transações com pessoas físicas, já determinada por decreto presidencial; e a renegociação de dívidas bancárias das MEIs, que não depende de aprovação legislativa mas ainda aguarda implementação pelo governo.

Com a aprovação no Senado, o projeto agora segue para a sanção presidencial. A velocidade da tramitação reflete a prioridade que o governo atribui à medida neste momento eleitoral crítico.

O aumento do teto permite que elevem o seu faturamento sem pagar mais impostos por isso
— Descrição do impacto da medida no texto aprovado
Want the full story? Read the original at Veja ↗
Contact Us FAQ