Em um país onde milhões constroem seu sustento à margem das grandes estruturas corporativas, o Senado Federal reconheceu, por unanimidade, que o tempo havia corroído as condições mínimas de sobrevivência do microempreendedor individual. A aprovação do projeto que eleva o teto de faturamento do MEI e perdoa bilhões em dívidas não é apenas um ajuste técnico — é um acerto de contas com oito anos de inflação silenciosa que foi estreitando, pouco a pouco, o espaço de quem trabalha por conta própria. A medida, que aguarda sanção presidencial, alcança cerca de 17 milhões de brasileiros e atravessou o
Senado aprova aumento de limite e perdão de dívida para MEIs com votação unânime
Recomposição monetária que devolve poder de compra perdido
Por que essa votação unânime importa? Parece raro no Senado.
Porque mostra que a pauta dos microempreendedores não é ideológica. Todos os 78 senadores presentes votaram a favor, o que significa que tanto a base quanto a oposição reconhecem a relevância de 17 milhões de MEIs na economia.
Mas precisamos ser claros: unânime significa que ninguém votou contra, não que todos estavam convencidos. Alguns podem ter simplesmente não se oposto.
E quanto ao perdão de dívidas? R$ 12,6 bilhões é muito dinheiro.
É, mas o governo argumenta que essa dívida estava praticamente irrecuperável. Muitos desses MEIs não tinham condição de pagar. O perdão reconhece essa realidade e oferece um recomeço.
Verdade, mas há uma condicionalidade importante: o MEI precisa ficar adimplente nos seis meses seguintes ou perde tudo. Isso não está claro para todos. E quem não conseguir manter-se em dia durante esse período volta à estaca zero.
O reajuste do limite de faturamento faz sentido economicamente?
Sim. A inflação de 54% desde 2018 significa que R$ 81 mil hoje vale muito menos do que valia. O governo está apenas repondo o poder de compra, não expandindo o regime.
Mas o impacto orçamentário é real: R$ 1,57 bilhão em 2027. Isso sai do bolso de alguém. A questão é se o benefício econômico compensa o custo fiscal.
E a possibilidade de contratar dois empregados em vez de um?
Isso responde a uma demanda concreta. Com a redução da jornada de trabalho aprovada recentemente, muitos MEIs precisam de mais mãos para manter a produção. Agora podem fazer isso legalmente.
Desde que paguem salário mínimo ou piso. Não é flexibilidade total, mas é um alargamento real das possibilidades.
Le Pouls
- O limite de R$ 81 mil, congelado desde 2018 enquanto a inflação acumulava 54%, havia se tornado uma armadilha silenciosa para quem crescia além do que a lei permitia reconhecer.
- 3,6 milhões de microempreendedores carregavam R$ 12,6 bilhões em dívidas inscritas na Dívida Ativa da União — um peso que bloqueava a regularização e afastava esses trabalhadores da economia formal.
- O Senado respondeu com aprovação unânime: 78 senadores, sem um único voto contrário, sinalizaram que o apoio ao MEI transcende divisões partidárias.
- O novo teto sobe em etapas — R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028 — e o perdão de dívidas vem condicionado: o MEI precisa manter pagamentos em dia por seis meses ou perde a anistia.
- A proposta segue para sanção presidencial com o respaldo político necessário, mas o custo fiscal — R$ 1,57 bilhão já em 2027 — coloca a medida sob o olhar atento das contas públicas nos próximos anos.
Em um país onde milhões constroem seu sustento à margem das grandes estruturas corporativas, o Senado Federal reconheceu, por unanimidade, que o tempo havia corroído as condições mínimas de sobrevivência do microempreendedor individual. A aprovação do projeto que eleva o teto de faturamento do MEI e perdoa bilhões em dívidas não é apenas um ajuste técnico — é um acerto de contas com oito anos de inflação silenciosa que foi estreitando, pouco a pouco, o espaço de quem trabalha por conta própria. A medida, que aguarda sanção presidencial, alcança cerca de 17 milhões de brasileiros e atravessou o Congresso sem uma única voz contrária.
O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira, por unanimidade, um projeto que remodela as regras do Microempreendedor Individual no Brasil. Os 78 senadores presentes votaram a favor da medida, que combina reajuste de faturamento e perdão de dívidas para uma categoria que reúne cerca de 17 milhões de trabalhadores.
O teto de receita bruta anual, parado em R$ 81 mil desde 2018, subirá em duas etapas: R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. O governo argumentou que a inflação acumulada de 54% nos últimos oito anos havia tornado o limite original obsoleto — não se tratava de ampliar o regime, mas de devolver ao MEI o poder de compra perdido ao longo do tempo. O impacto fiscal chegará a R$ 1,57 bilhão em 2027 e a R$ 3,38 bilhões em 2029.
O projeto também permite que o MEI contrate até dois funcionários, ante o limite anterior de apenas um, desde que recebam o salário mínimo ou o piso da categoria. A mudança veio em resposta a pressões crescentes da categoria, intensificadas pelos debates recentes sobre jornada de trabalho no Congresso.
O relator, senador Carlos Fávaro (PSD-MT), descreveu a aprovação como a correção de uma distorção histórica e ressaltou o papel dos microempreendedores como atores econômicos legítimos dentro da política de inclusão produtiva do país.
A segunda dimensão do projeto é o perdão de dívidas. Cerca de 3,6 milhões de MEIs com débitos inscritos na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026 receberão anistia integral de R$ 12,6 bilhões. A condição é manter-se adimplente nos seis meses seguintes à vigência da lei — qualquer atraso cancela automaticamente a remissão. Quem tiver ações judiciais em andamento deverá desistir delas, sem direito a honorários advocatícios.
O texto também elevou de R$ 80 mil para R$ 100 mil o limite de licitações reservadas a micro e pequenas empresas, ampliando o acesso a compras públicas. Com a aprovação no Senado, a proposta segue agora para sanção presidencial.
O Senado Federal votou nesta quinta-feira (15 de outubro) e aprovou sem qualquer voto contrário um projeto que remodela as condições de funcionamento para os microempreendedores individuais do país. Os 78 senadores presentes apoiaram a medida, que eleva o teto de receita bruta anual do MEI e oferece perdão de dívidas a milhões de pequenos negociantes.
O limite de faturamento, congelado desde 2018, subirá em duas etapas. Começará em R$ 110 mil no próximo ano e chegará a R$ 140 mil em 2028. O governo justificou o reajuste argumentando que a inflação acumulada nos últimos oito anos ultrapassou 54%, tornando a antiga cifra de R$ 81 mil obsoleta. Não se trata, segundo a administração, de uma expansão real do regime, mas de uma recomposição monetária que devolve ao MEI o poder de compra que havia perdido. O impacto nos cofres públicos será de R$ 1,57 bilhão em 2027, R$ 3,15 bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029.
O projeto, que chegou ao Senado com urgência constitucional, também amplia a capacidade de contratação. Até agora, um MEI podia empregar apenas uma pessoa. A partir da aprovação, esse número sobe para dois funcionários, desde que recebam exclusivamente o salário mínimo ou o piso da categoria. Essa mudança responde a uma pressão crescente dos microempreendedores, alimentada pelos debates recentes sobre redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1, ambas aprovadas no Congresso.
O relator da proposta no Senado, Carlos Fávaro (PSD-MT), descreveu a medida como correção de uma distorção histórica. Ele destacou que aproximadamente 17 milhões de MEIs serão beneficiados e que a categoria representa uma das políticas de inclusão produtiva mais relevantes já implementadas no Brasil. Sua fala na tribuna reforçou que a aprovação reconhecia o papel dos microempreendedores como atores econômicos legítimos.
O perdão de dívidas é a segunda face do projeto. Cerca de 3,6 milhões de microempreendedores que têm débitos inscritos na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026 receberão anistia integral. O volume de dívidas perdoadas chega a R$ 12,6 bilhões. Para usufruir do benefício, porém, o MEI precisará cumprir uma condição: manter-se adimplente no recolhimento de tributos nos seis meses seguintes à entrada em vigor da lei. Qualquer atraso nesse período cancela automaticamente a remissão. Além disso, quem tiver ações judiciais em curso será obrigado a desistir delas, sem direito a receber honorários advocatícios.
O projeto também elevou de R$ 80 mil para R$ 100 mil o limite de valor para licitações destinadas exclusivamente a microempresas e empresas de pequeno porte, ampliando as oportunidades de acesso a compras públicas.
Com a aprovação unânime no Senado, a proposta segue agora para sanção presidencial. Não houve resistência parlamentar à medida, o que sugere que a demanda dos microempreendedores por reajuste de limite e alívio de dívidas atravessa as divisões políticas. O texto já havia passado pela Câmara dos Deputados antes de chegar à casa revisora.
Citations marquantes
O microempreendedor individual representa uma das mais relevantes políticas públicas de inclusão produtiva implementadas no país— Carlos Fávaro, relator do projeto no Senado