A inflação subiu para o nível mais elevado em mais de um ano
Galp, EDP e EDPR divulgam dados operacionais do primeiro semestre; Netflix inaugura calendário de resultados das big tech norte-americanas. Kevin Warsh, novo presidente da Fed, comparece no Congresso para balanço semestral; principais bancos dos EUA reportam contas.
- Galp divulga dados operacionais do primeiro semestre; contas finais a 27 de julho
- Kevin Warsh, novo presidente da Fed, comparece no Congresso para balanço semestral
- Inflação nos EUA subiu para 4,2% em maio; expectativa de desaceleração para 3,9% em junho
- Netflix inaugura calendário de resultados das big tech norte-americanas
- EDP e EDPR já divulgaram dados operacionais; EDPR apresenta contas a 29 de julho
Semana repleta de dados operacionais de empresas portuguesas e norte-americanas, divulgação de contas bancárias nos EUA, audições do presidente da Fed no Congresso e novos indicadores de inflação em ambos os lados do Atlântico.
A semana que se aproxima promete ser densa em revelações económicas e corporativas, com empresas portuguesas e norte-americanas a abrirem os seus livros de contas enquanto indicadores macroeconómicos de ambos os lados do Atlântico ganham forma. O calendário começa logo na segunda-feira com a Galp Energia a divulgar os seus dados operacionais preliminares do segundo trimestre e do primeiro semestre do ano — um "trading update" que antecede a apresentação das contas finais prevista para 27 de julho, quando a petrolífera liderada por Maria João Carioca e João Diogo Silva oferecerá uma visão completa do seu desempenho nos primeiros seis meses.
Em Portugal, a EDP e a sua subsidiária de energias renováveis (EDPR) já divulgaram os seus dados operacionais do primeiro semestre na sexta-feira anterior, após o fecho da bolsa. Os números revelam uma produção de eletricidade praticamente estável entre janeiro e junho, enquanto as energias renováveis registaram um crescimento modesto de 2%. A EDPR apresentará as suas contas finais a 29 de julho, seguida pela EDP no dia 30.
Nos Estados Unidos, o novo presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, comparece no Congresso para o balanço semestral obrigatório sobre a política monetária do banco central. Na terça-feira, Warsh estará perante o comité de serviços financeiros da Câmara dos Representantes, e no dia seguinte falará ao comité bancário do Senado. Estas audições ocorrem numa altura em que a inflação norte-americana tem mostrado sinais de volatilidade, com a taxa anual a ter subido para 4,2% em maio — o nível mais elevado desde abril de 2023 — face aos 3,8% registados em abril. O aumento foi impulsionado principalmente pelos custos da energia, que subiram 23,5% em relação aos 17,9% de abril, reflexo do choque energético desencadeado pelo conflito com o Irão. Para junho, o mercado espera uma desaceleração para 3,9%.
O setor financeiro norte-americano inaugura a sua temporada de resultados com os grandes nomes a reportarem contas na terça-feira: JPMorgan, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs e Bank of America. Morgan Stanley e BlackRock seguem no dia seguinte. Paralelamente, Scott Bessent, secretário do Tesouro, preside a uma reunião do Conselho de Supervisão da Estabilidade Financeira para debater riscos geopolíticos, inteligência artificial e estabilidade financeira.
Na frente tecnológica, a Netflix abre o calendário de resultados das grandes empresas de tecnologia norte-americana ao apresentar os seus números do segundo trimestre fiscal. A semana seguinte marca o início da divulgação de contas das chamadas sete magníficas da tecnologia: Tesla a 22 de julho, Alphabet a 23 de julho, Microsoft e Meta a 24 de julho, Apple e Amazon a 30 de julho, e Nvidia a encerrar o ciclo a 26 de agosto.
Os indicadores económicos multiplicam-se ao longo da semana. Na quarta-feira, o Eurostat divulga o índice de produção industrial de maio na Zona Euro, enquanto Espanha publica os dados de inflação de junho. A China reporta o PIB do segundo trimestre e a produção industrial de junho. A OPEP publica o seu relatório mensal com previsões sobre a procura de petróleo, e a Administração de Informação em Energia dos EUA divulga os níveis dos inventários de crude, destilados e gasolina da semana anterior.
A Agência Internacional de Energia divulga o seu outlook para os minerais críticos a nível global — uma questão complexa que não beneficia de consenso internacional, já que diferentes países e organizações definem listas distintas. A União Europeia, por exemplo, identifica 34 elementos como matérias-primas críticas, incluindo 17 elementos químicos da tabela periódica conhecidos como terras raras.
Em Portugal, o INE divulga as estatísticas de preços da habitação ao nível local do primeiro trimestre, bem como dados de junho das estatísticas vitais e informações sobre construção e habitação de 2025. O Banco de Portugal apresenta a Revista de Estudos Económicos e estatísticas sobre emissões de títulos de junho, além dos números da balança de pagamentos de maio. No final da semana, o Eurostat divulga os números finais da inflação da Zona Euro em junho, com a estimativa rápida já a sugerir o primeiro alívio desde o início da guerra no Irão, graças principalmente à menor pressão nos custos energéticos.
Notable Quotes
A taxa de inflação anual subiu para 4,2% em maio, atingindo o seu nível mais elevado desde abril de 2023— Dados de inflação dos EUA
Os custos da energia registaram um aumento de 23,5%, devido ao choque energético desencadeado pelo conflito com o Irão— Análise de inflação de maio
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que é que esta semana em particular merecia tanta atenção dos mercados?
Porque reúne três coisas que raramente coincidem: resultados corporativos de peso, audições políticas de um banco central novo, e indicadores de inflação que podem mudar a narrativa dos próximos meses.
A inflação parece ser o fio condutor. Os números de maio já foram preocupantes?
Foram. Subiu para 4,2%, o mais alto em mais de um ano, principalmente por causa da energia. Mas há esperança — junho deverá mostrar uma desaceleração para 3,9%.
E Kevin Warsh, o novo presidente da Fed — o que é que ele precisa de comunicar ao Congresso?
Basicamente, como é que pensa gerir a política monetária num ambiente onde a inflação ainda está acima do alvo, mas a economia continua a funcionar. É a sua primeira grande apresentação pública neste cargo.
A Netflix a abrir o calendário das big tech — é simbólico?
É mais do que simbólico. A Netflix é o canário na mina para o setor tecnológico. Se os números forem fracos, toda a semana seguinte de resultados das sete magníficas ganha uma cor diferente.
E em Portugal, o que é que importa realmente?
A Galp e a EDP são barómeros da economia portuguesa. Os seus números operacionais dizem-nos se a energia está a funcionar bem, se há crescimento real ou apenas estagnação disfarçada.
Os minerais críticos — por que é que a AIE escolheu esta semana para falar sobre isso?
Porque a geopolítica e a transição energética estão entrelaçadas. Quem controla as terras raras controla o futuro da tecnologia. É um aviso silencioso sobre dependências que ninguém quer reconhecer.