A pessoa pode ter uma qualidade de vida melhor se ela se cuidar
Em um planeta onde três em cada dez pessoas convivem com alguma forma de alergia, a Semana Mundial da Alergia — realizada de 21 a 27 de junho — chega como um convite à consciência coletiva. No Brasil, rinite, asma e dermatite atópica formam uma silenciosa epidemia normalizada, onde milhões aceitam o sofrimento como parte de sua rotina sem saber que tratamento existe. A ciência alerta: o que parece trivial pode ser o sinal de uma doença séria, e ignorá-la tem custo humano real — em sono perdido, em crianças internadas, em vidas limitadas.
- Até 2050, metade da humanidade poderá ter alguma alergia, impulsionada por mudanças climáticas que ampliam a presença de alérgenos no ar e no ambiente.
- No Brasil, a asma enche prontos-socorros no inverno e mata mais de 450 mil pessoas por ano no mundo — uma urgência que ainda é tratada como inconveniência.
- Crianças com dermatite atópica enfrentam coceira intensa, noites sem dormir e consequências psicológicas como ansiedade e depressão, enquanto pais alérgicos cuidam delas sem tratar a si mesmos.
- A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia promove eventos nacionais para mostrar como funcionam os testes diagnósticos e encorajar famílias inteiras a buscar tratamento.
- O controle é possível: com diagnóstico correto e adesão ao tratamento, pacientes podem ficar completamente sem sintomas — a barreira maior é a normalização do sofrimento.
Três em cada dez pessoas no planeta têm alguma forma de alergia. No Brasil, esse número se traduz em milhões de pessoas que acordam espirrando, respiram com dificuldade no inverno ou coçam a pele sem parar — e muitas simplesmente acostumaram com isso, sem saber que existe tratamento.
A rinite alérgica atinge cerca de 30% dos brasileiros, chegando a 30% entre adolescentes. A asma afeta aproximadamente 20% da população e, globalmente, causa mais de 450 mil mortes por ano. A dermatite atópica compromete 20% das crianças brasileiras, com 60% dos casos surgindo ainda no primeiro ano de vida. Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Asbai, descreve esse contingente como "uma multidão, um país dentro de outro".
O que torna essas doenças especialmente insidiosas é a normalização. Dormir de boca aberta, espirrar repetidamente, sentir coceira constante — muita gente acredita que aquilo é seu normal. Fernandes é direta: não é. Com diagnóstico e tratamento adequados, o paciente pode ficar totalmente sem sintomas. O primeiro passo é identificar o alérgeno desencadeador por meio de testes de pele ou exames de sangue.
A Semana Mundial da Alergia, de 21 a 27 de junho, traz o tema "Cuidado com a Alergia é Cuidado Essencial" e aproveita o início do inverno no Hemisfério Sul para alertar a população. Um ponto frequentemente esquecido: como a alergia é hereditária, toda a família deve ser tratada. Pais que cuidam de filhos alérgicos muitas vezes negligenciam sua própria rinite ou asma.
A Organização Mundial da Saúde projeta que até 2050 metade da população global poderá ter alergias, agravadas pelas mudanças climáticas. A mensagem é clara: alergia não é frescura, e informação médica segura é o único caminho para uma vida com mais qualidade.
Três em cada dez pessoas no planeta convivem com alguma forma de alergia. Essa proporção não é um acaso estatístico distante — ela descreve a realidade imediata de brasileiros que acordam espirrando, que respiram com dificuldade no inverno, que acordam à noite com a boca aberta porque o nariz não funciona. A Organização Mundial de Alergia documenta essa prevalência global, e o Brasil segue o padrão: rinite alérgica, asma e dermatite atópica formam um catálogo de condições que afetam milhões de pessoas, muitas delas sem saber que têm tratamento.
Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, descreve os alérgicos brasileiros como "uma multidão, um país dentro de outro". Não é metáfora vazia. A rinite alérgica sozinha atinge cerca de 30% da população do Brasil. Entre crianças, o índice chega a 26%, e em adolescentes sobe para 30%, conforme dados do Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância aplicado em vários estados. A asma alérgica afeta aproximadamente 20% dos brasileiros, enquanto globalmente a doença incapacita cerca de 260 milhões de pessoas e causa mais de 450 mil mortes anualmente. A dermatite atópica, uma inflamação crônica da pele, atinge 20% das crianças brasileiras, com 5% enfrentando a forma mais grave. Cerca de 60% dos casos começam no primeiro ano de vida.
O que torna essas doenças particularmente insidiosas é que muitas pessoas as normalizam. Alguém dorme com a boca aberta, sofre perturbações no sono, sente coceira constante no nariz e nos olhos, espirra repetidamente — e simplesmente acostuma. Pensa que aquilo é seu normal. Fernandes insiste que não é. A pessoa pode ter uma qualidade de vida significativamente melhor se receber diagnóstico e tratamento adequados. A asma, em particular, torna-se problemática no inverno: os prontos-socorros enchem de crianças, adolescentes e idosos com problemas respiratórios, uma doença que pode colocar a vida em risco.
O sistema imunológico de quem tem alergia responde de forma exacerbada a estímulos que não deveriam desencadear reação. Isso causa inflamação. A maioria das alergias é genética, portanto sem cura, mas com controle possível. Se controlada adequadamente, o indivíduo pode ficar totalmente sem sintomas. O primeiro passo é identificar qual é o tipo de alergia, qual alérgeno desencadeia o problema, e instituir o tratamento correto. Os testes alérgicos podem ser feitos na pele ou por coleta de sangue, ajudando a diagnosticar a causa e prevenir novos sintomas.
A Semana Mundial da Alergia, que ocorre de 21 a 27 de junho, organizada pela Organização Mundial de Alergia e, no Brasil, pela Asbai, traz o tema "Cuidado com a Alergia é Cuidado Essencial". A campanha aproveita o início do inverno no Hemisfério Sul para alertar sobre sintomas e incentivar pacientes a procurarem especialistas — alergistas ou imunologistas. Eventos em diversas regionais da entidade pelo país mostram como funcionam os exames de diagnóstico e esclarecem dúvidas da população.
Um aspecto frequentemente negligenciado é que a alergia afeta a família inteira. Como é hereditária, muitas vezes os pais cuidam de uma criança alérgica enquanto negligenciam sua própria saúde — o pai com rinite, a mãe com asma. Fernandes aconselha que todos da família façam tratamento. A exposição a poeira e ácaros em casa influencia todos os moradores, então o cuidado deve ser doméstico e familiar, não apenas individual. Dermatite atópica, além do desconforto físico da coceira intensa, leva pacientes a quadros de ansiedade e, às vezes, depressão. Urticárias e alergias alimentares podem resultar em quadros graves que limitam significativamente a vida.
A Organização Mundial da Saúde prevê que até 2050, metade da população global poderá ter alergias, impulsionada por mudanças climáticas que permitem maior penetração de alérgenos. O diagnóstico não é o fim, mas o início do controle. Sintomas como tosse persistente, espirros constantes, coceira na pele e falta de ar não devem ser normalizados — podem ser sinais de alergias não diagnosticadas. Seguir o tratamento prescrito previne crises graves. O controle de poeira, mofo e ácaros no ambiente doméstico é parte integrante e essencial, não apenas medicamentosa. A mensagem é clara: alergia é uma doença séria, não "frescura", e informação médica segura é o único caminho para proteger a saúde.
Notable Quotes
São vários tipos de doença ocasionadas por uma alteração do nosso sistema imunológico, que responde de uma maneira mais exacerbada a estímulos, causando as inflamações— Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Asbai
O importante é diagnosticar, cuidar e permitir que o indivíduo tenha uma vida normal e não, simplesmente, isolada— Fátima Rodrigues Fernandes
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a campanha da Semana Mundial da Alergia coincide com o inverno no Brasil?
Porque é quando os sintomas pioram. Os prontos-socorros ficam cheios de crianças e idosos com problemas respiratórios. É o momento em que as pessoas mais precisam de orientação e diagnóstico.
A maioria das pessoas sabe que tem alergia?
Não. Muitas normalizam os sintomas. Dormem com a boca aberta, espirram constantemente, acordam cansadas — e acham que é assim mesmo. Não procuram ajuda porque não reconhecem que aquilo é uma doença.
Se a alergia é genética, por que a campanha fala em cuidado familiar?
Porque toda a família está exposta aos mesmos alérgenos. Se há ácaros em casa, todos respiram aquilo. E muitas vezes os pais negligenciam sua própria saúde enquanto cuidam de uma criança alérgica.
Qual é o impacto psicológico que você mencionou?
A dermatite atópica causa coceira intensa que leva a ansiedade e depressão. Não é só incômodo físico — é isolamento, é qualidade de vida comprometida.
Se não tem cura, qual é o ponto de diagnosticar?
O controle. Se você sabe o que causa sua alergia e segue o tratamento, pode ficar totalmente sem sintomas e ter uma vida normal. Sem diagnóstico, você fica preso aos sintomas.
E as previsões para 2050?
Metade da população global pode ter alergias até lá, por causa das mudanças climáticas. É um aviso de que isso vai piorar se não começarmos a diagnosticar e tratar agora.