Semana Mundial da Alergia alerta: 30% dos brasileiros têm algum tipo de alergia

Asma alérgica causa mais de 450 mil mortes anuais globalmente; dermatite atópica afeta qualidade de vida com ansiedade e depressão em pacientes.
A pessoa acostumou e pensa que aquilo é o normal dela. Mas não é.
Fátima Rodrigues Fernandes sobre como pacientes com rinite alérgica normalizam sintomas que poderiam ser controlados.

Três em cada dez pessoas no mundo convivem com alguma forma de alergia — uma presença silenciosa que habita famílias, escolas e consultórios sem ser plenamente reconhecida. A Semana Mundial da Alergia, em curso até o fim de junho, reúne especialistas brasileiros num esforço coletivo para que sintomas normalizados sejam finalmente nomeados como sofrimento tratável. Por trás dos números está uma advertência mais profunda: as mudanças climáticas podem elevar essa proporção a metade da humanidade até 2050, tornando o diagnóstico precoce não apenas um ato médico, mas um imperativo civilizatório.

  • Rinite, asma e dermatite atópica afetam dezenas de milhões de brasileiros, mas boa parte deles simplesmente aprendeu a conviver com o desconforto sem buscar ajuda.
  • A asma alérgica mata mais de 450 mil pessoas por ano no mundo, e a cada inverno os prontos-socorros se enchem de crianças e idosos com crises respiratórias que poderiam ter sido evitadas.
  • A dermatite atópica reduz a vida de 20% das crianças brasileiras a ciclos de coceira intensa e lesões que frequentemente desembocam em ansiedade e depressão.
  • Especialistas alertam que a alergia é hereditária e que tratar apenas a criança enquanto o pai tem rinite e a mãe tem asma é cuidar pela metade — o controle precisa ser familiar e doméstico.
  • Com diagnóstico por testes de pele ou exame de sangue, é possível identificar o alérgeno específico e instituir tratamento que elimine completamente os sintomas, mesmo sem cura definitiva.

Três em cada dez pessoas no planeta têm alguma forma de alergia. No Brasil, a proporção é a mesma — uma multidão invisível presente em cada família, em cada sala de aula. A Organização Mundial de Alergia documentou esse dado, e a Semana Mundial da Alergia, em andamento até o fim de junho, reúne especialistas brasileiros num esforço para convencer as pessoas de que seus sintomas importam e têm solução.

Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, descreve os alérgicos como "uma multidão, um país dentro de outro". O que torna a situação urgente não é apenas o número atual, mas a trajetória: a OMS prevê que até 2050, metade da população global poderá ter alergias, impulsionada pelas mudanças climáticas que ampliam a penetração de alérgenos no organismo.

A rinite alérgica afeta 30% dos brasileiros. Coceira constante, espirros em sequência, obstrução nasal sem resfriado — sintomas que as pessoas simplesmente aceitam como normais. "A pessoa acostumou e pensa que aquilo é o normal dela. Mas não é", diz Fernandes. A asma alérgica é ainda mais grave: atinge cerca de 20% da população e mata mais de 450 mil pessoas por ano no mundo. No inverno, prontos-socorros ficam lotados de crianças e idosos com crises respiratórias que, com tratamento adequado, poderiam ter sido evitadas.

A dermatite atópica, doença crônica e não contagiosa da pele, afeta 20% das crianças brasileiras — 60% dos casos surgem ainda no primeiro ano de vida. A coceira intensa e as lesões constantes levam muitos pacientes a quadros de ansiedade e depressão, reduzindo drasticamente a qualidade de vida.

O diagnóstico — feito por testes alérgicos na pele ou por exame de sangue — é o ponto de partida. Uma vez identificado o alérgeno, o tratamento pode ser instituído. Fernandes é direta: a alergia, na maioria dos casos, não tem cura, mas tem controle. "Se controlada, o indivíduo pode ficar totalmente sem sintomas." A campanha deste ano, com o tema "Cuidado com a Alergia é Cuidado Essencial", reforça que o tratamento deve ser familiar — o pai com rinite e a mãe com asma precisam de atenção tanto quanto a criança alérgica. O controle do ambiente doméstico, eliminando poeira, mofo e ácaros, é parte integrante e insubstituível desse cuidado.

Três em cada dez pessoas no planeta têm alguma forma de alergia. No Brasil, a proporção é idêntica — uma população inteira de alérgicos, invisível mas presente em cada família, em cada sala de aula, em cada consultório. A Organização Mundial de Alergia documentou esse dado, e agora, com a Semana Mundial da Alergia em andamento até o fim de junho, especialistas brasileiros estão tentando fazer algo que deveria ser óbvio: convencer as pessoas de que seus sintomas importam.

Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, descreve os alérgicos brasileiros como "uma multidão, um país dentro de outro". Ela fala de alergias não como uma única doença, mas como um conjunto de condições provocadas por um sistema imunológico que reage de forma exagerada a estímulos comuns, desencadeando inflamações que transformam a vida cotidiana em algo exaustivo. O que torna isso urgente não é apenas o número atual, mas a trajetória. A Organização Mundial da Saúde prevê que até 2050, metade da população global poderá ter alergias, impulsionada pelas mudanças climáticas que aumentam a penetração de alérgenos no corpo das pessoas.

A rinite alérgica é talvez o exemplo mais claro de como a medicina falha em reconhecer o sofrimento cotidiano. Afeta 30% dos brasileiros — a mesma proporção da população alérgica em geral. Entre crianças, 26% têm rinite; entre adolescentes, 30%. Os sintomas são conhecidos: coceira constante no nariz ou nos olhos, espirros em sequência, coriza, obstrução nasal mesmo sem resfriado. Mas Fernandes aponta o verdadeiro problema: as pessoas dormem com a boca aberta, têm o sono perturbado, e simplesmente aceitam isso como normal. "A pessoa acostumou e pensa que aquilo é o normal dela. Mas não é", ela diz. Uma vida melhor é possível com cuidado adequado, mas ninguém está pedindo ajuda porque ninguém reconhece que está sofrendo.

A asma alérgica é mais grave. Afeta cerca de 20% da população brasileira e, globalmente, mata mais de 450 mil pessoas a cada ano. Os sintomas — falta de ar, chiado no peito, tosse, sensação de cansaço, dor no peito frequentemente após esforço físico ou até ao falar e rir — são sinais de que algo está errado. No inverno, quando a campanha coincide com o início da estação no Hemisfério Sul, os prontos-socorros ficam cheios de crianças, adolescentes e idosos com problemas pulmonares e respiratórios. A asma pode ser fatal, mas é controlável com diagnóstico e tratamento corretos.

A dermatite atópica, uma doença crônica da pele não contagiosa, afeta 20% das crianças brasileiras, com 5% apresentando a forma mais grave. Cerca de 60% dos casos começam no primeiro ano de vida. Entre adultos, a estimativa é de 3%. Mas os números não capturam o custo humano: a coceira intensa e as lesões de pele levam pacientes a quadros de ansiedade e, às vezes, depressão. A vida fica reduzida.

O diagnóstico é o ponto de partida, não o fim. Pode ser feito por testes alérgicos na pele ou por coleta de sangue. Uma vez identificado o alérgeno específico, o tratamento adequado pode ser instituído. Fernandes enfatiza que, na maioria das vezes, a alergia é genética e não tem cura, mas tem controle. "Se controlada, o indivíduo pode ficar totalmente sem sintomas." Para isso, é necessário primeiro reconhecer qual é o tipo de alergia e qual alérgeno a desencadeia.

A campanha deste ano, com o tema "Cuidado com a Alergia é Cuidado Essencial", alerta para a saúde de toda a família. Isso é importante porque a alergia é hereditária. Muitas famílias cuidam de uma criança alérgica e negligenciam o cuidado dos adultos — o pai com rinite, a mãe com asma. Fernandes recomenda que todos da família façam tratamento. Quando se trata de alergia a poeira ou ácaros, por exemplo, todos na casa são influenciados pela exposição. O cuidado deve ser doméstico e familiar, não apenas individual.

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia oferece orientações claras: o diagnóstico não é o fim, mas o início do controle; sintomas como tosse persistente, espirros constantes, coceira na pele e falta de ar não devem ser normalizados; alergia é uma doença séria, não "frescura"; e o tratamento vai além dos remédios — o controle de poeira, mofo e ácaros no ambiente doméstico é parte integrante e essencial. A semana de conscientização inclui entrevistas com especialistas e eventos em regionais da associação pelo país, mostrando como são feitos os exames de diagnóstico. O objetivo é simples: permitir que as pessoas tenham uma vida normal, não isolada.

Os alérgicos brasileiros constituem uma multidão, um país dentro de outro
— Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia
Se controlada, o indivíduo pode ficar totalmente sem sintomas
— Fátima Rodrigues Fernandes, sobre o controle de alergias
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a campanha acontece agora, no inverno?

Model

Porque é quando os sintomas pioram. Os prontos-socorros ficam cheios de crianças e idosos com problemas respiratórios. A asma é particularmente grave nessa época.

Inventor

Mas se 30% dos brasileiros têm alergia, por que tanta gente não sabe que tem?

Model

Porque normalizaram os sintomas. Dormem com a boca aberta, espirram constantemente, e acham que é assim mesmo. Ninguém lhes disse que podia ser diferente.

Inventor

A alergia tem cura?

Model

Não. Mas tem controle. Se você identifica o alérgeno e segue o tratamento, pode ficar totalmente sem sintomas. O problema é que muita gente nunca chega ao diagnóstico.

Inventor

E por que a família toda precisa se tratar?

Model

Porque a alergia é hereditária e porque muitos alérgenos — como ácaros e mofo — afetam todos na casa. Se só a criança se trata e os pais não, o ambiente continua problemático.

Inventor

Qual é o risco maior aqui?

Model

A previsão é que até 2050, metade da população global tenha alergias, por causa das mudanças climáticas. Estamos vendo apenas o começo. E muita gente morre de asma porque não foi diagnosticada ou não seguiu o tratamento.

Inventor

O que a campanha espera conseguir?

Model

Que as pessoas reconheçam seus sintomas como sinais reais de doença, procurem um especialista, e entendam que alergia não é frescura — é uma condição que pode ser controlada e que muda a qualidade de vida.

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