Semana de Copom, payroll e midterms nos EUA pede atenção do investidor a juros e inflação

Primeira decisão do Copom depois das eleições, com pausa nos cortes no radar
O Copom decide na quarta-feira (4), às 18h30, com a taxa prevista em 13,5%.
Mark

Por que o Copom de quarta-feira é o centro da semana?

Mimi

É a primeira decisão de juros depois das eleições presidenciais, e o mercado espera que o ciclo de cortes, iniciado em março, seja interrompido, com a taxa em 13,5%.

Mark

O que pesa nessa expectativa?

Mimi

O Bradesco cita petróleo mais pressionado e câmbio depreciado desde o último Copom, o que deve elevar a projeção de inflação do BC. O Itaú fala em ambiente externo adverso e pressões internas.

Luke

Vale separar o que é previsão do que é fato. A pausa é a expectativa dos mercados e a leitura de dois bancos, não uma decisão tomada. Só saberemos na quarta, às 18h30.

Mark

E a afirmação de que as expectativas de inflação estão desancoradas?

Luke

É a avaliação dos analistas do Itaú. O texto não traz os números das expectativas, então não dá para medir o grau.

Mimi

Mesmo assim, os dois bancos convergem na direção, ainda que por argumentos diferentes.

Mark

E os Estados Unidos?

Mimi

As midterms são na terça, e o resultado deve demorar alguns dias. O payroll de sexta é o dado mais aguardado.

Luke

Sobre o payroll, a fonte não traz projeção. Já o Caged, de 150 mil vagas, e a balança, de US$ 9,4 bilhões, são projeções, não resultados.

  • A decisão do Copom, na quarta-feira às 18h30, tornou-se o centro de gravidade de toda a semana, com a expectativa de pausa no ciclo de cortes.
  • Petróleo mais pressionado e câmbio depreciado acendem o alerta de que a inflação pode voltar a escapar do controle.
  • Itaú e Bradesco convergem na leitura de que as expectativas de inflação já estão desancoradas, o que pesa sobre a condução da política monetária.
  • Nos Estados Unidos, as midterms de terça-feira mantêm o resultado em suspense por dias, enquanto o payroll de sexta pode redesenhar as apostas.
  • O mercado navega entre dados de emprego, balança comercial e balanços do terceiro trimestre, como Itaú, Magazine Luiza e Sabesp, buscando sinais de para onde a economia está pousando.

Num calendário em que a segunda-feira aparece vazia e a atenção se concentra numa só quarta-feira à noite, o mercado brasileiro se prepara para a primeira decisão do Copom depois das eleições presidenciais. A taxa básica, prevista em 13,5%, tende a ver interrompido o ciclo de cortes, reflexo de um cenário que se deteriorou com o petróleo mais caro, a moeda mais fraca e expectativas de inflação que já não se ancoram com facilidade. Do outro lado do equador, as eleições legislativas americanas repousam sobre a mesma semana, lembrando que decisões de juros raramente se explicam só pelo que acontece dentro de casa.

A semana de 2 a 6 de novembro começa com o mercado brasileiro em silêncio. Na segunda-feira, feriado, não há divulgações nem negociações, e a agenda só volta na terça. Daí em diante, todos os olhares se voltam para a quarta-feira, às 18h30, quando o Banco Central anuncia a decisão do Copom.

Será a primeira reunião de juros depois das eleições presidenciais. A taxa básica é prevista em 13,5%, e a expectativa é de que o ciclo de cortes seja interrompido. Itaú e Bradesco chegam à mesma leitura por caminhos diferentes: o ambiente externo piorou, o petróleo subiu, o real perdeu valor frente ao dólar e as expectativas de inflação já escaparam da âncora. Isso tende a elevar a projeção de inflação do próprio Banco Central.

O restante da semana gira em torno dessa decisão. Há o Focus, o Caged com projeção de 150 mil vagas, a produção industrial de setembro e a balança comercial de outubro, com saldo previsto de US$ 9,4 bilhões. Nos Estados Unidos, as midterms ocorrem na terça, mas o resultado deve demorar dias, e o payroll de sexta fecha a semana.

Ao investidor, resta observar se o Copom confirma a pausa e como os dados americanos e os balanços do terceiro trimestre, de Itaú a Sabesp, vão redesenhar o cenário.

A semana de 2 a 6 de novembro começa com o mercado brasileiro parado. A segunda-feira (2) é feriado, sem divulgações nem negociações, e só na terça-feira (3) a agenda doméstica é retomada. Dali em diante, a atenção do investidor se concentra em um único horário: quarta-feira (4), às 18h30, quando o Banco Central anuncia a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

Será a primeira decisão de juros do Copom depois das eleições presidenciais. A taxa básica é prevista pelos mercados em 13,5%, e a expectativa geral é de que o ciclo de cortes seja interrompido.

Os analistas do Itaú esperam uma decisão unânime. Na avaliação do banco, ela refletiria a percepção de que o cenário base piorou, por causa de um ambiente externo adverso e de maiores pressões inflacionárias internas. O Itaú prevê que isso leve a uma deterioração ainda maior das expectativas de inflação, que, segundo o banco, já estão desancoradas.

O Bradesco chega à mesma conclusão por outro caminho. Segundo o banco, a precificação atual do mercado indica probabilidade majoritária de interrupção do ciclo de calibração iniciado em março. Desde o último Copom, os preços do petróleo ficaram mais pressionados e a moeda brasileira se depreciou em relação ao dólar. Isso deve elevar a projeção de inflação do Banco Central no horizonte relevante.

Os demais dados nacionais giram em torno do Copom. Na terça, a Fundação Getulio Vargas divulga o Índice de Confiança Empresarial e o IPC-S, ambos de outubro, e o Banco Central publica o Relatório Focus. Na quarta, saem os números do Caged sobre empregos formais em setembro, com projeção de 150 mil vagas, além do IPC da Fipe e do fluxo cambial semanal. Na quinta (5), o IBGE divulga a Pesquisa Industrial Mensal de setembro, com variação indicada de -0,1% sobre o mês anterior. Na sexta (6), a Secex apresenta a balança comercial de outubro, com saldo previsto de US$ 9,4 bilhões.

Nos Estados Unidos, a terça-feira (3) é dia das eleições legislativas, as chamadas midterms, que renovam senadores e deputados no meio do mandato presidencial. O resultado ainda deve demorar alguns dias para ser conhecido. Na agenda de dados, a segunda traz os PMIs industriais de outubro, da S&P Global (11h45) e do ISM (meio-dia). Na terça sai o relatório JOLTS, do BLS, com o estoque de vagas abertas em setembro.

A quarta concentra mais indicadores: o emprego privado da ADP em outubro (10h15), a balança comercial de setembro (10h30) e o PMI composto de outubro (11h45). Na quinta, às 10h30, vêm os pedidos semanais de auxílio-desemprego. A sexta fecha a semana com o payroll, às 10h30, e o índice de confiança da Universidade de Michigan de novembro, ao meio-dia.

Há ainda a temporada de balanços do terceiro trimestre, que começa na terça, logo após o feriado. Entre os destaques estão Itaú (ITUB4), Magazine Luiza (MGLU3), C&A (CEAB3) e Sabesp (SBSP3). Para o investidor, o que fica a observar é se o Copom confirma a pausa nos cortes e como o payroll de sexta e o desfecho das midterms vão influenciar os mercados.

A decisão unânime deve refletir uma avaliação de que o cenário base se deteriorou, com expectativas de inflação já desancoradas.
— Analistas do Itaú (paráfrase)
A precificação de mercado indica probabilidade majoritária de interrupção do ciclo de calibração iniciado em março.
— Bradesco (paráfrase)
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