Num momento em que as emissoras disputam a atenção e o dinheiro dos anunciantes, o SBT foi ao seu Upfront 2027 sem aquilo que o mercado mais busca: estreias confirmadas. Em vez de programas, apresentou conceitos de difícil tradução prática, como marcas de conteúdo e chamadas verticais, deixando no ar a pergunta sobre o que, de fato, se pode comprar. A noite, que se seguiu à apresentação da Globo, revelou uma emissora que ainda tenta se definir diante de quem paga suas contas, e cuja herança familiar e a figura de Silvio Santos continuam a pesar sobre cada escolha.
Sem programas novos para vender, SBT leva ao mercado publicitário confusão e vinhetas com IA
A oportunidade estava lá, faltou explicar o que fazer com ela
Por que um evento sem estreias chamou tanta atenção?
Porque o Upfront existe para vender programação. Sem programa novo, o SBT precisou vender conceitos, como as "marcas de conteúdo", e o público do evento saiu sem entender o que seria comprado.
E as vinhetas com IA?
Os erros de português roubaram a cena: "teonologia", "Beauty de Su Yafutas", "inteligência artifical". Era a emissora apresentando seu futuro com falhas visíveis.
Vale separar: os erros estão descritos, mas a avaliação de que o evento foi confuso é do veículo. Não sabemos como os anunciantes presentes reagiram.
E o discurso de Daniela Abravanel?
Ela falou de família, lembrou Silvio Santos e disse que o mercado ainda não conhece o SBT de verdade. Tentou mostrar que a emissora segue de pé sem ele.
É um discurso, não um dado. Não há números de audiência nem de faturamento no texto, então não dá para medir se a mensagem convenceu.
O que ficou sem resposta?
Como comprar espaço no Domingo Legal ou no Programa Silvio Santos, e o que uma cota de Que Lindeza ou Dá Dá Dá entrega de fato.
E isso pode ter sido explicado fora do palco, em conversas comerciais. O texto relata só o que se viu no evento.
O Pulso
- O SBT subiu ao palco do Upfront 2027 sem nenhuma estreia confirmada para vender aos anunciantes.
- Os conceitos 'marcas de conteúdo' e 'chamadas verticais e transversais' soaram vagos até para quem os apresentava.
- Vinhetas feitas por inteligência artificial trouxeram erros de português e roubaram a cena dos próprios setores.
- Ninguém explicou como marcas poderão anunciar no Domingo Legal, no Programa Silvio Santos ou em outras atrações.
- A emissora aposta em reforçar sua identidade familiar, mas o mercado ainda aguarda respostas concretas para fechar negócios.
Num momento em que as emissoras disputam a atenção e o dinheiro dos anunciantes, o SBT foi ao seu Upfront 2027 sem aquilo que o mercado mais busca: estreias confirmadas. Em vez de programas, apresentou conceitos de difícil tradução prática, como marcas de conteúdo e chamadas verticais, deixando no ar a pergunta sobre o que, de fato, se pode comprar. A noite, que se seguiu à apresentação da Globo, revelou uma emissora que ainda tenta se definir diante de quem paga suas contas, e cuja herança familiar e a figura de Silvio Santos continuam a pesar sobre cada escolha.
Uma semana depois de a Globo apresentar sua grade de 2027, o SBT chegou à quinta-feira (22) com a sua versão do Upfront, o evento em que as emissoras mostram ao mercado publicitário o que têm para oferecer. A diferença entre as duas noites foi evidente: o SBT não tinha nenhum programa novo confirmado para vender.
No lugar de estreias, a diretora comercial Marcela Marchi apresentou ideias como "marcas de conteúdo" e "chamadas verticais e transversais". Na prática, o significado dessas propostas não ficou claro para quem assistia, e coube aos apresentadores explicá-las ao público.
Cada setor abriu com uma vinheta criada por inteligência artificial generativa, e os erros chamaram mais atenção do que o conteúdo. A palavra tecnologia apareceu como "teonologia", e um salão de beleza exibia o nome "Beauty de Su Yafutas", com tratamentos grafados de forma truncada. Até a expressão inteligência artificial saiu errada.
Quem comprava publicidade saiu com perguntas essenciais sem resposta: como anunciar no Domingo Legal ou no Programa Silvio Santos, e o que uma cota do Que Lindeza ou do Dá Dá Dá realmente garantiria em termos de atrações.
O momento alto da noite foi o discurso da presidente Daniela Abravanel Beyruti, que reafirmou a imagem de família do SBT e a ideia de ser a TV mais feliz do Brasil. Ela reconheceu o peso de Silvio Santos (1930-2024), mas defendeu que o sucesso do canal foi construído pelo conjunto da emissora. Para o mercado, a oportunidade estava ali; faltou explicar como ela se transformará em espaços comerciais concretos.
Uma semana depois de a Globo apresentar a grade de 2027, o SBT subiu ao palco na quinta-feira (22) com a sua versão do Upfront 2027, o evento em que as emissoras mostram ao mercado publicitário o que têm a oferecer. Havia uma diferença evidente entre as duas noites: o SBT não tinha nenhum programa novo confirmado para vender.
No lugar de estreias, a emissora levou ideias que a diretora comercial, Marcela Marchi, chamou de "marcas de conteúdo" e "chamadas verticais e transversais". Segundo o Notícias da TV, o que isso significa, na prática, não ficou claro para quem assistia. Coube aos apresentadores a tarefa de explicar os conceitos.
Cada setor foi introduzido por uma vinheta feita com inteligência artificial generativa. Os nomes: Decola Grana, Linda Casa Linda, Dá Dá Dá, Poderi.a. e Que Lindeza. Celso Portiolli, Patricia Abravanel, Gaby Cabrini, Danilo Gentili e Otávio Mesquita, entre outros nomes da casa, tentaram detalhar o que cada um desses guarda-chuvas abrangia.
O problema, segundo a avaliação do veículo, é que as perguntas essenciais de quem compra publicidade ficaram sem resposta. Não ficou claro como as marcas poderão anunciar no Domingo Legal ou no Programa Silvio Santos. Comprar uma cota do Que Lindeza colocaria o produto em todos os quadros ligados à beleza? Investir no Dá Dá Dá garantiria uma vitrine em quais atrações? Ninguém explicou.
O que acabou chamando a atenção foram os erros de português das vinhetas geradas por IA. A palavra tecnologia apareceu como "teonologia". A fachada de um salão de beleza exibia o nome "Beauty de Su Yafutas", com tratamentos listados como "Isoinal", "Tetb Bros" e "Aulacraças". Até a expressão inteligência artificial saiu errada, como "inteligência artifical".
O ponto alto da noite, na avaliação do texto, foi o discurso de Daniela Abravanel Beyruti, presidente do SBT, que abriu o evento. Ela repetiu a fala já tradicional de que o SBT é uma família e a TV mais feliz do Brasil, mas admitiu que o mercado ainda precisa conhecer a verdadeira emissora. "O SBT se tornou parte da família brasileira. A gente não se conforma que alguém não conheça o SBT", disse, afirmando que existem dois tipos de pessoas: as que amam a emissora e as que ainda não a conhecem.
Daniela também reconheceu o peso de Silvio Santos (1930-2024) na história do canal, mas tentou convencer os possíveis anunciantes de que a TV segue sem ele. Disse que se pode imaginar que o sucesso veio só por causa dele, mas que foi o SBT como um todo que o conquistou, num lugar que chamou de "mágico" e de "nossa Disney". Para ela, a noite era uma chance de mostrar a emissora mais a fundo.
A oportunidade, resume o Notícias da TV, estava ali; faltou explicar o que fazer com ela. A dúvida que fica para o mercado é como esses conceitos se traduzirão em espaços comerciais concretos nos programas da emissora.
Citações Notáveis
A gente não se conforma que alguém não conheça o SBT.— Daniela Abravanel Beyruti, presidente do SBT
Foi o SBT como um todo que conquistou isso. Esse lugar é mágico, é a nossa Disney.— Daniela Abravanel Beyruti, presidente do SBT