Selic a 11,75%: poupança segue perdendo para inflação e renda fixa se destaca

Dezoito meses perdendo para a inflação, mês após mês
A poupança acumula rentabilidade real negativa desde o final de 2020, erodindo o poder de compra de seus depositantes.

Em março de 2022, o Banco Central do Brasil elevou a taxa Selic para 11,75% ao ano, aprofundando uma divisão já conhecida: enquanto investimentos de renda fixa como CDBs, LCI e Tesouro Direto se tornaram mais atraentes, a caderneta de poupança permaneceu presa a um rendimento fixo de 6,17% ao ano, incapaz de acompanhar a inflação que corroía o poder de compra há dezoito meses consecutivos. É o velho dilema do pequeno poupador diante de um sistema que recompensa quem conhece suas opções — e penaliza quem permanece na inércia.

  • A poupança acumula dezoito meses seguidos perdendo para a inflação, com rentabilidade real negativa de 6,01% em doze meses até fevereiro de 2022.
  • A alta da Selic para 11,75% não beneficia a caderneta, que permanece travada na regra antiga de 0,5% ao mês mais TR — enquanto a inflação projetada para março e abril supera esse rendimento mensal.
  • Economistas revisaram a estimativa de inflação para 2022 de 5,65% para 6,45% após os reajustes de combustíveis da Petrobras, ampliando a pressão sobre quem mantém recursos em ativos conservadores.
  • CDBs de bancos médios, debêntures incentivadas e LCI/LCA surgem como alternativas concretas, com projeções de retorno líquido de até 6,42% em doze meses e proteção pelo FGC para valores até R$ 250 mil.
  • O mercado projeta Selic em 12,75% ao fim de 2022, consolidando a renda fixa pós-fixada e os títulos IPCA+ como os ativos mais rentáveis e de menor risco no cenário em curso.

A caderneta de poupança vive um momento de erosão silenciosa. Desde que a Selic ultrapassou 8,5% ao ano, ela deixou de render 70% da taxa básica e voltou à regra antiga: 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial, equivalente a 6,17% ao ano. Depósitos novos e antigos passaram a receber o mesmo rendimento fixo — independentemente de quanto os juros subissem.

Com a decisão do Banco Central de elevar a Selic para 11,75% em março de 2022, o contraste ficou ainda mais evidente. Em doze meses até fevereiro, a rentabilidade real da poupança descontada pelo IPCA ficou negativa em 6,01% — o décimo oitavo mês consecutivo de perda para a inflação. Quem mantém dinheiro ali não acumula: perde poder de compra mês a mês.

Simulações do buscador Yubb mostram que debêntures incentivadas, LCI, LCA e CDBs oferecem retornos líquidos superiores. Os CDBs se destacam pela liquidez diária e pela cobertura do Fundo Garantidor de Créditos para aplicações até R$ 250 mil. João Guilherme Penteado, CEO da Apollo Investimentos, aponta que os ativos pós-fixados e os títulos IPCA+ são os mais atrativos no momento, enquanto ações e fundos imobiliários perdem espaço.

A sombra sobre o cenário é a inflação persistente. Após os reajustes de combustíveis da Petrobras, economistas elevaram a projeção do IPCA para 2022 de 5,65% para 6,45%. As estimativas para março e abril — 0,90% e 0,80%, respectivamente — superam o rendimento mensal da poupança, confirmando que, no curto prazo, a caderneta continuaria perdendo. Com a Selic esperada em 12,75% ao final do ano, a renda fixa deve permanecer como a opção mais rentável e de baixo risco para o investidor brasileiro.

A caderneta de poupança segue presa a um rendimento fixo de 6,17% ao ano mais a Taxa Referencial, enquanto a inflação continua roendo o poder de compra de quem mantém dinheiro ali. Com a decisão do Banco Central de elevar a taxa básica de juros para 11,75% ao ano em março de 2022, outros investimentos de renda fixa dispararam em atratividade — mas a poupança permaneceu travada, incapaz de acompanhar.

Essa é a realidade desde o final do ano anterior, quando a Selic ultrapassou 8,5% ao ano. Naquele momento, a poupança deixou de render 70% da taxa de juros e voltou à regra antiga: 0,5% ao mês mais TR, o equivalente a 6,17% ao ano mais TR. Tanto depósitos novos quanto antigos — aqueles feitos até 2012 — passaram a receber o mesmo rendimento fixo, independentemente de quanto a taxa de juros subisse.

Os números revelam o estrago. Em fevereiro, a rentabilidade real da poupança em doze meses, descontada a inflação medida pelo IPCA, ficou negativa em 6,01%. Isso marca dezoito meses consecutivos em que a caderneta perde para a inflação. Quem tem dinheiro ali não está ganhando — está perdendo poder aquisitivo, mês após mês.

Mentretanto, simulações do buscador de investimentos Yubb mostram que aplicações em renda fixa oferecem retornos líquidos bem superiores. As debêntures incentivadas, que são títulos emitidos por empresas e isentos de imposto de renda, aparecem no topo das projeções. Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) também gozam da mesma isenção fiscal. Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) continuam atraentes, especialmente porque contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos para aplicações de até 250 mil reais e oferecem liquidez diária. Com a Selic mais alta, esses ativos pós-fixados — aqueles que acompanham a taxa de juros — tendem a render mais.

João Guilherme Penteado, CEO da Apollo Investimentos, resume o cenário: o aumento da Selic traz ganhos maiores para novos investimentos em todas as classes de renda fixa, com impacto mais direto nos ativos que flutuam com a taxa de juros. Mas há uma sombra sobre essas projeções. Após a Petrobras anunciar fortes aumentos nos preços dos combustíveis, economistas do mercado elevaram a estimativa de inflação para 2022 de 5,65% para 6,45%. A inflação em doze meses se mantinha acima de dois dígitos em fevereiro — o sexto mês seguido — e analistas esperavam que o IPCA só começasse a desacelerar a partir de maio.

Para quem tem mil reais na poupança, a Associação Nacional dos Executivos de Finanças estima um rendimento mensal de 0,60%, totalizando 7,44% ao ano. Isso significa 74,40 reais em doze meses, chegando a 1.074,40 reais. Mas no curto prazo, a poupança continuaria perdendo. A pesquisa Focus do Banco Central indicava que analistas esperavam inflação de 0,90% em março e 0,80% em abril — ambas acima do rendimento mensal da poupança.

No mercado, os investimentos mais buscados em março eram CDBs, Tesouro Direto, LCI/LCA e fundos multimercado. Analistas destacavam que o Brasil deveria terminar 2022 com um dos maiores juros reais entre as principais economias do mundo. A expectativa era que a Selic chegasse a 12,75% ao final do ano, o que manteria a renda fixa como a opção mais rentável e de baixo risco. Penteado observava que os ativos pós-fixados e os títulos IPCA+, que blindam o investidor da inflação crescente, eram os mais atrativos naquele momento, enquanto ações e fundos imobiliários perdiam espaço. Entre CDBs e Tesouro Direto, os títulos de bancos médios levavam vantagem, oferecendo remuneração de 110% ou mais do CDI, superando a taxa do Tesouro Selic.

O aumento da Selic traz ganhos maiores para novos investimentos em todas as classes de renda fixa, com impacto mais direto nos ativos pós-fixados
— João Guilherme Penteado, CEO da Apollo Investimentos
Com aumentos contínuos da Selic somados à pressão inflacionária, os ativos pós-fixados e os IPCA+ são os mais atrativos. Ações e fundos imobiliários perdem espaço
— João Guilherme Penteado, Apollo Investimentos
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a poupança não acompanha a Selic quando ela sobe?

Model

Quando a Selic ultrapassou 8,5%, a poupança voltou a uma regra antiga que a fixa em 0,5% ao mês mais TR, independentemente de quanto a taxa de juros suba. É como se o teto tivesse sido selado.

Inventor

E isso significa que quem tem dinheiro ali está realmente ficando mais pobre?

Model

Exatamente. Por dezoito meses seguidos, o rendimento real da poupança — depois de descontar a inflação — foi negativo. Em fevereiro, era -6,01%. Você está perdendo poder de compra.

Inventor

Então por que as pessoas ainda usam poupança?

Model

Segurança, hábito, simplicidade. A poupança é garantida, acessível, não exige conhecimento de mercado. Mas naquele momento, com a inflação acelerada e a Selic subindo, era claramente a pior opção.

Inventor

Qual era a alternativa mais óbvia?

Model

CDBs, especialmente os de bancos médios. Ofereciam 110% ou mais do CDI, tinham garantia do FGC até 250 mil reais, e liquidez diária. Ou debêntures incentivadas, que nem pagam imposto de renda.

Inventor

Mas essas opções exigem mais dinheiro ou conhecimento?

Model

Não necessariamente mais dinheiro — você consegue aplicar valores pequenos. Mas sim, exigem que você procure, compare, entenda um pouco do que está fazendo. A poupança é passiva. Essas outras opções exigem ação.

Inventor

E qual era a expectativa para o resto do ano?

Model

Que a Selic continuasse subindo, chegando a 12,75% no final de 2022. Enquanto isso, a inflação pressionava. Então a renda fixa deveria continuar sendo a melhor aposta — se você conseguisse sair da poupança.

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