A ponte permaneceu acessível apesar de seus riscos conhecidos
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas tinha 21 anos quando saltou de 40 metros sem que a corda estivesse devidamente fixada ao seu corpo, numa ponte desativada há três décadas no interior de São Paulo. O que aconteceu na Ponte do Esqueleto, em Limeira, não foi apenas um acidente — foi o ponto de ruptura de uma negligência partilhada entre empresas, município e governo federal, cada um esperando que o outro agisse. Seis pessoas foram presas, mas a pergunta que persiste é mais antiga do que o crime: quem guarda os lugares que todos abandonaram?
- Maria Eduarda foi lançada de 40 metros sem equipamento de segurança adequado durante um salto comercial de rope jumping numa ponte que não deveria estar em uso.
- O vídeo do momento se espalhou pelas redes sociais, expondo não apenas a tragédia, mas a rotina de saltos — inclusive com crianças — que as empresas Entre Cordas e Ih Voei realizavam no local.
- A Ponte do Esqueleto já havia registrado pelo menos dois outros acidentes graves desde 2024, sinalizando que o risco era conhecido e repetido, não isolado.
- Seis pessoas foram presas pela polícia militar, mas nenhuma das duas empresas envolvidas respondeu aos pedidos de posicionamento da imprensa.
- A prefeitura de Limeira anunciou que vai processar a União por omissão, alegando que enviou ofícios cobrando medidas de segurança desde o início de 2025 sem obter resposta federal.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas tinha 21 anos quando saltou de 40 metros na Ponte do Esqueleto, em Limeira, São Paulo. A corda que deveria prendê-la ao corpo não estava devidamente fixada. O momento foi gravado e circulou pelas redes sociais. A polícia militar prendeu seis pessoas.
Nas imagens, os instrutores usavam camisas das empresas Entre Cordas e Ih Voei, que operavam rotineiramente na ponte oferecendo saltos ao público — em dezembro de 2025, o valor era de 130 reais. Nos perfis das empresas, havia registros de vários saltos, alguns com crianças. Nenhuma das duas respondeu à imprensa.
A estrutura está desativada há mais de 30 anos, mas tornou-se ponto de atração para esportes radicais sem fiscalização adequada. Não foi o primeiro acidente: em abril de 2024, uma ciclista morreu ao cair da ponte; em agosto de 2025, duas mulheres ficaram gravemente feridas. A própria prefeitura reconhece que os riscos eram conhecidos há anos.
O prefeito Murilo Félix atribui a responsabilidade ao governo federal, afirmando que o município enviou ofícios cobrando providências desde o início de 2025. Agora, a prefeitura anunciou que vai processar a União por omissão. A morte de Maria Eduarda é o resultado mais visível de uma falha que foi, ao mesmo tempo, de todos e de ninguém.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas tinha 21 anos quando foi lançada de uma altura de 40 metros. A corda que deveria prendê-la ao corpo não estava devidamente fixada. O salto aconteceu na Ponte do Esqueleto, em Limeira, São Paulo, durante uma atividade comercial de rope jumping — aquele esporte radical em que pessoas pulam de estruturas altas com proteção de cordas de segurança. Desta vez, não havia proteção. O momento foi registrado em vídeo e se espalhou pelas redes sociais. A polícia militar prendeu seis pessoas envolvidas no incidente.
Os instrutores que aparecem nas imagens usavam camisas identificando duas empresas: Entre Cordas e Ih Voei. Ambas operavam rotineiramente na ponte, oferecendo saltos para o público. Em dezembro de 2025, um salto com a Entre Cordas custava 130 reais. Nos perfis das empresas nas redes sociais, era possível ver registros de vários saltos — alguns deles com crianças. A reportagem tentou contato com as duas empresas, mas nenhuma respondeu até o momento da publicação.
A Ponte do Esqueleto não deveria estar sendo usada para nada. A estrutura está desativada há mais de 30 anos. Ainda assim, tornou-se um ponto de atração para atividades de aventura, sem que houvesse fiscalização adequada. Este não foi o primeiro acidente grave no local. Em abril de 2024, uma ciclista morreu ao cair da ponte. Em agosto de 2025, duas mulheres ficaram gravemente feridas em outro incidente. A prefeitura de Limeira reconhece que a área "apresenta riscos conhecidos há anos".
O prefeito Murilo Félix, do Podemos, e a administração municipal apontam para o governo federal como responsável. Segundo a prefeitura, a "responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à Ponte do Esqueleto é exclusivamente do governo federal". A administração afirma que desde o início de 2025 vinha encaminhando ofícios pedindo medidas de segurança e cobrando providências junto aos órgãos federais. Agora, a prefeitura anunciou que vai processar a União por omissão.
O que fica claro é que a ponte permaneceu acessível e em operação apesar de seus riscos conhecidos e documentados. Ninguém — nem as empresas de rope jumping, nem a prefeitura, nem o governo federal — impediu que as pessoas continuassem pulando de uma estrutura abandonada há três décadas. A morte de Maria Eduarda é o resultado mais visível dessa falha múltipla de responsabilidade. A questão agora é se o processo da prefeitura contra a União conseguirá estabelecer quem deveria ter agido e quando.
Notable Quotes
A responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à Ponte do Esqueleto é exclusivamente do governo federal— Prefeitura de Limeira
A área apresenta riscos conhecidos há anos— Prefeito Murilo Félix
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a ponte estava aberta se estava desativada há 30 anos?
Ninguém a fechou. A responsabilidade ficou em um vazio entre a prefeitura e o governo federal — cada um achava que era obrigação do outro.
E as empresas de rope jumping? Elas não tinham nenhuma obrigação de verificar a segurança?
Aparentemente não. Elas operavam ali comercialmente, cobrando das pessoas, mas sem nenhuma supervisão federal da estrutura ou das práticas delas.
Crianças estavam pulando também?
Sim. Nas redes sociais das empresas tinha registro de crianças fazendo os saltos. Ninguém estava controlando quem podia ou não fazer aquilo.
Já tinha morrido gente lá antes?
Uma ciclista morreu em 2024. Duas mulheres ficaram gravemente feridas em 2025. Então quando Maria Eduarda morreu, era o terceiro acidente grave em menos de dois anos.
A prefeitura sabia disso tudo?
Sabia. Tanto que vinha mandando ofícios pedindo que o governo federal tomasse medidas. Mas ninguém fez nada até alguém morrer.
E agora?
Agora a prefeitura vai processar a União. Mas Maria Eduarda continua morta.