A 12 de outubro, Ponta Delgada convoca os seus cidadãos a escolherem entre seis visões distintas de cidade — um momento em que filosofias de governação tão diferentes quanto o mercado livre e a habitação pública se encontram no mesmo caderno de urna. Habitação acessível, mobilidade urbana e apoio social emergem como o terreno comum onde todas as candidaturas plantam a sua bandeira, ainda que com raízes ideológicas profundamente diferentes. É a democracia local no seu exercício mais concreto: a escolha de quem molda o quotidiano de uma cidade insular.
Seis candidatos apresentam programas para Câmara de Ponta Delgada em eleições de 12 de outubro
Habitação, mobilidade e segurança social dividem seis visões radicalmente diferentes
O que explica o facto de habitação acessível aparecer em todos os seis programas?
É porque Ponta Delgada enfrenta uma crise real. Os preços subiram, o alojamento local transformou o centro, as famílias locais foram empurradas para a periferia. Cada candidato vê o problema, mas discorda na solução.
E qual é a diferença fundamental entre essas soluções?
A PSD e a coligação de esquerda querem construir e reabilitar habitação pública. A Iniciativa Liberal quer libertar o mercado para que a oferta aumente naturalmente. A CDU quer regulamentar para proteger arrendamento de longa duração. O Chega quer prioridade para locais. Sónia Nicolau quer simplificar processos.
Parece que transportes também é um tema que une todos.
Sim, mas novamente com visões opostas. Uns querem transportes gratuitos pagos por taxa turística. Outros querem reestruturação e eficiência. A Iniciativa Liberal quer planos de mobilidade e estacionamento. Todos reconhecem que a cidade está congestionada.
E quanto ao apoio social? Há diferenças éticas claras aí.
Absolutamente. O Chega fala em "auditorias rigorosas" e "casas municipais só para famílias locais que cumpram regras". A esquerda fala em gabinetes móveis e salas de consumo assistido. A PSD em Housing First. São visões completamente diferentes de quem merece ajuda e como.
Qual é o tema que menos aparece nos programas?
Curiosamente, a educação. Aparecem Atividades de Tempos Livres e requalificação de escolas, mas não há grandes propostas sobre currículo, qualidade de ensino ou relação com a universidade. Exceto a CDU e a Iniciativa Liberal, que mencionam a Universidade dos Açores.
Se tivesses de resumir o que cada candidato oferece, como farias?
PSD: continuidade com investimento em infraestruturas. Coligação de esquerda: habitação pública e transportes gratuitos. IL: desregulação e mercado. Chega: ordem e prioridade local. CDU: descentralização e controlo de preços. Sónia Nicolau: revitalização urbana integrada.
O Pulso
- Seis candidatos de espectros opostos — do liberalismo ao comunismo, da social-democracia ao populismo de direita — disputam a câmara de Ponta Delgada nas eleições de 12 de outubro.
- A crise habitacional pressiona todos os programas: nenhum candidato pode ignorar o peso do arrendamento inacessível e da pobreza urbana numa cidade que cresce desigualmente.
- As propostas colidem em pontos fundamentais — liberalizar o mercado ou construir habitação pública, cobrar taxa turística ou revertê-la, priorizar residentes locais ou integrar imigrantes.
- Cada candidatura tenta navegar a tensão entre continuidade e rutura: o PSD aposta na consolidação do que existe, enquanto coligações de esquerda e movimentos cívicos prometem transformação estrutural.
- Os eleitores chegam às urnas com escolhas nítidas e consequentes, num município onde as decisões autárquicas têm impacto direto na vida de quem habita, trabalha e circula na cidade.
A 12 de outubro, Ponta Delgada convoca os seus cidadãos a escolherem entre seis visões distintas de cidade — um momento em que filosofias de governação tão diferentes quanto o mercado livre e a habitação pública se encontram no mesmo caderno de urna. Habitação acessível, mobilidade urbana e apoio social emergem como o terreno comum onde todas as candidaturas plantam a sua bandeira, ainda que com raízes ideológicas profundamente diferentes. É a democracia local no seu exercício mais concreto: a escolha de quem molda o quotidiano de uma cidade insular.
A 12 de outubro, Ponta Delgada escolhe novo presidente da câmara. Seis candidatos — Pedro Nascimento Cabral pelo PSD, Isabel Almeida Rodrigues pela coligação Unidos Por Ponta Delgada, Alexandra Cunha pela Iniciativa Liberal, José Pacheco pelo Chega, Henrique Levy pela CDU e Sónia Nicolau pelo Movimento Ponta Delgada Para Todos — apresentam programas que, embora partilhem temas, divergem radicalmente nas soluções.
O candidato do PSD aposta na continuidade: expande o Housing First, cria um Centro de Emergência Social, propõe arrendamento acessível com opção de compra e mantém o IMI nos valores mínimos. Isabel Almeida Rodrigues, pela coligação de esquerda, quer gabinetes móveis de apoio psicológico, passes de transporte tendencialmente gratuitos e reforço do parque habitacional público através de construção em terrenos municipais.
Alexandra Cunha, pela Iniciativa Liberal, resume a sua visão em liberalização: flexibilizar o PDM, reduzir impostos para proprietários que arrendem a longo prazo e reverter a taxa turística. José Pacheco, pelo Chega, centra-se em ordem e prioridade local — auditorias às habitações sociais, tolerância zero ao vandalismo e um portal de transparência municipal.
Henrique Levy, pela CDU, propõe suspender novas licenças de alojamento local, criar polos descentralizados em Capelas e Ginetes para travar a migração forçada das freguesias, e financiar transportes gratuitos com receita turística. Sónia Nicolau, pelo Movimento Ponta Delgada Para Todos, aposta na estratégia 'FUnCHo' para o centro histórico, na expansão do programa REVIVA às 24 freguesias e num contrato-programa com a Universidade dos Açores.
Habitação, mobilidade e segurança social percorrem todos os programas — mas as filosofias que os sustentam são distintas o suficiente para que os eleitores de Ponta Delgada tenham, no domingo, uma escolha verdadeiramente clara.
A 12 de outubro, Ponta Delgada escolherá novo presidente da câmara municipal. Seis candidatos apresentam visões distintas para a cidade: Pedro Nascimento Cabral pela PSD, Isabel Almeida Rodrigues pela coligação Unidos Por Ponta Delgada (que reúne PS, BE, PAN e Livre), Alexandra Cunha pela Iniciativa Liberal, José Pacheco pelo Chega, Henrique Levy pela CDU e Sónia Nicolau pelo Movimento Ponta Delgada Para Todos. Cada um deles desenha um caminho próprio para os próximos anos, mas alguns temas atravessam todos os programas: a habitação acessível, a mobilidade urbana e o apoio social emergem como prioridades compartilhadas, ainda que com abordagens radicalmente diferentes.
O candidato do PSD, Pedro Nascimento Cabral, centra-se na continuidade. Promete expandir o programa Housing First e criar um Centro de Emergência Social com capacidade para 40 pessoas, além de uma Residência de Reabilitação Psicossocial. Na educação, reforçará a rede municipal de Atividades de Tempos Livres. Para a habitação, propõe um modelo inovador de arrendamento acessível com opção de compra, adaptado aos rendimentos das famílias de classe média. Economicamente, mantém o IMI nos valores mínimos legais e garante isenção de IMT para jovens que comprem casa até 243 mil euros. Nos investimentos, destaca a construção de novas escolas em Fenais da Luz, Capelas, Fajã de Cima e São Vicente Ferreira, além da ampliação da rede minibus a seis freguesias e a criação de uma ciclovia ligando o centro ao Parque Urbano.
Isabel Almeida Rodrigues, pela coligação de esquerda, propõe uma abordagem integrada sob o lema "Habitação Ponta Delgada 2025". Quer estender gabinetes móveis de apoio psicológico às freguesias com menor acesso a estruturas fixas, criar um gabinete de emergência social e salas de consumo assistido. Reforçará o parque público habitacional através de construção nova em terrenos municipais e reabilitação de imóveis próprios. Economicamente, reduzirá burocracia para cooperativas e projetos de construção, criará incubadoras para start-ups de tecnologia verde e turismo inteligente, e instituirá um Conselho Local de Inovação. Nos transportes, propõe ceder a gestão à AMISM com passes integrados tendencialmente gratuitos e alargar a atuação da Polícia Municipal às 24 freguesias.
Alexandra Cunha, pela Iniciativa Liberal, resume sua visão em dois lemas: "Mais casas, menos barreiras" e "Câmara simples, vida fácil". Defende a liberalização do mercado habitacional, inventariação do património público e identificação de imóveis devolutos. Quer flexibilizar o Plano Diretor Municipal e os regulamentos, reduzir impostos e taxas municipais para proprietários que coloquem casas em arrendamento de longa duração, e reverter a taxa turística municipal. Propõe construção de parques de estacionamento multiestrutura, central de camionagem e um plano de mobilidade. Inclui ainda um plano municipal de integração de imigrantes e um modelo integrado de combate às dependências.
José Pacheco, pelo Chega, adota uma retórica de ordem e prioridade local. Quer casas municipais apenas para famílias locais que cumpram regras, com auditorias anuais às habitações sociais e fiscalização rigorosa dos apoios. Propõe um programa de apoio aos sem-abrigo com centros de acolhimento temporário, integração social e laboral, e acompanhamento psicológico. Economicamente, promete fim das avenças e ajustes diretos suspeitos, portal de transparência municipal, redução de taxas para pequenos negócios e isenção de taxas por três anos para microempresários. Seu "Plano de Salvação do Comércio Local" inclui dinamização do centro histórico, digitalização e promoção do "Compre Local". Nos investimentos, destaca reforço da Polícia Municipal, tolerância zero ao vandalismo, trabalho comunitário obrigatório para delinquentes reincidentes e uma aplicação móvel para denúncias anónimas de infrações.
Henrique Levy, pela CDU, enfatiza a construção pública de habitação e a descentralização. Propõe elaborar lista do edificado municipal devoluto e reabilitá-lo com aluguer a preços controlados. Quer regulamentar que 25% da superfície de novas construções acima de 2000 m² seja destinada a arrendamento a custo controlado. Não concederá novas licenças de alojamento local na grande Ponta Delgada, mas incentivará conversão dos atuais para arrendamento de longa duração. Criará dois polos de desenvolvimento descentralizados em Capelas (norte) e Ginetes (poente) para combater migração forçada das freguesias. Propõe transportes gratuitos financiados por taxa turística e conclusão do ordenamento da Orla Costeira em Santa Clara.
Sónia Nicolau, pelo Movimento Ponta Delgada Para Todos, apresenta a estratégia "FUnCHo" (Frente Unida para o Centro Histórico), focada em acessibilidade, mobilidade, inovação no comércio, património e cultura. Criará uma Unidade Técnica de Intervenção de Rua e implementará plano quadrienal de investimentos em espaços de Atividades de Tempos Livres. Expandirá o programa REVIVA às 24 freguesias até 2029, com requalificações até 350 mil euros. Criará "Via Verde" para investimentos habitacionais, simplificando licenciamentos. Aumentará camas do programa Housing First, alargará horário da Polícia Municipal e criará rede funcional de recolha de resíduos porta a porta. Propõe ainda contrato-programa com a Universidade dos Açores e concurso público para direção de programas do Coliseu Micaelense.
Os seis programas refletem diferentes filosofias de governação: desde a abordagem liberal de desregulação e mercado livre, passando pela social-democracia de continuidade, pelas coligações de esquerda com ênfase em bens públicos, até às propostas de ordem e segurança do Chega, a descentralização da CDU e a revitalização urbana do Movimento Ponta Delgada Para Todos. Habitação, mobilidade e segurança social aparecem em todos, mas com prioridades e métodos que divergem fundamentalmente. Os eleitores de Ponta Delgada terão, portanto, escolhas claras e distintas quando forem às urnas.
Citações Notáveis
Casas municipais só para famílias locais que cumpram as regras – A prioridade será sempre para os que trabalham, pagam impostos e querem viver com dignidade.— José Pacheco, Chega
Mais casas, menos barreiras - Aumentar a oferta, baixar os preços, libertar o mercado.— Alexandra Cunha, Iniciativa Liberal