Políticos de espectro ideológico variado — desde ecologistas a conservadores — reuniram-se para apoiar Lula, que lidera sondagens com 45% de intenção de voto. Lula necessita ultrapassar 50% na primeira volta (2 de outubro) para vencer sem segundo turno; apoiadores argumentam que a coligação responde a uma necessidade de frente antifascista.
Seis antigos candidatos presidenciais brasileiros apelam ao voto em Lula da Silva
Todos os democratas devem unir-se e evitar a tragédia
Porque é que seis antigos candidatos presidenciais se reúnem de repente para apoiar Lula? Não é estranho que pessoas que concorreram contra ele agora o apoiem?
Não é estranho se pensarmos no contexto. Estamos a duas semanas de eleições muito apertadas. Lula lidera com 45%, mas precisa de 50% para vencer na primeira volta. Estes seis candidatos trazem consigo eleitores que não votariam naturalmente em Lula — gente que votou neles em eleições anteriores.
Mas precisamos de ser claros: o que sabemos é que eles se reuniram e fizeram declarações. Não sabemos quantos votos isto vai realmente trazer. As sondagens mostram 45%, mas as sondagens também têm margens de erro.
Henrique Meireles é particularmente interessante, não é? Ele foi presidente do Banco Central com Lula.
Exatamente. Meireles é conservador, foi presidente do Banco Central de 2003 a 2010, e depois concorreu à presidência em 2018. A sua presença diz aos eleitores moderados e aos que se preocupam com economia que Lula não é um risco.
Mas o que ele realmente disse foi que apoia Lula "ao que ele já fez e pode voltar a fazer". Isso é uma afirmação sobre o passado, não uma garantia sobre o futuro. E ele próprio concorreu à presidência há apenas quatro anos.
Luciana Genro falou em "frente antifascista". Isso é linguagem muito forte.
É, mas é também o que muitos eleitores de esquerda acreditam que está em jogo. Para ela, não é apenas uma eleição — é uma questão de valores democráticos contra o que chama de fascismo de Bolsonaro.
Certo, mas isso é a sua interpretação. O que sabemos é que ela disse isso. Não sabemos se essa linguagem vai mobilizar mais votos ou se vai afastar eleitores moderados que poderiam estar indecisos.
E Cristovam Buarque, que foi ministro da Educação?
Ele traz credibilidade institucional. Trabalhou com Lula, conhece a administração, e está a dizer que reeleger Bolsonaro seria uma "tragédia". A sua voz importa porque vem de alguém que esteve dentro do governo.
Verdade, mas novamente — o que temos é uma declaração. Não temos dados sobre quantos eleitores indecisos isto vai convencer. E temos apenas duas semanas até à votação.
O Pulso
- Seis antigos candidatos presidenciais reuniram-se em São Paulo a 19 de setembro de 2022
- Lula lidera sondagens com 45% de intenção de voto; precisa de 50% para vencer na primeira volta
- Primeira volta marcada para 2 de outubro de 2022
- Henrique Meireles foi presidente do Banco Central de 2003 a 2010 e concorreu à presidência em 2018
Políticos de espectro ideológico variado — desde ecologistas a conservadores — reuniram-se para apoiar Lula, que lidera sondagens com 45% de intenção de voto. Lula necessita ultrapassar 50% na primeira volta (2 de outubro) para vencer sem segundo turno; apoiadores argumentam que a coligação responde a uma necessidade de frente antifascista.
Seis antigos candidatos presidenciais brasileiros apelaram ao voto em Lula da Silva nas eleições de outubro, formando uma frente política diversa contra a reeleição de Jair Bolsonaro.
São Paulo acordou a uma segunda-feira de campanha intensa. Seis antigos candidatos presidenciais brasileiros reuniram-se naquele dia de setembro para fazer um apelo público: votem em Luiz Inácio Lula da Silva. Não era um gesto isolado de apoio. Era uma declaração de frente política, e a diversidade ideológica dos presentes tornava o momento significativo. Marina Silva, a ecologista que já havia concorrido à presidência, estava lá. Também Luciana Genro e Guilherme Boulos, ambos socialistas. Cristovam Buarque, que havia servido como ministro da Educação no primeiro governo Lula, compareceu. João Vicente Goulart juntou-se ao grupo. E Henrique Meireles, um conservador que havia presidido o Banco Central durante a administração Lula entre 2003 e 2010, antes de ele próprio concorrer à presidência em 2018, estava presente.
Dois outros nomes já identificados com Lula desde o início da campanha também participaram no encontro: Geraldo Alckmin, o candidato a vice-presidente, e Fernando Haddad, que concorria ao cargo de governador de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores. A presença destes últimos dois reforçava a estrutura formal da coligação, enquanto os seis antigos candidatos traziam consigo o peso simbólico de terem sido rivais em eleições anteriores.
Lula da Silva liderava todas as sondagens com uma intenção de voto próxima dos 45%. O objetivo era claro: ultrapassar os 50% na primeira volta, marcada para 2 de outubro, evitando assim um segundo turno. O ex-presidente agradeceu o gesto dos seis e argumentou que o seu apoio seria crucial para conquistar os votos que lhe faltavam. "Este encontro simboliza a vontade que o povo tem de recuperar a democracia no nosso país", declarou Lula, instando os brasileiros a "pôr fim ao fascismo" do presidente em exercício, Jair Bolsonaro.
Henrique Meireles explicou o seu apoio de forma pragmática. Disse que apoiava a candidatura de Lula "ao que ele já fez e pode voltar a fazer". A sua presença era particularmente relevante porque vinha de alguém que havia ocupado um cargo técnico de relevo durante a administração anterior e que depois havia optado por uma via política própria. "Estou aqui com paz de espírito e confiança, porque sei que o país pode voltar a trabalhar", afirmou. A mensagem era dirigida aos eleitores moderados e aos que temiam a instabilidade económica.
Luciana Genro adotou um tom mais radical. Argumentou que a união de políticos de ideologias tão distintas em torno de Lula respondia "à necessidade de criar uma frente antifascista" que "derrota o projeto racista, misógino, discriminatório e violento" que Bolsonaro encarnava. Para ela, não se tratava apenas de uma escolha eleitoral, mas de uma questão de valores fundamentais e de defesa da democracia.
Cristovam Buarque, que havia sido ministro da Educação em 2003, reforçou esta perspetiva. Segundo ele, "todos os democratas brasileiros devem unir-se e evitar a tragédia" que seria "a reeleição do atual Presidente da República". A sua voz tinha peso porque vinha de alguém que havia trabalhado dentro da administração Lula e que podia falar com conhecimento de causa sobre o que estava em jogo.
O encontro representava uma tentativa de construir uma coligação ampla, que ia desde a esquerda radical até ao centro-direita conservador. Cada um dos presentes trazia consigo o seu próprio eleitorado, as suas próprias redes políticas e sociais. O cálculo era que, em conjunto, poderiam mobilizar votos suficientes para que Lula ultrapassasse a barreira dos 50% e vencesse na primeira volta. A campanha entrava numa fase decisiva, com pouco mais de duas semanas até ao dia da votação.
Citações Notáveis
Este encontro simboliza a vontade que o povo tem de recuperar a democracia no nosso país— Luiz Inácio Lula da Silva
Estou aqui com paz de espírito e confiança, porque sei que o país pode voltar a trabalhar— Henrique Meireles