Segurança apareceu em 11% das publicações e 16% das interações nas redes sociais dos candidatos, dominando a campanha eleitoral. Economia, educação e saúde formaram os segundos temas mais relevantes, enquanto transporte e meio ambiente tiveram menor destaque.
Segurança domina campanha ao governo do RJ; conheça propostas dos 9 candidatos
Segurança não foi tratada da mesma forma por ninguém
Por que segurança dominou tanto a campanha? Não é sempre assim?
Sessenta e dois por cento dos eleitores apontaram violência como o problema mais grave do estado. Quando quase dois terços da população identifica um tema como crítico, os candidatos não têm escolha — precisam responder.
Mas a pesquisa da FGV mostra algo importante: segurança apareceu em 11% das publicações. Isso é muito? Parece pouco, na verdade. Significa que 89% do conteúdo era sobre outras coisas.
Verdade, mas foi o tema que mais gerou interações — 16%. As pessoas se engajavam mais quando o assunto era segurança, mesmo que não fosse a maioria absoluta do conteúdo.
E as propostas eram realmente diferentes, ou todos diziam a mesma coisa?
Radicalmente diferentes. Marinho falava em comando unificado e retomada de 30 territórios. Garotinho propunha o "Bope 2.0". Luan Monteiro queria dissolver a Polícia Militar. Não havia consenso.
Mas aqui está o problema: a pesquisa não mediu se essas propostas eram viáveis, realistas ou baseadas em evidências. Apenas contou quantas vezes apareceram. Um candidato pode ter falado muito sobre segurança sem ter um plano sólido.
E quanto aos temas secundários? Educação e saúde não importavam?
Importavam, mas menos. Educação teve 5,27% das publicações, saúde 4,65%. Meio ambiente ficou em 0,29% — praticamente invisível.
E aqui há um risco real: se os candidatos não falam sobre meio ambiente, os eleitores podem não considerar isso uma prioridade, mesmo que seja. A campanha molda a agenda pública, não apenas reflete.
A pesquisa mencionou que a comunicação ficou concentrada no Rio. Isso importa?
Muito. A Região dos Lagos teve apenas 1% das referências territoriais. Norte Fluminense, Região Serrana, Sul e Costa Verde foram sub-representadas. Eleitores nessas regiões viram menos dos candidatos falando sobre seus problemas específicos.
E não sabemos se isso foi intencional ou apenas reflexo de onde estão os maiores contingentes de eleitores e mídia. A pesquisa não explica o porquê.
El Pulso
- 62% dos eleitores apontaram violência como o problema mais grave do estado
- Segurança apareceu em 11% das publicações e 16% das interações nas redes sociais dos candidatos
- Nove candidatos disputavam o governo do RJ nas eleições de 2026
- Pesquisa da FGV monitorou 34 perfis oficiais entre 16 de agosto e 16 de setembro
- Economia (6,74%), educação (5,27%) e saúde (4,65%) foram os temas secundários mais frequentes
Segurança apareceu em 11% das publicações e 16% das interações nas redes sociais dos candidatos, dominando a campanha eleitoral. Economia, educação e saúde formaram os segundos temas mais relevantes, enquanto transporte e meio ambiente tiveram menor destaque.
Segurança pública foi o tema central da campanha para governador do RJ, mobilizando 62% dos eleitores. Nove candidatos apresentaram propostas variadas, desde retomada de territórios até reformas estruturais nas forças de segurança.
Na véspera da eleição para governador do Rio de Janeiro, a segurança pública emergiu como o tema que definiu toda a campanha. Dos nove candidatos em disputa, nenhum conseguiu escapar da questão: como enfrentar o crime organizado, recuperar territórios dominados por facções e milícias, valorizar policiais e reorganizar as forças de segurança. A pesquisa Quaest revelou que 62% dos eleitores apontavam a violência como o problema mais grave do estado — um número que explica por que segurança não apenas dominou as agendas, debates e sabatinas, mas também foi o tema que mais mobilizou as redes sociais das campanhas, aparecendo em 11% das publicações e gerando 16% de todas as interações.
Um levantamento da Fundação Getulio Vargas monitorou 34 perfis oficiais dos candidatos entre 16 de agosto e 16 de setembro em Instagram, Facebook, X, TikTok e YouTube. O resultado foi inequívoco: segurança liderou disparado. Economia apareceu em segundo lugar com 6,74% das publicações, seguida por educação (5,27%) e saúde (4,65%). Mobilidade e transporte ficaram com apenas 1,08%, enquanto meio ambiente ocupou o último lugar com 0,29%. A pesquisa também mostrou que segurança não foi tratada de forma uniforme pelas campanhas — os subtemas variaram entre retomada de territórios, aumento e valorização do efetivo policial, inteligência e integração das forças, combate à corrupção e às relações entre crime e política, proteção às mulheres e prevenção do recrutamento de jovens pelo crime.
Os nove candidatos — André Marinho (Novo), Anthony Garotinho (Republicanos), Cyro Garcia (PSTU), Coronel Busnello (Missão), Douglas Ruas (PL), Eduardo Paes (PSD), Juliete Pantoja (UP), Luan Monteiro (PCO) e William Siri (PSOL) — apresentaram propostas que variavam desde reformas administrativas até mudanças estruturais radicais. Marinho prometeu retomar 30 territórios dominados pelo tráfico até 2030 e criar um comando unificado envolvendo Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Degase e Defesa Civil. Garotinho propôs o "Bope 2.0", um batalhão de ocupação permanente com atuação conjunta das polícias e uma "tropa social" com programas de esporte, juventude e renda. Ruas focou em zerar o déficit de policiais militares em até quatro anos e ampliar escolas cívico-militares de 17 para 200 unidades. Paes defendeu reunificar a Secretaria de Segurança Pública e impedir interferências políticas nas nomeações de comandantes. Siri associou a retomada territorial à presença permanente do Estado com saneamento, educação e saúde.
Na outra ponta do espectro, candidatos de esquerda apresentaram propostas mais radicais. Cyro Garcia (PSTU) defendeu a descriminalização das drogas como política de saúde pública e focou em investigar os financiadores do tráfico. Juliete Pantoja (UP) criticou as privatizações e defendeu maior controle público de serviços estratégicos. Luan Monteiro (PCO) foi além: propôs a dissolução da Polícia Militar, a descriminalização total das drogas e a organização popular como estratégia de proteção.
Além de segurança, economia, educação e saúde formaram os principais blocos temáticos da campanha. Marinho propôs reduzir o ICMS de 22% para 18% e criar oito polos econômicos ao longo do Arco Metropolitano conectados por monotrilho. Garotinho prometeu cortar R$ 12 bilhões em incentivos fiscais. Na educação, as propostas incluíram desde ampliação do ensino integral até mudanças no sistema de avaliação e fim da aprovação automática. Na saúde, surgiram ideias como Supercentros Regionais de Especialidades, funcionamento noturno de centros cirúrgicos e modelos de complementação de pagamento a hospitais conveniados.
A pesquisa da FGV também revelou que parte significativa da comunicação digital não era formada por propostas detalhadas. Agendas, apoios, exaltação dos próprios candidatos e ataques a adversários ocupavam espaço relevante. Além disso, a comunicação ficou concentrada na capital: a cidade do Rio apareceu em 13% das referências territoriais analisadas, enquanto a Região dos Lagos teve apenas 1%. Sul e Costa Verde, Região Serrana e Norte Fluminense foram consideradas sub-representadas nas campanhas.
O período oficial de campanha e propaganda eleitoral para o primeiro turno começou em 16 de agosto de 2026. As propostas apresentadas pelos candidatos refletiram não apenas diferentes diagnósticos sobre os problemas do estado, mas também visões radicalmente distintas sobre o papel do Estado, o tamanho do governo e a melhor forma de enfrentar a criminalidade. Na segunda-feira seguinte à eleição, ficaria claro qual dessas visões os eleitores fluminenses escolheram para os próximos quatro anos.
Citas Notables
Polícia na rua é a nossa missão e a nossa obsessão, até diria, porque sem policiamento na rua não tem chance de a gente virar esse jogo— André Marinho, candidato do Novo
Nós vamos criar o Bope 2.0. Vai ser um batalhão de ocupação, não vai ser de confronto como é o atual— Anthony Garotinho, candidato do Republicanos
Nós vamos reunificar a Secretaria de Segurança. Não vai ter mais essa bagunça— Eduardo Paes, candidato do PSD