Paraná alcançou maiores notas entre redes públicas: 6,9 anos iniciais, 5,8 anos finais, 5,1 ensino médio, única rede estadual acima de cinco pontos nesta etapa. Secretário argumenta que crescimento veio de melhoria em provas, não apenas aprovação, e cita programa com aulas extras de português e matemática para 251 mil alunos.
Secretário do Paraná rebate críticas sobre liderança no Ideb: 'É choro de quem não tem nada'
Quando há foco no resultado de aprendizagem, a educação funciona
Como o secretário responde à preocupação legítima de que aprovar mais alunos sem garantir aprendizado é apenas maquiar números?
Ele argumenta que o Paraná já tinha esgotado essa margem — que a aprovação já estava alta. O salto veio das notas das provas, não só da aprovação. É uma distinção importante, mesmo que difícil de verificar sem os dados desagregados.
Mas 251 mil alunos em um programa novo, em um único ano — isso não parece suspeito? Como você garante que funcionou?
O secretário admite que não tem ainda os microdados para medir o desempenho desse grupo isoladamente. Então sim, há um buraco na narrativa. Ele está pedindo confiança baseado em lógica — recomposição deveria funcionar — mas não em prova.
A padronização curricular em todo o estado, o mesmo livro, a mesma avaliação — isso não é uma forma de homogeneizar e simplificar?
Pode ser. Mas também pode ser uma forma de garantir que uma criança no interior receba o mesmo que uma na capital. Depende de como você vê. O secretário vê como equidade; críticos podem ver como redução.
Ele mencionou que o Brasil tem um currículo "inchado". Isso é verdade?
É uma crítica comum entre educadores. A ideia é que tentamos ensinar tudo e não ensinamos nada bem. Compactar faz sentido em teoria. A questão é se o que ficou de fora era importante.
Por que ele cita o Piauí como exemplo?
Porque o Piauí é governado pelo PT, e ele é de um governo de direita. Ele quer mostrar que isso não é sobre ideologia, é sobre gestão. É uma jogada política inteligente — desarma a crítica de que é só propaganda partidária.
Ele vai sair do cargo. Isso muda algo?
Muda tudo. Ele não vai estar lá para defender os números em 2027. Se caírem, ele não responde. Se subirem, alguém mais leva o crédito. É um incentivo para prometer o máximo agora.
O Pulso
- Paraná liderou Ideb 2025: 6,9 anos iniciais, 5,8 anos finais, 5,1 ensino médio
- Programa de recomposição atendeu 251 mil alunos no primeiro ano
- Avanço de 10,61 pontos em matemática no ensino médio entre 2023 e 2025
- Secretário projeta 7,2 pontos nos anos iniciais para edição 2027 do Ideb
Paraná alcançou maiores notas entre redes públicas: 6,9 anos iniciais, 5,8 anos finais, 5,1 ensino médio, única rede estadual acima de cinco pontos nesta etapa. Secretário argumenta que crescimento veio de melhoria em provas, não apenas aprovação, e cita programa com aulas extras de português e matemática para 251 mil alunos.
O Paraná liderou o Ideb 2025 em todas as etapas avaliadas. O secretário de Educação rebateu críticas sobre possível inflação do indicador, atribuindo resultados a programa de recomposição de aprendizagens e padronização curricular.
O Paraná conquistou o primeiro lugar no Ideb 2025 em todas as três etapas avaliadas, um resultado que o secretário de Educação do estado, Roni Miranda Vieira, defende com veemência contra acusações de que a rede estadual estaria manipulando números. Quando questionado sobre críticas que sugerem inflação artificial do indicador através de aprovações sem aprendizado real, Vieira descartou as objeções como "comentários muito fracos e rasos", caracterizando-os como "choro de quem não tem nada para entregar o resultado do trabalho". Segundo ele, esse tipo de questionamento costuma vir de "haters" nas redes sociais e adversários políticos.
Os números que o Paraná apresenta são expressivos. A rede pública estadual alcançou 6,9 pontos nos anos iniciais do ensino fundamental, 5,8 nos anos finais e 5,1 no ensino médio — sendo a única rede estadual a ultrapassar a marca de cinco pontos nesta última etapa. O Ideb, divulgado pelo Ministério da Educação na quarta-feira, funciona como o principal termômetro da qualidade educacional brasileira. A preocupação dos críticos não é infundada: pesquisadores vêm alertando que o crescimento acelerado das taxas de aprovação em algumas redes pode ser artificial, resultado de regras desenhadas para aprovar mais alunos e, consequentemente, inflar indicadores como o Ideb.
Vieira argumenta que o Paraná já havia esgotado sua margem de crescimento pela simples elevação da taxa de aprovação, de modo que o salto observado teria vindo principalmente da melhoria nas notas das provas. Ele também rejeita a reprovação escolar como ferramenta pedagógica, chamando-a de "forma segregadora" que afeta desproporcionalmente estudantes pobres e pretos. O secretário atribui o desempenho principalmente a um programa de recomposição de aprendizagens lançado em 2025, que oferece duas aulas semanais extras de português e matemática a alunos do 9º ano e da 3ª série do ensino médio, com foco no conteúdo não assimilado em anos anteriores, não no currículo corrente. No primeiro ano, o programa atendeu 251 mil estudantes da rede estadual.
Além do programa de recomposição, Vieira descreve uma série de mudanças estruturais. A seleção de professores para as turmas de recomposição deixou de ser baseada em tempo de serviço e passou a ser feita por comissões de diretores e coordenadores pedagógicos. A secretaria também intensificou o monitoramento de frequência, disparando mensagens em massa pelo WhatsApp às famílias após três faltas consecutivas. Em paralelo, a rede implementou padronização em larga escala: mesma matriz curricular, mesmo sistema de avaliação trimestral e mesmo livro didático em todas as escolas, da capital ao interior.
O salto particularmente impressionante em matemática — um avanço de 10,61 pontos no ensino médio entre 2023 e 2025 — foi atribuído por Vieira ao uso de plataformas gamificadas e à inclusão de temas do cotidiano no currículo, como educação financeira e os riscos matemáticos das apostas esportivas online. Vieira reconhece que não possui ainda os microdados que permitiriam mensurar separadamente o desempenho do grupo atendido pelo programa de recomposição no Saeb, o que deixa em aberto a possibilidade de análises mais detalhadas.
Para ilustrar que o avanço educacional não depende de alinhamento ideológico, Vieira citou o Piauí, governado pelo PT, como exemplo de sucesso, mencionando um salto de 20 pontos em matemática naquele estado. "Independentemente de questões partidárias, quando há foco no resultado de aprendizagem, a educação funciona", afirmou. O secretário, que deixará o cargo ao fim do mandato do governador Ratinho Júnior, projeta romper a barreira dos 7,2 pontos nos anos iniciais, alcançar 6,0 nos anos finais e chegar a 5,4 no ensino médio na edição de 2027 do Ideb. Essas metas indicam uma estratégia de continuidade mesmo com a transição administrativa que se aproxima.
Citações Notáveis
É uma coisa muito fraca e rasa. Esse tipo de comentário normalmente é choro de quem não tem nada para entregar o resultado do trabalho— Roni Miranda Vieira, secretário de Educação do Paraná
O Brasil tem um currículo muito inchado. A gente quer ensinar tudo, mas não ensina nada no final do dia. O que a gente fez aqui no Paraná foi compactar esse currículo— Roni Miranda Vieira