Se Flávio for presidente, Moraes estará fora do STF, diz Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro condenado a mais de 4 anos em regime semi-aberto; mandado de prisão expedido por Moraes; aproximadamente dois mil bolsonaristas condenados ou multados aguardam possível anistia.
Não vou puxar cadeia sendo inocente
Eduardo Bolsonaro condiciona seu retorno ao Brasil à extinção de sua condenação de mais de quatro anos.
Mark

Por que Eduardo Bolsonaro acha que Moraes precisaria sair do STF se Flávio vencer?

Mimi

Para Eduardo, é impossível governar com alguém que o considera criminoso e que o procura judicialmente. É uma questão de poder — Moraes representa um obstáculo institucional que, na visão bolsonarista, precisaria ser removido.

Luke

Mas como exatamente? Ministros do STF têm mandato vitalício. Nem presidente consegue remover assim. A gente sabe que estudam anistia ou indulto, mas remover Moraes é outra história.

Mark

E quanto a essa anistia para dois mil bolsonaristas? Isso é viável?

Mimi

Teoricamente sim, durante a transição. Mas depende de maioria no Congresso. O centrão, que tem poder de veto, pode não apoiar — especialmente se achar que prejudica a governabilidade.

Luke

Também não sabemos se dois mil é número confirmado ou estimativa. A reportagem diz que bolsonaristas "estudam a possibilidade", não que já têm um projeto pronto.

Mark

Eduardo diz que não vê interferência americana agora, mas recebeu um milhão de dólares do governo dos EUA contra o STF. Como isso não é interferência?

Mimi

Eduardo nega saber quem são os destinatários. Mas documentos americanos citavam seu nome. É uma contradição que ele não resolve.

Luke

Exatamente. A reportagem mostra que o UOL já havia publicado que Eduardo era citado nesses documentos. Então ou ele está mentindo, ou está fingindo não saber. De qualquer forma, há uma lacuna entre o que ele afirma e o que a documentação mostra.

Mark

Milei realmente chamou Lula de "ditador comunista"?

Mimi

Sim, e também descreveu Jair Bolsonaro como "encarcerado indigna e vingativamente". É linguagem de campanha, não de diplomacia tradicional.

Luke

Vale notar que Milei falou em "próximos dias" para Flávio vencer, mas as eleições ainda não aconteceram. É uma aposta, não uma previsão baseada em dados.

Mark

Eduardo é mesmo o favorito para chanceler?

Mimi

No núcleo duro bolsonarista, sim. Mas o centrão quer impedir. Há uma tensão real aí sobre quem vai ter poder em um eventual governo Flávio.

Luke

A reportagem diz que aliados bolsonaristas veem seu nome como "incontornável" e que ele seria um "chanceler sombra" se não assumisse formalmente. Mas isso é o que bolsonaristas dizem sobre bolsonaristas. Não sabemos o que Flávio realmente pensa ou se vai ceder ao centrão.

  • Eduardo Bolsonaro condenado a mais de 4 anos em regime semi-aberto por coação de autoridades
  • Aproximadamente 2 mil bolsonaristas condenados ou multados aguardam possível anistia
  • Mandado de prisão contra Eduardo expedido por Moraes na semana anterior ao evento
  • Eduardo vive nos EUA desde fevereiro de 2025
  • Javier Milei pediu remoção de Lula em discurso ao lado de Eduardo

Eduardo condiciona seu retorno ao Brasil à extinção de sua condenação e critica Moraes como 'tirano' e 'fora de controle'. Bolsonaristas estudam anistia para dois mil condenados ou indulto presidencial no dia da posse, caso Flávio vença as eleições.

Eduardo Bolsonaro afirma que se seu irmão Flávio for eleito presidente, o ministro Alexandre de Moraes será removido do Supremo Tribunal Federal, enquanto discursa ao lado do presidente argentino Javier Milei em evento de direita.

Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, afirmou na noite de 14 de outubro que caso seu irmão Flávio seja eleito presidente do Brasil, o ministro Alexandre de Moraes não permanecerá no Supremo Tribunal Federal. A declaração foi feita brevemente à imprensa durante um evento na América Latina onde Eduardo dividia o palco com o presidente argentino Javier Milei. "Não vejo o Flávio Bolsonaro presidente conseguindo governar com o Alexandre de Moraes da Suprema Corte", disse, caracterizando o ministro como um "tirano" e uma "pessoa totalmente fora de controle".

Eduardo foi condenado a mais de quatro anos em regime semi-aberto por coação de autoridades, resultado de uma campanha que conduziu junto a autoridades americanas pedindo punições contra juízes do STF. Na semana anterior ao evento, Moraes havia expedido mandado de prisão contra ele. A situação pessoal entre os dois é, conforme Eduardo mesmo reconheceu, profundamente pessoal — e sua permanência fora do Brasil depende inteiramente da resolução dessa questão judicial.

O ex-deputado condicionou seu retorno ao país à extinção de sua pena. "Não vou puxar cadeia sendo inocente", afirmou quando questionado sobre suas expectativas de voltar. Dentro do núcleo bolsonarista, porém, já se estuda a possibilidade de aprovar no Congresso durante a transição uma anistia para aproximadamente dois mil bolsonaristas condenados ou multados. Caso essa saída não se viabilize, aliados bolsonaristas afirmam que Flávio concederia indulto ao irmão, ao pai e aos demais presos no primeiro dia de governo, marcado para 6 de janeiro.

Eduardo é cotado como o principal nome para ocupar a pasta de Relações Exteriores em um eventual governo de Flávio, embora o centrão trabalhe para impedir a nomeação e ventile alternativas mais palatáveis ao mercado, como Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos BRICS. No núcleo duro bolsonarista, porém, seu nome é visto como incontornável — se não assumir formalmente o cargo, aliados sugerem que se converteria em um "chanceler sombra" capaz de "manietaria qualquer um que fosse o titular da pasta". Diante da imprensa, Eduardo evitou especulações sobre o assunto e reafirmou que "Flávio está muito ciente de que ainda não tem nada ganho".

Sua relação com Milei, seu aliado político, é descrita por Eduardo como informal e descomplicada. Ambos trocaram mensagens no dia anterior e combinaram de se falar, embora sem pauta específica ou encontro formal acertado. Segundo Eduardo, se seu irmão vencer as eleições, "não vamos fazer acordo, vamos tomar um café como amigos e dali vai sair benefício para os dois povos". Durante o evento, Eduardo repetiu que o governo de Flávio se inspiraria no plano de encarceramento em massa do salvadorenho Nayib Bukele para combater o crime organizado, e que a vitória representaria "o fim da censura da Suprema Corte" no Brasil.

Questionado sobre um fundo de um milhão de dólares liberado pelo governo americano contra o STF apenas cinco dias antes do primeiro turno das eleições, Eduardo negou saber quem seriam os destinatários dos valores e disse não ver interferência eleitoral de Washington no momento atual. Documentos americanos que justificaram a liberação dos recursos citavam o nome de Eduardo. Ele argumentou que a interferência real ocorreu em 2022, quando o diretor-geral da CIA teria vindo ao Brasil para ameaçar sanções caso o resultado eleitoral não fosse reconhecido, independentemente de sua limpeza.

Milei, em seu discurso de vinte minutos, se posicionou como um "farol para a liberdade" na América Latina em um momento em que vizinhos estavam sob comando de esquerdistas. Enumerou governos da região — Chile, Colômbia, Peru, Bolívia e Honduras — que, após sua eleição na Argentina em 2023, viraram à direita. Ao final, expressou esperança de que "nos próximos dias" Flávio Bolsonaro, "com a força do céu", removesse "esse ditador comunista Lula da Silva" do poder no Brasil. Enviou ainda "cumprimentos" e "mensagem de amor e apoio" ao pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem chamou de "Jair querido" e descreveu como "indigna e vingativamente encarcerado".

Milei defendeu as políticas de seu governo — choque econômico e fiscal, redução do Estado e da inflação — e advertiu que "ganhar é só o primeiro passo, temos que fazer da América Latina grande outra vez", em paráfrase do slogan trumpista MAGA. Agradeceu nominalmente a Trump pela atuação na Venezuela, que segundo Milei estaria deixando de ser "uma ditadura socialista", embora o grupo chavista continue no poder após a remoção militar de Nicolás Maduro de Caracas em janeiro deste ano.

Não vejo o Flávio Bolsonaro presidente conseguindo governar com o Alexandre de Moraes da Suprema Corte
— Eduardo Bolsonaro
Ganhar é só o primeiro passo, temos que fazer da América Latina grande outra vez
— Javier Milei
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