Depois de três anos e meio, finalmente agora é orar
Três anos e meio depois de perderem R$ 10,4 milhões em um investimento em criptomoedas com indícios de pirâmide financeira, os jogadores Gustavo Scarpa e Mayke alcançaram um marco processual: todos os réus foram formalmente citados. O caso, que nasceu de uma indicação feita por um ex-companheiro de Palmeiras, revela como a confiança entre amigos pode se tornar a porta de entrada para esquemas que a Justiça tarda, mas não ignora. A celebração de Scarpa nas redes sociais — breve, aliviada e resignada — é o retrato de quem aprendeu que esperar por justiça exige tanto fé quanto paciência.
- R$ 10,4 milhões investidos com promessa de retornos mensais de até 5% nunca foram devolvidos quando o prazo venceu em 2022.
- Por três anos e meio, obstáculos processuais — recursos indevidos e citações por edital — travaram o avanço do caso na Justiça.
- O juiz identificou indícios claros de pirâmide financeira, o que reforça a gravidade do esquema e a dificuldade de recuperar os valores.
- A citação formal de todos os réus foi celebrada por Scarpa como um avanço real, ainda que o caminho até a recuperação do dinheiro permaneça incerto.
Gustavo Scarpa, jogador do Atlético-MG, publicou no Instagram uma mensagem curta que dizia muito: depois de três anos e meio, todos os réus no processo envolvendo um investimento em criptomoedas foram finalmente citados. O tom era de alívio misturado à resignação — "Agora é orar."
O caso tem origem nos tempos de Palmeiras. Willian Bigode indicou a Scarpa e Mayke uma oportunidade de investimento na empresa Xland Holding Ltda, com promessa de retornos mensais entre 3,5% e 5%. Scarpa colocou R$ 6,3 milhões; Mayke, mais de R$ 4 milhões. O total de R$ 10,4 milhões deveria ser resgatado em 2022. Nunca foi.
O processo que se seguiu foi marcado por lentidão e entraves: um recurso da defesa de Bigode foi negado por tentar agir em nome de terceiros, e discussões sobre a forma de citação dos réus atrasaram ainda mais o andamento. A frase "agora é orar" já havia viralizado em 2023, quando o programa Fantástico revelou áudios de Bigode reconhecendo a situação aos ex-companheiros.
O juiz responsável identificou indícios claros de pirâmide financeira na operação — um esquema que depende de novos investidores para pagar os antigos e que inevitavelmente colapsa. A citação de todos os réus é um passo adiante, mas a recuperação dos R$ 10,4 milhões permanece incerta. Para Scarpa, celebrar esse marco processual é, por ora, o máximo que a Justiça permitiu comemorar.
Gustavo Scarpa, jogador do Atlético-MG, comemorou nas redes sociais um marco processual que levou três anos e meio para ser alcançado: a citação formal de todos os réus envolvidos em um caso de investimento em criptomoedas. A mensagem no Instagram foi breve e reveladora do cansaço acumulado. "Esqueci de compartilhar uma notícia top, depois de três anos e meio, finalmente todos os réus devidamente citados no processo. Acho que agora vai, hein. Agora é orar."
O processo tem raízes em uma amizade forjada nos tempos de Palmeiras. Scarpa, Mayke e Willian Bigode se conheceram defendendo o clube paulista. Em algum momento, Bigode indicou uma oportunidade de investimento em criptomoedas que parecia promissora: retornos mensais de 3,5% a 5%. Scarpa colocou R$ 6,3 milhões. Mayke investiu mais de R$ 4 milhões. O total chegou a R$ 10,4 milhões depositados na empresa Xland Holding Ltda. A promessa era que o dinheiro seria resgatado em 2022.
Nunca foi. Quando o prazo passou e o silêncio tomou conta, Scarpa e Mayke procuraram a Justiça. O que começou como uma tentativa de recuperar o investimento se transformou em um processo complexo, repleto de obstáculos procedimentais. Um deles foi a negação de um recurso apresentado pela defesa de Bigode, que havia tentado recorrer em nome de terceiros — algo que a lei não permite. Enquanto isso, a empresa WLJC reclamava que dois réus haviam sido citados por edital, por publicação pública, em vez de receberem notificação pessoal. O processo seguiu seu curso lento, e os demais réus foram então citados por edital, como exigido.
A expressão "agora é orar" não era nova. Ela havia viralizado anos antes, quando o caso explodiu na mídia. O programa Fantástico revelou em 2023 a dimensão do investimento perdido e trouxe à tona áudios de Willian Bigode explicando a situação a Scarpa. Em uma das mensagens, Bigode reconhecia que não havia mais questão de confiança entre eles. "A questão que agora é orar. Fazer o que eu sei. Agora é esperar no Senhor," disse em um dos áudios.
O juiz responsável pelo caso identificou indícios claros de pirâmide financeira na operação. Isso significa que o esquema prometia retornos impossíveis de serem sustentados, dependendo de novos investidores para pagar os antigos — um modelo que inevitavelmente colapsa. Para Scarpa e Mayke, a celebração da citação de todos os réus representa um passo adiante em um caminho que ainda é longo. O processo continua em andamento, e a recuperação dos R$ 10,4 milhões permanece incerta. A mensagem do jogador, com seu tom de alívio misturado à resignação, captura bem o estado de quem espera por justiça em um sistema que se move com a velocidade de uma tartaruga.
Notable Quotes
Depois de três anos e meio, finalmente todos os réus devidamente citados no processo. Agora é orar.— Gustavo Scarpa, em mensagem no Instagram
Scarpinha, agora não tem nem mais questão de confiança. A questão que agora é orar. Fazer o que eu sei. Agora é esperar no Senhor.— Willian Bigode, em áudio revelado pelo Fantástico
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que levou três anos e meio só para citar todos os réus?
Houve obstáculos procedimentais. A defesa de Bigode tentou recorrer em nome de terceiros, o que não é permitido. Depois havia questão de como notificar os réus — pessoalmente ou por edital. Cada passo exigiu resolução judicial.
Scarpa sabia que era pirâmide quando investiu?
Não há indicação disso. Ele confiava em Bigode, amigo dos tempos de Palmeiras. O juiz é que identificou depois os indícios claros de esquema de pirâmide. Ninguém promete retorno de 3,5% a 5% mensais legitimamente.
E o dinheiro, onde está?
Desapareceu. Ou foi movimentado de forma que não conseguem rastrear, ou foi consumido pelo próprio esquema. Por isso o processo segue — tentando recuperar o que for possível.
Por que Scarpa comemorou só a citação dos réus?
Porque significa que agora o processo pode realmente avançar. Enquanto nem todos estavam formalmente notificados, o caso estava preso. Agora todos sabem que estão sendo processados.
Willian Bigode também perdeu dinheiro?
Não está claro. Ele indicou o investimento, mas não há relato de que tenha investido seus próprios recursos. Pode ter sido intermediário ou estar envolvido no esquema.