Apenas 45,61% dos grupos prioritários foram vacinados contra influenza
A cada inverno, o frio aproxima as pessoas e afasta o ar fresco — e os vírus encontram seu caminho. Em 2026, Santa Catarina já contabiliza mais de 5,7 mil hospitalizações e 269 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave, enquanto a Fiocruz alerta para uma tendência de crescimento que não poupa nem as crianças mais pequenas nem os idosos mais frágeis. Florianópolis integra a lista de capitais em nível de alerta, e a cobertura vacinal de apenas 45,61% revela uma lacuna entre o que é possível prevenir e o que está sendo feito.
- Santa Catarina registra 269 mortes e mais de 5,7 mil internações por SRAG em 2026, com números em ascensão nas últimas seis semanas segundo o boletim InfoGripe da Fiocruz.
- VSR, influenza A e B circulam simultaneamente no estado, atingindo com maior força crianças menores de dois anos e idosos acima de 65 — os grupos com menor capacidade de resistir à doença grave.
- Florianópolis entrou em nível de alerta, e quase todos os estados brasileiros enfrentam algum grau de risco, revelando que a crise respiratória deste inverno é um fenômeno nacional.
- A vacina contra influenza está disponível gratuitamente, mas apenas 45,61% dos grupos prioritários foram imunizados — menos da metade da meta de 90% fixada pelo Ministério da Saúde.
- Autoridades reforçam medidas acessíveis — vacinação, ventilação dos ambientes, higiene das mãos e uso de máscara ao apresentar sintomas — como as ferramentas mais eficazes para conter o avanço.
Santa Catarina atravessa um inverno pesado. Até agora em 2026, mais de 5,7 mil pessoas foram hospitalizadas por Síndrome Respiratória Aguda Grave e 269 morreram em decorrência da condição. O padrão é conhecido: com o frio, as pessoas se recolhem em ambientes fechados, e os vírus respiratórios se propagam com facilidade.
O boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado esta semana, confirma que o estado está entre os que apresentam tendência clara de crescimento nas últimas seis semanas. O principal responsável é o vírus sincicial respiratório, o VSR, mas a influenza A e B também circulam com intensidade. Florianópolis passou a integrar a lista de oito capitais brasileiras em nível de alerta.
As crianças menores de dois anos são as mais hospitalizadas, sobretudo pelo VSR. Entre os óbitos, predominam pessoas com 65 anos ou mais, especialmente infectadas pela influenza A. Gestantes e portadores de doenças crônicas também estão no grupo de atenção prioritária das autoridades.
Apesar da vacina contra influenza ser gratuita para toda a população a partir dos seis meses, apenas 45,61% dos grupos prioritários foram vacinados — muito aquém da meta de 90%. João Augusto Fuck, diretor da Vigilância Epidemiológica estadual, reafirma que a vacinação continua sendo a medida mais eficaz para evitar mortes e internações.
O problema ultrapassa as fronteiras catarinenses. Quase todos os estados brasileiros estão em algum nível de alerta, e o país já notificou cerca de 98 mil casos de SRAG em 2026. Na região Sul, o VSR segue crescendo nos três estados, enquanto a influenza B avança. As autoridades insistem em medidas simples: vacinar-se, ventilar os ambientes, higienizar as mãos e usar máscara ao apresentar sintomas. Com o inverno ainda no auge, a expectativa é de que os números continuem subindo — e a corrida pela imunização se torna cada vez mais urgente.
Santa Catarina está enfrentando um inverno marcado pelo avanço de doenças respiratórias graves. Até agora em 2026, o estado registrou mais de 5,7 mil pessoas hospitalizadas por Síndrome Respiratória Aguda Grave — a SRAG — e 269 mortes associadas à condição. Os números refletem um padrão que se repete a cada ano nesta época: quando as temperaturas caem, as pessoas se fecham em ambientes com pouca circulação de ar, e os vírus respiratórios encontram terreno fértil para se propagar.
O cenário ganhou visibilidade esta semana através do boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz. O levantamento aponta que Santa Catarina está entre os estados brasileiros com tendência clara de crescimento nos casos de SRAG nas últimas seis semanas. A culpa é principalmente do vírus sincicial respiratório, conhecido como VSR, mas também da influenza A e B, que circulam com intensidade. Florianópolis, a capital do estado, entrou na lista de oito capitais brasileiras que agora operam em nível de alerta ou risco para a doença.
O padrão de quem adoece revela a vulnerabilidade de grupos específicos. Crianças menores de dois anos são as mais hospitalizadas, principalmente por causa do VSR. Já entre os que morrem, predominam pessoas com 65 anos ou mais, especialmente aquelas infectadas pela influenza A. Gestantes e pessoas com doenças crônicas também estão no radar das autoridades de saúde como grupos que precisam de proteção redobrada neste período.
Apesar da vacina contra influenza estar disponível gratuitamente para toda a população a partir dos seis meses de idade, a cobertura vacinal em Santa Catarina permanece baixa. Apenas 45,61% dos grupos prioritários foram vacinados até agora — bem abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. João Augusto Fuck, diretor da Diretoria de Vigilância Epidemiológica do estado, reforça que a vacinação continua sendo a medida mais eficaz para evitar hospitalizações e mortes, especialmente neste período de maior circulação viral.
O problema não é exclusivo de Santa Catarina. Praticamente todas as unidades da Federação — com exceção apenas de Rondônia, Piauí e Pernambuco — estão em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG. Além de Santa Catarina, outros sete estados mostram tendência de crescimento de longo prazo: Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Roraima. Na região Sul especificamente, o VSR continua aumentando em todos os três estados, enquanto a influenza A mantém níveis elevados e a influenza B segue em expansão.
Em nível nacional, o Brasil já notificou quase 98 mil casos de SRAG em 2026, com cerca de metade confirmada laboratorialmente para algum vírus respiratório. Entre os casos positivos das últimas quatro semanas, o VSR lidera, seguido por rinovírus e as duas cepas de influenza. As autoridades de saúde reforçam medidas simples mas essenciais: manter a vacinação em dia, higienizar as mãos com frequência, garantir ventilação dos ambientes, usar máscara quando apresentar sintomas, e evitar sair de casa se possível. A recomendação é que pessoas com gripe ou resfriado permaneçam isoladas, e quando precisem sair, usem máscara para reduzir a transmissão.
O inverno ainda está no seu auge, e as projeções sugerem que os números podem continuar crescendo nas próximas semanas. A Fiocruz também reforça a importância de manter a vacinação contra Covid-19 em dia, especialmente para idosos e pessoas imunocomprometidas elegíveis para doses de reforço. O estado aguarda que mais pessoas procurem as unidades de saúde para completar sua imunização antes que a situação se agrave ainda mais.
Notable Quotes
Estamos em um período de maior circulação de vírus respiratórios e de aumento da demanda pelos serviços de saúde. A vacinação contra a influenza continua sendo a medida mais eficaz para prevenir hospitalizações e óbitos.— João Augusto Fuck, diretor da Dive/SC
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Santa Catarina está em alerta agora, especificamente? Isso é sazonal ou algo mudou?
É sazonal, mas intenso. O inverno traz temperaturas baixas, as pessoas ficam em ambientes fechados, e vírus como VSR, influenza A e B encontram condições perfeitas para circular. Este ano, Santa Catarina já tem 5,7 mil internações e 269 mortes — números que justificam o alerta.
Quem está morrendo? Há um perfil claro?
Sim. Crianças menores de dois anos são as mais hospitalizadas, principalmente por VSR. Mas quem morre são os idosos — pessoas com 65 anos ou mais, especialmente infectadas por influenza A. Gestantes e pessoas com doenças crônicas também estão em risco elevado.
A vacinação está funcionando?
Deveria estar. A vacina contra influenza é gratuita e disponível desde os seis meses de idade. Mas apenas 45,61% dos grupos prioritários foram vacinados em Santa Catarina — muito abaixo da meta de 90%. É um problema de cobertura, não de acesso.
Isso é um problema só de Santa Catarina ou do Brasil inteiro?
Do Brasil inteiro. Praticamente todos os estados estão em alerta, com exceção de três. Oito estados além de Santa Catarina mostram tendência de crescimento de longo prazo. Na região Sul, o VSR está aumentando em todos os três estados.
O que as pessoas deveriam fazer agora?
Vacinar-se, se ainda não fizeram. Manter ambientes ventilados. Higienizar as mãos. Usar máscara se tiverem sintomas. E se possível, ficar em casa quando gripadas. São medidas simples, mas essenciais para quebrar a cadeia de transmissão.
Isso vai piorar?
Provavelmente. Ainda estamos no auge do inverno. Os números têm crescido semana a semana, e não há sinais de que isso vá mudar em breve.