SBU lança diretrizes 2026 para diagnóstico e tratamento do câncer de bexiga

Hematúria isolada em tabagista acima de 60 anos é sinal de alerta
Recomendação crítica para diagnóstico precoce de câncer de bexiga em atenção primária.
Mark

Por que a ressecção transuretral precisa ser repetida em alguns casos? Não seria suficiente uma única abordagem?

Mimi

A primeira ressecção às vezes deixa tumor residual — seja porque o cirurgião não conseguiu remover tudo, seja porque o tumor era grande demais ou havia múltiplas lesões. Repetir em 4 a 6 semanas melhora o controle local e a precisão do estadiamento.

Mark

E qual é a diferença prática entre usar BCG por um ano versus três anos?

Mimi

O BCG por um ano é para tumores de risco intermediário — aqueles que já recorreram uma vez ou têm características menos agressivas. Três anos é para alto risco, onde a doença tem mais potencial de progredir. É um compromisso entre eficácia e tolerância do paciente.

Mark

Por que imunoterapia combinada ganhou tanto espaço nos casos músculo invasivos?

Mimi

Porque funciona melhor. Pembrolizumabe e enfortumabe vedotina atacam caminhos diferentes — um libera o sistema imunológico, o outro bloqueia uma proteína que o tumor usa para se esconder. Juntos, oferecem respostas mais duráveis.

Mark

E para aquele paciente que não tolera cisplatina — ele fica em desvantagem?

Mimi

Não exatamente. Ele tem alternativas bem estabelecidas agora: pembrolizumabe com enfortumabe vedotina funciona bem, e em alguns casos carboplatina pode substituir cisplatina. O importante é que não há mais um vazio terapêutico.

Mark

Como um clínico geral reconhece que deve suspeitar de câncer de bexiga?

Mimi

Hematúria isolada em um homem de 65 anos que fuma — isso é o sinal de alerta. Não é comum, não é normal. Pode ser infecção, pode ser pedra, mas tem que investigar com cistoscopia. O diagnóstico precoce muda tudo.

  • Ressecção transuretral repetida em 4-6 semanas para tumores incompletos ou de alto volume
  • BCG intravesical por 3 anos para tumores de alto risco não músculo invasivo
  • Pembrolizumabe + enfortumabe vedotina para pacientes inelegíveis a cisplatina
  • Ressonância magnética com protocolo VIRADS superior a tomografia para estadiamento T1/T2

Cistoscopia e exames de imagem são essenciais na avaliação inicial; ressecção transuretral deve ser repetida em 4-6 semanas em casos específicos de alto risco. Tumores não músculo invasivos recebem tratamento diferenciado por risco: baixo risco com quimioterapia única, intermediário com BCG ou quimioterapia, alto risco com BCG de 3 anos ou cistectomia.

A Sociedade Brasileira de Urologia publicou diretrizes atualizadas para diagnóstico, estratificação de risco e tratamento do câncer de bexiga, abrangendo casos não músculo invasivos e avançados com recomendações baseadas em níveis de evidência.

A Sociedade Brasileira de Urologia acaba de publicar um conjunto abrangente de diretrizes para orientar o diagnóstico e o tratamento do câncer de bexiga em suas diferentes apresentações clínicas. O documento, lançado no portal da instituição, reúne recomendações organizadas por níveis de evidência científica, destinadas a padronizar a abordagem de urologistas e oncologistas diante dessa doença que afeta milhares de brasileiros anualmente.

O primeiro passo no manejo de um paciente com suspeita de câncer de bexiga permanece relativamente simples: além da história clínica e exame físico, o médico deve solicitar cistoscopia e exames de imagem como ultrassom, tomografia ou ressonância magnética. Nessa fase inicial, também é fundamental orientar o paciente sobre cessação do tabagismo e, em casos suspeitos, considerar avaliação clínica para síndromes hereditárias como a de Lynch. A ressecção transuretral de bexiga, procedimento que remove o tumor e coleta tecido para análise, serve tanto como ferramenta diagnóstica quanto terapêutica. Quando a ressecção inicial é incompleta, quando o tumor é volumoso (maior que 3 centímetros), quando há múltiplas lesões ou quando o tecido muscular não foi adequadamente amostrado, uma segunda ressecção deve ser realizada entre quatro e seis semanas depois — recomendação com o mais alto nível de evidência científica.

Para tumores que não invadem a camada muscular da bexiga, a estratificação de risco guia toda a conduta subsequente. Aqueles classificados como baixo risco — únicos, primários e menores que 3 centímetros, com características histológicas favoráveis — recebem uma dose única de quimioterapia intravesical, como a gencitabina, administrada até 24 horas após a ressecção. Tumores de risco intermediário, caracterizados por múltiplas lesões, tamanho maior ou recorrência dentro de um ano, são tratados com BCG intravesical mantido por um ano ou com quimioterapia intravesical. Já os tumores de alto risco — que incluem carcinoma in situ, invasão da lâmina própria, alto grau histológico e múltiplas lesões — exigem BCG intravesical com manutenção prolongada de três anos, ou cistectomia radical nos casos de risco muito elevado.

Quando o câncer invade a camada muscular, a abordagem muda significativamente. Para pacientes em estágios II ou IIIa que toleram cisplatina, o tratamento preferencial combina gencitabina, cisplatina e durvalumabe no período perioperatório, associado à remoção cirúrgica completa da bexiga. Aqueles inelegíveis para cisplatina recebem pembrolizumabe e enfortumabe vedotina antes da cirurgia. Em estágios mais avançados (IIIb e IVa), o tratamento sistêmico preferencial é pembrolizumabe com enfortumabe vedotina ou carboplatina com gencitabina, seguido de manutenção com avelumabe. Para doença metastática disseminada, enfortumabe vedotina combinado com pembrolizumabe representa a primeira linha, com carboplatina e gencitabina ou imunoterapia isolada como alternativas para inelegíveis a cisplatina.

Os exames de imagem também recebem recomendações específicas. A tomografia de urografia é preferencial para avaliar o trato genitourinário superior, enquanto a ressonância magnética, utilizando o protocolo VIRADS, é superior à tomografia para diferenciar estágios T1 de T2 e deve ser realizada antes da ressecção transuretral. O PET/CT com fluordesoxiglicose não é rotineiro, sendo reservado para esclarecer suspeitas de metástases.

Um ponto crítico nas recomendações é o alerta para diagnóstico precoce. Médicos de todas as especialidades devem considerar câncer de bexiga em pacientes acima de 60 anos, tabagistas, que apresentem hematúria isolada. Trata-se de uma doença de alta morbidade, e o reconhecimento precoce pode alterar significativamente o prognóstico e as opções terapêuticas disponíveis.

É um câncer de alta morbidade e o diagnóstico precoce é fundamental
— Sociedade Brasileira de Urologia
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