O sarampo, doença que a humanidade já imaginou ter domado, ressurge com força nos Estados Unidos, na Europa e, agora, no Brasil — lembrando que a erradicação de uma enfermidade é uma conquista frágil, não um estado permanente. Com 301 casos confirmados nos EUA até março de 2025, incluindo ao menos uma morte, e novos registros no Rio de Janeiro após cinco anos de silêncio epidemiológico, o mundo é confrontado com a consequência silenciosa da hesitação vacinal. A doença não respeita fronteiras nem certificados: ela encontra caminho onde a proteção coletiva se afrouxou.
Sarampo avança nos EUA e Europa; Brasil registra novos casos no Rio
95% dos infectados nunca foram vacinados ou têm status desconhecido
Como é possível que os EUA tenham 301 casos em apenas dois meses e meio quando em 2024 inteiro tiveram menos casos?
A velocidade é alarmante. O que vemos é um surto que começou localizado no Texas e no Novo México, mas se disseminou rapidamente para mais de uma dúzia de estados. A concentração em crianças não vacinadas sugere que há bolsões de população com cobertura vacinal muito baixa.
Mas precisamos ser claros: esses 301 casos — eles estão confirmados laboratorialmente ou são suspeitas? O texto diz "confirmados", então presumo que sim, mas é importante que o leitor saiba que estamos falando de casos verificados, não estimativas.
E quanto ao papel do secretário de Saúde? Ele está causando ativamente esse surto?
Kennedy Jr. é cético em relação às vacinas e afirmou que a vacinação é uma escolha pessoal. As autoridades de saúde relatam que moradores estão recorrendo a remédios sem comprovação científica, incentivados por suas posições. Mas a causalidade direta é complexa — há muitos fatores que levam à hesitação vacinal.
Exatamente. O texto mostra que 95% dos infectados são não vacinados ou têm status desconhecido, e que Kennedy Jr. é cético. Mas não podemos dizer que ele causou o surto. O que podemos dizer é que suas posições coincidem com um ambiente de baixa vacinação.
Por que o Brasil recuperou o certificado de erradicação em 2024 se agora tem novos casos?
O certificado foi concedido porque não havia transmissão há cinco anos — o último caso foi em 2022. Mas a erradicação não significa que o vírus desapareceu do planeta. Significa que não estava circulando no Brasil. Agora, com casos importados ou ressurgimento, o país enfrenta o desafio de manter a vigilância e a cobertura vacinal.
E aqui está o ponto crítico: os dois casos em São João de Meriti e o caso em Itaboraí não têm relação entre si, segundo as autoridades. Isso sugere múltiplas introduções do vírus, não um único foco. Isso é mais preocupante do que um único surto contido.
Crianças menores de 5 anos representam 34% dos casos nos EUA. Por que essa faixa etária é tão vulnerável?
Crianças menores de 5 anos ainda não completaram o esquema vacinal — a primeira dose é aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Então há uma janela de vulnerabilidade. Além disso, se os pais optam por não vacinar, essas crianças ficam completamente desprotegidas.
Mas também precisamos notar que 42% dos casos são de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos. Essa faixa etária deveria ter recebido as duas doses. Então ou não foram vacinadas, ou a vacinação falhou — e o texto não nos diz qual é o caso.
O que significa que o sarampo pode ser transmitido antes das manchas aparecerem?
Significa que uma pessoa infectada pode estar espalhando o vírus sem saber que tem sarampo. Os primeiros sintomas — febre, tosse, coriza — parecem uma gripe comum. As manchas características só aparecem entre o terceiro e o quinto dia. Então alguém pode ir à escola, ao trabalho, ao supermercado, tossindo e espalhando o vírus, sem que ninguém suspeite que é sarampo.
E isso torna a identificação precoce muito difícil. Você não pode simplesmente dizer "procure pelas manchas vermelhas". Precisa de vigilância ativa e testes laboratoriais para pegar os casos cedo.
Der Puls
- Os EUA vivem o maior surto de sarampo em anos, com 301 casos em menos de três meses e uma morte confirmada — a primeira desde 2015 —, enquanto outra ainda está sob investigação.
- 95% dos infectados não estavam vacinados ou tinham status vacinal desconhecido, e o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. reforça publicamente que a vacinação é 'uma escolha pessoal', alimentando a desconfiança.
- O surto nasceu no Texas e no Novo México, mas já se espalhou por mais de uma dezena de estados, com 103 crianças menores de 5 anos entre os casos — revelando uma geração exposta por lacunas na cobertura vacinal.
- No Brasil, dois novos casos em São João de Meriti e um anterior em Itaboraí ameaçam o certificado de país livre do sarampo reconquistado em 2024 após cinco anos sem transmissão.
- Autoridades de saúde reforçam a vigilância epidemiológica e lembram que o esquema vacinal brasileiro — duas doses da tríplice viral — segue disponível gratuitamente e é a principal barreira contra a reintrodução da doença.
O sarampo, doença que a humanidade já imaginou ter domado, ressurge com força nos Estados Unidos, na Europa e, agora, no Brasil — lembrando que a erradicação de uma enfermidade é uma conquista frágil, não um estado permanente. Com 301 casos confirmados nos EUA até março de 2025, incluindo ao menos uma morte, e novos registros no Rio de Janeiro após cinco anos de silêncio epidemiológico, o mundo é confrontado com a consequência silenciosa da hesitação vacinal. A doença não respeita fronteiras nem certificados: ela encontra caminho onde a proteção coletiva se afrouxou.
Os Estados Unidos enfrentam em 2025 o maior surto de sarampo em anos. Até 14 de março, 301 casos foram confirmados em pelo menos 14 estados — do Texas ao Alasca, da Flórida a Vermont. Em apenas dois meses e meio, o país superou o total de todo o ano anterior. Uma morte foi confirmada e outra segue sob investigação; a última havia ocorrido em 2015.
O perfil dos infectados é revelador: 34% têm menos de 5 anos, 42% estão na faixa entre 5 e 19 anos, e 95% não estavam vacinados ou tinham situação vacinal desconhecida. O secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., historicamente cético em relação às vacinas, declarou que a vacinação permanece uma escolha pessoal — postura que preocupa autoridades locais, especialmente diante de relatos de moradores recorrendo a tratamentos sem respaldo científico.
O fenômeno não é exclusivamente americano. Em 2024, Europa e Ásia registraram juntas 127.350 casos de sarampo — o dobro de 2023 e o maior número desde 1997 —, sinalizando uma reversão global de décadas de progresso no controle da doença.
No Brasil, a situação exige atenção redobrada. O país havia reconquistado em 2024 o certificado de nação livre do sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde, após cinco anos sem transmissão. Mas em março de 2025, a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro confirmou dois novos casos em São João de Meriti — duas crianças da mesma família — e um caso anterior em Itaboraí, sem relação epidemiológica entre si. As crianças foram atendidas, receberam alta e passam bem, mas o alerta está dado.
O sarampo é causado pelo Morbillivirus e se transmite pelo ar com alta eficiência — o vírus pode permanecer suspenso por horas em ambientes fechados e infectar antes mesmo do surgimento das manchas características na pele. No Brasil, a proteção está disponível gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações, com duas doses da vacina tríplice viral aplicadas aos 12 e 15 meses de idade. Quem não tem certeza sobre seu histórico vacinal pode procurar uma unidade de saúde — a resposta mais eficaz contra o retorno de uma doença que já foi, um dia, considerada vencida.
Os Estados Unidos estão enfrentando seu maior surto de sarampo em anos. Até 14 de março de 2025, as autoridades de saúde confirmaram 301 casos da doença. Em apenas dois meses e meio, o país já ultrapassou em 16 casos o total registrado durante todo o ano de 2024. Uma morte foi confirmada e outra permanece sob investigação — a última morte por sarampo no país havia ocorrido em 2015.
O surto começou no Texas e no Novo México, mas se disseminou rapidamente. Casos foram confirmados no Alasca, Califórnia, Flórida, Geórgia, Kentucky, Maryland, Nova Jersey, Cidade de Nova York, Estado de Nova York, Pensilvânia, Rhode Island, Vermont e Washington. A distribuição geográfica ampla sugere transmissão comunitária significativa.
As crianças representam a maioria dos infectados. Entre os 301 casos, 103 (34%) têm menos de 5 anos, 126 (42%) têm entre 5 e 19 anos, e 63 (21%) são adultos com mais de 20 anos. O padrão de idade revela uma população particularmente vulnerável. Ainda mais preocupante: 95% dos infectados têm status de vacinação classificado como "não vacinado ou desconhecido". Apenas 3% receberam uma dose e 2% completaram o esquema vacinal com as duas doses recomendadas. O secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., que é conhecido por ceticismo em relação às vacinas, afirmou que a vacinação continua sendo uma escolha pessoal. Autoridades de saúde no oeste do Texas relataram preocupação com moradores que recorreram a remédios sem comprovação científica, incentivados pelas posições de Kennedy Jr.
O problema não se limita aos Estados Unidos. Europa e Ásia enfrentam uma crise similar. Em 2024, foram registrados 127.350 casos em todo o mundo — o dobro do que havia sido contabilizado em 2023 e o maior número desde 1997.
No Brasil, a situação é particularmente delicada. Após cinco anos sem transmissão, o país recuperou em 2024 o certificado de país livre do sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O último caso havia sido registrado em 2022, no Amapá. Mas essa conquista agora está ameaçada. A Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro confirmou, em 14 de março, dois novos casos de sarampo em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. As duas crianças, da mesma família, foram atendidas em uma Unidade de Pronto Atendimento no dia 2 de março, receberam alta médica no dia 13 e passam bem. Em fevereiro, a secretaria já havia confirmado um caso isolado em Itaboraí, também na região metropolitana do Rio, em uma criança de 6 anos cuja suspeita havia sido constatada em outubro do ano anterior. Segundo a vigilância epidemiológica estadual, os casos de Itaboraí e São João de Meriti não têm relação entre si.
O sarampo é uma doença altamente contagiosa causada pelo vírus do gênero Morbillivirus. Os primeiros sintomas — febre alta, tosse seca, coriza e conjuntivite — assemelham-se aos de uma gripe comum. Com o avanço da infecção, surgem pequenas manchas brancas na mucosa bucal, conhecidas como manchas de Koplik, um sinal característico. Entre o terceiro e o quinto dia, aparecem manchas vermelhas na pele que começam no rosto e se espalham pelo corpo, enquanto a febre se intensifica, podendo ultrapassar 39°C. A transmissão ocorre pelo contato com gotículas expelidas por pessoas infectadas ao tossir, espirrar ou falar. O vírus pode permanecer no ar por algumas horas, aumentando o risco de contágio em ambientes fechados. Particularmente preocupante é o fato de que a doença pode ser transmitida antes mesmo do aparecimento das manchas, dificultando a identificação precoce dos casos.
No Brasil, o esquema vacinal contra o sarampo faz parte do Programa Nacional de Imunizações e inclui duas doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses de idade e a segunda aos 15 meses. Pessoas de até 29 anos que não foram vacinadas na idade correta devem receber duas doses, enquanto aqueles entre 30 e 59 anos precisam de pelo menos uma dose. Profissionais de saúde, independentemente da idade, devem ter o esquema completo com duas doses. Em situações de surtos, o Ministério da Saúde pode recomendar a vacinação de bebês a partir de seis meses, conhecida como "dose zero". Quem não tem certeza sobre seu status vacinal pode procurar uma unidade de saúde para verificar a caderneta ou receber as doses recomendadas.
Bemerkenswerte Zitate
A vacinação continua sendo uma escolha pessoal— Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde dos EUA