Em São Paulo, a nova Assembleia Legislativa emerge como espelho das tensões que atravessam a política brasileira: de um lado, figuras com décadas de trajetória institucional como Eduardo Suplicy e Luiza Erundina; de outro, jovens como Eduarda Campopiano, que converteram audiências digitais em mandatos com votações históricas. O plenário que se forma não é apenas uma câmara legislativa — é um retrato das forças que disputam o sentido da vida pública em um estado de 46 milhões de habitantes.
São Paulo elege conservadora antifeminista, Suplicy e deputada trans para Alesp
Sou do PL, sou uma mulher conservadora, antifeminista
Como uma candidata tão jovem conseguiu superar todos os outros em votação?
Eduarda Campopiano tinha dois ativos muito claros: uma presença digital massiva — mais de dois milhões de seguidores — e o apoio de Lucas Pavanato, que foi o segundo deputado federal mais votado do país. Nas redes, ela se apresentava de forma muito direta sobre suas posições políticas.
Mas é importante notar que ela não criou essa presença do zero. Pavanato já era uma figura conhecida, e ela se posicionou como sua afilhada política. A votação dela reflete também o voto em quem a apoiava.
E como fica a esquerda nessa Assembleia?
A esquerda tem nomes fortes — Suplicy voltando aos 85 anos, Luiza Erundina finalmente chegando à Assembleia estadual, Sofia Favero como deputada trans. Mas os números mostram uma redução: Suplicy caiu de 807 mil para 654 mil votos em relação a 2022.
Isso é um dado importante que não podemos ignorar. Não sabemos exatamente por quê — se foi abstenção, voto disperso ou migração real. A fonte não explica a queda.
Qual é o significado de ter uma deputada trans eleita em terceiro lugar?
Sofia Favero chega com 407 mil votos e uma plataforma clara sobre direitos trans, educação pública e proteção de minorias. Ela teve apoio de Erika Hilton, que foi a mulher mais votada para a Câmara. É um sinal de que essas pautas têm representação eleitoral.
Verdade, mas também é importante contextualizar: ela é a terceira mais votada, não a primeira. E a primeira mais votada se apresenta explicitamente como antifeminista. Essas duas realidades coexistem na mesma eleição.
E essa Bancada da Bala, como ela fica?
Ela cresce. Nove representantes ligados às forças policiais, todos do PP ou PL. É uma consolidação da força conservadora que já existia.
Mas a fonte não diz se isso é crescimento em relação à legislatura anterior ou se mantém o mesmo número. Sabemos que há nove agora, mas não sabemos se eram oito ou dez antes. É um dado que fica incompleto.
O Pulso
- Eduarda Campopiano, 23 anos e autodeclarada 'inimiga do feminismo', obteve 1,9 milhão de votos — a maior votação da eleição —, sinalizando o peso crescente das redes sociais e do conservadorismo organizado na política paulista.
- A Bancada da Bala chega à nova legislatura com ao menos nove representantes ligados às forças policiais, consolidando um bloco conservador que promete pautar segurança pública com voz ainda mais alta.
- Eduardo Suplicy retorna à Alesp aos 85 anos com 654 mil votos, mas registra queda em relação aos 807 mil de 2022, indicando que mesmo nomes históricos não escapam das oscilações do eleitorado.
- Sofia Favero, deputada trans com 407 mil votos, e Luiza Erundina, aos 91 anos em seu primeiro mandato estadual, representam a chegada de vozes historicamente marginalizadas ao centro do legislativo paulista.
- A composição final do plenário revela uma Assembleia fragmentada entre veteranos de oito mandatos, estreantes midiáticos e ativistas identitários — um campo de forças que tornará o debate legislativo imprevisível.
Em São Paulo, a nova Assembleia Legislativa emerge como espelho das tensões que atravessam a política brasileira: de um lado, figuras com décadas de trajetória institucional como Eduardo Suplicy e Luiza Erundina; de outro, jovens como Eduarda Campopiano, que converteram audiências digitais em mandatos com votações históricas. O plenário que se forma não é apenas uma câmara legislativa — é um retrato das forças que disputam o sentido da vida pública em um estado de 46 milhões de habitantes.
A Assembleia Legislativa de São Paulo que se forma após as eleições de outubro de 2026 carrega uma composição que reflete as fraturas do estado: nomes de longa trajetória institucional dividirão o plenário com figuras que ascenderam pelas redes sociais e pelo apoio de políticos de grande visibilidade.
O nome mais votado da eleição é Eduarda Campopiano, 23 anos, nascida em Campinas e afilhada política do deputado federal Lucas Pavanato. Com 1,9 milhão de votos, ela chegou à Assembleia após construir uma presença digital expressiva — mais de 2 milhões de seguidores no Instagram — e se apresentar publicamente como conservadora e antifeminista. Antes da Alesp, foi vereadora em Praia Grande, onde enfatizava eficiência no uso de emendas para a saúde. Sua posição sobre o feminicídio, questionando sua tipificação legal, reforça a identidade política que a projetou nacionalmente.
Eduardo Suplicy, aos 85 anos, chegou em segundo lugar com 654 mil votos. O economista petista retorna à Assembleia com as mesmas bandeiras de décadas: renda básica universal, economia solidária e acesso à cannabis medicinal. A queda em relação aos 807 mil votos de 2022 marca uma mudança no padrão que o elegeu como o mais votado naquele pleito.
Sofia Favero, psicóloga, escritora e ativista trans, ficou em terceiro com 407 mil votos, com apoio explícito da deputada federal Erika Hilton. Sua plataforma articula educação pública, urbanismo e proteção de minorias. Luiza Erundina, aos 91 anos e primeira mulher a governar São Paulo, chega pela primeira vez à Alesp com suas históricas bandeiras de tarifa zero e proteção de vulneráveis.
Entre outros eleitos estão Duda Hidalgo, 27 anos, segunda mais votada do PT com foco nas demandas do interior; Thammy Miranda, homem trans e filho da cantora Gretchen, com 85 mil votos; e Regina Nunes, primeira-dama do prefeito Ricardo Nunes, eleita com pautas ligadas à causa animal. Veteranos como Barros Munhoz, em seu oitavo mandato, e Carlos Giannazi, no sexto, também retornam.
A força mais consolidada da nova legislatura, porém, é a Bancada da Bala: ao menos nove parlamentares ligados às forças policiais, todos filiados ao PP ou PL, que chegam ao plenário reforçando uma continuidade conservadora que marcou a legislatura anterior e agora se aprofunda.
A nova Assembleia Legislativa de São Paulo que toma posse carrega consigo uma composição que reflete as fraturas políticas do estado. Nomes de longa trajetória institucional dividirão o plenário com figuras que ascenderam rapidamente através das redes sociais e do apoio de políticos com grande circulação mediática.
Eduarda Campopiano, com 23 anos, conquistou a maior votação da eleição: 1,9 milhão de votos. Nascida em Campinas, ela chegou à Assembleia como afilhada política de Lucas Pavanato, segundo deputado federal mais votado do país. Campopiano construiu sua presença pública em plataformas digitais — 2,3 milhões de seguidores no Instagram, 223 mil no TikTok — onde se apresenta de forma explícita: "Sou do PL, sou uma mulher conservadora, antifeminista", declarou em um debate transmitido. Antes de chegar ao estado, foi vereadora em Praia Grande, onde se apresentava como a única a direcionar 100% de suas emendas para a saúde municipal. Sua campanha para a Assembleia enfatizou essa mesma narrativa de eficiência orçamentária. Ela também questionou publicamente a tipificação legal do feminicídio, posicionamento que reforça sua identidade política declarada.
Eduardo Suplicy, aos 85 anos, chegou em segundo lugar com 654 mil votos. O economista petista retorna à Assembleia após ocupá-la no fim dos anos 1970 e ter sido reeleito em 2022 como o deputado estadual mais votado daquele pleito, quando recebeu 807 mil votos. Sua plataforma centra-se em propostas de longa data: renda básica universal, economia solidária e expansão do acesso à cannabis medicinal. A redução de votos em relação a 2022 marca uma mudança no padrão de votação que o elegeu.
Sofia Favero, terceira colocada com 407 mil votos, chega à Assembleia como deputada estadual trans. Psicóloga, escritora e ativista pelos direitos da população transexual, sua candidatura recebeu apoio explícito da deputada federal Erika Hilton, mulher mais votada para a Câmara dos Deputados. Favero articula sua plataforma em torno de educação pública, urbanismo e proteção de minorias.
A composição da nova legislatura inclui ainda Luiza Erundina, aos 91 anos, primeira mulher a governar São Paulo, que chega à Assembleia Legislativa estadual pela primeira vez em sua carreira. Suas bandeiras históricas — tarifa zero, melhoria do transporte público e proteção de mulheres, crianças e adolescentes — continuam estruturando sua atuação. Duda Hidalgo, segunda mais votada do PT com mais de 154 mil votos, é uma deputada de 27 anos formada em Direito que começou como vereadora em Ribeirão Preto; sua segunda tentativa pela Assembleia enfatiza permanência estudantil, combate ao racismo e inclusão das demandas do interior. Thammy Miranda, homem trans, vereador em São Paulo e filho da cantora Gretchen, também se elegeu com 85 mil votos.
Entre os reeleitos estão veteranos como Barros Munhoz, que chega ao oitavo mandato, e Carlos Giannazi, ao sexto. Regina Nunes, primeira-dama do prefeito Ricardo Nunes, foi eleita com propostas centradas na causa animal. Rafa Minato, único eleito pelo Missão, é ex-chefe de gabinete do deputado federal Kim Kataguiri.
A força mais consolidada na nova legislatura é a chamada Bancada da Bala, que reunirá ao menos nove representantes ligados às forças policiais: Capitão Telhada, Delegado Mesquita, Delegado Olim, Sargento Castro, Delegada Graciela, Capitão Mosart, Tenente Coimbra, Danilo Balas e Coronel Paganotto. Todos filiados ao PP ou PL, esses parlamentares representam uma continuidade da força conservadora que marcou a legislatura anterior e que agora se consolida ainda mais na composição do plenário.
Citações Notáveis
Sou do PL, sou uma mulher conservadora, antifeminista— Eduarda Campopiano, em debate do RedCast
A única vereadora a enviar 100% das emendas para a saúde do município no litoral paulista— Campopiano, sobre sua atuação em Praia Grande