Santo André lança protocolo de pré-natal e 'Meu Plano de Parto' para unificar cuidado às gestantes

O primeiro protocolo feito, de fato, a muitas mãos
A enfermeira Magali Motta descreveu a construção do protocolo pré-natal de Santo André.
Mark

Em termos simples, o que muda para uma gestante de Santo André?

Mimi

Ela passa a ter os mesmos exames em cada trimestre e os mesmos ultrassons, em qualquer unidade da rede. E pode registrar por escrito o que deseja no parto.

Mark

Qual é a medida que mais pesa na prevenção?

Mimi

A pré-eclâmpsia, principal causa de morte materna no país. O protocolo prevê medicação profilática para quem tem fator de risco.

Luke

Vale lembrar que isso vem da apresentação do responsável técnico do hospital. A reportagem não traz dados de resultados em Santo André.

Mark

E o ultrassom do colo do útero?

Mimi

É feito por via transvaginal entre 20 e 22 semanas. Se o colo estiver alterado, há risco de parto prematuro, e existem medicamentos e condutas para tentar evitá-lo.

Luke

Tentar evitar, nas palavras dele: o texto não quantifica a eficácia.

Mark

O que há de novo no ultrassom de 36 semanas?

Mimi

Passa a ser obrigatório para todas, e ajuda a equipe de urgência perto do parto.

Mark

E o plano de parto?

Mimi

Registra as escolhas da mulher, com métodos não farmacológicos de alívio da dor ou analgesia, e a escolha é respeitada.

Luke

Ainda não sabemos quantas mulheres usarão o plano, nem como será a adesão nas unidades. Isso só a prática dirá.

  • A pré-eclâmpsia, principal causa de morte materna no Brasil, passa a ser enfrentada com medicações profiláticas para gestantes de risco.
  • Entre 20 e 22 semanas, o ultrassom transvaginal que mede o colo do útero pode revelar risco de parto prematuro antes que ele aconteça.
  • Um ultrassom obrigatório com 36 semanas surge como ferramenta para decisões rápidas nos atendimentos de urgência perto do nascimento.
  • O Meu Plano de Parto abre espaço para escolhas como hidroterapia, massagens e analgesia, e sua aplicação real na rotina das unidades ainda está por ser observada.

Em Santo André, uma cidade que há anos carrega a tarefa de cuidar de quem gera a vida, o poder público decidiu que o pré-natal não deve depender do endereço ou da sorte de cada gestante. Ao lançar um protocolo comum para toda a rede municipal e um documento em que a mulher registra como deseja viver o parto, a cidade procura unir ciência e escuta, prevenindo a pré-eclâmpsia, principal causa de morte materna no Brasil, e tratando o nascimento como experiência que pertence a quem o vive.

No auditório do Hospital da Mulher de Santo André, em 26 de outubro, o secretário de Saúde, Diego Cabral, apresentou dois documentos que mudam a rotina das gestantes da cidade: o Protocolo Pré-natal de Risco Habitual e Puerpério e o Meu Plano de Parto. Construídos em conjunto pela Secretaria, pelo hospital e pela Atenção Básica, valem para toda a rede municipal. Cabral disse que a intenção é reduzir medos e dúvidas, para que a gestante possa pensar apenas em conhecer o filho ou a filha.

O médico Felipe Colbert, responsável técnico do hospital, explicou que o foco está na prevenção da pré-eclâmpsia, hoje a principal causa de morte materna no Brasil, com medicações para quem tem fatores de risco. Os exames passam a seguir um padrão em cada trimestre. Entre 20 e 22 semanas, o ultrassom transvaginal mede o colo do útero, e um resultado alterado sinaliza risco de parto prematuro, que pode ser evitado. Também se torna obrigatório o ultrassom com 36 semanas, útil para avaliar a gestante em urgências próximas ao nascimento.

Na ponta, a enfermeira Magali Motta, da Clínica da Família Capuava, lembrou que a categoria já teve menos espaço e destacou que este protocolo foi construído por muitas mãos, com médicos, enfermeiros, farmácia, gerência e regulação. Já o Meu Plano de Parto permite que a gestante registre suas escolhas. A gerente de Enfermagem Maria Solidade Rodrigues Nantes listou métodos não farmacológicos de alívio da dor, como hidroterapia, bola de pilates, massagens e compressas mornas, lembrando que muitas mulheres passam por todo o trabalho de parto sem medicação. Quando a analgesia é escolhida, também é respeitada.

O Hospital da Mulher, inaugurado em 2008 e gerido pela Fundação do ABC, responde por todos os partos do SUS na cidade, com média de 250 nascimentos por mês. Agora, a pergunta que fica é como o ultrassom de 36 semanas e o registro das escolhas vão se traduzir na prática cotidiana das unidades.

No auditório do Hospital da Mulher de Santo André, em 26 de outubro, o secretário de Saúde, Diego Cabral, abriu o lançamento de dois documentos que mudam a forma como a cidade acompanha suas gestantes: o Protocolo Pré-natal de Risco Habitual e Puerpério na Atenção Primária à Saúde e o Meu Plano de Parto. Os materiais foram construídos em conjunto pela Secretaria de Saúde, pelo Hospital da Mulher Maria José dos Santos Stein e pela Rede de Atenção Básica, e valem para toda a rede municipal.

Cabral contou que, em sua primeira conversa com a equipe do hospital, ouviu falar do plano de parto e da relevância dele para toda a rede. Ao ver a equipe feliz com a implantação, disse considerar o momento muito significativo. Para ele, os dois documentos trazem mais humanização ao atendimento e reúnem informações que devem reduzir preocupações, medos e dúvidas das gestantes, para que a única expectativa seja conhecer logo o filho ou a filha.

Os detalhes técnicos ficaram com o responsável técnico do hospital, Dr. Felipe Colbert. Ele destacou a prevenção da pré-eclâmpsia, hoje a principal causa de morte materna no Brasil. O protocolo prevê medicações profiláticas para gestantes que tenham fator de risco para a doença.

Outra mudança prática é a padronização dos exames de cada trimestre e dos ultrassons ao longo do pré-natal. Entre 20 e 22 semanas, passa a constar o ultrassom transvaginal para medir o colo do útero. Segundo Colbert, se o resultado estiver alterado, há fator de risco para parto prematuro, e existem medicamentos e condutas capazes de evitar esse desfecho. O protocolo também institui o ultrassom obrigatório com 36 semanas para todas as gestantes da cidade, o que, nas palavras do médico, ajuda diretamente a avaliação em atendimentos de urgência perto do nascimento.

Quem atua na ponta reforçou a importância do trabalho. A enfermeira Magali Motta, responsável técnica de Enfermagem da Clínica da Família Capuava – Centro de Saúde Escola, representou os enfermeiros da Atenção Básica e abriu a roda de conversa lembrando uma época em que a categoria tinha menos autonomia. Ela já participou da elaboração de outros protocolos municipais e afirmou que este foi o primeiro feito de fato a muitas mãos, com médicos, enfermeiros, assistência farmacêutica, gerência e equipe de regulação.

O Meu Plano de Parto, por sua vez, permite que a gestante registre suas escolhas para o trabalho de parto e o nascimento. A gerente de Enfermagem do hospital, Maria Solidade Rodrigues Nantes, principal articuladora do documento, listou os métodos não farmacológicos de alívio da dor oferecidos: hidroterapia, balanço pélvico, bola de pilates, massagens e compressas mornas. Segundo ela, muitas mulheres atravessam todas as fases sem recorrer a medicação. Quando a escolha é pela analgesia, ela também é respeitada, e o cuidado inclui detalhes como a dieta durante o trabalho de parto.

Inaugurado em agosto de 2008 pela Prefeitura de Santo André e gerido desde o início pela Fundação do ABC, o Hospital da Mulher fica no Parque Novo Oratório e é um dos maiores centros de referência em saúde da mulher da região. Responde por 100% dos partos do SUS na cidade, com média mensal de 250 partos, 11 mil consultas e atendimentos e 15,5 mil exames e procedimentos.

O que acompanhar daqui em diante é como o ultrassom de 36 semanas e o registro das escolhas da gestante serão aplicados na rotina das unidades da rede.

Que a única preocupação delas seja ver logo o rostinho do filho ou da filha.
— Diego Cabral, secretário de Saúde de Santo André
Foi um trabalho multidisciplinar, com uma equipe ampla.
— Magali Motta, enfermeira da Clínica da Família Capuava
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