Sánchez convoca eleições antecipadas na Espanha em meio à crise habitacional

Mulher de 87 anos foi expulsa de sua casa em Madri após aumento desproporcionado do aluguel, deixando-a sem moradia adequada.
Seu aluguel saltou de 500 para 2.650 euros mensais
O caso de uma idosa em Madri que perdeu sua casa ilustra a escala da crise habitacional que levou Sánchez a convocar eleições antecipadas.
Mark

Por que Sánchez decidiu antecipar as eleições agora, em vez de esperar pelo calendário original?

Mimi

Ele perdeu a votação sobre o pacote habitacional — duas derrotas consecutivas no Congresso. Sem conseguir aprovar suas medidas principais e com protestos crescendo nas ruas, a posição dele ficou insustentável. Antecipar a eleição é uma aposta: mobilizar o eleitorado progressista antes que a direita ganhe mais terreno.

Luke

Mas isso é uma estratégia arriscada. As pesquisas já mostram o Partido Popular à frente. Por que ele acreditaria que uma eleição agora seria melhor para ele do que esperar?

Mimi

Talvez porque a situação só pioraria. A crise habitacional não vai desaparecer, e cada mês sem ação alimenta mais protestos. Além disso, ele pode estar tentando enquadrar a eleição como um voto sobre valores — democracia, feminismo, paz — em vez de apenas sobre habitação.

Mark

E se o Partido Popular vencer? Eles conseguem governar sozinhos?

Luke

Aí está o ponto crítico que o texto deixa claro: provavelmente não. Eles precisariam do Vox, um partido de extrema-direita. Isso muda completamente o cenário político.

Mimi

Exatamente. Sánchez está apostando que os eleitores progressistas preferem uma coalizão de esquerda instável a um governo que dependa da extrema-direita. É um apelo ao medo tanto quanto ao esperança.

Mark

E a mulher de 87 anos que foi expulsa? Ela representa um problema real que nenhuma eleição resolve rapidamente.

Luke

Verdade. A eleição é sobre quem vai tentar resolver o problema, mas não resolve nada imediatamente. Enquanto isso, pessoas continuam sendo despejadas.

  • Eleições marcadas para 29 de novembro de 2026, adiantadas de 2027
  • Pacote habitacional rejeitado por 178-172 e 184-166 votos no Congresso
  • Mulher de 87 anos expulsa após aluguel saltar de 500 para 2.650 euros mensais
  • Cerca de 50 marchas realizadas simultaneamente em cidades espanholas
  • Partido Popular favorito nas pesquisas, mas precisaria de apoio do Vox para governar

Governo espanhol não conseguiu aprovar pacote emergencial contra alta dos aluguéis, levando Sánchez a antecipar votação prevista para 2027. Crise habitacional intensificou-se com caso de idosa de 87 anos expulsa após aluguel saltar de 500 para 2.650 euros mensais, gerando 50 marchas em cidades espanholas.

Pedro Sánchez convocou eleições para 29 de novembro após fracasso na aprovação de medidas para conter custos de habitação, tema que provoca protestos generalizados na Espanha.

Pedro Sánchez marcou as eleições gerais espanholas para 29 de novembro, adiantando em vários meses um pleito que estava agendado para 2027. A decisão veio após o fracasso de seu governo em aprovar um pacote emergencial no Congresso destinado a frear a escalada dos aluguéis e proteger inquilinos — uma questão que vinha gerando mobilizações em diferentes pontos do país.

O gatilho imediato foi a rejeição de dois decretos legislativos. O primeiro caiu por 178 votos contra 172; o segundo, por 184 contra 166. Ambos continham medidas que o governo considerava cruciais: suspensão de expulsões de inquilinos vulneráveis até 2030, prorrogação automática de contratos de aluguel, aumento de impostos sobre imóveis de aluguel turístico e restrições à compra de residências por grandes fundos de investimento.

A crise habitacional ganhou visibilidade dramática com o caso de uma mulher de 87 anos em Madri. Seu aluguel saltou de 500 euros mensais para 2.650 euros — um aumento que a deixaria pagando mais do que sua aposentadoria inteira. Mesmo após redução para 1.650 euros, o valor permanecia 300 euros acima de sua renda mensal. Ela foi expulsa de casa. O episódio ajudou a catalisar protestos: no sábado anterior ao anúncio, cerca de 50 marchas ocorreram simultaneamente em Madri, Barcelona, Valência e outras cidades, todas focadas na questão da moradia e dos direitos dos inquilinos.

Sánchez comanda uma coalizão minoritária desde junho de 2018, dependendo do apoio de partidos nacionalistas catalães e bascos para manter a maioria no Congresso. Sua estratégia agora é transformar a eleição em um referendo sobre o futuro do país, tentando mobilizar o eleitorado progressista diante do avanço da direita. Em seus pronunciamentos, alertou para o crescimento da extrema-direita em toda a Europa e defendeu a permanência da Espanha vinculada a valores como paz, feminismo e prosperidade.

As pesquisas apontam o Partido Popular, de direita, como favorito para conquistar o maior número de cadeiras, deixando o Partido Socialista Operário Espanhol de Sánchez em segundo lugar. Mas uma vitória conservadora não seria automática: o Partido Popular provavelmente precisaria do apoio do Vox, partido de direita radical, para alcançar maioria parlamentar. Em 2023, quando o Partido Popular terminou à frente dos socialistas, não conseguiu reunir apoio suficiente para governar, e Sánchez articulou uma coalizão que o manteve no poder.

Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular, comemorou a convocação de eleições, publicando nas redes sociais a palavra "por fin" — finalmente — e apresentando o pleito como uma oportunidade para os espanhóis escolherem entre a continuidade de Sánchez e uma mudança de governo. Sánchez permanece como um dos poucos líderes de esquerda ainda no poder na União Europeia em um momento de avanço eleitoral conservador. Na política externa, mantém posição crítica em relação a Israel, apoio aos palestinos e tem entrado em atritos com o presidente americano Donald Trump sobre gastos de defesa e política em relação ao governo de Nicolás Maduro.

Sánchez alertou para o crescimento da extrema-direita em outros países e defendeu a permanência da Espanha associada a valores como paz, feminismo e prosperidade
— Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha
Alberto Núñez Feijóo apresentou a eleição como uma oportunidade para os espanhóis escolherem entre a continuidade de Sánchez e uma mudança de governo
— Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular
Quer a matéria completa? Leia o original em O GLOBO ↗
Fale Conosco FAQ