Sánchez reconheceu erros do governo e convocou eleições gerais antecipadas para 29 de novembro após derrota legislativa na sexta-feira sobre medidas habitacionais. Protestos em massa em toda a Espanha exigem aluguéis mais baixos, fim de despejos e proibição de compra de imóveis por fundos de investimento, com a crise afetando uma em cada quatro famílias.
Sánchez convoca eleições antecipadas na Espanha após fracasso em crise de moradia
Chegou o momento para que os espanhóis decidam qual futuro querem
Por que Sánchez decidiu convocar eleições agora, especificamente? Parecia que ele tinha tempo até o final do mandato.
Porque perdeu uma votação crucial na sexta-feira. Seu plano de emergência para a crise de moradia foi rejeitado pelo Congresso. Ele não tinha os votos.
Mas espera — ele tinha um governo de coalizão. Por que não conseguiu os votos de seus próprios parceiros?
Porque o governo é minoritário. Dependia de apoio de partidos nacionalistas menores. O Junts per Catalunya, que é independentista, anunciou oposição antes da votação.
E o que exatamente estava nesse plano que foi rejeitado?
Dois decretos. Um suspendia despejos até 2030, prorrogava contratos de aluguel, aumentava impostos sobre apartamentos de turismo e restringia compra de imóveis por fundos de investimento. O outro estabelecia renovação automática de contratos.
Números da votação?
Primeiro decreto: 178 contra 172. Segundo: 184 contra 166. Muito apertado.
E o que desencadeou tudo isso? Por que a crise de moradia virou uma questão tão urgente agora?
O despejo de Maricarmen Abascal, uma mulher de 87 anos que morou no mesmo apartamento por sete décadas. Não conseguiu pagar o aumento de aluguel. Os paramédicos a retiraram de maca. As imagens comoveram o país.
Ela continua despejada?
Não. Chegou a um acordo com o proprietário e voltou para casa. Mas o dano político já estava feito. Protestos em todo o país.
Qual é a escala real do problema?
Uma em cada quatro famílias espanholas enfrenta dificuldades para conseguir ou manter moradia. O déficit é de cerca de 750 mil unidades. Os preços não param de subir.
E qual é a chance de Sánchez vencer essas eleições?
Incerta. Seus ministros dizem que voltarão a ganhar. Mas Santiago Abascal do Vox lembrou que as pesquisas erraram em 2023.
Então ninguém sabe o que vai acontecer?
Exato. O resultado permanece aberto. Tudo depende de como os eleitores respondem à crise de moradia e ao fracasso legislativo.
Il Polso
- Eleições antecipadas marcadas para 29 de novembro de 2026
- Plano de emergência para moradia rejeitado pelo Congresso na sexta-feira, 2 de outubro
- Uma em cada quatro famílias espanholas enfrenta dificuldades habitacionais
- Despejo de Maricarmen Abascal, 87 anos, desencadeou protestos nacionais
- Déficit habitacional estimado em cerca de 750 mil unidades
Sánchez reconheceu erros do governo e convocou eleições gerais antecipadas para 29 de novembro após derrota legislativa na sexta-feira sobre medidas habitacionais. Protestos em massa em toda a Espanha exigem aluguéis mais baixos, fim de despejos e proibição de compra de imóveis por fundos de investimento, com a crise afetando uma em cada quatro famílias.
O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez anunciou eleições antecipadas para 29 de novembro após seu plano de emergência para enfrentar a crise de moradia ser rejeitado pelo Parlamento, desencadeado pelos protestos contra o despejo da idosa Maricarmen Abascal.
Pedro Sánchez entrou no palácio de La Moncloa na segunda-feira, 5 de outubro, e anunciou que a Espanha iria às urnas no dia 29 de novembro. O primeiro-ministro reconheceu, em audiência pública, que seu governo havia cometido erros e não conseguiu cumprir tudo aquilo a que se havia proposto. Mas a decisão de convocar eleições antecipadas não veio de uma reflexão tranquila sobre o futuro político. Veio de uma derrota legislativa brutal na sexta-feira anterior, quando o Congresso rejeitou seu plano de emergência para enfrentar a crise de moradia que sufoca o país.
O catalisador foi o despejo de Maricarmen Abascal, uma mulher de 87 anos que morou no mesmo apartamento alugado no centro de Madri durante sete décadas. Quando o proprietário aumentou seu aluguel, ela não conseguiu acompanhar. Os paramédicos a retiraram de maca do imóvel, e as imagens circularam pelo país. O que começou como um caso individual virou um acampamento na Porta do Sol, no coração de Madri, instalado no dia 26 de setembro. Milhares de pessoas saíram às ruas em todo o território espanhol exigindo aluguéis mais baixos, fim dos despejos e proibição da compra de imóveis por fundos de investimento — aquilo que muitos chamam de "fundos abutres". Abascal, felizmente, chegou a um acordo com a empresa proprietária e pôde voltar para casa. Mas o estrago político já estava feito.
O governo de coalizão de esquerda liderado por Sánchez apresentou dois decretos para tentar conter a crise. O primeiro suspendia despejos de inquilinos vulneráveis até 2030, prorrogava contratos de aluguel por dois anos, aumentava impostos sobre apartamentos de turismo e restringia a compra de imóveis residenciais por fundos de investimento. O segundo estabelecia a renovação automática dos contratos de aluguel, uma demanda central do Sindicato dos Inquilinos da Espanha e de setores da esquerda. Na votação de sexta-feira, o primeiro decreto foi rejeitado por 178 votos a 172. O segundo, por 184 a 166. O governo minoritário dependia do apoio de partidos nacionalistas menores da Catalunha e do País Basco, mas o partido independentista Junts per Catalunya anunciou sua oposição antes da votação, selando o fracasso.
A crise de moradia não é um problema abstrato na Espanha. Segundo um relatório da Fundação Foessa de 2024, uma em cada quatro famílias espanholas enfrenta dificuldades para conseguir ou manter sua moradia. O déficit habitacional atinge cerca de 750 mil unidades. Os preços não param de subir, enquanto a construção de novas residências permanece muito baixa — resultado da escassez de solo nas grandes cidades, aumento dos custos de materiais e falta de mão de obra no setor. Existem milhares de casas vazias espalhadas pelo país, mas a maioria fica longe dos centros urbanos, onde a necessidade é maior.
A reação política foi imediata. Alberto Núñez Feijóo, presidente do Partido Popular de centro-direita, comemorou a antecipação das eleições, declarando que "finalmente, os espanhóis irão decidir". Santiago Abascal, líder do Vox de direita radical, também expressou aprovação, mas com cautela — lembrou que as pesquisas erraram em 2023, quando seu partido e o PP lideravam, mas Sánchez conseguiu formar um governo de coalizão. Dentro do próprio governo, a reação foi de otimismo combativo. Yolanda Díaz, segunda vice-presidente e ministra do Trabalho, escreveu que voltariam a ganhar "com mais força", para enfrentar os aluguéis e reduzir a jornada de trabalho. A ministra da Saúde, Mónica García, convocou o povo a defender "o direito à moradia frente aos especuladores". O ministro da Justiça, Félix Bolaños, previu que no dia 29 de novembro o PSOE seria a primeira força, porque os eleitores votariam "naqueles que os defendem".
Nas ruas de Madri, as reações foram mistas. Manuela Feria disse que as eleições já faziam falta e que era preciso "tirá-lo já". Ramón Díaz lamentou que o governo tivesse dado "pouco futuro aos jovens" e desejava que entrasse "um governo realmente de esquerda". Florencio Díaz viu a convocação das eleições como uma vitória das ruas: "Até a semana passada, não imaginávamos que isso fosse ocorrer". Mas Sandra mantinha a incerteza: tinha medo do que viria, embora reconhecesse que "com o governo que temos, as coisas não avançam".
Sánchez, em seu discurso, tentou equilibrar a derrota com realizações. Afirmou que a Espanha havia se tornado a economia que mais cresce e mais cria empregos na União Europeia, que os níveis de desigualdade e pobreza caíram ao mínimo, e que o país se transformou em "referência mundial de paz, feminismo e prosperidade". Mas também reconheceu que "ainda restam muitas injustiças a serem corrigidas, muitas metas sociais a conquistar e muitos problemas a resolver, sobretudo no campo da desigualdade, dos serviços públicos e do acesso à moradia". Depois, passou a palavra aos eleitores: "Chegou o momento para que os espanhóis e espanholas decidam qual futuro querem para si próprios e para o país. Agora, depende de vocês". O resultado permanece incerto. As pesquisas apontam para um cenário fragmentado, e ninguém sabe ainda quem formará o próximo governo.
Citazioni salienti
Sei que nós mesmos cometemos erros e não conseguimos fazer tudo a que nos havíamos proposto— Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha
Foi uma grande vitória da luta nas ruas. Até a semana passada, não imaginávamos que isso fosse ocorrer— Florencio Díaz, manifestante em Madri