Enquanto a guerra na Ucrânia se prolonga pelo quarto ano, a Rússia revela a dimensão financeira de seu compromisso bélico: um orçamento de defesa histórico de mais de 202 bilhões de dólares para 2027, crescimento de 27% sobre o planejado. O esforço exige sacrifícios visíveis — novos impostos, endividamento crescente e um déficit que dobrou em um ano — sinalizando que Moscou aposta na guerra longa mesmo à custa da estabilidade fiscal.
Rússia planeja aumentar gastos militares em 27% para 2027, revelam documentos
O maior investimento militar desde que a guerra começou
Esses números são realmente tão altos assim? 202 bilhões de dólares em um único ano parece quase impossível para uma economia do tamanho da Rússia.
É realmente extraordinário. Para colocar em perspectiva, esse valor representa mais de 20% do PIB russo. É uma mobilização de recursos que só é comparável aos períodos de guerra total.
Mas precisamos ser cuidadosos aqui. Os documentos dizem que o valor real de 2026 é confidencial. Não sabemos se os números anteriores já incluíam gastos militares escondidos em outras rubricas. A Reuters analisou os documentos, mas não sabemos exatamente como foram obtidos ou se há contexto que falta.
E quanto ao financiamento? Como a Rússia está pagando por tudo isso?
Através de uma combinação de novos impostos, aumento da dívida e depleção de fundos de riqueza soberana. Mas o mais preocupante é que a dívida pública está ultrapassando o que eles próprios consideram seguro.
Verdade, mas "seguro" é um conceito relativo. Países em guerra frequentemente operam com dívida acima dos níveis normais. O que realmente importa é se conseguem sustentar isso — e os documentos não nos dizem se a economia está encolhendo ou crescendo.
Então estamos vendo sinais de que o esforço de guerra está ficando insustentável?
Os sinais estão lá: redução nas receitas de petróleo e gás, aumento do endividamento, novos impostos. Mas "insustentável" é uma palavra forte. A Rússia pode manter isso por um tempo, especialmente se conseguir controlar a inflação.
E há outra coisa: não sabemos quanto desse orçamento é realmente novo gasto militar versus realocação de recursos que já estavam sendo gastos. Os documentos revelam intenções, não necessariamente mudanças reais no poder de fogo.
O Pulso
- O orçamento militar russo para 2027 atingirá o maior patamar desde o início da invasão da Ucrânia, com 17,1 trilhões de rublos — mais de 202 bilhões de dólares.
- O déficit orçamentário de 2026 dobrou na revisão oficial, saltando de 1,6% para 3,2% do PIB, pressionando as finanças públicas ao limite.
- Para cobrir o rombo, Moscou recorre a novos impostos sobre lucros extraordinários, aumento de 26% no endividamento líquido e uso do Fundo Nacional de Riqueza.
- A dívida pública deve ultrapassar 21,7% do PIB em 2027, cruzando o limiar de 20% que as próprias autoridades russas consideram seguro.
- As receitas de petróleo e gás foram revisadas para baixo em mais de 1 trilhão de rublos, expondo a vulnerabilidade da economia russa a sanções e à demanda global.
Enquanto a guerra na Ucrânia se prolonga pelo quarto ano, a Rússia revela a dimensão financeira de seu compromisso bélico: um orçamento de defesa histórico de mais de 202 bilhões de dólares para 2027, crescimento de 27% sobre o planejado. O esforço exige sacrifícios visíveis — novos impostos, endividamento crescente e um déficit que dobrou em um ano — sinalizando que Moscou aposta na guerra longa mesmo à custa da estabilidade fiscal.
Documentos governamentais analisados pela Reuters revelam que a Rússia planeja gastar 17,1 trilhões de rublos em defesa em 2027 — mais de 202 bilhões de dólares —, um salto de 27% sobre o orçamento originalmente previsto e o maior investimento militar desde a invasão da Ucrânia em 2022. Somados os três próximos anos, os gastos em defesa chegarão a 50 trilhões de rublos, embora parte dos valores permaneça confidencial e possa estar diluída em outras rubricas orçamentárias.
A escalada tem custo interno evidente. O déficit estimado para 2026 foi revisado de 1,6% para 3,2% do PIB, enquanto os gastos totais crescem 13,2%, chegando a 48,6 trilhões de rublos. Para financiar esse desequilíbrio, o governo anunciou novos tributos sobre lucros extraordinários de empresas de metais e mineração, ampliou em 26% seu plano de endividamento líquido e destinará cerca de 459 bilhões de rublos do Fundo Nacional de Riqueza para conter o rombo.
Ao mesmo tempo, as receitas de petróleo e gás — base histórica da economia russa — foram reduzidas em mais de 1 trilhão de rublos para 2026, refletindo o impacto de sanções e incertezas na demanda global. A dívida pública, que deve saltar de 19,9% para 21,7% do PIB entre 2026 e 2027, cruzará o limite de 20% que as próprias autoridades russas consideram seguro. O projeto de orçamento será apresentado ao Parlamento até 1º de outubro, momento em que o tamanho real do compromisso de Moscou com a guerra se tornará formalmente público.
Documentos do governo russo analisados pela Reuters revelam um salto extraordinário nos gastos militares planejados para 2027: 17,1 trilhões de rublos, o equivalente a mais de 202 bilhões de dólares. O número representa um aumento de 27% em relação ao orçamento de defesa originalmente previsto de 13,5 trilhões de rublos, e marca o patamar mais elevado de investimento militar desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022.
Este é apenas um dos números que revelam a escala do esforço de guerra russo. Nos próximos três anos, o país planeja desembolsar um total de 50 trilhões de rublos em defesa. Para 2026, o governo havia planejado gastar 12,1 trilhões de rublos, embora o valor real permaneça confidencial e não será divulgado publicamente. Parte significativa dos gastos militares também pode estar contabilizada em outras rubricas do orçamento, tornando o quadro completo ainda mais opaco.
O custo dessa escalada militar está forçando Moscou a fazer escolhas orçamentárias difíceis. O déficit orçamentário estimado para 2026 foi revisado para cima, de 1,6% do Produto Interno Bruto para 3,2% — uma duplicação que reflete a pressão crescente sobre as finanças públicas. Os gastos orçamentários totais em 2026 aumentarão 13,2%, chegando a 48,6 trilhões de rublos, o que representa 20,9% do PIB.
Para cobrir esse rombo, o governo russo está recorrendo a múltiplas estratégias. Na semana anterior à análise dos documentos, anunciou planos para novos aumentos de impostos em 2027, incluindo um novo tributo sobre lucros extraordinários para empresas de metais e mineração que deverá arrecadar cerca de 200 bilhões de rublos anualmente. Além disso, aumentará seu plano de endividamento líquido em 26%, para 5 trilhões de rublos. O governo também gastará 459 bilhões de rublos — aproximadamente 11% da parte líquida de seu Fundo Nacional de Riqueza — para tentar reduzir o déficit.
As receitas de petróleo e gás, historicamente a base da economia russa, também foram revisadas para baixo. O governo reduziu a estimativa de arrecadação desses setores para 2026 de 8,9 trilhões de rublos para 7,6 trilhões de rublos, sinalizando preocupações com a demanda global ou com sanções internacionais que afetam as exportações.
O quadro que emerge é o de uma economia sob pressão crescente. A dívida pública deve subir de 19,9% do PIB em 2026 para 21,7% do PIB em 2027, ultrapassando o nível de 20% que as autoridades russas consideram seguro. O endividamento total em 2027 aumentará 43%, atingindo 7,7 trilhões de rublos. O governo planeja apresentar o projeto de orçamento ao Parlamento até 1º de outubro, momento em que esses números se tornarão oficiais e o tamanho real do compromisso militar russo com a guerra será formalmente reconhecido.
Citações Notáveis
O governo planeja novos aumentos de impostos em 2027, incluindo um tributo sobre lucros extraordinários para empresas de metais e mineração que deverá arrecadar cerca de 200 bilhões de rublos anualmente— Documentos governamentais russos analisados pela Reuters