Rússia planeia usar drones Gerbera lançados de navios da frota fantasma no Mediterrâneo para escalar guerra híbrida contra Europa. Alvos principais são França, Espanha e Itália, países com eleições relevantes em 2027 e defesas aéreas mais frágeis que os Bálticos.
Rússia planeia ataques com drones no Mediterrâneo; Portugal é alvo "plausível"
É realista e executável. Não é nada difícil de executar.
Porque é que a Rússia escolheria atacar o sul da Europa em vez de continuar a focar-se nos Bálticos e na Polónia, onde já tem tido mais sucesso?
A análise aponta para uma combinação de fatores. Politicamente, há eleições importantes em 2027 que poderiam alterar o alinhamento europeu. Mas também há uma questão de defesa — o sul tem menos capacidades de proteção aérea.
Mas o Tenente-General Serronha questiona essa lógica. Diz que em Itália a direita conservadora de Meloni está firmemente pró-Kiev, e em Espanha a situação também não é tão clara. Portanto, a análise política pode estar a simplificar demasiado.
E quanto a Portugal especificamente? Por que razão seria alvo?
Está na rota de passagem dos navios russos, tem infraestruturas que apoiam a Ucrânia, e os drones já estariam nos navios. Tecnicamente, é executável.
Mas os dois especialistas deixam claro que isto é teórico. A decisão depende do que o Kremlin acha que vale a pena. Um ataque a Portugal pode ser apenas uma ameaça para espalhar medo.
Como é que a Europa está a responder?
Macron está a ser o mais agressivo. Reuniu os partidos políticos, ordenou um plano de proteção de infraestruturas críticas, e prometeu que qualquer ataque terá resposta.
Mas a questão é se isto é suficiente. Os especialistas sublinham que a inação europeia anterior pode ter encorajado a Rússia. Portanto, a resposta agora precisa de ser credível e rápida.
E os drones Gerbera — são realmente uma ameaça significativa?
São menores que os Shahed, mas têm 600 quilómetros de autonomia e podem transportar cinco quilos de explosivos. Não são tão destrutivos, mas são armas de saturação — servem para sobrecarregar os sistemas de defesa.
O que é importante notar é que isto seria a primeira vez que os Gerbera seriam usados tão longe da linha da frente. Um foi recuperado na Moldávia, mas nunca foram operados a esta escala e distância.
O Pulso
- Drones Gerbera: 18 quilos, 2,5 metros de envergadura, 600 quilómetros de autonomia, até 5 quilos de explosivos
- Lançamento planeado a partir de navios da frota fantasma russa no Mar Mediterrâneo
- Alvos principais: França, Espanha e Itália; Portugal considerado alvo plausível
- Alerta da CIA circula desde final de agosto; revelado publicamente em 24 de setembro
- Eleições relevantes em 2027 em França (presidenciais) e Espanha e Itália (legislativas)
Rússia planeia usar drones Gerbera lançados de navios da frota fantasma no Mediterrâneo para escalar guerra híbrida contra Europa. Alvos principais são França, Espanha e Itália, países com eleições relevantes em 2027 e defesas aéreas mais frágeis que os Bálticos.
A CIA alerta para plano russo de lançar drones do Mar Mediterrâneo contra países europeus, visando França, Espanha e Itália. Portugal é considerado alvo plausível pela sua localização estratégica.
A CIA divulgou um alerta que circula entre as capitais europeias desde o final de agosto: a Rússia está a planear uma nova escalada na sua guerra híbrida contra a Europa, desta vez com recurso a drones lançados do Mar Mediterrâneo. O aviso, revelado esta semana pelo jornal espanhol El Mundo, aponta para um plano que difere significativamente dos incidentes anteriores — ciberataques, incêndios, sabotagens — que têm afetado principalmente os países do Leste europeu. Desta vez, os alvos serão o flanco sul: França, Espanha e Itália.
O mecanismo proposto é relativamente simples, segundo as fontes consultadas. Drones do modelo Gerbera, de fabrico russo, seriam transportados em contentores a bordo de navios da frota fantasma russa que circulam no Mediterrâneo entre o Estreito de Gibraltar e o canal do Suez. Estes drones, com cerca de dois metros de comprimento e dois metros e meio de envergadura, pesam 18 quilos e podem transportar até cinco quilos de explosivos, com uma autonomia de voo de 600 quilómetros. O custo de produção de cada unidade ronda os dez mil euros. Embora menores e menos potentes do que os drones Shahed de fabrico iraniano utilizados diariamente contra cidades ucranianas, os Gerbera representam uma escalada significativa em termos de alcance geográfico e sofisticação operacional.
O alerta terá origem num relatório da CIA que começou a circular nas capitais europeias após a visita do diretor dos serviços de informações norte-americanos, John Ratcliffe, a Moscovo em 25 de agosto. A informação foi considerada "consideravelmente credível" pelos analistas europeus, particularmente em Paris, pela precisão com que descrevia o potencial ataque ao sul. O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, havia já alertado o Parlamento para a existência de planos russos semelhantes, enquanto o jornal britânico The Guardian noticiava que a execução poderia ocorrer em "meses, não anos".
Os especialistas militares consultados apontam razões estratégicas para a escolha destes três países. Keir Giles, analista britânico especializado em estratégia militar russa, identifica a vulnerabilidade política: França, Espanha e Itália enfrentarão eleições relevantes em 2027 — presidenciais em França e legislativas em Espanha e Itália. Uma vitória da extrema-direita em França, por exemplo, poderia alterar significativamente a política externa do país em relação à Ucrânia. Além da dimensão política, existe também uma fragilidade defensiva. Ao contrário dos países do Leste europeu, que investiram significativamente em sistemas de defesa aérea, o flanco sul europeu carece de capacidades baratas e eficientes para abater drones de pequeno porte, obrigando a respostas com armamento mais custoso.
Mas Portugal também está na equação. A frota fantasma russa passa necessariamente ao largo da costa portuguesa no trajeto até ao Mediterrâneo, e as infraestruturas necessárias para lançar os ataques já se encontram nos navios. O Coronel José Carmo, especialista militar ouvido pelo Observador, afirma que a possibilidade de um ataque contra Portugal é "plausível", "realista e executável". O Tenente-General Marco Serronha acrescenta que Portugal possui infraestruturas e capacidades de produção que têm prestado apoio à Ucrânia, o que se enquadraria na narrativa russa de atacar entidades ligadas ao esforço de guerra ucraniano. Ambos os especialistas sublinham, porém, que se trata de uma análise puramente teórica, e que a decisão final dependerá do cálculo estratégico do Kremlin sobre se uma possível resposta europeia justifica uma ação de menor dimensão do outro lado do continente.
A resposta europeia está a tomar forma. Emmanuel Macron reuniu líderes dos vários partidos políticos franceses para um briefing confidencial dos serviços de informações, e ordenou a criação de um "plano para a proteção das infraestruturas críticas". O objetivo é claro: dissuadir Moscovo antes de a decisão ser tomada, demonstrando que qualquer ataque terá um preço elevado. "Isto não vai ficar sem resposta", assegurou o Presidente francês. A União Europeia, por seu lado, intensifica os seus esforços coordenados contra a guerra híbrida russa. A questão que permanece é se estas medidas serão suficientes para impedir uma escalada que, até agora, tem avançado praticamente sem obstáculos.
Citações Notáveis
A intenção por detrás destes ataques é intimidar-nos e minar o nosso esforço de apoio à Ucrânia. A consequência será o oposto.— Emmanuel Macron, Presidente francês
Nós temos infraestruturas e capacidades de produção em território nacional que têm prestado apoio à Ucrânia. Portanto, um ataque contra Portugal entra dentro da lógica da narrativa russa.— Tenente-General Marco Serronha