Rússia acusa EUA de não cumprir acordos firmados entre Trump e Putin

Uma manobra dos EUA para ganhar tempo e rearmar Kiev
Interpretação do Kremlin sobre o verdadeiro propósito da cúpula no Alasca entre Trump e Putin.

Quando líderes se encontram em cúpulas históricas, o silêncio sobre o que foi dito pode ser tão consequente quanto as palavras proferidas. Moscou interpreta o encontro de Trump e Putin no Alasca como um pacto traído, enquanto Washington jamais confirmou ter feito promessas — e a guerra na Ucrânia segue seu curso, indiferente às narrativas em disputa. O que resta é a geometria clássica da desconfiança entre grandes potências: cada lado convicto de sua própria versão da verdade, e nenhum disposto a ceder o terreno da memória.

  • O Kremlin afirma que apenas a Rússia honrou os entendimentos da cúpula do Alasca, enquanto os EUA teriam abandonado silenciosamente os compromissos assumidos.
  • Um mês após o encontro, Trump sugeriu que a Ucrânia poderia recuperar todo o território ocupado — uma declaração que Moscou viveu como uma traição direta ao 'espírito de Anchorage'.
  • Assessores russos de alto escalão, de Ushakov a Lavrov e Ryabkov, escalaram as acusações publicamente, sugerindo que a cúpula foi uma manobra americana para ganhar tempo e rearmar Kiev.
  • Apesar das acusações, Ryabkov sinalizou que o diálogo com Washington deve continuar — revelando que Moscou ainda não fechou a porta, mesmo denunciando a má-fé americana.
  • A aproximação dos EUA com as posições antirrussas do Reino Unido e da França, após o G7, é lida por Moscou como confirmação definitiva de que a cúpula foi uma armadilha diplomática.

Em agosto do ano passado, Trump e Putin se encontraram no Alasca em uma cúpula que o Kremlin interpretou como sinal de que Washington estava disposto a aceitar as demandas russas sobre a Ucrânia. Para Moscou, o entendimento era claro: a Rússia esperava que Trump pressionasse Kiev a ceder o Donbas em troca do congelamento das linhas de batalha. Analistas passaram a chamar esse entendimento de 'espírito de Anchorage'.

O que exatamente foi acordado, porém, nunca foi esclarecido publicamente pelos EUA. E apenas um mês após a cúpula, Trump sugeriu que a Ucrânia poderia recuperar todo o território tomado pela Rússia — uma reviravolta que Moscou recebeu com decepção imediata.

No domingo, o assessor do Kremlin Yuri Ushakov foi o primeiro a formalizar a reclamação: disse que apenas um lado havia cumprido os acordos. O chanceler Lavrov foi mais direto, sugerindo que a cúpula pode ter sido simplesmente uma manobra americana para ganhar tempo e rearmar o governo ucraniano. Seu vice, Ryabkov, acusou os EUA de se afastarem dos entendimentos fundamentais — mas, ao mesmo tempo, sinalizou que o diálogo deveria continuar.

O que emerge é um quadro de desconfiança profunda: Moscou acredita ter sido enganada, Washington nunca confirmou promessas específicas, e a guerra segue. O encontro no Alasca, que poderia ter sido um ponto de virada, transformou-se em mais um episódio de acusações cruzadas — e de versões irreconciliáveis sobre o que realmente foi dito.

Em agosto do ano passado, Donald Trump e Vladimir Putin se encontraram no Alasca em uma cúpula que o Kremlin interpretou como um sinal de que os Estados Unidos estavam dispostos a aceitar suas demandas sobre a Ucrânia. Desde então, autoridades russas de alto escalão vêm acusando Washington de não honrar o que chamam de acordos firmados naquele encontro.

O que exatamente foi acordado permanece nebuloso. Os EUA nunca esclareceram publicamente o conteúdo das conversas, e líderes aliados ocidentais permanecem céticos quanto ao que Trump teria conquistado ao receber Putin com pompa diplomática. Mas para Moscou, o significado era claro: a Rússia esperava que Trump pressionasse a Ucrânia a ceder toda a região de Donbas em troca de um congelamento das linhas de batalha em outras áreas. Analistas passaram a chamar isso de "espírito de Anchorage", uma forma abreviada de descrever o que a Rússia acreditava ser a posição favorável de Trump.

O Kremlin havia expressado gratidão repetida pelos esforços de Trump em tentar encerrar a guerra — esforços que frequentemente incluíam críticas a Zelensky por supostamente não estar disposto a negociar. Mas apenas um mês após a cúpula do Alasca, Trump fez uma reviravolta característica. Sugeriu que a Ucrânia poderia, na verdade, recuperar todo o território que a Rússia havia tomado. Moscou expressou sua decepção imediatamente.

No domingo, Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, foi o primeiro a formalizar a reclamação em declarações de alto nível. Disse que apenas um dos lados havia se mantido fiel aos acordos, enquanto o outro lado aparentemente não havia sido capaz de cumprir sua parte. O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, foi mais direto: sugeriu que a cúpula pode ter sido simplesmente uma manobra dos EUA para ganhar tempo e rearmar o governo ucraniano.

Sergei Ryabkov, vice de Lavrov, acusou os EUA de se afastarem dos entendimentos fundamentais alcançados no Alasca. Mas mesmo ao fazer essa acusação, Ryabkov sinalizou que o diálogo com Washington deveria continuar. Ele também apontou para o que via como uma convergência preocupante: os EUA estariam se aproximando das políticas antirrussas mais radicais adotadas pelo Reino Unido e pela França, especialmente após a cúpula do G7 realizada na semana anterior na França.

O que emerge dessa série de declarações é um quadro de desconfiança mútua. Moscou acredita ter sido enganada. Washington nunca confirmou ter feito promessas específicas. E enquanto isso, a guerra na Ucrânia continua, com a Rússia prosseguindo com seus ataques. O encontro no Alasca, que poderia ter sido um ponto de virada nas negociações, transformou-se em mais um episódio de acusações cruzadas e interpretações conflitantes sobre o que realmente foi dito.

Apenas um dos lados havia se mantido fiel aos acordos, enquanto o outro lado aparentemente não foi totalmente capaz de cumprir sua parte
— Yuri Ushakov, assessor do Kremlin
A cúpula pode ter sido uma manobra dos EUA para ganhar tempo e rearmar o regime de Kiev
— Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores russo
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

O que exatamente Trump e Putin acordaram naquele encontro no Alasca?

Model

Ninguém sabe ao certo. Os EUA nunca divulgaram os detalhes. Mas a Rússia acredita que Trump concordou em pressionar a Ucrânia a ceder Donbas.

Inventor

E Trump mudou de ideia?

Model

Aparentemente. Um mês depois, ele sugeriu que a Ucrânia poderia recuperar todo o território. Para Moscou, foi uma traição.

Inventor

Por que o Kremlin está falando sobre isso agora?

Model

Porque quer deixar claro que cumpriu sua parte e que foram os americanos que recuaram. É uma questão de narrativa diplomática.

Inventor

Mas a guerra continua, certo?

Model

Sim. A Rússia segue atacando. Essas acusações não mudaram nada no terreno.

Inventor

O que Ryabkov quis dizer ao mencionar Reino Unido e França?

Model

Que os EUA estão se alinhando com as posições mais duras da Europa contra a Rússia. Para Moscou, é prova de que a cúpula foi apenas um jogo para ganhar tempo.

Inventor

Isso significa que as negociações terminaram?

Model

Não oficialmente. Ryabkov disse que o diálogo deve continuar. Mas a confiança desapareceu.

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