Quando uma guerra se prolonga além das suas próprias promessas, o Estado volta-se inevitavelmente para os seus cidadãos e para quem ainda opera dentro das suas fronteiras. A Rússia, ao apresentar o orçamento para 2027, abandonou a ficção de uma economia saudável e anunciou aumentos fiscais abrangentes — sobre empresas ocidentais, produtores de recursos naturais e os próprios cidadãos russos — para sustentar um conflito que se aproxima do quinto ano sem fim à vista. É o momento em que a aritmética da guerra supera a retórica do poder.
Rússia aumenta impostos para financiar guerra; empresas ocidentais no alvo
A Rússia deixou de fingir que a economia funcionava normalmente
Porque é que a Rússia está a fazer isto agora? Não podia ter continuado a esconder os números?
Porque os números ficaram impossíveis de esconder. As refinarias ardem, o petróleo não sai, o gás não flui. Sem receita, não há guerra. É tão simples quanto isto.
Mas espera — quanto é que isto vai realmente arrecadar? 25% sobre empresas estrangeiras parece muito, mas quantas empresas ocidentais ainda estão lá?
Boa pergunta. A fonte não diz números específicos sobre quantas empresas estão envolvidas ou quanto isto vai gerar em receita total.
E os cidadãos russos? Isto vai criar descontentamento?
Provavelmente. Aumentar impostos sobre salários, depósitos e vendas de ações afeta diretamente o dia a dia das pessoas. Mas o governo está a enquadrar isto como "apoio aos soldados".
Isso é importante — o governo está a tentar vender isto como um sacrifício patriótico, não como uma admissão de fracasso económico.
Exatamente. Mas a verdade é que a guerra está a custar mais do que a economia consegue suportar.
Quanto tempo é que isto pode durar? Se a economia não cresce e os impostos aumentam, em que ponto é que as pessoas dizem basta?
Ninguém sabe. A fonte não oferece projeções sobre a sustentabilidade a longo prazo. Sabemos que há um problema, sabemos que o governo está a reagir, mas não sabemos quanto tempo a Rússia consegue manter isto.
The Pulse
- O Kremlin admitiu publicamente o que os números já revelavam: a economia russa não cresce o suficiente para financiar uma guerra que dura quase cinco anos.
- Empresas ocidentais ainda a operar na Rússia enfrentam um aumento de imposto de 15% para 25%, numa medida que o governo justifica classificando esses países como 'inimigos'.
- Produtores de ouro e metais são alvo de novas taxas sobre lucros extraordinários, com uma taxa de 30% aplicada ao setor metalúrgico num momento em que os preços globais estão em alta.
- Os cidadãos russos comuns também são afetados: aumentos no IRS, tributação sobre juros de depósitos e novas taxas sobre vendas de ações comprimem os rendimentos a todos os níveis.
- O pacote fiscal sinaliza que Putin escolheu continuar a guerra a qualquer custo — e que esse custo será distribuído por toda a sociedade russa.
Quando uma guerra se prolonga além das suas próprias promessas, o Estado volta-se inevitavelmente para os seus cidadãos e para quem ainda opera dentro das suas fronteiras. A Rússia, ao apresentar o orçamento para 2027, abandonou a ficção de uma economia saudável e anunciou aumentos fiscais abrangentes — sobre empresas ocidentais, produtores de recursos naturais e os próprios cidadãos russos — para sustentar um conflito que se aproxima do quinto ano sem fim à vista. É o momento em que a aritmética da guerra supera a retórica do poder.
A Rússia deixou cair a máscara. Ao publicar a proposta de Orçamento do Estado para 2027, o governo de Putin reconheceu o que os dados económicos já tornavam evidente: o país não consegue crescer o suficiente para sustentar uma guerra que em breve completa cinco anos. A resposta foi um pacote fiscal abrangente que atinge praticamente todos os setores da economia.
O alvo mais imediato são as empresas ocidentais — maioritariamente da União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos — que continuam a operar em território russo. O imposto sobre os seus lucros pode mais do que duplicar, passando de 15% para 25%. O Kremlin justifica a medida com a designação que reserva aos países que condenaram a invasão da Ucrânia: 'inimigos'.
Mas o aperto não se limita às multinacionais estrangeiras. Os produtores de ouro enfrentam um novo imposto sobre lucros extraordinários, e o setor metalúrgico passa a pagar uma taxa de 30% — uma escolha calculada, dado que a Rússia é o segundo maior produtor mundial de ouro e os preços globais estão em máximos. O governo quer uma fatia desses ganhos.
Os cidadãos russos também sentem a pressão. O imposto sobre o salário vai aumentar, os juros de depósitos bancários serão tributados de forma diferente e as vendas de ações enfrentam novas taxas. O ministro das Finanças já havia anunciado que o orçamento priorizaria a 'defesa nacional' e o apoio aos soldados no terreno — e esse dinheiro tem de vir de algum lado.
O retrato é claro: quando a economia estagna mas a guerra continua, o governo tem de escolher entre reduzir o conflito ou aumentar os impostos. Putin escolheu os impostos.
A Rússia deixou de fingir. Durante meses, o Kremlin manteve a narrativa de que a economia funcionava normalmente, que os problemas eram pontuais, que tudo estava sob controlo. Essa história acabou. Esta semana, ao publicar a proposta de Orçamento do Estado para 2027, o governo russo admitiu o que os números já gritavam: o país não consegue crescer o suficiente para manter uma guerra que em breve completa cinco anos.
As refinarias ardem. O petróleo e o gás natural — os dois pilares da máquina de guerra de Vladimir Putin — escoam-se com dificuldade. Sem alternativas, Moscovo virou-se para o único instrumento que lhe restava: aumentar os impostos. E começou por quem estava à mão.
As empresas ocidentais que ainda operam em território russo são o alvo principal. Muitas delas, maioritariamente da União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos, continuam a acumular lucros enquanto o país financia a guerra. Isso irritou o Kremlin o suficiente para agir. A taxa de imposto sobre estas empresas pode mais do que duplicar — de 15% para 25%. É um aumento brutal, mas o governo russo justifica-o com a designação que usa para os países que condenaram a invasão da Ucrânia: "inimigos".
Mas o pacote fiscal não se fica pelas multinacionais estrangeiras. A Rússia também aperta o cerco aos seus próprios negócios. Produtores de ouro enfrentam um novo imposto sobre lucros extraordinários. Produtores de metais pagam uma taxa de 30% — e há razão para isso. A Rússia é o segundo maior produtor mundial de ouro, e com os preços em alta, os lucros explodiram. O governo quer uma fatia.
Os cidadãos russos também não escapam. O IRS — o imposto sobre o salário — vai aumentar. Os juros dos depósitos bancários serão tributados de forma diferente. As vendas de ações enfrentam novas taxas. É uma pressão que desce em cascata, desde o topo da economia até aos bolsos das pessoas comuns.
O ministro das Finanças russo já tinha preparado o terreno para isto. Disse que o próximo orçamento priorizaria a "defesa nacional e segurança", além do "apoio social" aos soldados destacados na Ucrânia. Traduzindo: mais dinheiro para a guerra, mais dinheiro para compensar quem está no terreno. E esse dinheiro tem de vir de algum lado.
Este pacote fiscal é um retrato da realidade que Moscovo não pode mais esconder. Uma guerra que deveria ter terminado em semanas arrasta-se há quase cinco anos. Os custos acumulam-se. A economia não cresce. E quando a economia não cresce mas a guerra continua, o governo tem uma escolha: ou reduz a guerra ou aumenta os impostos. Putin escolheu aumentar os impostos.
Notable Quotes
O próximo orçamento vai priorizar a defesa nacional e segurança, além do apoio social aos soldados destacados na Ucrânia— Ministro das Finanças da Rússia