Destroços no travesseiro onde uma criança deveria dormir
Em meio à segunda noite consecutiva de bombardeios em larga escala, a Rússia intensificou seus ataques sobre a Ucrânia, ceifando ao menos 12 vidas civis — entre elas três crianças — enquanto, paradoxalmente, diplomatas de ambos os lados finalizavam a maior troca de prisioneiros desde o início da invasão. A violência e a negociação coexistiram no mesmo domingo, revelando a contradição profunda de uma guerra em que a brutalidade e os gestos de humanidade caminham lado a lado. Zelensky e aliados europeus clamaram por pressão internacional renovada, enquanto Moscou sinalizava, ao mesmo tempo, a elaboração de um documento de paz — um timing que a história registrará com amarga ironia.
- Pela segunda noite seguida, mísseis e drones russos varreram 22 localidades ucranianas, matando 12 civis e ferindo 16, incluindo crianças de 8, 12 e 17 anos.
- A Força Aérea ucraniana derrubou 45 mísseis e 266 drones, mas a defesa aérea não impediu que ruas inteiras pegassem fogo e famílias perdessem tudo pela segunda vez.
- Drones ucranianos atingiram Moscou durante a mesma noite, forçando restrições em quatro aeroportos, incluindo o Sheremetyevo, e expondo a capital russa à mesma lógica de terror aéreo.
- Zelensky e a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, exigiram pressão internacional urgente e sanções às fragilidades da economia russa para forçar Putin a encerrar a guerra.
- Apesar da escalada, Rússia e Ucrânia concluíram a troca de 1.000 prisioneiros por 1.000 — o último espaço de cooperação entre dois países cujas forças se enfrentam em quase 20% do território ucraniano.
No domingo de manhã, enquanto diplomatas finalizavam o maior acordo de troca de prisioneiros desde o início da invasão russa, mísseis e drones voltavam a cair sobre cidades ucranianas pela segunda noite consecutiva. Ao menos 12 pessoas morreram e 16 ficaram feridas, com impactos registrados em 22 localidades. A Força Aérea ucraniana conseguiu derrubar 45 mísseis e 266 drones, mas o custo em vidas civis não parou de crescer.
Na região de Kiev, os serviços de emergência descreveram uma noite de terror. Em Markhalivka, Tetiana Yankovska, de 65 anos, saiu de casa para encontrar a rua em chamas e destroços espalhados no travesseiro onde uma criança deveria estar dormindo. Ela havia fugido de Avdiivka em 2022 — e três anos depois ainda fugia de bombardeios. Outro sobrevivente, Oleksander, de 64 anos, foi categórico: a Rússia só compreende força. Em Zhytomyr, três menores de 8, 12 e 17 anos foram mortos. Em Khmelnytskyi, quatro pessoas morreram e cinco ficaram feridas.
O presidente Zelensky pediu ação internacional imediata, defendendo sanções às fragilidades da economia russa e convocando Estados Unidos, Europa e todos os que buscam a paz a demonstrarem determinação. A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, ecoou o apelo, denunciando a brutalidade contra civis e crianças. Enquanto isso, mais de 10 drones ucranianos atingiram Moscou, forçando restrições em quatro aeroportos, incluindo o Sheremetyevo.
Apesar de tudo, os dois países concluíram neste domingo a etapa final da troca de prisioneiros negociada em Istambul: 303 soldados trocados no domingo, somados aos 307 do sábado e aos 390 da sexta-feira, totalizaram 1.000 prisioneiros de cada lado. A troca permanecia como um dos últimos âmbitos de cooperação entre Kiev e Moscou. O chanceler russo Lavrov havia anunciado que Moscou preparava um documento com condições para um acordo duradouro — a ser entregue após a conclusão da troca. O timing era revelador: enquanto crianças morriam em bombardeios noturnos, diplomatas trocavam papéis sobre paz.
No domingo de manhã, enquanto diplomatas se preparavam para finalizar o maior acordo de troca de prisioneiros desde o início da invasão russa, mísseis e drones voltavam a cair sobre cidades ucranianas. Pelo menos 12 pessoas morreram na noite anterior, a segunda consecutiva de bombardeios em larga escala. A maioria dos ataques concentrou-se em Kiev e arredores, mas a Força Aérea ucraniana registrou impactos em 22 locais espalhados por todo o país. Os defensores aéreos conseguiram derrubar 45 mísseis e 266 drones russos durante a onda noturna, mas o custo em vidas civis continuava subindo.
Na região de Kiev, os serviços de emergência descreveram uma "noite de terror". Quatro pessoas morreram e 16 ficaram feridas, incluindo três crianças. Em Markhalivka, uma localidade ao sudoeste da capital, Tetiana Yankovska, uma mulher de 65 anos, saiu de sua casa para encontrar toda a rua em chamas. O que mais a perturbava era o que viu dentro: destroços espalhados no travesseiro onde uma criança deveria estar dormindo. Yankovska havia fugido de Avdiivka em fevereiro de 2022, quando aquela cidade caiu sob controle russo. Agora, três anos depois, ainda fugia de bombardeios.
Outro aposentado, Oleksander, de 64 anos, também sobreviveu ao ataque. Quando perguntado sobre as negociações em andamento entre os dois países, ele foi direto: a Rússia só compreende força, nada mais. Não havia espaço em sua visão para diplomacia. Em outras regiões, o padrão de morte se repetia. Na região de Zhytomyr, no noroeste, três menores — com 8, 12 e 17 anos — foram mortos em um bombardeio. Na região de Khmelnytskyi, a oeste, quatro pessoas morreram e cinco ficaram feridas. Um homem foi encontrado morto em Mykolaiv após um ataque com drone.
O presidente Volodimir Zelensky respondeu aos ataques pedindo ação internacional. Sem pressão real sobre as autoridades russas, disse ele, a brutalidade não poderia ser detida. As sanções ajudariam, mas era necessário mais: ações contra as "fragilidades da economia russa" que, segundo Zelensky, todos conheciam. Ele dirigiu-se aos Estados Unidos, aos países europeus e a "todos que buscam a paz", pedindo que mostrassem determinação para levar Vladimir Putin a encerrar a guerra. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, ecoou o apelo, denunciando a brutalidade contra civis e crianças e pedindo "pressão internacional" maior sobre Moscou.
Mentanto, em Moscou, mais de 10 drones ucranianos alcançaram a capital russa durante a mesma noite. O prefeito Sergey Sobyanin anunciou as incursões, embora não tenha mencionado vítimas. A agência russa de aviação civil respondeu impondo restrições em pelo menos quatro aeroportos, incluindo o principal, Sheremetyevo. As operações foram retomadas pela manhã.
Apesar da escalada de violência, os dois países completaram neste domingo a etapa final de um acordo de troca de prisioneiros que havia sido negociado em Istambul na semana anterior. No domingo, 303 soldados prisioneiros foram trocados de cada lado. Somados aos 307 trocados no sábado e aos 270 soldados e 120 civis trocados na sexta-feira, o total chegou a 1.000 prisioneiros de cada lado — a maior troca desde o início da invasão há mais de três anos. A troca de prisioneiros e de corpos de militares mortos em combate permanecia como um dos últimos âmbitos de cooperação entre Kiev e Moscou, cujas forças ocupavam quase 20% do território ucraniano.
O chanceler russo Sergey Lavrov havia afirmado na sexta-feira que Moscou estava elaborando um documento com "as condições de um acordo duradouro, global e de longo prazo" para resolver o conflito, que pretendia transmitir ao governo ucraniano após a conclusão da troca de prisioneiros. O timing era notável: enquanto crianças morriam em bombardeios noturnos, diplomatas trocavam documentos sobre paz.
Notable Quotes
Não precisamos de negociações, e sim de armas, muitas armas, para contê-los. A Rússia só entende a força, nada mais.— Oleksander, aposentado de 64 anos que sobreviveu ao bombardeio
Sem uma pressão realmente forte sobre as autoridades russas, a brutalidade não pode ser detida.— Volodimir Zelensky, presidente da Ucrânia
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a Rússia continuaria atacando horas antes de um acordo de troca de prisioneiros? Não faz sentido estratégico.
Talvez não faça sentido para quem pensa em negociação como pausa. Para Moscou, parece que a guerra continua enquanto os papéis são assinados. Os ataques aéreos e a diplomacia funcionam em calendários diferentes.
Os civis que sobreviveram — Tetiana, Oleksander — parecem ter perdido a fé em qualquer solução negociada.
Quando você vê destroços no travesseiro de uma criança, é difícil acreditar que documentos sobre "acordos duradouros" significam algo. A frustração deles é o som real do conflito.
A Ucrânia conseguiu derrubar centenas de drones e mísseis. Por que os ataques continuam sendo tão devastadores?
Porque nem todos são derrubados. E porque mesmo os que são deixam destroços caindo. A defesa aérea é impressionante, mas não é escudo perfeito.
A troca de prisioneiros é realmente o último fio de cooperação?
Parece ser. É quase mecânico — 1.000 por 1.000, sem negociação sobre termos. Quando até a troca de prisioneiros é transacional, você vê o quanto a confiança desapareceu.