Tecnologia que pesquisadores modernos ainda tentam compreender
Nas margens do rio Waal, em Nijmegen, arqueólogos desenterraram o maior complexo de banhos romano já encontrado na Holanda — quase cinco mil metros quadrados de pedra, tecnologia e memória urbana. O sítio pertencia a Ulpia Noviomagus, cidade que floresceu nos primeiros séculos da era cristã e que, por muito tempo, foi subestimada como posto periférico do Império. O que emerge do solo não é apenas uma estrutura arquitetônica, mas a evidência de que civilizações inteiras podem dormir sob nossas cidades modernas, esperando ser reconhecidas.
- As termas recém-descobertas superam em mais do dobro qualquer outro balneário romano conhecido na Holanda, reescrevendo o mapa da presença imperial na região.
- Objetos como colares de ouro, anéis de sinete e moedas do imperador Póstumo revelam uma riqueza urbana que contradiz décadas de suposições sobre o papel secundário de Nijmegen no Império Romano.
- A destruição medieval do sítio, paradoxalmente, preservou os pisos e canais subterrâneos que hoje permitem aos arqueólogos reconstruir a escala real das construções originais.
- Tecnologias como o hipocausto e um concreto romano com propriedades autorreparáveis continuam desafiando e inspirando engenheiros e pesquisadores contemporâneos.
- As escavações, financiadas em parte por um projeto residencial moderno, prosseguem até julho de 2026, com planos para integrar as ruínas ao novo espaço urbano e abri-las ao público.
Nas margens do rio Waal, em Nijmegen, arqueólogos desenterraram um complexo de banhos romano com quase cinco mil metros quadrados — o maior já encontrado na Holanda, mais que o dobro de qualquer outro balneário romano conhecido no país. O sítio pertencia à antiga Ulpia Noviomagus, cidade que floresceu durante os primeiros séculos depois de Cristo e que provavelmente recebeu seu status formal por volta do ano 100, no reinado do imperador Trajano.
As escavações, iniciadas em setembro de 2025, revelaram não apenas as termas, mas bairros residenciais, ruas pavimentadas, uma torre defensiva e uma rica coleção de objetos cotidianos. Entre os achados estão anéis de sinete, colares com fechos de ouro, moedas do imperador Póstumo, fragmentos de estátuas de bronze e agulhas de osso ornamentadas com minúsculas figuras de gatos. Um busto de bronze de Baco completou o retrato de uma cidade próspera e sofisticada.
Para o pesquisador Stephan Mols, da Radboud University, esses achados refutam a ideia de que Ulpia Noviomagus era um assentamento periférico. As estruturas apontam para um centro urbano de verdadeira envergadura, com ocupação contínua até o século terceiro. O sistema de aquecimento hipocausto e um concreto com propriedades autorreparáveis são exemplos da sofisticação tecnológica que ainda intriga pesquisadores modernos.
A preservação do sítio deve muito ao acaso: a exploração medieval como pedreira destruiu as paredes superiores, mas protegeu pisos e canais subterrâneos sob camadas de solo. As escavações, financiadas em parte por um novo conjunto residencial, prosseguem até julho de 2026. O projeto prevê a preservação de porções significativas das ruínas e a criação de espaços onde visitantes poderão caminhar entre os vestígios de uma cidade desaparecida há mais de mil e seiscentos anos.
Nas margens do rio Waal, em Nijmegen, arqueólogos desenterraram os restos de um complexo de banhos que rivalizava em sofisticação com qualquer estrutura pública do Império Romano. Com quase cinco mil metros quadrados, as termas recém-descobertas são as maiores já encontradas na Holanda — mais que o dobro de qualquer outro balneário romano conhecido no país.
O sítio, que começou a ser escavado em setembro de 2025, pertencia à antiga cidade de Ulpia Noviomagus, um centro urbano que floresceu ao longo do rio durante os primeiros séculos depois de Cristo. Stephan Mols, pesquisador da Radboud University, explica que embora apenas as fundações e pisos tenham sobrevivido até nossos dias, essas estruturas inferiores revelam o verdadeiro tamanho e importância do que um dia foi construído acima delas. As termas de Forum Hadriani, em Voorburg, e as de Coriovallum, em Heerlen, ocupavam respectivamente 2.200 e 2.500 metros quadrados — ambas significativamente menores.
Além do complexo de banhos, as escavações trouxeram à luz um retrato vívido da vida urbana romana. Arqueólogos encontraram bairros residenciais inteiros, ruas pavimentadas, casas que denotavam luxo para a época, uma torre defensiva e uma profusão de objetos do cotidiano. Entre os achados estão anéis de sinete, colares com fechos de ouro, moedas do imperador Póstumo que reinava entre 260 e 269 depois de Cristo, fragmentos de estátuas de bronze e agulhas de osso usadas em penteados — algumas delas ornamentadas com minúsculas figuras de gatos esculpidas. Um busto de bronze de Baco, o deus romano do vinho, também emergiu do solo.
Para Mols, esses achados refutam a ideia de que Ulpia Noviomagus era um assentamento periférico ou de menor importância dentro do império. As construções reveladas indicam um centro urbano de verdadeira envergadura, com sinais de ocupação contínua até o século terceiro depois de Cristo. A cidade provavelmente recebeu seu status formal por volta do ano 100, durante o reinado do imperador Trajano.
O que torna o sítio particularmente notável é a sofisticação tecnológica das estruturas. O sistema de aquecimento das termas, conhecido como hipocausto, funcionava através de um piso elevado sustentado por pequenas colunas de tijolos. O ar quente circulava por baixo, aquecendo o ambiente acima — uma solução engenhosa que mantinha os banhistas confortáveis durante os meses frios. Igualmente impressionante é um tipo de concreto romano descoberto no local que possuía propriedades autorreparáveis: pequenas rachaduras se fechavam naturalmente ao longo do tempo, uma característica que pesquisadores modernos ainda estudam na tentativa de compreender e replicar essa tecnologia perdida.
A preservação desses achados deve muito ao acaso. Durante a Idade Média, o sítio foi explorado como pedreira, o que destruiu muitas das paredes superiores. Paradoxalmente, essa destruição ajudou a preservar os canais de água e pisos antigos, que permaneceram enterrados e protegidos sob camadas de solo. Parte da escavação, que prossegue até julho de 2026, é financiada pela construção de um novo conjunto residencial na área. O projeto foi planejado para preservar porções significativas das ruínas romanas, criando espaços onde visitantes poderão caminhar entre os restos de uma cidade que desapareceu há mais de mil e seiscentos anos.
Notable Quotes
As construções eram bem maiores e mais impressionantes do que se imaginava, indicando um centro urbano com sinais de ocupação até o século três depois de Cristo— Stephan Mols, pesquisador da Radboud University
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que uma cidade romana tão importante foi esquecida por tanto tempo?
Parte do spa foi identificada em 1992, mas era apenas um fragmento pequeno. As novas escavações mostraram que o que se conhecia era só a ponta do iceberg. A Idade Média destruiu muitas estruturas, mas paradoxalmente preservou outras ao enterrá-las.
O que esses objetos de luxo — os colares de ouro, os anéis — nos dizem sobre quem vivia lá?
Indicam uma população abastada e conectada ao poder imperial. Moedas do imperador Póstumo, busto de Baco em bronze, agulhas de osso com figuras de gatos — são sinais de uma cidade que não era um acampamento militar ou um posto comercial menor, mas um verdadeiro centro urbano.
O hipocausto é impressionante, mas o concreto autorreparável parece quase impossível. Como funcionava?
Os romanos misturavam ingredientes que criavam uma reação química quando pequenas rachaduras apareciam. A água infiltrava e ativava um processo de cicatrização. Pesquisadores ainda tentam replicar isso hoje.
Ulpia Noviomagus desapareceu completamente? Há alguma continuidade com cidades modernas?
Nijmegen existe até hoje, mas a cidade romana foi abandonada. O que restou foi enterrado, esquecido, até ser redescoberto acidentalmente durante obras de construção.
Qual é o próximo passo para esses achados?
As escavações continuam até julho. O novo conjunto residencial preservará partes das ruínas com áreas de visitação pública, então a cidade romana voltará a ser vista, dessa vez por turistas e arqueólogos.