Rui Pinto perdeu direito a proteção policial e programa de segurança especial a partir de 10 de outubro de 2026, apesar de receber ameaças de morte. Os advogados do hacker acusam o Estado de violação do Estado de Direito e "terrorismo de Estado", afirmando que foi agredido em Lisboa em abril e que suas revelações envolveram figuras poderosas.
Rui Pinto muda-se para local desconhecido após perda de proteção policial
O Estado decidiu conscientemente colocar a minha vida em risco
Porque é que o Estado português decidiu retirar a proteção a Rui Pinto agora, depois de seis anos?
Segundo o despacho oficial, dois motivos: uma alegada falta de compromisso de Pinto no cumprimento do programa e um relatório da PSP que conclui haver um nível baixo de risco. Mas os advogados contestam ambos.
Espera — o que significa "falta de compromisso"? Isso é vago. E esse relatório de reavaliação de risco — foi divulgado? Sabemos em que se baseia?
Não. Os advogados pediram que o Ministério da Justiça divulgasse os elementos dessa reavaliação. Até agora, silêncio.
E o nível baixo de risco — isso faz sentido, dado que Pinto foi agredido em abril?
Não faz. Essa é exatamente a contradição que os advogados estão a apontar. Como é que há um nível baixo de risco se há ameaças de morte documentadas e uma agressão recente?
Mas quem fez essa avaliação de risco? A PSP. E quem supervisiona a PSP? O Estado. Portanto, o Estado está a dizer que o risco é baixo, e o próprio Estado está a retirar a proteção. Há um conflito de interesses óbvio aqui.
Exatamente. E há mais: Pinto não foi ouvido antes da decisão, como a lei exige. Tudo isto aconteceu sem ele ter a oportunidade de responder.
Então o que faz agora?
Muda-se para um local desconhecido, lança uma angariação de fundos e os seus advogados vão interpor um recurso.
E enquanto isso, os processos judiciais decorrentes das revelações dele continuam em curso. O Manchester City foi apenas condenado há dias. Há muito em jogo ainda.
Le Pouls
- Proteção policial termina a 10 de outubro de 2026, após seis anos
- Rui Pinto foi agredido em Lisboa em abril de 2026
- Advogados acusam Estado de violação do Estado de Direito e "terrorismo de Estado"
- Decisão tomada sem audiência prévia, como a lei exige
Rui Pinto perdeu direito a proteção policial e programa de segurança especial a partir de 10 de outubro de 2026, apesar de receber ameaças de morte. Os advogados do hacker acusam o Estado de violação do Estado de Direito e "terrorismo de Estado", afirmando que foi agredido em Lisboa em abril e que suas revelações envolveram figuras poderosas.
Rui Pinto, hacker do Football Leaks, muda-se para local desconhecido após perder proteção policial, acusando o Estado português de o colocar deliberadamente em risco de vida.
Rui Pinto, o hacker por trás do Football Leaks, anunciou esta semana que se muda para um local não revelado num futuro próximo. A decisão não é voluntária. No dia 10 de outubro de 2026, perde o direito à proteção policial que o Estado português lhe garantia desde agosto de 2020 — uma proteção que, segundo ele e seus advogados, é agora essencial para manter-se vivo.
A notícia chegou numa quarta-feira. Rui Pinto foi informado de que o Programa Especial de Segurança de que beneficiava terminaria em menos de duas semanas. Nenhuma audiência prévia. Nenhuma oportunidade de ser ouvido, como a lei exige. A decisão, tomada pela Comissão de Programas Especiais de Segurança após reuniões em junho e julho, fundamenta-se em dois pontos: uma alegada falta de compromisso de Pinto no cumprimento do programa e um relatório da PSP que conclui haver um "nível baixo de risco". Os advogados do hacker contestam ambos os argumentos com veemência.
O contexto é grave. Em abril de 2026, Pinto foi agredido em Lisboa. Desde então, recebe o que descreve como "várias ameaças de morte" e considera estar perante um "risco sério de assassinato". Estas não são ameaças abstratas — são consequências diretas do trabalho que fez. O Football Leaks revelou irregularidades financeiras e práticas questionáveis envolvendo figuras poderosas do futebol mundial, pessoas com recursos vastos e motivação para silenciar quem as expôs. Muitos dos processos judiciais decorrentes dessas revelações continuam em curso. A decisão independente da Premier League contra o Manchester City, proferida há apenas dias, é apenas um exemplo do alcance contínuo do trabalho de Pinto.
Os seus advogados argumentam que foi precisamente a cooperação de Pinto com a justiça portuguesa que justificou a sua integração no programa de proteção. Agora, essa mesma cooperação é usada contra ele. A nota dos causídicos é dura: a decisão e a forma como foi tomada "não respeitam o Estado de Direito" e constituem "um ato de terrorismo de Estado". Já na sexta-feira anterior, os advogados anunciaram que vão interpor um recurso. Também solicitaram, na quarta-feira, ao Ministério da Justiça que reconsiderasse a decisão, que divulgasse os elementos da reavaliação de risco e que garantisse a continuidade da proteção. Até ao momento, não houve resposta.
Pinto respondeu com um anúncio na rede social X. Divulgou a sua situação e lançou uma angariação de fundos no GoFundMe, pedindo apoio para "sobreviver a esta situação séria criada pelo Estado português, que decidiu conscientemente colocar a minha vida em risco". Nos próximos dias, sairá da residência protegida e confidencial que lhe foi atribuída. Terá de encontrar, com urgência, uma nova habitação. Sem proteção policial. Sem garantias. O que acontece a seguir depende agora de um recurso legal cujo resultado é incerto e de fundos que um homem em fuga consegue angariar online.
Citations marquantes
A sua situação é agora crítica. As ameaças de que é alvo não são meramente teóricas.— Advogados de Rui Pinto
A decisão e a forma como esta foi tomada não respeitam o Estado de Direito e constitui um ato de terrorismo de Estado.— Advogados de Rui Pinto