Ruas e Paes disputam 2º turno no RJ; TSE decide se Garotinho anula resultado

Quem dará a palavra final sobre Garotinho é o TSE
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro confirma que a decisão sobre a candidatura indeferida pode definir se há segundo turno.
Mark

Como é possível que uma candidatura indeferida continue recebendo votos que contam para o resultado?

Mimi

É uma regra do TSE. Quando uma candidatura é indeferida mas há recurso pendente de julgamento, os votos são computados como sub judice — contados, mas marcados como condicionais. Garotinho chegou ao dia da eleição nessa situação exata.

Luke

Mas isso significa que o resultado oficial de hoje não é realmente o resultado final?

Mimi

Exatamente. O resultado será ratificado pelo próprio TSE. Se o colegiado invalidar os votos de Garotinho, Ruas vence no primeiro turno. Se mantiver, vai para segundo turno.

Mark

E qual é a probabilidade de o TSE invalidar a candidatura?

Luke

A fonte não diz. Sabemos que a candidatura foi indeferida e que há recurso pendente, mas não temos informação sobre o histórico de decisões do tribunal nesses casos ou qualquer indicação de como o colegiado está inclinado.

Mimi

O presidente do TRE-RJ foi bem claro: "Quem dará a palavra final sobre Garotinho é o TSE". Mas sim, não há previsão de quando essa decisão virá.

Mark

Se Ruas vencer no primeiro turno, isso muda alguma coisa na campanha de Paes?

Mimi

Não haveria campanha. Se Ruas chegar a 50,89%, a eleição acaba ali. Paes não teria oportunidade de segundo turno.

Luke

E Ruas está apostando nessa possibilidade? Ele mencionou Garotinho em suas declarações?

Mimi

Não. Ruas falou sobre governar para todos e conectou sua votação ao desempenho de Flávio Bolsonaro na presidência. Paes, por sua vez, falou sobre um segundo turno como oportunidade de esclarecer a disputa.

Mark

Então ambos estão operando como se houvesse segundo turno?

Luke

Aparentemente. Mas é uma situação estranha — eles sabem que o resultado pode mudar, mas estão falando como se o resultado de hoje fosse definitivo.

  • Douglas Ruas: 4.271.199 votos (49,27% dos válidos)
  • Eduardo Paes: 3.706.984 votos (42,76% dos válidos)
  • Garotinho: 274.411 votos (3,17%, contados sub judice)
  • Se TSE invalidar votos de Garotinho, Ruas atinge 50,89% e vence no 1º turno
  • Decisão do TSE ainda está pendente

Com 100% das urnas apuradas, Ruas tem 49,27% dos votos válidos, abaixo dos 50% necessários para vencer no primeiro turno. Se TSE invalidar os 274 mil votos de Garotinho, Ruas atingiria 50,89% e venceria no primeiro turno sem segundo turno.

Douglas Ruas e Eduardo Paes avançam ao segundo turno no Rio de Janeiro, mas decisão do TSE sobre votos de Garotinho pode definir eleição já no primeiro turno se invalidar candidatura.

A eleição para governador do Rio de Janeiro chegou ao fim da contagem, mas seu resultado permanece em suspenso. Com 100% das urnas apuradas, Douglas Ruas, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, acumulou 4.271.199 votos, equivalentes a 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes, ex-prefeito da capital que já ocupou o cargo por quatro mandatos, ficou em segundo lugar com 3.706.984 votos, ou 42,76%. Os números apontam para um segundo turno entre os dois. Mas há uma ressalva que pode mudar tudo.

Antes deles, Garotinho, do Republicanos, recebeu 274.411 votos, representando 3,17% do total. O problema é que sua candidatura foi indeferida e aguarda julgamento no Tribunal Superior Eleitoral. Por isso, todos os seus votos foram contabilizados como sub judice — computados, mas marcados como pendentes de decisão judicial. O desembargador Claudio de Mello Tavares, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, foi direto: "Quem dará a palavra final sobre Garotinho é o TSE".

O cenário é simples em sua mecânica, mas profundo em suas consequências. Se o TSE decidir invalidar a candidatura de Garotinho, seus 274 mil votos serão removidos da contagem. O total válido cairia de 8,66 milhões para 8,39 milhões. Nesse novo universo, os 4,26 milhões de votos de Ruas passariam a representar 50,89% — o suficiente para vencer no primeiro turno, eliminando a necessidade de um segundo turno. A regra que permite essa contagem condicional está prevista na Resolução 23.677/2021 do TSE, que estabelece que votos dados a candidatos cujo registro esteja indeferido, mas cuja decisão ainda seja objeto de recurso, sejam computados dessa forma.

Ruas, bacharel em direito e ex-policial civil, está em seu primeiro mandato como deputado estadual. Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, foi eleito em 2022 como o segundo mais votado do estado, com 175 mil votos. Sua campanha concentrou-se em segurança pública, propondo zerar o déficit de policiais militares em até quatro anos e expandir as escolas cívico-militares de 17 para 200 unidades. Na saúde, prometeu Centros Integrados de Saúde em todas as regiões, com consultas especializadas, exames e pequenas cirurgias. Sua vice é Fernanda Louback, vereadora de Niterói e empresária. Em coletiva em São Gonçalo, Ruas afirmou que governará "para todos" e que sua campanha representa um "caminho novo" para o estado. Também conectou sua votação ao desempenho de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, dizendo que o percentual de votos no Rio seria "decisivo" para a eleição do candidato à Presidência.

Paes, também bacharel em direito, é o ex-prefeito com mais tempo na função, tendo ocupado o cargo por quatro mandatos. Disputa o governo pela terceira vez. Sua vice é Jane Reis, do MDB, irmã de Washington Reis, presidente do partido no estado. Após o resultado do primeiro turno, Paes disse que "esperávamos que fosse melhor" e que o segundo turno serviria para mostrar "de forma mais clara e evidente" a natureza da disputa. "Uma máfia tomou conta do Rio", afirmou. Suas propostas focaram em segurança, saúde, educação e transporte. Na segurança, prometeu reunificar a Secretaria de Segurança Pública e impedir interferências políticas nas nomeações de comandantes e delegados. Anunciou a criação de oito delegacias da mulher com funcionamento 24 horas e a ampliação das equipes da Ronda Maria da Penha. Na saúde, propôs oito Supercentros Regionais de Especialidades, modelo que implementou durante sua gestão na Prefeitura. Na educação, defendeu ampliar o ensino em tempo integral e levar para a rede estadual o modelo dos Ginásios Educacionais Tecnológicos. No transporte, prometeu iniciar as obras da Linha 3 do metrô e reduzir a passagem dos ônibus intermunicipais.

Os demais candidatos ficaram bem atrás. William Siri, do PSOL, recebeu 235.347 votos (2,71%). Coronel Busnello, da Missão, obteve 84.889 votos (0,98%). André Marinho, do Novo, somou 45.359 votos (0,52%). Juliete Pantoja, da UP, recebeu 33.430 votos (0,39%). Cyro Garcia, do PSTU, alcançou 14.642 votos (0,17%). Luan Monteiro, do PCO, fechou com 2.777 votos (0,03%). Houve ainda 501.537 votos em branco (5,09%), 675.292 votos nulos (6,86%) e uma abstenção de 2.996.650 eleitores. A decisão do TSE sobre Garotinho agora determina se a eleição segue para um segundo turno ou se Ruas é declarado vencedor ainda no primeiro.

Esperávamos que fosse melhor. O 2º turno vai servir para a gente mostrar de forma mais clara e evidente, sem a nebulosidade do primeiro, de que luta estamos tratando. Uma máfia tomou conta do Rio.
— Eduardo Paes, candidato do PSD
Elegemos os dois senadores, 15 deputados federais, 20 deputados estaduais e aumentamos o percentual de vantagem na eleição presidencial, e tenho certeza que esse percentual de votos no Rio será decisivo para a eleição de Flávio Bolsonaro.
— Douglas Ruas, candidato do PL
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