Com 100% das urnas apuradas, Ruas tem 49,27% dos votos válidos, abaixo dos 50% necessários para vencer no primeiro turno. Se TSE invalidar os 274 mil votos de Garotinho, Ruas atingiria 50,89% e venceria no primeiro turno sem segundo turno.
Ruas e Paes disputam 2º turno no RJ; TSE decide se Garotinho anula resultado
Quem dará a palavra final sobre Garotinho é o TSE
Como é possível que uma candidatura indeferida continue recebendo votos que contam para o resultado?
É uma regra do TSE. Quando uma candidatura é indeferida mas há recurso pendente de julgamento, os votos são computados como sub judice — contados, mas marcados como condicionais. Garotinho chegou ao dia da eleição nessa situação exata.
Mas isso significa que o resultado oficial de hoje não é realmente o resultado final?
Exatamente. O resultado será ratificado pelo próprio TSE. Se o colegiado invalidar os votos de Garotinho, Ruas vence no primeiro turno. Se mantiver, vai para segundo turno.
E qual é a probabilidade de o TSE invalidar a candidatura?
A fonte não diz. Sabemos que a candidatura foi indeferida e que há recurso pendente, mas não temos informação sobre o histórico de decisões do tribunal nesses casos ou qualquer indicação de como o colegiado está inclinado.
O presidente do TRE-RJ foi bem claro: "Quem dará a palavra final sobre Garotinho é o TSE". Mas sim, não há previsão de quando essa decisão virá.
Se Ruas vencer no primeiro turno, isso muda alguma coisa na campanha de Paes?
Não haveria campanha. Se Ruas chegar a 50,89%, a eleição acaba ali. Paes não teria oportunidade de segundo turno.
E Ruas está apostando nessa possibilidade? Ele mencionou Garotinho em suas declarações?
Não. Ruas falou sobre governar para todos e conectou sua votação ao desempenho de Flávio Bolsonaro na presidência. Paes, por sua vez, falou sobre um segundo turno como oportunidade de esclarecer a disputa.
Então ambos estão operando como se houvesse segundo turno?
Aparentemente. Mas é uma situação estranha — eles sabem que o resultado pode mudar, mas estão falando como se o resultado de hoje fosse definitivo.
El Pulso
- Douglas Ruas: 4.271.199 votos (49,27% dos válidos)
- Eduardo Paes: 3.706.984 votos (42,76% dos válidos)
- Garotinho: 274.411 votos (3,17%, contados sub judice)
- Se TSE invalidar votos de Garotinho, Ruas atinge 50,89% e vence no 1º turno
- Decisão do TSE ainda está pendente
Com 100% das urnas apuradas, Ruas tem 49,27% dos votos válidos, abaixo dos 50% necessários para vencer no primeiro turno. Se TSE invalidar os 274 mil votos de Garotinho, Ruas atingiria 50,89% e venceria no primeiro turno sem segundo turno.
Douglas Ruas e Eduardo Paes avançam ao segundo turno no Rio de Janeiro, mas decisão do TSE sobre votos de Garotinho pode definir eleição já no primeiro turno se invalidar candidatura.
A eleição para governador do Rio de Janeiro chegou ao fim da contagem, mas seu resultado permanece em suspenso. Com 100% das urnas apuradas, Douglas Ruas, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, acumulou 4.271.199 votos, equivalentes a 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes, ex-prefeito da capital que já ocupou o cargo por quatro mandatos, ficou em segundo lugar com 3.706.984 votos, ou 42,76%. Os números apontam para um segundo turno entre os dois. Mas há uma ressalva que pode mudar tudo.
Antes deles, Garotinho, do Republicanos, recebeu 274.411 votos, representando 3,17% do total. O problema é que sua candidatura foi indeferida e aguarda julgamento no Tribunal Superior Eleitoral. Por isso, todos os seus votos foram contabilizados como sub judice — computados, mas marcados como pendentes de decisão judicial. O desembargador Claudio de Mello Tavares, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, foi direto: "Quem dará a palavra final sobre Garotinho é o TSE".
O cenário é simples em sua mecânica, mas profundo em suas consequências. Se o TSE decidir invalidar a candidatura de Garotinho, seus 274 mil votos serão removidos da contagem. O total válido cairia de 8,66 milhões para 8,39 milhões. Nesse novo universo, os 4,26 milhões de votos de Ruas passariam a representar 50,89% — o suficiente para vencer no primeiro turno, eliminando a necessidade de um segundo turno. A regra que permite essa contagem condicional está prevista na Resolução 23.677/2021 do TSE, que estabelece que votos dados a candidatos cujo registro esteja indeferido, mas cuja decisão ainda seja objeto de recurso, sejam computados dessa forma.
Ruas, bacharel em direito e ex-policial civil, está em seu primeiro mandato como deputado estadual. Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, foi eleito em 2022 como o segundo mais votado do estado, com 175 mil votos. Sua campanha concentrou-se em segurança pública, propondo zerar o déficit de policiais militares em até quatro anos e expandir as escolas cívico-militares de 17 para 200 unidades. Na saúde, prometeu Centros Integrados de Saúde em todas as regiões, com consultas especializadas, exames e pequenas cirurgias. Sua vice é Fernanda Louback, vereadora de Niterói e empresária. Em coletiva em São Gonçalo, Ruas afirmou que governará "para todos" e que sua campanha representa um "caminho novo" para o estado. Também conectou sua votação ao desempenho de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, dizendo que o percentual de votos no Rio seria "decisivo" para a eleição do candidato à Presidência.
Paes, também bacharel em direito, é o ex-prefeito com mais tempo na função, tendo ocupado o cargo por quatro mandatos. Disputa o governo pela terceira vez. Sua vice é Jane Reis, do MDB, irmã de Washington Reis, presidente do partido no estado. Após o resultado do primeiro turno, Paes disse que "esperávamos que fosse melhor" e que o segundo turno serviria para mostrar "de forma mais clara e evidente" a natureza da disputa. "Uma máfia tomou conta do Rio", afirmou. Suas propostas focaram em segurança, saúde, educação e transporte. Na segurança, prometeu reunificar a Secretaria de Segurança Pública e impedir interferências políticas nas nomeações de comandantes e delegados. Anunciou a criação de oito delegacias da mulher com funcionamento 24 horas e a ampliação das equipes da Ronda Maria da Penha. Na saúde, propôs oito Supercentros Regionais de Especialidades, modelo que implementou durante sua gestão na Prefeitura. Na educação, defendeu ampliar o ensino em tempo integral e levar para a rede estadual o modelo dos Ginásios Educacionais Tecnológicos. No transporte, prometeu iniciar as obras da Linha 3 do metrô e reduzir a passagem dos ônibus intermunicipais.
Os demais candidatos ficaram bem atrás. William Siri, do PSOL, recebeu 235.347 votos (2,71%). Coronel Busnello, da Missão, obteve 84.889 votos (0,98%). André Marinho, do Novo, somou 45.359 votos (0,52%). Juliete Pantoja, da UP, recebeu 33.430 votos (0,39%). Cyro Garcia, do PSTU, alcançou 14.642 votos (0,17%). Luan Monteiro, do PCO, fechou com 2.777 votos (0,03%). Houve ainda 501.537 votos em branco (5,09%), 675.292 votos nulos (6,86%) e uma abstenção de 2.996.650 eleitores. A decisão do TSE sobre Garotinho agora determina se a eleição segue para um segundo turno ou se Ruas é declarado vencedor ainda no primeiro.
Citas Notables
Esperávamos que fosse melhor. O 2º turno vai servir para a gente mostrar de forma mais clara e evidente, sem a nebulosidade do primeiro, de que luta estamos tratando. Uma máfia tomou conta do Rio.— Eduardo Paes, candidato do PSD
Elegemos os dois senadores, 15 deputados federais, 20 deputados estaduais e aumentamos o percentual de vantagem na eleição presidencial, e tenho certeza que esse percentual de votos no Rio será decisivo para a eleição de Flávio Bolsonaro.— Douglas Ruas, candidato do PL