Roupa Nova e Guilherme Arantes entregam um dos melhores shows do Rock in Rio 2026

No Rock in Rio, quem sobrevive é quem tem repertório
A crítica resume o que tornou o show do Roupa Nova e Guilherme Arantes memorável em meio à edição 2026 do festival.
Mark

Por que um show assim importa? Roupa Nova e Guilherme Arantes não são nomes novos — por que agora?

Mimi

Porque eles foram invisibilizados. O Roupa Nova ficou 35 anos fora do Rock in Rio. Guilherme Arantes nunca havia tocado lá. Isso não é negligência — é exclusão sistemática de artistas que não cabem na narrativa do "espetáculo" moderno.

Luke

Mas a crítica não diz por que foram excluídos. Foram decisões curatoriais deliberadas? Falta de interesse? A gente não sabe.

Mimi

Verdade. Mas o que sabemos é que quando finalmente subiram ao palco, o público respondeu com emoção genuína. Não era nostalgia vazia — era reconhecimento.

Mark

E quanto à fala de Guilherme sobre não ser uma "caricatura"? O que ele quis dizer?

Mimi

Que o showbiz moderno privilegia personas exageradas, personagens. Guilherme é um músico sério, um compositor. Não faz espetáculo, faz música.

Luke

Mas a crítica não explora isso. Ela afirma que ele disse isso, mas não desenvolve o que significa. É uma frase importante que fica solta.

Mark

E Paulinho? Por que dedicaram "Volta pra mim" a ele?

Mimi

Paulinho era membro histórico do Roupa Nova. Morreu em 2020 pela Covid. A dedicação era um reconhecimento daquela perda, daquele vazio que ainda existe na banda.

Luke

A crítica menciona a morte, mas não diz quanto tempo Paulinho estava na banda, qual era seu papel. Fica como um detalhe, quando deveria ser mais substancial.

Mark

Então o show funcionou porque tocou em memória compartilhada?

Mimi

Exatamente. O jingle do Rock in Rio, o tema do Ayrton Senna — essas não são apenas músicas. São marcadores de identidade brasileira. Quando você toca isso para uma multidão, você não está apenas fazendo um show. Está dizendo: "Vocês ainda existem, essa história ainda importa."

  • Após 35 anos de ausência, o Roupa Nova retornou ao Rock in Rio com precisão cirúrgica, provando que a lacuna foi perda do festival, não da banda.
  • Guilherme Arantes, que meses antes denunciou publicamente sua exclusão dos grandes festivais, subiu ao palco como resposta viva à própria queixa — e emocionou em apenas 35 minutos.
  • O jingle do Rock in Rio e o tema de Ayrton Senna transformaram o show em algo além da música: um ritual coletivo de memória afetiva brasileira.
  • A homenagem a Paulinho, integrante morto pela Covid-19 em 2020, e o apelo à união com 'A paz' carregaram a noite de camadas emocionais que ultrapassaram o entretenimento.
  • O encerramento com 'Whisky à go-go' selou o que já era evidente: quem tem repertório sólido não precisa de truques — a plateia não saiu da pista.

Na noite de 7 de setembro de 2026, o palco Sunset do Rock in Rio recebeu dois nomes que o tempo não apagou: o Roupa Nova, ausente do festival por 35 anos, e Guilherme Arantes, que aos 73 anos fez sua estreia na maior festa do rock brasileiro. O que se viu não foi nostalgia vazia, mas a confirmação de uma verdade antiga — que um bom repertório, bem executado, atravessa décadas e ainda encontra uma plateia pronta para se reconhecer nele. Em tempos de espetáculo efêmero, a permanência das canções foi o argumento mais poderoso da noite.

O Roupa Nova subiu ao palco Sunset do Rock in Rio 2026 com a tranquilidade de quem não precisa provar nada — apenas lembrar. A última aparição do grupo no festival havia sido em 1991, no Maracanã, e os 35 anos de intervalo pareciam, naquela noite, uma injustiça corrigida. Com Kiko na guitarra e Serginho Herval na bateria e voz, a banda abriu com 'Maria, Maria', a composição de Milton Nascimento que o grupo fez sua desde os tempos em que ainda se chamavam The Famks. A plateia respondeu em coro, e o show nunca mais perdeu esse fio.

O que distinguiu a apresentação foi a escolha de músicas que habitam a memória coletiva do Brasil: o jingle do Rock in Rio — 'Se a vida começasse agora...' — e o tema associado a Ayrton Senna nas transmissões da Fórmula 1 pela TV Globo. Não eram apenas canções. Eram pontos de ancoragem emocional, capazes de fazer uma multidão inteira reconhecer a si mesma ao mesmo tempo.

Guilherme Arantes entrou em seguida para sua estreia no festival, aos 73 anos. Trinta e cinco minutos ao piano de cauda, começando com 'Cheia de charme'. A emoção foi imediata. Meses antes, o artista havia falado ao GLOBO sobre sua exclusão dos grandes festivais: 'Não sou uma caricatura, e o showbizz é pautado por caricaturas.' O convite do Rock in Rio veio logo depois — e ali estava ele, finalmente, diante de uma plateia que o aguardava.

Nando Reis pediu que acendessem as luzes dos celulares antes de 'A paz', versão de 'Heal the World', de Michael Jackson, e fez um discurso sobre união. Houve ainda uma homenagem a Paulinho, integrante histórico morto pela Covid-19 em 2020, com 'Volta pra mim', e 'Coração Pirata', tema da novela 'Rainha da Sucata'. O encerramento com 'Whisky à go-go' foi a confirmação do que a noite inteira já havia demonstrado: quem tem repertório não precisa de artifícios. Foi, com segurança, um dos melhores shows do Rock in Rio 2026.

O Roupa Nova subiu ao palco Sunset do Rock in Rio 2026 com a segurança de quem sabe exatamente o que fazer com trinta e cinco anos de ausência. A última vez que o grupo carioca havia tocado no festival foi em 1991, no Maracanã — uma lacuna que, vista de hoje, parece ter sido perda do festival, não deles. O que se viu na noite de 7 de setembro foi um conjunto de músicos que dominam seus instrumentos com precisão: Kiko na guitarra, Serginho Herval na bateria e na voz, ambos executando com a elegância de quem construiu uma carreira inteira sobre o alicerce do bom gosto.

O setlist foi uma aula de repertório. Começaram com "Maria, Maria", a composição de Milton Nascimento que o Roupa Nova fez sua — o próprio nome do grupo nasceu de uma turnê acompanhando Milton, quando ainda se chamavam The Famks. A plateia respondeu em coro, e daí em diante o show foi uma sequência de acertos. Mas o que distinguiu a noite foi a coragem de trazer à tona as músicas que habitam a memória coletiva brasileira: o jingle do Rock in Rio ("Se a vida começasse agora..."), aquele tema de Ayrton Senna que marcou as transmissões de Fórmula 1 da TV Globo. Não eram apenas canções. Eram âncoras emocionais, o tipo de coisa que faz uma multidão inteira reconhecer a si mesma.

Guilherme Arantes entrou em seguida, aos 73 anos, para sua estreia no festival. Trinta e cinco minutos ao piano de cauda, começando com "Cheia de charme", o hit que o paulista carrega como assinatura. A emoção foi imediata e palpável. Meses antes, em fevereiro, Arantes havia concedido entrevista ao GLOBO falando sobre a exclusão de grandes festivais — "Essa exclusão se dá por vários motivos. Não sou uma caricatura, e o showbizz é pautado por caricaturas", havia dito. O convite do Rock in Rio veio logo depois, e ali estava ele, finalmente.

"Lindo balão azul" veio em seguida, e novamente a plateia se entregou. Nando Reis, vocalista do Roupa Nova, pediu que acendessem as luzes dos celulares e fez um discurso sobre união antes de "A paz", uma versão competente de "Heal the World", de Michael Jackson. Por alguns minutos, a devoção da plateia foi tão absoluta que parecia capaz de cessar tensões bem além do palco.

O show prosseguiu com "Volta pra mim", dedicada a Paulinho, integrante histórico do Roupa Nova que morreu em 2020 pela Covid-19, e "Coração Pirata", tema da novela "Rainha da Sucata". Cada música era um passo seguro em território conhecido. O encerramento veio com "Whisky à go-go", de Michael Sullivan e Paulo Massadas — um dos maiores sucessos da história da música brasileira, tocado como um DJ fecharia um casamento, com a certeza de que ninguém sairia da pista.

O que ficou claro é que no Rock in Rio, quem sobrevive é quem tem repertório. O Roupa Nova e Guilherme Arantes provaram que trinta e cinco anos de espera não apagam a relevância de uma boa música, bem tocada, para uma plateia que ainda reconhece a si mesma naquelas canções. Foi, com segurança, um dos melhores shows da edição.

Essa exclusão se dá por vários motivos. Não sou uma caricatura, e o showbizz é pautado por caricaturas
— Guilherme Arantes, em entrevista ao GLOBO em fevereiro de 2026
Isso aqui é um sonho maravilhoso
— Guilherme Arantes, ao subir ao palco do Rock in Rio pela primeira vez
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