O Romi-Isetta foi apresentado ao público paulistano em 5 de setembro de 1956, com 72% de nacionalização e preço 31% menor que o Fusca. Concebido pelo projetista italiano Ermenegildo Pretti, o carro compacto pesava 350 kg, atingia 85 km/h e consumia apenas 1 litro a cada 25 quilômetros.
Romi-Isetta, primeiro carro nacional em série, completa 70 anos de história
Um carro para quem tinha pouco dinheiro e precisava se locomover
Por que o Romi-Isetta desapareceu tão rápido se era mais barato que o Fusca?
A resposta está no contexto. Em 1961, o Brasil não tinha os problemas de mobilidade urbana que temos hoje, e a gasolina era barata. Um carro pequeno e econômico não era uma necessidade — era um luxo desnecessário.
Mas isso é uma interpretação do Eugênio Chiti, certo? Não sabemos se era realmente falta de demanda ou se havia outras razões — concorrência de marcas maiores, falta de investimento em marketing, problemas de produção.
Como a Romi, uma empresa de tornos, conseguiu fabricar um carro?
Eles tinham experiência em manufatura de precisão. Importaram dois exemplares para estudar, negociaram os direitos com a Iso Autoveicoli italiana, e conseguiram nacionalizar 72% da produção usando fornecedores locais.
Isso é impressionante, mas vale notar que o motor e a caixa de câmbio continuavam importados. Não era nacionalização completa — era montagem com peças importadas e fornecedores locais.
E a participação na Caravana de Brasília em 1960? Isso não deveria ter ajudado a vender mais carros?
Deveria, mas não ajudou. O carro desapareceu um ano depois, em 1961. Mesmo com o presidente Kubitschek desfilando em um Romi-Isetta, o mercado não respondeu.
Não sabemos exatamente por quê. Pode ter sido timing — Brasília estava mudando o país, novas marcas internacionais chegavam, as prioridades mudaram. Mas a fonte não explica o que aconteceu entre 1960 e 1961.
Quantos carros foram vendidos no total?
Pouco mais de três mil unidades em cinco anos de produção. Não é muito.
Verdade, mas também não sabemos qual era a capacidade de produção da fábrica ou qual era a demanda esperada. Três mil pode ter sido um fracasso comercial ou apenas uma produção modesta para um mercado pequeno.
El Pulso
- Primeiro automóvel fabricado em série no Brasil, apresentado em 5 de setembro de 1956
- Produzido em Santa Bárbara D'Oeste com 72% de nacionalização; apenas motor e câmbio importados
- Pesava 350 kg, atingia 85 km/h e consumia 1 litro a cada 25 quilômetros
- Custava 370 mil cruzeiros, 31% menos que o Fusca (540 mil cruzeiros)
- Descontinuado em 13 de abril de 1961 após 3.100 unidades fabricadas
O Romi-Isetta foi apresentado ao público paulistano em 5 de setembro de 1956, com 72% de nacionalização e preço 31% menor que o Fusca. Concebido pelo projetista italiano Ermenegildo Pretti, o carro compacto pesava 350 kg, atingia 85 km/h e consumia apenas 1 litro a cada 25 quilômetros.
O Romi-Isetta, primeiro automóvel fabricado em série no Brasil, completa 70 anos. Produzido pela Indústrias Romi em Santa Bárbara D'Oeste a partir de 1956, o modelo compacto e econômico foi descontinuado em 1961 após 3 mil unidades.
No dia 5 de setembro de 1956, um pequeno carro italiano montado em solo brasileiro foi apresentado ao público paulistano. O Romi-Isetta chegava à rua Marquês de Itu, 139, em São Paulo, marcando um momento que poucos reconheceriam na época como histórico: o nascimento do primeiro automóvel fabricado em série no país. Sete décadas depois, esse carro compacto e econômico segue como símbolo de uma indústria automobilística brasileira ainda em seus primeiros passos.
A história começa na Itália, em 1953, quando o Isetta foi revelado no Salão de Turim como solução de mobilidade urbana para a Europa do pós-guerra. Concebido pelo projetista de aviões Ermenegildo Pretti, o carro era verdadeiramente minúsculo: 2,28 metros de comprimento, 1,38 metro de largura, 1,34 metro de altura. Pesava apenas 350 quilogramas e era movido por um motor de dois cilindros com 236 centímetros cúbicos de cilindrada, capaz de produzir 9,5 cavalos de potência. Não ultrapassava 85 quilômetros por hora, mas compensava com eficiência: percorria 25 quilômetros com um litro de gasolina.
A Indústrias Romi não era fabricante de automóveis. A empresa, fundada por Emílio Romi, havia começado produzindo insumos agrícolas e tornos — máquinas que até hoje definem sua identidade. O encontro com o Isetta aconteceu de forma casual. Carlos Chiti, enteado de Emílio Romi, folheava uma revista italiana quando viu o pequeno carro e fez uma pergunta simples ao sogro: por que não trazer um ou dois desses para o Brasil? A ideia pegou. Dois exemplares foram importados para análise. Romi e Chiti viajaram à Itália para negociar os direitos de licença com Renzo Rivolta, dono da Iso Autoveicoli, fabricante original do modelo.
O primeiro Romi-Isetta saiu da linha de produção em Santa Bárbara D'Oeste no dia 30 de junho de 1956, com 72% de nacionalização. Apenas o motor e a caixa de câmbio vinham importados da Itália; o restante era fornecido por 60 empresas brasileiras. O preço era agressivo: enquanto um Fusca custava 540 mil cruzeiros, o Romi-Isetta saía por 370 mil cruzeiros — cerca de 31% mais barato. Era um carro para quem tinha pouco dinheiro e precisava se locomover nas cidades.
Os planos da Romi eram ambiciosos. A empresa negociava uma parceria com a BMW, que também produzia seu próprio Isetta na Alemanha, para expandir a linha com duas picapes, um furgão e um modelo de quatro passageiros. A aliança não se concretizou — a fabricante alemã recuou na última hora. Mesmo assim, a Romi continuou investindo. Em 1959, substituiu o motor italiano por um monocilíndrico alemão de 289 centímetros cúbicos e 13 cavalos de potência, melhorando o desempenho do carro.
O auge da história aconteceu em 1960. Dois meses antes da inauguração de Brasília, em 21 de abril, a capital foi tomada pela Caravana da Integração Nacional, uma expedição organizada pelo major José Edson Perpétuo para celebrar a nascente indústria automobilística brasileira. O Romi-Isetta foi o destaque. O presidente Juscelino Kubitschek escolheu o pequeno carro para desfilar pela Esplanada dos Ministérios. Vinte e cinco exemplares participaram da festa, trazidos por membros do Clube dos Proprietários de Romi-Isetta, que vieram de São Paulo. Era o apogeu de um carro que havia chegado ao mercado apenas quatro anos antes.
Mas o fim chegou rápido. Em 13 de abril de 1961, após pouco mais de três mil unidades fabricadas, o Romi-Isetta foi produzido pela última vez. Eugênio Chiti, filho de Carlos, explicaria depois que o modelo havia chegado cedo demais. "Naquele momento, as cidades não apresentavam problemas de mobilidade e a gasolina era barata. As vantagens oferecidas pelo nosso carro ainda não sensibilizavam o público", disse. O Brasil estava mudando rapidamente — Brasília havia sido construída, a indústria automobilística se consolidava com marcas internacionais maiores, e o pequeno carro econômico não encontrava seu lugar nesse novo cenário.
Calcula-se que cerca de 350 exemplares do Romi-Isetta tenham sobrevivido até hoje. Dois deles estão em exposição no museu Carde, em Campos do Jordão, no interior de São Paulo, como parte de uma mostra dedicada aos 70 anos do modelo. O carro que foi o primeiro automóvel fabricado em série no Brasil permanece como testemunho de um momento em que a indústria nacional ainda acreditava que podia competir com criatividade e eficiência, antes que o mercado decidisse que o futuro pertencia aos carros maiores e mais poderosos.
Citas Notables
Naquele momento, as cidades não apresentavam problemas de mobilidade e a gasolina era barata. As vantagens oferecidas pelo nosso carro ainda não sensibilizavam o público— Eugênio Chiti, filho de Carlos Chiti