Num plenário onde o poder se mede em votos e em acordos feitos nos bastidores, o Senado Federal reconduziu Rodrigo Pacheco à presidência da Casa, em mais um capítulo da longa disputa entre o novo governo e a oposição que ainda se reorganiza. Foram 49 votos contra 32 para Rogério Marinho, num resultado que, para o Planalto, significa mais do que um cargo: é a chance de ver seus projetos respirarem no Congresso. A escolha também revela um temor antigo da política brasileira, o de que o Legislativo se torne caminho para pautas conservadoras e para pressões sobre o Supremo, e por isso o voto foi t
Rodrigo Pacheco é reeleito presidente do Senado com 49 votos e reforça base de Lula no Congresso
Um escudo contra o avanço de pautas conservadoras
Pacheco ganhou por 49 a 32. Por que isso é tratado como vitória do governo, e não só dele?
Porque ele concorreu com apoio declarado de Lula e da base aliada, e Marinho tinha o apoio declarado de Bolsonaro. O placar acabou lido como um primeiro teste de forças no Congresso em 2023.
E o que o governo ganha na prática?
Melhores condições para pautas como a reforma tributária, programas sociais e direitos humanos. Também há a ideia de um escudo contra pautas conservadoras de costumes e pedidos de impeachment de ministros do STF.
Vale separar as coisas: que o governo espera isso é o que o texto relata. Que Pacheco vá de fato entregar essas pautas ainda não está demonstrado.
Ele era favorito, mas houve sustos?
Sim. Senadores do próprio bloco vencedor declararam voto em Marinho, descontentes com a falta de espaço em posições de comando e com a aliança com Davi Alcolumbre.
E o governo respondeu negociando cargos de segundo e terceiro escalões. A reportagem não diz quantos cargos nem quais, então não dá para medir o peso dessa negociação no resultado.
O que vem agora?
Na quinta-feira, às 10h, a eleição do restante da Mesa. Veneziano Vital do Rêgo deve ser reconduzido à vice-presidência.
"deve ser" é expectativa, não resultado. Só a sessão confirma.
Le Pouls
- Pacheco venceu Rogério Marinho por 49 a 32 e seguirá à frente do Senado até janeiro de 2025, mas a margem não escondeu rachaduras no próprio bloco governista.
- Senadores da base chegaram a sinalizar voto na oposição, irritados com a falta de espaço em comandos da Casa e com a aliança do presidente com Davi Alcolumbre.
- O Planalto correu para conter a dissidência, negociando cargos de segundo e terceiro escalões e reforçando contatos com parlamentares até a véspera da votação.
- A vitória é lida como a primeira grande do governo Lula no Congresso em 2023, abrindo caminho para a reforma tributária e pautas sociais.
- A eleição do restante da Mesa Diretora acontece nesta quinta-feira (2), com Veneziano Vital do Rêgo deve voltar à vice-presidência.
Num plenário onde o poder se mede em votos e em acordos feitos nos bastidores, o Senado Federal reconduziu Rodrigo Pacheco à presidência da Casa, em mais um capítulo da longa disputa entre o novo governo e a oposição que ainda se reorganiza. Foram 49 votos contra 32 para Rogério Marinho, num resultado que, para o Planalto, significa mais do que um cargo: é a chance de ver seus projetos respirarem no Congresso. A escolha também revela um temor antigo da política brasileira, o de que o Legislativo se torne caminho para pautas conservadoras e para pressões sobre o Supremo, e por isso o voto foi tanto uma aposta no futuro quanto um gesto defensivo.
Na quarta-feira (1º), o plenário do Senado reelegeu Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a presidência da Casa, com 49 votos contra 32 dados a Rogério Marinho (PL-RN). Com isso, Pacheco segue no comando do Senado e do Congresso Nacional até janeiro de 2025.
A disputa foi marcada por apoios declarados: Lula esteve com Pacheco, e Jair Bolsonaro, com Marinho, que liderou um bloco de oposição formado por PL, PP e Republicanos. Pacheco reuniu PSD, MDB, PT, PSB, PDT, Rede e a maior parte do União Brasil.
Para o governo, a vitória é a primeira grande no Congresso em 2023 e abre espaço para a reforma tributária, programas sociais e pautas de direitos humanos. Há também um motivo defensivo: com mais bolsonaristas eleitos, o Planalto via em Pacheco uma barreira contra costumes conservadores e pedidos de impeachment de ministros do STF.
Pacheco, que era favorito, precisou conter a candidatura de Marinho nos dias anteriores. Parte da própria base ameaçava votar na oposição, insatisfeita com a falta de espaço nos comandos da Casa e com a aliança do presidente com Davi Alcolumbre. O governo respondeu com negociações por cargos.
Nascido em Porto Velho, Pacheco é advogado criminalista formado pela PUC Minas. Chegou à política em 2014 como deputado federal, presidiu a CCJ da Câmara em meio às denúncias contra Michel Temer, elegeu-se senador por Minas em 2018 e presidiu o Senado pela primeira vez em 2021, quando autorizou a CPI da Covid.
A Mesa Diretora será completada nesta quinta-feira (2), às 10h, com a provável recondução de Veneziano Vital do Rêgo à vice-presidência e a escolha dos secretários.
Na quarta-feira (1º), o plenário do Senado Federal reelegeu Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a presidência da Casa. Ele recebeu 49 votos, contra 32 dados ao senador Rogério Marinho (PL-RN). Com o resultado, Pacheco continua no comando do Senado por mais dois anos, até janeiro de 2025, e segue como presidente do Congresso Nacional e chefe do Poder Legislativo.
Pacheco disputou com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da base aliada do governo. Seu bloco reúne PSD, MDB, PT, PSB, PDT e Rede Sustentabilidade, e ele ainda levou a maioria dos votos do União Brasil. Marinho, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, apresentou-se como candidato da oposição, com um bloco formado por PL, PP e Republicanos, e contou com o apoio declarado do ex-presidente.
A vitória é vista como a primeira grande do governo Lula no Congresso em 2023. Para os governistas, ela dá melhores condições para que avancem pautas de interesse do Planalto, como a reforma tributária, a ampliação de programas sociais e temas ligados a direitos humanos.
Há ainda uma leitura defensiva. Com o aumento do número de parlamentares bolsonaristas, os petistas veem em Pacheco um escudo contra o avanço de pautas conservadoras de costumes e contra pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O temor era que uma vitória de Marinho desse força a essas agendas no Legislativo.
Apesar de ter sido favorito durante toda a disputa, Pacheco precisou conter o crescimento da candidatura de Marinho nos dias anteriores à votação. Senadores do próprio bloco vencedor vinham declarando voto no candidato da oposição, descontentes com a falta de espaço em posições de comando da Casa e com a aliança do presidente com o senador Davi Alcolumbre (União-AP). Diante disso, o governo reforçou as negociações com os senadores, sobretudo em torno de cargos de segundo e terceiro escalões ainda não ocupados nos ministérios.
Pacheco tem 46 anos e nasceu em Porto Velho (RO). É formado em Direito pela PUC Minas e atuou como advogado criminalista. Entrou na política em 2014, eleito deputado federal pelo MDB mineiro. Em 2016, candidatou-se a prefeito de Belo Horizonte e ficou em terceiro lugar, com 10% dos votos. No ano seguinte presidiu a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, durante as duas denúncias da Procuradoria-Geral da República contra o então presidente Michel Temer.
Em 2018, pelo DEM, elegeu-se senador por Minas Gerais e, em 2021, chegou pela primeira vez à presidência do Senado. Naquele mandato, manteve relação mais distante de Bolsonaro, mas fez avançar algumas pautas do governo, sobretudo na economia. Em abril de 2021, autorizou a abertura da CPI da Covid, após determinação do ministro Luís Roberto Barroso, do STF. Em 2022, já no PSD, foi pré-candidato à Presidência da República, mas desistiu, e não declarou apoio a nenhum candidato na eleição.
O restante da Mesa Diretora será definido em sessão marcada para quinta-feira (2), às 10h. O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) deve ser reconduzido à vice-presidência, e serão eleitos também o 1º, 2º, 3º e 4º secretários.
Citations marquantes
Governistas veem a vitória como garantia de melhores condições para reforma tributária, programas sociais e direitos humanos.— Avaliação de governistas, segundo O Tempo