Em apenas sete dias de janeiro de 2022, o Rio de Janeiro já somava mais que o dobro dos casos registrados em todo dezembro, empurrado pela ômicron, variante de transmissão mais veloz. A cidade vive um novo capítulo de uma batalha conhecida, em que o número de contágios volta a subir antes que os hospitais sintam o peso total da onda. Há, porém, um alívio que pesa na balança: as mortes diárias, que chegaram a 72 no pico de agosto, agora estão em zero, e a vacinação aparece como a razão mais provável. O que ainda não se sabe é até onde esse escudo se sustentará diante de um vírus que se espalha
Rio registra em sete dias de janeiro o dobro dos casos de dezembro e bate recorde de média diária
Em sete dias de janeiro, o Rio já tem mais que o dobro dos casos de dezembro
Doze mil casos em uma semana. Por que esse número pesa tanto?
Porque é mais que o dobro de dezembro inteiro, 5.811 casos, e a média diária de 1.987 é a maior da pandemia no Rio.
Mas as mortes estão em zero.
A média móvel de óbitos é zero, contra 72 no pico de agosto. A reportagem atribui isso à vacinação.
Vale separar: o dado de zero óbitos é da prefeitura, e a ligação com a vacina é a explicação apresentada, não uma medição feita no texto.
E as internações?
Subiram de 25 para 43 em poucos dias, com 13 na fila por leitos. Cresce mais devagar que os casos.
Ainda assim, é uma alta de quase 70% em poucos dias, e os dados seguem em atualização.
A positividade de 43% muda a leitura?
Sim. Foram cerca de 36 mil testes, contra 46 mil em agosto. Com positividade maior, é provável que haja casos não detectados.
"Provável" é inferência. A reportagem mostra os números, mas não estima quantos casos escapam.
E o Carnaval de rua?
Foi cancelado para 2022, e quatro novos polos de testagem abrem em dez dias.
Der Puls
- Em sete dias, o Rio chegou a 12.422 casos confirmados, mais que o dobro de todo o mês de dezembro.
- A média diária de 1.987 casos é a maior de toda a pandemia, superando o recorde de agosto por pouco.
- A positividade dos testes subiu para 43%, sinal de que a doença circula mais do que o número de testes deixa ver.
- As internações saltaram de 25 para 43 pacientes na rede municipal, e 13 pessoas aguardam vaga em leito.
- A prefeitura cancelou o Carnaval de rua de 2022 e prepara quatro novos polos de testagem em dez dias.
- Os óbitos seguem em zero na média móvel, enquanto a vacinação tenta conter o avanço da ômicron.
Em apenas sete dias de janeiro de 2022, o Rio de Janeiro já somava mais que o dobro dos casos registrados em todo dezembro, empurrado pela ômicron, variante de transmissão mais veloz. A cidade vive um novo capítulo de uma batalha conhecida, em que o número de contágios volta a subir antes que os hospitais sintam o peso total da onda. Há, porém, um alívio que pesa na balança: as mortes diárias, que chegaram a 72 no pico de agosto, agora estão em zero, e a vacinação aparece como a razão mais provável. O que ainda não se sabe é até onde esse escudo se sustentará diante de um vírus que se espalha tão depressa.
Passados apenas sete dias de janeiro de 2022, a cidade do Rio de Janeiro já contabilizava 12.422 casos confirmados de Covid-19. O número supera em mais do dobro o total de todo o mês de dezembro, quando 5.811 pessoas testaram positivo. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde e ainda estavam em atualização.
A ômicron, variante mais transmissível, domina os casos. Na véspera, a capital chegou à maior média diária de toda a pandemia, com 1.987 registros nos últimos sete dias, superando por pouco o recorde de agosto, quando o prefeito Eduardo Paes chamou o Rio de epicentro da variante delta.
Os dois picos se parecem, mas há diferenças. A positividade subiu de 31% para 43%, o que indica que menos gente está sendo testada: cerca de 36 mil testes nesta semana, contra 46 mil no pico anterior.
As internações crescem mais devagar. Eram 25 pessoas internadas no início da semana e 43 na sexta-feira, com outros 13 pacientes na fila por leitos. A maior diferença está nos óbitos: a média que chegou a 72 mortes diárias em agosto está hoje em zero, explicada pelo avanço da vacinação.
Diante da escalada, Paes anunciou o cancelamento do Carnaval de rua de 2022 e a abertura de mais quatro polos de testagem em dez dias. No mesmo dia, defendeu a exigência do passaporte da vacina, criticando quem não acredita na ciência. O que se observa daqui em diante é se as internações acompanharão os casos e se a média de óbitos continuará em zero.
Passados apenas sete dias de janeiro de 2022, a cidade do Rio de Janeiro já contabilizava 12.422 casos confirmados de Covid-19. O número supera em mais do dobro o total de todo o mês de dezembro, quando 5.811 pessoas testaram positivo. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde e ainda estavam em atualização.
O avanço da ômicron, variante mais transmissível, domina os casos na cidade. Na véspera, a capital fluminense chegou à maior média diária de toda a pandemia: 1.987 registros nos últimos sete dias. O recorde anterior era de 1.983, de 16 de agosto, quando o prefeito Eduardo Paes (PSD) chamou o Rio de "epicentro da variante delta" no Brasil.
Os dois picos se parecem, mas há diferenças. A taxa de positividade, que era de 31% em agosto, agora está em 43%. Isso indica que menos gente está sendo testada: na semana do pico anterior foram feitos 46 mil testes, e nesta, cerca de 36 mil. A análise considera a data de início dos sintomas, de modo que todos os casos de janeiro correspondem a pessoas que sentiram os efeitos da doença nesta semana.
As internações crescem em ritmo mais lento. No início da semana, 25 pessoas estavam internadas na rede pública municipal; na tarde de sexta-feira, eram 43, com outros 13 pacientes na fila por leitos.
A maior diferença está nos óbitos. No pico de agosto, a média móvel era de 72 mortes por dia, calculada sobre os sete dias anteriores. Hoje, é zero. A explicação apontada é o avanço da vacinação.
Diante da escalada, Paes anunciou o cancelamento do Carnaval de rua de 2022. A prefeitura também informou que abrirá, em dez dias, mais quatro polos de testagem espalhados pela cidade.
No mesmo dia, o prefeito defendeu a exigência do passaporte da vacina no município. Repetindo o presidente francês Emmanuel Macron, que em entrevista ao Le Parisien, na quarta-feira (5), disse querer "encher o saco" dos não vacinados, Paes afirmou estar "dificultando a vida daqueles que não creem na ciência, não creem na vacina". Chamou de "inaceitável" duvidar da ciência e disse que "não há um lugar no mundo" que não tenha comprovado que não vacinados são mais internados e morrem mais. E completou: "Tomara que sejam salvas [as vidas dos não vacinados] porque nós temos que salvar até aqueles que não têm consciência, mas vamos vacinar".
O que se observa daqui em diante é se as internações, hoje em alta moderada, seguirão acompanhando os casos, e se a média de óbitos continuará em zero.
Bemerkenswerte Zitate
Estamos dificultando a vida daqueles que não creem na ciência, não creem na vacina.— Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro