Vinte anos após a sanção da Lei Maria da Penha, Rio das Ostras transforma agosto em um mês de memória e mobilização, reconhecendo que uma lei, por mais transformadora que seja, só ganha vida plena quando sustentada por redes humanas de proteção e pela disposição coletiva de nomear o que muitas vezes permanece invisível. A campanha Agosto Lilás reúne secretarias, instituições e comunidade para lembrar que a violência doméstica assume formas silenciosas — psicológica, moral, patrimonial — e que a prevenção começa no reconhecimento dos primeiros sinais. É um convite à vigilância solidária: a viol
Rio das Ostras marca 20 anos da Lei Maria da Penha com programação do Agosto Lilás
A violência começa onde o respeito termina
Por que marcar especificamente os vinte anos da Lei Maria da Penha agora? O que mudou desde 2006?
A lei criou um marco legal que antes não existia. Antes, a violência doméstica era frequentemente tratada como assunto privado. Agora há mecanismos de proteção, medidas judiciais, uma rede de atendimento. Mas vinte anos depois, a campanha reconhece que ainda há muito trabalho de conscientização a fazer.
A programação em Rio das Ostras parece bastante extensa. Qual é o objetivo real dessas atividades?
Não é apenas comemoração. É educação. Muitas mulheres não sabem que isolamento, controle financeiro ou humilhação são formas de violência reconhecidas pela lei. A campanha quer que as pessoas entendam que violência vai muito além de agressão física.
E a rede de proteção local? Como funciona na prática?
Há várias camadas. O CEAM oferece acolhimento e orientação psicossocial. A Patrulha Maria da Penha monitora mulheres que já têm medidas protetivas. Mas tudo depende de denúncia. Se ninguém falar, a rede não consegue agir.
Qual é o maior desafio que você vê nesse trabalho?
Reconhecer os primeiros sinais. A campanha diz que a violência começa onde o respeito termina, mas muitas vezes as pessoas normalizam comportamentos de controle, isolamento, humilhação. Veem como ciúme, como amor possessivo. Não veem como violência.
E as ações intermunicipais? Por que envolver outras cidades?
Porque violência doméstica não respeita fronteiras municipais. Uma mulher pode precisar de proteção em mais de um lugar. Casimiro de Abreu e Cabo Frio têm suas próprias redes, mas quando trabalham juntas, conseguem oferecer proteção mais ampla.
El Pulso
- Duas décadas depois de sua sanção, a Lei Maria da Penha ainda precisa ser explicada, ampliada e defendida — sinal de que leis mudam códigos, mas transformar culturas exige tempo e esforço contínuo.
- Rio das Ostras mobiliza múltiplas secretarias, a Patrulha Maria da Penha e o CEAM em uma programação que vai de capacitações técnicas a caminhadas comunitárias, tornando visível o que costuma acontecer em silêncio.
- A campanha deste ano amplia o conceito de violência para além das marcas físicas, nomeando seis formas reconhecidas pela lei — incluindo a violência vicária, que usa filhos e familiares como instrumentos de controle.
- Uma ação intermunicipal com Casimiro de Abreu e Cabo Frio no dia 27 sinaliza que a proteção às mulheres não pode ser contida por fronteiras administrativas.
- Canais de denúncia locais e nacionais são reforçados durante o mês, reconhecendo que a rede de proteção só funciona quando a comunidade também se dispõe a ver e a agir.
Vinte anos após a sanção da Lei Maria da Penha, Rio das Ostras transforma agosto em um mês de memória e mobilização, reconhecendo que uma lei, por mais transformadora que seja, só ganha vida plena quando sustentada por redes humanas de proteção e pela disposição coletiva de nomear o que muitas vezes permanece invisível. A campanha Agosto Lilás reúne secretarias, instituições e comunidade para lembrar que a violência doméstica assume formas silenciosas — psicológica, moral, patrimonial — e que a prevenção começa no reconhecimento dos primeiros sinais. É um convite à vigilância solidária: a violência começa onde o respeito termina.
Rio das Ostras dedica o mês de agosto a uma campanha de mobilização contra a violência doméstica em um momento especialmente simbólico: os vinte anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006. A legislação transformou a resposta do Brasil à violência nas relações familiares e afetivas, tornando-se referência internacional. Duas décadas depois, o município reconhece que celebrar a lei significa também renová-la na prática cotidiana.
A programação do Agosto Lilás envolve múltiplas secretarias municipais, o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) e a Patrulha Maria da Penha. As atividades começaram ainda em julho e se estendem até o fim do mês, com capacitações técnicas, caminhadas, encontros de acolhimento, uma ação intermunicipal com Casimiro de Abreu e Cabo Frio, e encerramento com uma motociata de mulheres no dia 30. O ponto alto é o dia 7 de agosto, quando a prefeitura realiza uma ação comemorativa no aniversário exato da lei.
A campanha deste ano enfatiza que a violência assume formas que muitas vezes não deixam marcas visíveis. Além da agressão física, a Lei Maria da Penha reconhece violência psicológica, moral, sexual, patrimonial e vicária — esta última quando filhos ou familiares são usados para controlar ou causar sofrimento. A mensagem central é direta: a violência começa onde o respeito termina, e ignorar os primeiros sinais tem consequências graves.
A rede permanente de proteção em Rio das Ostras funciona pelo CEAM, que oferece acolhimento e orientação psicossocial, e pela Patrulha Maria da Penha, que monitora o cumprimento de medidas protetivas de urgência. Para denúncias, estão disponíveis o Disque 180 em nível nacional, a Patrulha pelo (22) 2771-5000 e o CEAM pelo (22) 2771-3125 — canais que traduzem em números o reconhecimento de que enfrentar a violência doméstica depende tanto de leis quanto de comunidades dispostas a agir.
Rio das Ostras dedica todo o mês de agosto a uma campanha de mobilização contra a violência doméstica, marcando um momento particularmente significativo: os vinte anos da Lei Maria da Penha. A legislação, sancionada em 7 de agosto de 2006, transformou a forma como o Brasil responde à violência contra as mulheres nas relações familiares e afetivas, criando mecanismos de proteção que se tornaram referência internacional. Duas décadas depois, a lei continua sendo um dos principais marcos na defesa dos direitos das mulheres brasileiras.
A programação do Agosto Lilás em Rio das Ostras envolve múltiplas secretarias municipais, instituições especializadas e representantes da sociedade civil. A Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social coordena as ações em parceria com a Secretaria de Guarda, Trânsito e Ordem Pública, o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) e a Patrulha Maria da Penha. O calendário de atividades começou no final de julho, durante festivais gastronômicos e culturais, e se estende até o final do mês com eventos que vão desde capacitações técnicas até mobilizações comunitárias.
O mês de agosto traz datas marcantes. No dia 5, equipes do CEAM recebem capacitação especializada. No dia 7, quando a Lei Maria da Penha completa exatamente vinte anos, a prefeitura realiza uma ação comemorativa em seu pátio. Seguem-se uma caminhada e corrida na Lagoa de Iriri no dia 16, um encontro de acolhimento e autocuidado para usuárias do CEAM no dia 17, a entrega de kits para participantes de uma corrida no dia 23, uma ação intermunicipal envolvendo Casimiro de Abreu e Cabo Frio no dia 27, e encerramento com uma motociata de mulheres no dia 30.
A campanha deste ano enfatiza que a violência assume muitas formas além da agressão física. A Lei Maria da Penha reconhece seis tipos distintos: violência física, que inclui empurrões, tapas, socos e chutes; violência psicológica, caracterizada por ameaças, humilhações, perseguições, isolamento e controle; violência moral, que abrange calúnia, difamação e injúria; violência sexual, qualquer ato sem consentimento ou divulgação de imagens íntimas; violência patrimonial, como retenção de dinheiro, destruição de bens e impedimento ao trabalho; e violência vicária, quando filhos ou familiares são usados para controlar, ameaçar ou causar sofrimento psicológico. Muitas dessas formas não deixam marcas visíveis, mas provocam consequências graves na vida das mulheres.
A mensagem central da campanha é direta: a violência começa onde o respeito termina, e não se deve ignorar os primeiros sinais. Essa orientação reflete uma compreensão de que a prevenção e o acolhimento das vítimas são tão essenciais quanto a responsabilização dos agressores. Em Rio das Ostras, essa rede permanente de proteção funciona através do CEAM, que oferece acolhimento, orientação psicossocial e encaminhamento para serviços de proteção, e da Patrulha Maria da Penha, vinculada à Guarda Civil Municipal, que acompanha mulheres com medidas protetivas de urgência, monitorando e fiscalizando o cumprimento das decisões judiciais.
Para mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que presencie agressões, existem canais de denúncia disponíveis. O Disque 180 funciona como central de atendimento à mulher em nível nacional. Localmente, a Patrulha Maria da Penha pode ser contatada pelo número (22) 2771-5000, e o CEAM pelo (22) 2771-3125. A existência desses canais reflete o reconhecimento de que o enfrentamento à violência doméstica e familiar depende não apenas de leis, mas de uma rede coordenada de instituições, profissionais e da disposição da comunidade em reconhecer e denunciar situações de abuso.
Citas Notables
O enfrentamento à violência depende não apenas da responsabilização dos agressores, se fazendo evidente para a prevenção e o acolhimento das vítimas— Programação municipal do Agosto Lilás