Retatrutida reduz peso em mais de 18% em obesos com diabetes tipo 2

Redução de 21,9% em quem mais precisava, contra 3,8% no placebo
Entre pacientes com IMC acima de 35 kg/m², a retatrutida mostrou resposta muito mais acentuada que o placebo.
Mark

Por que esse resultado é tão diferente do que temos visto com outros medicamentos para diabetes e obesidade?

Mimi

A retatrutida funciona em três receptores ao mesmo tempo, não apenas dois como a tirzepatida. Isso parece criar um efeito mais potente, especialmente em pessoas cuja doença não responde bem aos agonistas de GLP-1 sozinhos.

Luke

Mas vale notar que o estudo não comparou retatrutida com tirzepatida diretamente. Sabemos que retatrutida perdeu mais peso, mas não sabemos se é porque é melhor ou se a população era diferente.

Mark

E quanto aos efeitos colaterais? Diarreia em 34% parece bastante alto.

Mimi

É alto, mas a maioria foi leve a moderada. O que preocupa mais é que 12% dos pacientes na dose de 9 mg tiveram que parar o tratamento por efeitos adversos.

Luke

Verdade. E há três casos de pancreatite — não é um número grande, mas é algo que precisa ser monitorado quando o medicamento chegar ao mercado.

Mark

Quando esse medicamento vai estar disponível para os pacientes?

Mimi

Ainda não tem aprovação em nenhuma agência regulatória. No Brasil, precisa passar pela Anvisa primeiro.

Luke

E há uma pergunta em aberto: quanto tempo o efeito dura? O estudo acompanhou os pacientes por 80 semanas, mas não sabemos se a perda de peso se mantém depois ou se o peso volta.

Mark

A população do estudo era representativa?

Mimi

Tinha IMC médio de 38,2 e 92% já usava medicamentos orais para diabetes — era gente com doença bem estabelecida, não casos leves.

Luke

Exatamente. Então os resultados valem para pessoas com obesidade grave e diabetes tipo 2 mal controlado, mas não necessariamente para toda pessoa com sobrepeso.

  • A retatrutida reduziu o peso em até 18,8% — superando os 14,7% alcançados pela tirzepatida no mesmo perfil de pacientes —, o que reacende o debate sobre o teto terapêutico dos agonistas de GLP-1 isolados.
  • Três em cada quatro pacientes que receberam a dose mais alta perderam ao menos 10% do peso, um limiar considerado clinicamente relevante para alterar a progressão do diabetes tipo 2.
  • Os efeitos adversos gastrointestinais foram frequentes — diarreia em 34% e náuseas em 28% —, e a taxa de abandono por efeitos colaterais chegou a 12% com a dose intermediária, sinalizando desafios reais de tolerabilidade.
  • O estudo não incluiu comparador ativo e não responde se o efeito se sustenta após a interrupção do tratamento, deixando lacunas que reguladores e clínicos precisarão enfrentar.
  • Sem aprovação da Anvisa nem de outras agências internacionais, a retatrutida permanece fora do alcance dos pacientes — a ciência avançou, mas o acesso ainda não.

Em um momento em que a medicina busca respostas mais eficazes para a intersecção entre obesidade e diabetes tipo 2, a retatrutida surge como um candidato promissor: um medicamento que age em três eixos hormonais ao mesmo tempo e que, em ensaio clínico de fase 3 publicado no The Lancet, reduziu o peso corporal em até 18,8% ao longo de 80 semanas. O estudo TRIUMPH-2, conduzido em oito países incluindo o Brasil, coloca em perspectiva os limites dos tratamentos anteriores e levanta questões sobre o que significa, de fato, tratar a obesidade em quem já convive com o diabetes. O medicamento, porém, ainda aguarda aprovação regulatória — e a distância entre a evidência científica e a prática clínica permanece, por ora, intacta.

Um ensaio clínico de fase 3 publicado no The Lancet no final de setembro apresenta dados que podem redefinir o tratamento da obesidade em pacientes com diabetes tipo 2. A retatrutida — que age simultaneamente nos receptores de GIP, GLP-1 e glucagon — reduziu o peso corporal em até 18,8% ao longo de 80 semanas, contra 5,1% no grupo placebo. O estudo, financiado pela Eli Lilly, recrutou 1.152 participantes em 92 centros de oito países, incluindo o Brasil.

A população estudada tinha IMC médio de 38,2 kg/m², e 92% já usavam medicamentos orais para controlar o diabetes — um perfil de doença estabelecida e de difícil manejo. Entre os pacientes com IMC igual ou superior a 35 kg/m², a perda chegou a 21,9% com a dose mais alta. Três em cada quatro participantes que receberam 12 mg perderam ao menos 10% do peso, comparado a um em cada cinco no grupo controle.

Além do emagrecimento, o medicamento melhorou o controle glicêmico: a hemoglobina glicada caiu entre 1,38% e 1,50%, e até 72% dos tratados atingiram níveis considerados de bom controle, contra 29% no placebo. Pressão arterial sistólica e triglicerídeos também recuaram de forma significativa.

Os efeitos colaterais, porém, foram frequentes. Diarreia afetou 34% dos pacientes e náuseas, 28% — geralmente leves a moderadas. A taxa de abandono por efeitos adversos chegou a 12% com a dose de 9 mg, e três casos de pancreatite foram registrados no grupo tratado. O estudo não incluiu comparador ativo e não esclarece o que ocorre com o peso após a interrupção do tratamento.

A retatrutida supera os 14,7% de perda de peso registrados pela tirzepatida no estudo SURMOUNT-2 — até então o melhor resultado documentado nessa população. Ainda assim, o medicamento não possui aprovação da Anvisa nem de outras agências regulatórias internacionais, o que significa que permanece indisponível para prescrição clínica em qualquer país.

Um ensaio clínico de fase 3 publicado no The Lancet no final de setembro apresenta resultados que podem reconfigurar o tratamento da obesidade em pacientes com diabetes tipo 2. A retatrutida, um medicamento que atua simultaneamente em três receptores hormonais distintos — GIP, GLP-1 e glucagon — conseguiu reduzir o peso corporal em até 18,8% ao longo de 80 semanas, uma melhora substancial comparada aos 5,1% observados com placebo.

O estudo TRIUMPH-2 recrutou 1.152 participantes distribuídos em 92 centros espalhados por oito países, entre eles o Brasil. Os voluntários foram divididos aleatoriamente para receber placebo ou retatrutida em doses semanais de 4 mg, 9 mg ou 12 mg. A população estudada tinha índice de massa corporal médio de 38,2 kg/m², e 92% já faziam uso de medicamentos orais para controlar o diabetes — um indicador de que se tratava de uma doença já estabelecida e de difícil controle. A Eli Lilly financiou a pesquisa.

Entre os pacientes com IMC de 35 kg/m² ou superior, a redução de peso chegou a 21,9% com a dose mais alta, contra apenas 3,8% no grupo placebo. Três em cada quatro participantes que receberam 12 mg perderam pelo menos 10% do seu peso corporal, comparado a um em cada cinco no grupo controle. Essa magnitude de perda — acima de 10% a 15% — tem potencial para alterar significativamente a progressão do diabetes, segundo os autores do estudo.

Além da redução de peso, o medicamento melhorou o controle glicêmico. A hemoglobina glicada caiu entre 1,38% e 1,50%, enquanto o placebo produziu queda de apenas 0,45%. Como resultado, até 72% dos pacientes tratados atingiram níveis de hemoglobina glicada de 6,5% ou menores — considerado um bom controle — contra 29% no grupo placebo. O tratamento também reduziu a pressão arterial sistólica em até 9,7 mmHg e os triglicerídeos em até 35,6%, ambos marcadores importantes para a saúde cardiovascular.

Os efeitos colaterais, porém, foram frequentes. Diarreia afetou 34% dos pacientes tratados e náuseas atingiram 28%, comparado a 13% e 8% no placebo, respectivamente — geralmente de intensidade leve a moderada. Hipotensão ocorreu em até 6% dos tratados e uma sensação anormal de formigamento em até 7%, contra menos de 1% no placebo para ambos os eventos. Três casos de inflamação do pâncreas foram registrados no grupo da retatrutida. A interrupção do tratamento por efeitos adversos ou morte chegou a 12% com a dose de 9 mg, contra 5% no placebo, embora todas as mortes tenham sido consideradas pelos investigadores como não relacionadas ao medicamento.

Este resultado representa um avanço notável em relação aos tratamentos anteriores. A tirzepatida, outro medicamento de ação dupla aprovado para diabetes tipo 2, havia alcançado uma perda de peso de 14,7% no estudo SURMOUNT-2 — até então o melhor resultado documentado nessa população. A retatrutida agora supera esse número, oferecendo também melhora adicional no controle glicêmico e em outros marcadores de risco cardiovascular.

Uma limitação importante do estudo é que não incluiu um comparador ativo — ou seja, não confrontou a retatrutida diretamente com outros medicamentos já disponíveis. Além disso, os dados sobre a perda de peso a longo prazo permanecem desconhecidos; o acompanhamento foi de 80 semanas, mas não está claro se o efeito se mantém indefinidamente ou se o peso volta a aumentar após a interrupção do tratamento. A retatrutida ainda não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasileira nem aprovação de outras agências regulatórias internacionais, o que significa que o medicamento não está disponível para prescrição clínica em nenhum país por enquanto.

A retatrutida alcança 18,8% de perda de peso, com melhora adicional do controle glicêmico e de outros marcadores cardiometabólicos, ampliando as perspectivas de tratamento para essa população
— Dra. Priscila Aroucha, endocrinologista da Afya
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