Na confluência entre a ciência metabólica e a urgência crescente da crise global de obesidade, a Eli Lilly apresentou em Milão dados que sugerem um novo limiar terapêutico: a retatrutida, um triplo agonista hormonal, reduziu o peso corporal em até 23,4% em participantes com obesidade severa ao longo de 80 semanas. O estudo TRIUMPH-2, publicado simultaneamente no The Lancet, não trata apenas de quilos perdidos — aponta para a possibilidade de tratar, com um único medicamento, duas das condições crônicas mais prevalentes e interligadas do nosso tempo.
Retatrutida reduz peso em até 23,4% em testes clínicos finais contra obesidade
59,5% dos participantes deixaram de atender critérios para obesidade
Por que esse medicamento é diferente dos que já existem no mercado?
A retatrutida é um triplo agonista—funciona em três hormônios diferentes, não apenas um ou dois como os medicamentos anteriores. Isso amplifica o efeito na perda de peso e no controle do açúcar no sangue.
Mas como sabemos que esses resultados vão se manter fora do ambiente clínico controlado? O estudo durou 80 semanas, o que é relativamente curto para um medicamento que as pessoas podem tomar por anos.
Os números de perda de peso parecem impressionantes. Quanto disso é realmente significativo do ponto de vista médico?
Perder 23% do peso corporal em pessoas com obesidade severa é clinicamente importante—reduz risco de doenças cardíacas, melhora o controle do diabetes e alivia pressão nas articulações. Além disso, 59,5% dos participantes deixaram de atender critérios para obesidade.
Verdade, mas precisamos lembrar que esses são participantes que se voluntariaram para um ensaio clínico e receberam acompanhamento intensivo. A adesão e os resultados podem ser diferentes quando o medicamento estiver disponível para o público geral.
E quanto aos efeitos colaterais? Parecem toleráveis?
Os eventos adversos mais comuns—diarreia, náusea, constipação—foram geralmente leves a moderados e melhoraram durante o tratamento. Ninguém abandonou o estudo por causa deles.
O estudo não menciona quantos participantes experimentaram cada efeito colateral ou qual foi a taxa de abandono real. Também não sabemos como esses efeitos se comportam a longo prazo, além das 80 semanas observadas.
Quando esse medicamento chegará ao mercado?
A Eli Lilly planeja solicitar aprovação à FDA no primeiro trimestre de 2027. Se aprovado, poderia estar disponível dentro de alguns meses após isso.
Aprovação da FDA não é garantida, mesmo com resultados positivos. Há sempre a possibilidade de a agência solicitar dados adicionais ou ter preocupações que não foram levantadas durante o ensaio.
El Pulso
- A obesidade e o diabetes tipo 2 coexistem na maioria dos pacientes, mas raramente são tratados de forma integrada — a retatrutida surge como resposta direta a esse impasse histórico.
- Participantes com obesidade severa perderam em média 27,5 kg com a dose máxima, e quase 60% deixaram de se enquadrar nos critérios diagnósticos de obesidade ao fim do estudo.
- O medicamento também reduziu hemoglobina glicada, triglicerídeos, pressão arterial e inflamação sistêmica, ampliando seu impacto muito além da balança.
- Efeitos adversos como náusea, diarreia e disestesia foram registrados, mas em sua maioria de intensidade leve a moderada e com resolução espontânea durante o tratamento.
- A Eli Lilly mira a aprovação da FDA no primeiro trimestre de 2027, enquanto ensaios adicionais já investigam o uso da retatrutida para apneia do sono e osteoartrite de joelho.
Na confluência entre a ciência metabólica e a urgência crescente da crise global de obesidade, a Eli Lilly apresentou em Milão dados que sugerem um novo limiar terapêutico: a retatrutida, um triplo agonista hormonal, reduziu o peso corporal em até 23,4% em participantes com obesidade severa ao longo de 80 semanas. O estudo TRIUMPH-2, publicado simultaneamente no The Lancet, não trata apenas de quilos perdidos — aponta para a possibilidade de tratar, com um único medicamento, duas das condições crônicas mais prevalentes e interligadas do nosso tempo.
A Eli Lilly divulgou os resultados do ensaio clínico de fase 3 TRIUMPH-2 durante a 62ª Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão, com publicação simultânea no The Lancet. O estudo avaliou a retatrutida — novo medicamento para obesidade e diabetes tipo 2 — em cerca de 1.152 participantes distribuídos entre três dosagens do fármaco ou placebo, ao longo de 80 semanas.
Os resultados variaram conforme a dose. Com 4 mg, a perda média foi de 12,7% do peso corporal; com 9 mg, chegou a 19,1%; e com 12 mg, atingiu 20,8%. Entre os participantes com obesidade grau II ou severa que receberam a dose máxima, a redução média foi de 27,5 kg — equivalente a 23,4% da massa corporal inicial. Ao término do estudo, 59,5% desse grupo não preenchiam mais os critérios diagnósticos para obesidade.
Além da perda de peso, a retatrutida demonstrou controle glicêmico expressivo: reduções de até 1,6% na hemoglobina glicada A1C e normalização dos níveis de glicemia em até 40% dos participantes. O investigador principal Juan P. Frías destacou que a maioria das pessoas com diabetes tipo 2 também convive com obesidade, e que tratar as duas condições simultaneamente sempre foi um desafio — que o medicamento parece agora endereçar.
O perfil cardiovascular também chamou atenção: na dose de 12 mg, triglicerídeos caíram 39,5%, a pressão arterial sistólica recuou 10,8 mmHg e a proteína C-reativa de alta sensibilidade diminuiu 58,3%. Os efeitos adversos mais comuns — náusea, diarreia, constipação e vômito — foram majoritariamente leves a moderados.
A retatrutida se distingue das gerações anteriores por ser um triplo agonista: além de simular GLP-1 e GIP, como o Mounjaro, também age sobre o glucagon, o que potencializa a perda de peso. A Eli Lilly planeja solicitar aprovação à FDA no primeiro trimestre de 2027 e já conduz quatro ensaios globais com mais de 5.800 participantes para investigar outras indicações, como apneia obstrutiva do sono e dor por osteoartrite de joelho.
A Eli Lilly apresentou resultados de um estudo clínico de fase 3 que mostram a retatrutida, seu novo medicamento para obesidade e diabetes tipo 2, reduzindo o peso corporal em até 23,4% entre participantes com obesidade severa. Os dados foram divulgados simultaneamente na 62ª Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes em Milão e na revista The Lancet, referentes ao ensaio TRIUMPH-2.
O estudo envolveu aproximadamente 1.152 participantes divididos aleatoriamente para receber retatrutida em três dosagens diferentes (4 mg, 9 mg ou 12 mg) ou placebo. Aqueles que receberam o medicamento começaram com 2 mg uma vez por semana, com aumentos escalonados a cada quatro semanas até atingirem a dose-alvo. O acompanhamento durou 80 semanas, seguido de um período de observação de quatro semanas após o término do tratamento.
Os resultados foram substanciais. Participantes que tomaram retatrutida 4 mg perderam em média 13,5 kg (12,7% do peso), enquanto aqueles com a dose de 9 mg perderam 20,6 kg (19,1%). Na dose mais alta de 12 mg, a perda média foi de 22,5 kg (20,8% do peso corporal). Entre os participantes que começaram com índice de massa corporal igual ou superior a 35—classificado como obesidade grau II ou severa—aqueles que receberam a dose de 12 mg perderam uma média de 27,5 kg, representando 23,4% da massa corporal inicial. Ao final do estudo, 59,5% dos participantes que tomaram a dose máxima não atendiam mais aos critérios de diagnóstico para obesidade.
Além da perda de peso, o medicamento também melhorou o controle glicêmico. Participantes que receberam 9 mg e 12 mg reduziram a hemoglobina glicada A1C em uma média de 1,6% e 1,5%, respectivamente, enquanto aqueles com 4 mg alcançaram redução de 1,4%. Até 40% dos participantes atingiram níveis de glicemia considerados normais. Juan P. Frías, diretor médico do Los Angeles Institute for Metabolic Research e investigador principal do estudo, destacou que a maioria das pessoas com diabetes tipo 2 também vive com obesidade, tornando o tratamento simultâneo das duas condições um desafio histórico que a retatrutida parece resolver.
O medicamento também impactou fatores de risco cardiovascular. Na dose mais alta, reduziu triglicerídeos em 39,5%, colesterol não-HDL em 19,6%, pressão arterial sistólica em 10,8 mmHg, circunferência da cintura em 16,9 cm e proteína C-reativa de alta sensibilidade em 58,3%. Para contexto, dados do estudo de fase 3 do Mounjaro—outro medicamento da Eli Lilly para obesidade—mostraram reduções de peso de 19,5% com 10 mg e 20,9% com 15 mg, tornando a retatrutida potencialmente mais eficaz.
Os eventos adversos mais frequentes foram diarreia, náusea, constipação, diminuição do apetite e vômito. Também foram observados disestesia—um distúrbio neurológico que causa alterações desagradáveis na sensibilidade da pele—e infecções do trato urinário. A maioria desses eventos foi de intensidade leve a moderada e se resolveu durante o tratamento.
A retatrutida pertence à classe dos análogos de GLP-1, medicamentos que simulam a ação de um hormônio natural no corpo. Diferentemente de gerações anteriores, ela é um triplo agonista: além de simular GLP-1 e GIP (como o Mounjaro), também simula glucagon, o que explica sua maior eficácia na perda de peso. A Eli Lilly planeja solicitar aprovação à FDA, agência reguladora de medicamentos nos EUA, no primeiro trimestre de 2027. A empresa também está testando a retatrutida para apneia obstrutiva do sono e dor por osteoartrite de joelho em quatro ensaios regulatórios globais que já incluem mais de 5.800 participantes.
Citas Notables
A grande maioria das pessoas com diabetes tipo 2 também vive com obesidade, e tratar as duas condições juntas sempre foi um desafio. No TRIUMPH-2, a retatrutida reduziu substancialmente tanto o peso quanto a glicemia.— Juan P. Frías, diretor médico do Los Angeles Institute for Metabolic Research
Com uma eficácia tão poderosa e consistente em todo o nosso programa de Fase 3, acreditamos que a retatrutida pode se tornar uma opção importante para pessoas que vivem com diabetes tipo 2 e obesidade.— Kenneth Custer, vice-presidente executivo da Lilly Cardiometabolic Health