Em meio a um cenário global de urgência climática, o Brasil buscou reafirmar sua identidade como protagonista ambiental após a COP26 em Glasgow. O chanceler Carlos França, falando de Dubai ao lado do presidente Bolsonaro, defendeu o acordo como uma conquista legítima — especialmente a regulamentação do mercado de carbono —, invocando uma tradição diplomática que, segundo ele, remonta à Conferência do Rio de 1992. Num momento em que a credibilidade ambiental do país é contestada por vozes internas e externas, o governo optou por enquadrar o resultado não como um limite, mas como um passo possív
Resultado da COP reforçou liderança do Brasil no clima, diz ministro França
Sempre é possível ser mais ambicioso, mas o acordo avançou
Por que o ministro insiste tanto que o Brasil não foi tímido? Parece uma resposta a algo.
É exatamente isso. As ONGs estavam dizendo que o acordo foi fraco, que o Brasil poderia ter pressionado mais. França está respondendo: não, nós trabalhamos, nós negociamos, e conseguimos o que era possível conseguir.
E essa coisa do mercado de carbono — por que isso é uma vitória para o Brasil especificamente?
Porque o Brasil tem floresta, tem recursos naturais. Um mercado de carbono bem regulado permite que países como o Brasil monetizem a preservação ambiental. É uma forma de transformar a floresta em ativo econômico.
Mas se as ONGs acham que foi tímido, o governo não deveria estar preocupado?
Talvez. Mas França está dizendo que preocupação não é o mesmo que fracasso. O acordo avançou nas metas que eram realistas. Nem tudo que é crítica é válida.
E essa avaliação que vai fazer com os outros ministérios — o que ela significa?
Significa que agora vem o trabalho de verdade. Negociar em Glasgow é uma coisa. Implementar em casa, com Agricultura, com Meio Ambiente, é outra. Aí é que se vê se o Brasil cumpre ou não.
O Pulso
- O chanceler França rejeitou publicamente as críticas de ONGs que classificaram o acordo de Glasgow como tímido, defendendo que o avanço nas metas foi real e concreto.
- A tensão entre ambição climática e viabilidade política doméstica ficou exposta: o governo reconheceu que 'sempre é possível ser mais ambicioso', mas recusou-se a tratar o acordo como insuficiente.
- A regulamentação do mercado de carbono emergiu como o grande trunfo brasileiro na COP26, com França argumentando que as novas regras favorecem economias com o perfil do Brasil.
- Para conter incertezas sobre a implementação, três ministérios — Relações Exteriores, Meio Ambiente e Agricultura — anunciarão na semana seguinte uma avaliação conjunta das obrigações assumidas pelo país.
- O Brasil se posiciona como líder ambiental histórico, mas o desafio agora é transformar discurso diplomático em compromissos verificáveis no plano doméstico.
Em meio a um cenário global de urgência climática, o Brasil buscou reafirmar sua identidade como protagonista ambiental após a COP26 em Glasgow. O chanceler Carlos França, falando de Dubai ao lado do presidente Bolsonaro, defendeu o acordo como uma conquista legítima — especialmente a regulamentação do mercado de carbono —, invocando uma tradição diplomática que, segundo ele, remonta à Conferência do Rio de 1992. Num momento em que a credibilidade ambiental do país é contestada por vozes internas e externas, o governo optou por enquadrar o resultado não como um limite, mas como um passo possível dentro do que a política internacional permite.
Carlos França estava em Dubai com o presidente Jair Bolsonaro quando decidiu tomar a palavra para defender o desfecho da COP26. Para o chanceler, o acordo de Glasgow foi "muito bom" — e o Brasil saiu da conferência não apenas com resultados concretos, mas com sua reputação de liderança ambiental reforçada, uma posição que, segundo ele, o país carrega desde que sediou a conferência histórica do Rio de Janeiro, em 1992.
O ponto central da defesa de França foi a regulamentação do mercado de carbono, tema que havia dominado parte das negociações. Para ele, as regras estabelecidas em Glasgow favorecem diretamente economias com o perfil brasileiro, tornando esse capítulo do acordo uma vitória nacional. A participação do Brasil, afirmou, foi "altamente positiva" — e o resultado não o surpreendeu, pois era fruto de um esforço que já vinha sendo construído.
Diante das críticas de organizações não governamentais, que classificaram o acordo como aquém do necessário, França adotou um tom pragmático sem abrir mão da defesa. Reconheceu que a ambição poderia sempre ser maior, mas argumentou que o que foi negociado representava o máximo do que era politicamente viável — um avanço real, não uma concessão.
Para a semana seguinte, o ministro anunciou uma avaliação conjunta com Joaquim Leite, do Meio Ambiente, e Tereza Cristina, da Agricultura, para mapear as obrigações concretas assumidas pelo Brasil em Glasgow. A mensagem era de seriedade sem alarde: o governo pretendia cumprir o que havia acordado, mesmo sem fazer promessas além do que o momento permitia.
Carlos França, ministro das Relações Exteriores, estava em Dubai acompanhando o presidente Jair Bolsonaro quando fez questão de defender o resultado da COP26, realizada em Glasgow. Para ele, o acordo final foi "muito bom" e reforçou a posição do Brasil como líder ambiental — uma posição que, segundo França, o país mantém desde 1992, quando sediou a conferência do Rio de Janeiro.
O ministro rejeitou qualquer sugestão de que o Brasil tivesse sido tímido nas negociações. "Nós não estamos tímidos. Essa COP mostrou esse resultado", declarou, enfatizando que o trabalho realizado durante as discussões produziu frutos concretos. Para França, a participação brasileira foi "altamente positiva", embora ele tenha deixado claro que isso não o surpreendeu — o resultado, em sua visão, era consequência natural do esforço que já estava sendo feito.
O ponto que França mais destacou foi a regulamentação do mercado de carbono, um dos principais temas fechados na conferência. Ele considerou essa regulamentação uma vitória específica para países com o perfil do Brasil, sugerindo que as regras estabelecidas favorecem economias como a brasileira. Essa questão do mercado de carbono havia sido uma das prioridades nas negociações, e França viu nela um ganho direto para os interesses nacionais.
Quanto às críticas que algumas organizações não governamentais fizeram ao acordo — argumentando que ele havia sido tímido demais e não avançara o suficiente — França adotou um tom pragmático. Ele reconheceu que "sempre é possível ser mais ambicioso", mas defendeu que o acordo alcançado representava um avanço real nas metas que se imaginava ser possível atingir. Não era uma rejeição às críticas, mas uma contextualização: o que foi negociado era o que era viável negociar.
O ministro anunciou que, a partir da semana seguinte, ele e seus colegas Joaquim Leite, da pasta do Meio Ambiente, e Tereza Cristina, da Agricultura, fariam uma avaliação completa do resultado da COP e das obrigações específicas que o Brasil havia assumido. Essa avaliação seria importante para definir como o país implementaria seus novos compromissos climáticos. A mensagem implícita era que o governo estava levando a sério os acordos, mesmo que não fosse o momento de fazer promessas ainda maiores.
Citações Notáveis
O Brasil tem liderança desde 1992 neste tema. Nós não estamos tímidos. Essa COP mostrou esse resultado— Carlos França, ministro das Relações Exteriores
A regulamentação do mercado de carbono é uma vitória para países com perfil do Brasil— Carlos França