A guerra no Irã, que deveria consolidar o Partido Republicano em torno de uma causa comum, tornou-se o espelho de suas contradições internas: entre a lealdade ao líder e a responsabilidade com os governados. Com a aprovação de Donald Trump caindo para 33% e o preço da gasolina ultrapassando quatro dólares o galão, os republicanos enfrentam, a meses das eleições de meio de mandato, a velha tensão entre o poder que se sustenta e o povo que o sustenta.
Republicanos se dividem sobre guerra dos EUA com Irã enquanto aprovação de Trump cai
Só tem uma pessoa no país que não se importa com os preços da gasolina
Por que a guerra no Irã se tornou tão divisiva para os republicanos, se historicamente o partido é mais hawkish em questões de segurança?
Porque a segurança nacional é abstrata. O preço da gasolina é concreto. Quando as pessoas estão pagando quatro dólares o galão, argumentos sobre desarmar o Irã não pagam a conta.
Mas Trump ainda controla a base do partido, certo? Como os republicanos conseguem criticá-lo sem se alienarem?
Exatamente o dilema. Eles criticam a "condução" da guerra, não a guerra em si. Dizem que Trump não está vendo o sofrimento das pessoas. É uma crítica que mantém distância.
A aprovação de 33% é realmente tão ruim assim?
É o pior do mandato. Quando dois terços do país desaprova você, você está em território perigoso. E faltam apenas meses para as eleições.
Os democratas estão aproveitando isso?
Completamente. Estão chamando Trump de alheio, de desconectado. É uma narrativa poderosa quando as pessoas estão sofrendo economicamente.
E se os republicanos perderem o Congresso em novembro?
Aí Trump fica sem poder legislativo. Sem maioria, não consegue aprovar nada. A guerra continua, os preços continuam altos, e o partido inteiro paga o preço.
The Pulse
- A aprovação de Trump atingiu o pior nível do mandato — apenas 33% — enquanto sete em cada dez americanos reprovam a condução da guerra no Irã.
- O preço da gasolina, que estava abaixo de três dólares antes do conflito, já passa de quatro dólares, transformando uma guerra distante em crise doméstica palpável.
- Dentro do próprio partido, senadores e estrategistas republicanos rompem o silêncio e acusam Trump de ser alheio ao sofrimento econômico dos eleitores.
- Líderes como Mike Johnson tentam equilibrar lealdade ao presidente com reconhecimento das dificuldades, enquanto o Comitê Nacional Republicano aposta no ataque aos democratas como saída.
- Com apenas seis cadeiras de margem na Câmara, os republicanos sabem que novembro pode custar-lhes o controle do Congresso — e a guerra é o principal fator de risco.
A guerra no Irã, que deveria consolidar o Partido Republicano em torno de uma causa comum, tornou-se o espelho de suas contradições internas: entre a lealdade ao líder e a responsabilidade com os governados. Com a aprovação de Donald Trump caindo para 33% e o preço da gasolina ultrapassando quatro dólares o galão, os republicanos enfrentam, a meses das eleições de meio de mandato, a velha tensão entre o poder que se sustenta e o povo que o sustenta.
A poucos meses das eleições de meio de mandato, o Partido Republicano vive uma rachadura que a guerra no Irã não criou, mas expôs com clareza. O conflito, que deveria unir conservadores em torno da segurança nacional, tornou-se o principal ponto de ruptura interna.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos revelou que apenas 33% dos americanos aprovam a gestão de Trump — o pior índice do mandato atual. Três em cada dez eleitores aprovam a condução da guerra, e o preço da gasolina, que estava abaixo de três dólares o galão antes do conflito, já ultrapassa os quatro dólares, golpeando diretamente o cotidiano das famílias americanas.
Dentro do partido, a divisão é nítida. Mike Johnson, presidente da Câmara e aliado próximo de Trump, reconheceu o impacto econômico da guerra, mas apostou na normalização. O Comitê Nacional Republicano preferiu o ataque: acusou os democratas de financiar o regime iraniano por uma década e convocou os eleitores a escolher entre um partido que quer desarmar o Irã e outro que, segundo eles, não resolve nada.
Mas as vozes dissidentes crescem. Um senador da Virgínia disse abertamente que a guerra 'se tornou uma grande confusão' e criticou a falta de empatia do partido com os americanos que sofrem. Um estrategista republicano do Arizona foi mais direto ainda: 'Só tem uma pessoa no país que não se importa com os preços da gasolina, e essa mesma pessoa define os rumos do país.'
A matemática do Congresso torna o cenário ainda mais delicado. Na Câmara, os republicanos têm apenas seis cadeiras de margem sobre os democratas. No Senado, a folga é maior, mas insuficiente para afastar o nervosismo. Conscientes de que a guerra pode custar-lhes o controle legislativo, os republicanos tentam o difícil equilíbrio entre não trair Trump e não abandonar os eleitores que pagam a conta do conflito a cada vez que abastecem o carro.
A poucos meses das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o Partido Republicano enfrenta uma rachadura interna que ameaça sua coesão política. A guerra no Irã, que deveria unir o partido em torno de uma questão de segurança nacional, tornou-se justamente o ponto de ruptura — dividindo conservadores entre lealdade a Donald Trump e preocupação com o sofrimento econômico dos eleitores americanos.
A aprovação de Trump despencou. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada recentemente mostrou que apenas 33% dos americanos aprovam sua gestão, enquanto 64% a reprovam — o pior desempenho do mandato atual. O principal culpado é a guerra no Irã. Apenas três em cada dez eleitores aprovam a forma como o conflito vem sendo conduzido, e não há previsão de encerramento. Enquanto isso, o preço da gasolina, que estava abaixo de três dólares o galão antes do conflito começar, já ultrapassa os quatro dólares — um golpe direto na vida cotidiana dos americanos.
Dentro do partido, a divisão é clara. Um grupo mantém apoio irrestrito a Trump, argumentando que os Estados Unidos devem encerrar o conflito em nome da segurança nacional e acusando os democratas de querer simplesmente abandonar o confronto. Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes e forte aliado do presidente, reconheceu que o conflito contribuiu para o aumento dos preços, mas insistiu que a tendência é de normalização. O Comitê Nacional Republicano foi mais agressivo, declarando que os democratas passaram uma década financiando o regime iraniano e que os eleitores terão de escolher entre um partido comprometido em desarmar o Irã e outro que não resolve a situação.
Mas há vozes dissidentes crescentes. Um senador da Virgínia afirmou que a guerra "se tornou uma grande confusão" e que os republicanos precisam responder melhor às preocupações econômicas dos americanos. Ele criticou duramente a falta de empatia do partido, dizendo que os republicanos passaram meses prometendo que tudo ficaria bem enquanto os americanos vivem uma situação muito difícil — e Trump, segundo ele, estaria alheio a tudo isso. Um estrategista republicano do Arizona foi ainda mais direto: "Só tem uma pessoa no país que não se importa com os preços da gasolina, e essa mesma pessoa define os rumos do país."
Os republicanos agora vivem um delicado exercício de equilíbrio. Precisam manter o apoio a Trump, que ainda controla a base do partido, enquanto simultaneamente demonstram empatia com eleitores que sofrem os efeitos econômicos do conflito. Os democratas, por sua vez, aproveitam a impopularidade da guerra em suas campanhas, chamando de "desprezível" o fato de Trump estar alheio ao sofrimento dos americanos.
A matemática do Congresso torna tudo ainda mais urgente. Na Câmara dos Representantes, os republicanos ocupam 218 cadeiras contra 212 dos democratas, além de quatro vagas e um independente — uma margem apertada. No Senado, a situação é um pouco mais confortável, com 53 republicanos contra 45 democratas e dois independentes que costumam votar com a oposição. É justamente essa configuração frágil que torna as eleições de novembro um fator decisivo. Os republicanos começam a questionar a estratégia de Trump, conscientes de que a guerra no Irã pode custar-lhes o controle do Congresso.
Notable Quotes
A guerra se tornou uma grande confusão e os republicanos precisam responder melhor às preocupações econômicas dos americanos— Senador republicano da Virgínia
Os republicanos passaram meses dizendo que ia ficar tudo bem, e os americanos estão vivendo uma situação muito difícil— Crítica de dissidentes republicanos sobre a falta de empatia do partido