Renan, Ciro e Randolfe deixam Senado após derrotas eleitorais e longas trajetórias

Três décadas de poder sendo reconfiguradas em uma única eleição
Renan Calheiros, Ciro Nogueira e Randolfe Rodrigues deixam o Senado após longas trajetórias marcadas por influência política.
Mark

Por que a derrota desses três senadores importa tanto? Parecem ser apenas três pessoas saindo.

Mimi

Não são apenas três pessoas — são três décadas de poder sendo reconfiguradas. Calheiros estava lá desde 1995. Quando você tem alguém no Senado por 32 anos, ele não é só um senador, ele é uma estrutura de poder, uma rede de alianças, uma forma de fazer as coisas funcionar.

Luke

Mas a pergunta real é: por que perderam? A reportagem diz que Calheiros recebeu 22% dos votos. Isso é uma derrota clara ou era um cenário esperado?

Mimi

Parece ser uma derrota genuína. Calheiros estava confiante antes da apuração, segundo a reportagem. E Randolfe, que é o líder do governo Lula no Congresso, ficou em terceiro lugar. Isso não é uma transição planejada.

Mark

E qual é o impacto prático disso? O que muda no Senado?

Mimi

Muda tudo. O PT perde força — tinha três senadores veteranos e agora terá apenas nove no total. O PL, que é de direita, vai ter 28 senadores. Isso significa que pautas como o impeachment de ministros do STF ganham força.

Luke

Espera. A reportagem diz que 49 congressistas defendem o impeachment, mas só precisa de 54 votos. Então ainda não é maioria garantida?

Mimi

Exatamente. Hoje são 14 senadores com mandato que apoiam. Somados aos 35 eleitos, chegam a 49. Faltam cinco votos para os dois terços necessários.

Mark

Então essa é uma história sobre o fim de uma era e o começo de outra?

Mimi

É. Randolfe agradeceu os 150 mil votos que recebeu. Calheiros não se pronunciou. Ciro Nogueira agradeceu o carinho do povo. Todos saem de forma diferente, mas saem.

Luke

Uma coisa me intriga: a reportagem diz que Ciro Nogueira "chegou a figurar mais intenção que os concorrentes" nas pesquisas. Como alguém que liderava as pesquisas termina em terceiro?

Mimi

Isso é uma virada real. Significa que algo mudou entre a pesquisa e o voto. Talvez o voto útil, talvez o desgaste, talvez a rejeição ao governo anterior — Ciro foi ministro de Bolsonaro.

Mark

Então essa derrota não é só sobre esses três homens. É sobre qual direção o país está tomando?

Mimi

Exatamente. É sobre o PT enfraquecido, a direita fortalecida, e uma nova geração de políticos — Michelle Bolsonaro, Bia Kicis — entrando com força.

  • Renan Calheiros: 32 anos no Senado (1995-2027), presidente do Congresso três vezes, recebeu 22,24% dos votos
  • Randolfe Rodrigues: 53 anos, líder do governo Lula, ficou em terceiro com 18,55% dos votos no Amapá
  • Ciro Nogueira: ministro da Casa Civil (2021-2022), obteve 24,68% dos votos no Piauí
  • PL terá 28 senadores a partir de 2027, cerca de três vezes mais que o PT (9 senadores)
  • 49 congressistas defendem impeachment de ministros do STF; são necessários 54 votos para aprovação

Calheiros (32 anos no Senado), Nogueira e Randolfe perderam para novos candidatos em suas respectivas eleições estaduais. A derrota reflete enfraquecimento do PT e crescimento da direita, com PL conquistando maior bancada do Senado a partir de 2027.

Renan Calheiros, Ciro Nogueira e Randolfe Rodrigues, veteranos do Senado com décadas de carreira, não conseguiram se reeleger e deixarão o Congresso em 2027, marcando fim de uma era política.

Três dos nomes mais antigos do Senado Federal deixarão o Congresso Nacional em 2027, derrotados nas urnas após décadas de atuação política. Renan Calheiros, Ciro Nogueira e Randolfe Rodrigues — veteranos que acumulavam entre 22 e 32 anos de mandato — não conseguiram se reeleger e encerram trajetórias que moldaram a política brasileira das últimas três décadas.

Calheiros, aos 71 anos, é o que mais tempo permaneceu na Casa. Entrou no Senado em 1995 e ali se manteve por 32 anos, passando pela presidência do Congresso em três ocasiões: entre 2005 e 2007, quando renunciou após denúncias de corrupção; novamente de 2013 a 2015; e uma terceira vez de 2015 a 2017. Na eleição de outubro, recebeu 22,24% dos votos em Alagoas, ficando atrás de Arthur Lira, ex-presidente da Câmara, que conquistou 28,87%, e de Marina JHC, do PSDB, com 28,20%. Antes da apuração, Calheiros havia manifestado confiança na vitória. Após o resultado, manteve silêncio. Sua trajetória começou ainda na universidade, nos anos 1970, quando presidiu o diretório acadêmico da Universidade Federal de Alagoas e se filiou ao MDB durante a ditadura militar.

Randolfe Rodrigues, que aos 53 anos é o atual líder do governo Lula no Congresso, terminou em terceiro lugar no Amapá com 18,55% dos votos. Perdeu para Rayssa Furlan, do Podemos, que obteve 29,98%, e Lucas Barreto, do PSD, com 24,22%. Ambos são aliados do governador eleito do estado, Dr. Antônio Furlan, e sua vitória enfraquece a posição de Davi Alcolumbre, presidente do Congresso e membro da União Brasil, que agora vê seus apoios diminuírem. A derrota de Randolfe ocorre em contexto de crescimento da direita no país e enfraquecimento do PT. Ele havia sido eleito deputado federal em 1999 e permaneceu na Câmara até 2007, assumindo o Senado em 2011. Sua trajetória incluiu passagens pelo PSOL e Rede antes de retornar ao PT em 2023, após divergências com a então ministra Marina Silva sobre exploração de petróleo na foz do Amazonas. Em redes sociais, Randolfe agradeceu os mais de 150 mil votos recebidos e o carinho dos amapaenses.

Ciro Nogueira, que chegou a liderar as pesquisas de intenção de voto, obteve 24,68% dos votos no Piauí, perdendo para Marcelo Castro, do MDB, com 35,65%, e Júlio César, do PSD, com 26,97%. Nogueira também assumiu o Senado pela primeira vez em 2011 e serviu como ministro da Casa Civil entre 2021 e 2022 no governo Jair Bolsonaro, após ter sido deputado estadual no Piauí de 1995 a 2010. Em suas redes sociais, agradeceu as manifestações de carinho do povo piauiense.

A saída desses três veteranos marca uma transformação profunda na composição do Senado a partir de 2027. A nova configuração pode enfraquecer pautas como o fim da escala 6x1 e a CPI do Banco Master, enquanto abre espaço para que o debate sobre impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal ganhe força. Levantamento da Folha identificou que ao menos 49 congressistas — entre eleitos e titulares que continuarão — defendem o impeachment de ministros da corte, ainda que com ressalvas. Para aprovar o afastamento são necessários 54 votos, dois terços das cadeiras. Hoje, 14 senadores com mais quatro anos de mandato já se posicionaram a favor; a partir do próximo ano, somarão aos 35 eleitos que também endossam a medida.

O Partido Liberal emergiu como a maior força no novo Senado, com 28 parlamentares — 19 deles eleitos neste domingo. Isso representa cerca de três vezes mais representantes que o PT, segundo maior partido com nove senadores, dos quais seis foram eleitos agora. Entre os recém-eleitos, 29 foram apoiados por Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência que terminou a primeira etapa da disputa à frente de Lula. O filho do ex-presidente divulgou uma lista com 48 nomes e conseguiu emplacar 60% de seus aliados. Nomes como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, eleitas com recorde de votos pelo Distrito Federal, Guilherme Derrite por São Paulo e Carlos Portinho pelo Rio de Janeiro integram esse grupo que defende o impeachment de ministros do STF.

Quero agradecer a confiança de cada amapaense através dos mais de 150 mil votos que tive em minha candidatura ao Senado da República
— Randolfe Rodrigues, em vídeo publicado nas redes sociais
Só tenho a agradecer ao povo do Piauí pelas manifestações de carinho, de afeto. Cada abraço, cada aperto de mão, cada mensagem de incentivo
— Ciro Nogueira, em suas redes sociais
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